terça-feira, 26 de junho de 2007

Brasil registra elevação no nível do mar

     O nível do mar está avançando no Brasil, de acordo com o que os cientistas esperavam do aquecimento global, revela um estudo do IBGE divulgado nesta terça-feira (26), feito a partir de observações nas estações de monitoramento localizadas em Imbituba (SC) e Macaé (RJ).
     Em Ibituba, a elevação registrada foi de 1 cm entre dezembro de 2001 e dezembro de 2006, o que corresponde ao que seria esperado como conseqüência do aquecimento planetário, segundo Cláudia Lellis, gerente da Rede Maregráfica Permanente para Geodésia (RMPG), um projeto do IBGE, que monitora o nível dos mares brasileiros. Anualmente, a tendência de elevação anual no litoral catarinense, segundo o estudo, é de 2,5 mm -- um valor baixo, mas que, ao longo das décadas, causa estragos. Um estudo em andamento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro mostra algumas conseqüências do aquecimento para 2100 na cidade do Rio (veja o vídeo acima).
     A elevação em Macaé, no entanto, é preocupante e alta demais para ser explicada somente pelo aumento das temperaturas. No mesmo período observado, o avanço na cidade fluminense foi de 15 cm, muito acima do esperado. De acordo com o estudo, mesmo eliminando todos os efeitos climáticos, a elevação do mar está exagerada.
     "Não sabemos porque isso aconteceu. Alguma influência local está causando isso e precisamos investigar mais para saber exatamente o que é", afirmou Lellis ao G1. Segundo ela, o mais provável é que esteja ocorrendo um rebaixamento das camadas geológicas no local onde está a cidade. Ou seja, Macaé pode estar afundando –- e não o mar subindo.
     "Essa é a hipótese mais provável, mas neste momento não é possível apontar que esse realmente seja o caso", afirmou a pesquisadora. Entre as outras possibilidades estão a ação do vento, mais forte na região, que "empilharia" as águas costeiras, e alterações na hidrografia local causada pela ação humana.
     O IBGE possui ainda duas outras estações para monitorar o avanço do mar, uma em Salvador (BA) e outra em Santana (AP), mas elas funcionam há muito pouco tempo para seus dados serem confiáveis. Uma quinta estação, em Fortaleza, será instalada ainda neste ano.
 
Autor: Marília Juste - G1


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

Ipê-roxo tem propriedades anticancerígenas

     Cientistas americanos descobriram que uma substância extraída da casca do ipê-roxo mata um certo tipo de célula cancerígena, indicou nesta segunda-feira um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
     Segundo os pesquisadores do Centro Médico Southwestern, da Universidade do Texas, a descoberta pode abrir o caminho para um novo tratamento contra o tipo mais comum de câncer de pulmão.
     Um dos compostos tirados da casca da árvore, o "beta-lapachone", mostrou promissoras características anticancerígenas. Cientistas já estão utilizando a substância em testes clínicos para examinar seu resultado contra o câncer de pâncreas nos seres humanos.
     No entanto, até o momento ainda não se sabe como funciona o mecanismo que mata as células cancerígenas. "Basicamente, descobrimos o mecanismo de ação do beta-lapachone e uma forma de utilizar o remédio num tratamento individualizado", disse David Boothman, professor do Centro Oncológico Integral Harold Simmons e autor principal do estudo.
     Em sua pesquisa, os cientistas determinaram que o composto extraído da casca da árvore interage com uma enzima identificada como NQ01, encontrada em células de câncer pulmonar e outros tumores sólidos. Nos tumores, a substância é metabolizada e produz a morte celular sem danificar os tecidos não cancerosos, diz o estudo.
     A substância também altera a capacidade das células cancerígenas de reparar seu DNA, levando à sua morte. A radiação danifica o DNA das células, aumentando a presença de NQ01, segundo os cientistas.
     "Quando se dirige a radiação sobre um tumor, os níveis de NQ01 aumentam. Tratando as células com beta-lapachone, uma sinergia entre as duas substâncias leva a uma morte contundente" das células cancerígenas, disse Boothman.
 
Autor: EFE
 
Nota: A princípio devemos ter receio quanto ao uso do Ipê-roxo porque não é destacado qual espécie que se trata o estudo. Citam o nome popular e não o científico, sendo assim, devemos ter cautela (Wilson).


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

sábado, 23 de junho de 2007

Gore: Luta contra mudança climática é tão importante quanto antiterrorismo

     O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore declarou hoje em Barcelona que a luta contra a mudança climática é tão importante quanto combater o terrorismo e propôs que o dinheiro gasto na Guerra do Iraque seja empregado na defesa do meio ambiente.
     "O terrorismo não é a única ameaça. Caso uma parte da Groenlândia se derreta, os efeitos sobre Manhattan seriam muito piores do que o atentado de 11 de setembro de 2001", afirmou o ex-vice-presidente democrata, enquanto mostrava um gráfico de como as águas invadiriam Nova York.
      Para Gore, "lutar contra a mudança política não é só uma questão política, é uma questão moral". Segundo ele, o ser humano está diante de uma verdadeira grande guerra.
     "Nossa civilização contra a Terra", acrescentou.
     "Não é uma questão política. É uma questão ética. É moral. Se permitirmos isto, o dano ao planeta será tão grande que destruiremos cegamente nossa civilização e o futuro de nossos filhos. Temos de mudar", afirmou o autor do documentário "Uma Verdade Inconveniente".
     "Estamos queimando combustíveis fósseis a um ritmo que fará com que, em menos de 45 anos, os níveis de CO2 dobrem, o que, segundo a comunidade científica do mundo, seria uma catástrofe", disse.
     Al Gore participou do I Encontro Internacional de Amigos das Árvores, que terminou hoje em Barcelona e que promove a iniciativa de plantar 100 milhões de árvores na Espanha para frear a desertificação.
     "Plantar árvores não é a única solução, mas é parte da saída para a crise climática", disse o político americano ao apoiar a iniciativa espanhola.
     Gore destacou a atual situação de diferentes geleiras, além de casos como as neves do Kilimanjaro e as coberturas árticas, que estão desaparecendo por causa do aquecimento global.
     A crise ambiental leva "ao desaparecimento de enormes massas de gelo do Himalaia, o que poderia ameaçar rios como o Ganges ou o Amarelo. A cordilheira é fonte de recursos para 40% da população do mundo", afirmou o ex-candidato democrata à Casa Branca.
     Na opinião de Gore, "não se pode falar de ciclo, como fazem alguns céticos, já que temos nesta época os níveis mais altos de CO2 dos últimos mil anos".
     Em sua extensa palestra, defendeu uma ação conjunta para conter a mudança climática.
     "Os dez anos mais quentes estiveram entre os últimos 14 e no mesmo tempo se aqueceram também as águas dos oceanos. Tudo isto, segundo alguns cientistas, provoca fenômenos extremos como ciclones, furacões ou tornados, que aumentaram sua potência em 50% por causa do aquecimento global", segundo o ex-vice-presidente.
     "Depois do Katrina em Nova Orleans, quase 150 mil cidadãos não puderam voltar a suas casas, e me envergonho de como esta crise foi administrada. Muitos pensam que com o Katrina começou o período das conseqüências do aquecimento global", afirmou.
     "Não podemos falar de colonizar outros planetas quando somos incapazes de esvaziar Nova Orleans", ironizou Gore em sua conferência.
Para o ambientalista, só será possível lutar contra a destruição em escala global se os Estados Unidos assinarem o Protocolo de Kyoto e houver uma ação internacional contra o aquecimento do planeta.
     As companhias de seguros perderam juntas US$ 1 bilhão pelos desastres naturais e, após afirmar isto, Gore destacou as regiões que correm mais perigo, entre elas a África e a Amazônia.
 
Autor: EFE
 
Nota do BioWilson: Lembremo-nos que as terras da Amazônia são quase ao nível do mar e, com o seu aumento, inundaria a floresta. Claro que a Floresta Amazônica é adaptada para ficar um bom tempo sob a água, mas isso é alguns meses por ano. Com o aumento do nível do mar a floresta sucumbiria pelo excesso de água e pela salinização, conseqüentemente, a descomposição dessa biomassa liberaria mais gases do efeito estufa e aceleraria mais rapidamente os processos de alteração do clima.


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

Cientistas dos EUA criam biocombustível de frutas

     O açúcar encontrado em frutas como maçãs e laranjas pode ser convertido em um novo tipo de combustível com emissão reduzida de dióxido de carbono para os carros, de acordo com cientistas americanos.
     O combustível, feito a partir de frutose, tem várias vantagens sobre o etanol, segundo artigo dos pesquisadores na revista Nature.
Frutas
Seria este o combustível do futuro?
     Cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison dizem que a frutose pode ser convertida em um combustível chamado dimetilfurano, que pode armazenar 40% mais energia do que o etanol, não evapora tão facilmente e é menos volátil.
     Os cientistas dizem que a frutose pode ser obtida diretamente de frutas e plantas ou obtido a partir da glicose. Mas, segundo os cientistas, ainda seriam necessárias mais pesquisas para verificar o impacto ambiental deste novo combustível.
 
     Biodiesel
     Um outro relatório sobre biocombustíveis feito na Grã-Bretanha disse que já existe tecnologia para criar biodiesel não apenas de azeite de dendê, mas também de uma gama de materiais, inclusive madeira, ervas e sacos plásticos.
     Especialistas dizem que dentro de seis anos até 30% da demanda por diesel no país pode vir dessa fonte.
     Jeremy Tomkinson, do National Non-Food Crops Centre da Grã-Bretanha (Centro Nacional para Colheitas Não-Alimentícias da Grã-Bretanha, em tradução livre), disse que esta próxima geração de biocombustíveis pode atender a outras necessidades, além de movimentar veículos.
     "Imagine se componentes químicos industriais ou o combustível de aviões também vierem dessas fontes...Há um grande potencial", disse ele.
     O maior problema neste processo é o custo.
Estima-se que novas instalações para a produção deste tipo de combustível custem até dez vezes mais do que as atuais refinarias de biodiesel.
     Tanto na União Européia quanto nos Estados Unidos, políticos defendem o uso de biocombustíveis para reduzir emissões de dióxido de carbono e a dependência da importação de petróleo.
     Mas críticos dizem que os atuais biocombustíveis - tanto diesel feito de azeite de dendê quanto etanol feito de milho e cana-de-açúcar - encorajam os agricultores a optarem por estas culturas para produzir combustíveis.
     O processo já estaria levando a um aumento no custo dos alimentos, alegam.
 
Autor: Matt McGrath - BBC Brasil


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Ou mudamos ou morremos

     Hoje vivemos uma crise dos fundamentos de nossa convivência pessoal, nacional e mundial. Se olharmos a Terra como um todo, percebemos que quase nada funciona a contento. A Terra está doente e muito doente. E como somos, enquanto humanos também Terra (homem vem de humus=terra fértil), nos sentimos todos, de certa forma, doentes. A percepção que temos é de que não podemos continuar nesse caminho, pois nos levará a um abismo. Fomos tão insensatos nas últimas gerações que construímos o princípio de auto-destruição. Não é fantasia holywoodiana.
     Temos condições de destruir várias vezes a biosfera e impossibilitar o projeto planetário humano. Desta vez não haverá uma arca de Noé que salve a alguns e deixa perecer os demais. O destino da Terra e da humanidade coincidem: ou nos salvamos juntos ou sucumbimos juntos.
     Agora viramos todos filósofos, pois, nos perguntamos entre estarrecidos e perplexos: como chegamos a isso? Como vamos sair desse impasse global? Que colaboração posso dar como pessoa individual?
     Em primeiro lugar, há de se entender o eixo estruturador de nossas sociedades hoje mundializadas, principal responsável por esse curso perigoso. É o tipo de economia que inventamos. A economia é fundamental, pois, ela é responsável pela produção e reprodução de nossa vida. O tipo de economia vigente se monta sobre a troca competitiva. Tudo na sociedade e na economia se concentra na troca. A troca aqui é qualificada, é competitiva. Só o mais forte triunfa. Os outros ou se agregam como sócios subalternos ou desaparecem. O resultado desta lógica da competição de todos com todos é duplo: de um lado uma acumulação fantástica de benefícios em poucos grupos e de outro, uma exclusão fantástica da maioria das pessoas, dos grupos e das nações.
     Atualmente, o grande crime da humanidade é o da exclusão social. Por todas as partes reina fome crônica, aumento das doenças antes erradicadas, depredação dos recursos limitados da natureza e um ambiente geral de violência, de opressão e de guerra.
     Mas reconheçamos: por séculos essa troca competitiva abrigava a todos, bem ou mal, sob seu teto. Sua lógica agilizou todas as forças produtivas e criou mil facilidades para a existência humana. Mas hoje, as virtualidades deste tipo de economia estão se esgotando. A grande maioria dos países e das pessoas não cabem mais sob seu teto. São excluídos ou sócios menores e subalternos, como é o caso do Brasil. Agora esse tipo de economia da troca
competitiva se mostra altamente destrutiva, onde quer que ela penetre e se imponha. Ela nos pode levar ao destino dos dinossauros.
     Ou mudamos ou morremos, essa é a alternativa. Onde buscar o princípio articulador de uma outra sociabilidade, de um novo sonho para frente? Em momentos de crise total precisamos consultar a fonte originária de tudo, a natureza. Que ela nos ensina? Ela nos ensina, foi o que a ciência já há um século identificou, que a lei básica do universo, não é a competição que divide e exclui, mas a cooperação que soma e inclui. Todas as energias, todos os elementos, todos os seres vivos, desde as bactérias e virus até os seres mais complexos, somos inter-retro-relacionados e, por isso,
interdependentes. Uma teia de conexões nos envolve por todos os lados, fazendo-nos seres cooperativos e solidários. Quer queiramos ou não, pois essa é a lei do universo. Por causa desta teia chegamos até aqui e poderemos ter futuro.
     Aqui se encontra a saída para um novo sonho civilizatório e para um futuro para as nossas sociedades: fazermos desta lei da natureza, conscientemente, um projeto pessoal e coletivo, sermos seres cooperativos. Ao invés de troca
competitiva onde só um ganha devemos fortalecer a troca complementar e cooperativa, onde todos ganham. Importa assumir, com absoluta seriedade, o princípio do prêmio de economia John Nesh, cuja mente brilhante foi celebrada por um não menos brilhante filme: o princípio ganha-ganha, onde todos saem beneficiados sem haver perdedores.
     Para conviver humanamente inventamos a economia, a política, a cultura, a ética e a religião. Mas nos últimos séculos o fizemos sob a inspiração da competição que gera o individualismo. Esse tempo acabou. Agora temos que
inaugurar a inspiração da cooperação que gera a comunidade e a participação de todos em tudo o que interessa a todos.
     Tais teses e pensamentos se encontram detalhados nesse brilhante livro de Maurício Abdalla, "O princípio da cooperação". Em busca de uma nova racionalidade. Se não fizermos essa conversão, preparemo-nos para o pior. Urge começar com as revoluções moleculares. Começemos por nós mesmos, sendo seres cooperativos, solidários, compassivos, simplesmente humanos. Com isso definimos a direção certa. Nela há esperança e vida para nós e para a Terra.
 
Autor: Leonardo Boff é teólogo, filósofo, espiritualista, e ecologista. Ajudou a formulara a Teologia da Libertação e escreveu mais de sessenta livros. É professor emérito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

China contrata 'humanos farejadores' para detectar poluição

     A China vai começar a usar uma nova arma no combate aos poluidores ilegais - humanos treinados para farejar gases poluidores, segundo a imprensa do país.
    
Poluição na China
"Farejadores" afirmam que cheirar poluição é "bem desagradável".
O jornal China Daily informou que a cidade de Guangzhou, no sul da China, usará "narizes profissionais" - semelhantes aos usados na indústria de perfumes - para detectar emissões de fábricas que estejam fora da lei.
     Os novos "farejadores humanos" foram treinados por especialistas em meio ambiente.
     A equipe dos 11 "narizes profissionais" foi treinada nos melhores laboratórios de proteção ambiental e controle de poluição atmosférica.
 
     Desagradável
     A estação de monitoramento de Panyu vai empregar em breve pessoas com os narizes mais sensíveis para farejar gases poluidores e, com a ajuda de equipamentos científicos, fornecerá uma leitura mais precisa da qualidade do ar.
     "Estes gases sujos já se transformaram em nossos maiores poluentes e são liberados por indústrias de borracha, químicos e refinarias de petróleo, locais de processamento de lixo e esgotos. Eles causam danos ao sistema respiratório de humanos", afirmou o vice-diretor da estação, Liu Jingcai.
     "Nosso equipamento pode analisar de forma precisa a densidade de um gás particular, mas com gases misturados eles não são confiáveis e também não podem informar os efeitos em humanos", disse.
     Mas, segundo Jingcai, a experiência do treinamento não foi muito boa.
     "O trabalho é bem desagradável. Tivemos que ficar em um laboratório cheirando aqueles gases horríveis repetidamente", afirmou.
     "Aperfeiçoamos as habilidades olfativas a partir de várias fontes de poluição. Isto vai ajudar os esforços para detectar e levar à Justiça os que violam as leis de poluição", disse.
     A equipe de Liu Jingcai vai começar a liberar os certificados que vão permitir que todos iniciem oficialmente suas carreiras como narizes profissionais.
     Segundo o China Daily os certificados serão válidos durante três anos, pois o sentido do olfato diminui com o envelhecimento.
 
Autor: BBC Brasil


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

A transposição da maldição?

     O Governo, através do Ministério da Integração Nacional, declarou que "vai sair do campo da retórica" e já vai proceder a licitação das obras, orçadas nesta etapa, em R$ 100 milhões em vista da transposição do rio São Francisco. Derrubadas as liminares na Justiça, dissuadido o bispo que fez greve de fome, Dom Luiz Flávio Cappio, e com o discutível aval do Instituto Brasileiro de Agricultura e Meio Ambiente (IBAMA), o Governo pretende realizar agora a transposição. O argumento de base é emocional: "Não se pode negar uma caneca de água a 12 milhões de vítimas da seca".
     É exatamente no afã de dar água ao triplo de vítimas da seca que se deve questionar o projeto. Baseio meus dados num artigo publicado no dia 23 de fevereiro em O Estado de São Paulo do respeitável jornalista Washington Novaes "Um novo desfile e a mesma fantasia" e em outras fontes.
     O apoio principal do projeto foi dado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, onde o governo federal, sozinho, tem a maioria dos votos. Ao contrário, grandes especialistas na área como os professores Aziz Ab'Saber e Aldo Rebouças, da Universidade de São Paulo (USP), Abner Curado, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, mostraram que o problema no Semi-Árido é mais de gestão do que de escassez.
     A Agência Nacional de Aguas (ANA) mostrou que é possível abastecer os municípios sem precisar da transposição do rio. O IBAMA, que deu o aval, forneceu, sem querer, argumentos contra o projeto. Reconhece que 70% da água seriam para irrigação e 26% para o abastecimento de cidades; que a maior parte da água transposta iria para açudes onde se perde até 75% por evaporação; que 20% dos solos que se pretendia irrigar "têm limitações para uso agrícola"e "62% dos solos precisam de controle, por causa da forte tendência à erosão".
     O Tribunal de Contas da União (TCU) diz que o projeto não beneficiará o número de pessoas pretendido. Efetivamente, as comparações entre os projetos do Governo e da ANA, feitas pelo coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Roberto Malvezzi, bom conhecedor da bacia do São Franscisco, mostrou que o do Governo custaria R$ 6,6 bilhões, atenderia apenas a quatro Estados (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará) beneficiando 12 milhões de pessoas de 391 municípios, enquanto o projeto da ANA custaria 3,3 bilhões, atingindo nove estados (Bahia, Sergipe, Piauí, Alagoas, Pernambuco, Rio do Norte, Paraíba, Ceará e Norte de Minas), beneficiando 34 milhões de pessoas de 1356 municípios.
     O próprio Comitê de Gestão da Bacia que conhece bem as questões do rio, foi por 44 votos a 2 contra a transposição; diz ainda que esta atende a menos de 20% do Semi-Árido e que 44% da população do meio rural continuaria sem água. São razões de grande peso.
     Se o Governo quiser efetivamente levar água aos sedentos do Nordeste deve reabrir a discussão pública ou então encampar o projeto da ANA. Caso não ocorrer, podemos contar com nova greve de fome do bispo. Entre o povo que não quer a transposição e as pressões de autoridades civis e eclesiásticas, ele ficará do lado do povo. E irá até o fim. Então a transposição será aquela da maldição, feita à custa da vida de um bispo santo e evangélico. Estará o Governo disposto a carregar esta pecha pelo futuro afora?
 
Autor: Leonardo Boff é escritor, autor dos livros "Mística e Espiritualidade" e "A Águia e a Galinha.: uma metáfora da condição humana".


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

Uma outra visão de biodiversidade

     A mais de um ano, o Brasil foi sede da Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológico (COP 8), evento que reuniu mais de 100 países em discussões em torno do tema da manutenção, conservação e preservação da biodiversidade planetária. Mesmo sediando importantíssimo debate, em nosso país, parece que pouco mudou.
     Num momento em que a crise socioambiental está mais do que posta, em que dezenas de estudos confirmam as mudanças climáticas e suas conseqüências para fauna, flora e é claro, para nós humanos, o Brasil, ao invés de avançar, está retrocedendo em muitos pontos.
     A apropriação privada da natureza está cada vez mais posta em nosso país. Seja através das obras tão "comemoradas" do PAC (obviamente para os detentores do capital), nas quais se destaca a tal transposição dos São Francisco, a ampliação das hidrelétricas; seja através dos projetos de desenvolvimento socioeconômico, como as monoculturas de árvores exóticas no solo gaúcho. Exemplos típicos de que a manutenção e preservação da biodiversidade e as mudanças climáticas não estão preocupando muito os "nossos" detentores do poder.
     A natureza, os elementos naturais são vistos e transformados em mercadorias, ou ainda como objetos de troca em busca do lucro (ou seja, são recursos naturais). Fato que já era denunciado no início do desenvolvimento do capitalismo por Karl Marx - todo o espírito da produção capitalista, orientado para o lucro monetário imediato, está em contradição com a agricultura – por que não dizer, em contradição com a natureza como um todo. O lucro, o imediatismo em primeiro lugar, depois se pensa no futuro (que já não está tão longe assim), nas questões relativas ao meio ambiente.
     Marx considerava a "natureza como corpo inorgânico do homem" (e, certamente das mulheres), conseqüentemente extensões do nosso corpo, da qual dependemos e necessitamos. A Natureza não é só onde o homem desenvolve sua práxis, mas a totalidade de Tudo que existe.
     O capitalismo se apropriou da natureza de tal forma, que esse Tudo, ficou efetivamente distante de nós, e pouco se vê mecanismos para com que voltemos a nos relacionar com esse Tudo -Todo.
     Pensemos a "tão sonhada" expansão das monoculturas de eucalipto no RS, contraria qualquer finalidade de preservação, conservação e manutenção da biodiversidade. Ao invés de nos empenhar para manter nossa biodiversidade, poder público e poder econômico "pensam" somente nas variáveis econômicas. E ainda quando sai o Zoneamento Ecológico para tal atividade, este é rechaçado, pois restringe a atividade ao considerar "apenas" a questão ambiental.
     E Marx nos alertou que o cada progresso da agricultura capitalista (monoculturas de eucalipto são atividades agrícolas, ou melhor, agrobussines) não é só um progresso da arte de saquear o solo, pois cada progresso no aumento da fertilidade por certo período é simultaneamente um progresso na ruína das fontes permanentes dessa fertilidade. E ainda que a produção capitalista só desenvolve a técnica e a combinação do processo de produção social ao minar simultaneamente as fontes de toda a riqueza: a terra e o trabalhador.
     Pensar biodiversidade mais do que nunca tem que passar pelo pensar econômico, político, social. Pensar que a variável biodiversidade precisa ser considerada no planejamento e desenvolvimento da agricultura, indústria e até mesmo obras públicas. Há a necessidade de "uma completa revolução em nossa maneira de produzir e, ao mesmo tempo, de toda a ordem social atualmente dominante", também nos expôs Engels.
     Enfim, certamente que Marx, Engels não eram ambientalistas, longe disso, pois suas preocupações eram outras, porém suas idéias estimulam pensarmos que é possível promover uma ruptura com a ideologia produtivista do progresso, reorientando esse progresso à preservação e conservação da diversidade biológica, e também cultural. E, através deste poderemos produzir novas relações entre os humanos e natureza, e gerando assim, a superação do sistema capitalista produtor de mercadorias antes que ele destrua todas as nossas "naturezas".
 
Autora: Cintia Barenho é bióloga e mestranda em Educação Ambiental na Fundação Federal de Rio Grande (FURG). Cintia também integra o Centro de Estudos Ambientais (CEA) em Pelotas (RS).


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Novo biocombustível pode desbancar etanol

     Químicos americanos dizem ter conseguido um avanço importante na área dos biocombustíveis, transformando um tipo de açúcar de origem vegetal num líquido que tem 40% mais energia se comparado ao mesmo volume de etanol (álcool de cana). 
     Embora o etanol seja o único combustível automotivo produzido em grandes quantidades a partir da biomassa, há outras fontes potencialmente ricas de energia nas plantas. São as grandes cadeias de átomos chamadas de carboidratos - nas plantas, compostas por seis átomos de carbono e seis de oxigênio. Mas os motores dos carros gostam de versões menos "gordas" dessas moléculas, carregando entre cinco e 15 átomos de carbono e pouco oxigênio.
     É por isso que o etanol ainda tem níveis relativamente altas de oxigênios, os quais reduzem sua densidade de energia, fazem-no evaporar com facilidade e o tornam vulnerável à contaminação com água, por meio da umidade atmosférica.
     Engenheiros da Universidade de Wisconsin em Madison dizem ter conseguido achar um jeito de contornar o problema com um processo que produz o 2,5 dimetilfurano, ou DMF. Quando comparado com o mesmo volume de etanol, ele produz cerca de 40% mais energia, além de não ser solúvel em água e ser mais estável quando armazenado.
     No processo de produção, relatado na edição desta semana da revista científica "Nature" (www.nature.com), determinadas enzimas (substâncias que aceleram reações químicas orgânicas) reorganizam os carboidratos das plantas numa forma altamente oxigenada de açúcar, a frutose. Depois, outras substâncias são usadas para "arrancar" os átomos de oxigênio da frutose original, até completar a produção do DMF.
     Ainda há muito trabalho a ser feito antes que o novo biocombustível seja uma opção comercial viável, mas os pesquisadores dizem acreditar que ele é uma promessa importante para esse tipo de energia no futuro.
Autor: De France Presse - G1


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

terça-feira, 19 de junho de 2007

WWF denuncia resíduos de embarcações no Báltico

     Todos os anos vão parar no Mar Báltico 100 milhões de descargas e 1,6 bilhão de litros de águas residuais procedentes de embarcações, denunciou hoje o Fundo Mundial para a Natureza (WWF).
     Segundo um relatório apresentado hoje em Stralsund, no litoral alemão, estas águas levam consigo cerca de 450 toneladas de nitratos e 150 toneladas de fosfatos, substâncias que levam à proliferação da tóxica alga azul.
     A organização fez seus cálculos com base em um estudo realizado entre 50 companhias barqueiras que operam no Mar Báltico. O estudo revelou que a percentagem de navios que se desfaz de suas águas residuais em terra não chega a 25%.
 
Autor: EFE - Terra


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

Biodiversidade caiu 30% em 30 anos, diz cientista

     Desde 1961 até agora, o ser humano triplicou o uso dos recursos naturais da Terra, provocando, com isso, uma queda de 30% da biodiversidade mundial. Hoje, só há dois cenários possíveis: a sustentabilidade ou o colapso dos ecossistemas e, conseqüentemente, da humanidade. Por isso, o único meio de recuperar a capacidade do planeta é proteger e conservar os ecossistemas.
     O diagnóstico do diretor do Instituto de Ecologia Política do Chile, Bernardo Reyes, foi apresentado nesta segunda-feira no Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação. Até quinta-feira, o encontro reúne cerca de 1,7 mil pessoas de 20 nacionalidades em Foz do Iguaçu.
     Para Jeff Price, do departamento de Ciências Geológicas e Ambientais da Universidade Estadual da Califórnia, a questão que se coloca atualmente não é se a biodiversidade será afetada pelas mudanças climáticas, mas o quanto ela será afetada.
     Embora reconheça o esforço de alguns países, ele questiona o que os gestores de unidades de conservação podem fazer para proteger suas áreas. De acordo com o ambientalista, falta informação básica, observação e monitoração de sistemas, infra-estrutura política, institucional e tecnológica, verba e priorização de áreas vulneráveis.
     "Evitar o desmatamento, reflorestar áreas com espécies nativas, monitorar as mudanças climáticas e como os ecossistemas reagem a elas são fatores importantes para ajustar as estratégias de conservação".
 
Autor: Agência Brasil - Terra


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

Cientistas americanos alertam sobre ameaças da mudança climática

     Seis especialistas de algumas das mais prestigiosas instituições científicas dos Estados Unidos alertam em uma publicação britânica que a civilização está ameaçada pela mudança climática.
     Os seis cientistas criticam implicitamente o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), da ONU, por subestimar a elevação do nível dos oceanos neste século como conseqüência do derretimento das geleiras e das calotas polares.
     Em vez de uma elevação de 40 centímetros do nível do mar, prevista pelo IPCC, os cientistas americanos - liderados por James Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa - prevêem que o nível dos oceanos subirá vários metros até 2100.
     O relatório alarmante da equipe de cientistas, divulgado hoje pelo jornal britânico "The Independent", foi publicado na revista "Philosophical Transactions of the Royal Society".
     Além de Goddard, assinam o trabalho Makiko Sato, Pushker Kharecha e Gary Russell, também do Instituto Goddard; David Lea, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara; e Mark Siddall, do Lamont-Doherty Earth Observatory na Columbia University, de Nova York.
     No estudo, de 29 páginas, intitulado "A mudança climática e os gases estufa", os seis pesquisadores renunciam em algumas ocasiões à fria linguagem científica para insistir na importância dos problemas e desafios impostos pelo aquecimento do planeta.
     Os especialistas afirmam que "a civilização se desenvolveu e construiu amplas infra-estruturas durante um período de estabilidade climática pouco comum, o Holoceno, que já dura quase 12 mil anos e que está perto de acabar".
     Segundo os cientistas americanos, a humanidade não pode permitir a queima continuada das reservas subterrâneas de combustíveis fósseis restantes, pois fazê-lo significa que terá "um planeta diferente do que serviu de suporte à atual civilização".
     Segundo James Hansen, a humanidade tem apenas dez anos para aplicar as duras medidas necessárias para reduzir as emissões de CO2 para evitar a elevação das temperaturas do planeta.
     Se não for assim, o aquecimento resultante pode fazer com que as calotas polares se derretam rapidamente, processo que se agravará ainda mais quando a luz do sol, que atualmente é refletida pela superfície branca dos gelos, começar a ser absorvida pelas escuras águas marinhas.
     Trata-se do efeito albedo, ou seja, a reflexão da radiação solar quando incide sobre o planeta: as superfícies claras, por exemplo, o gelo e a neve, se caracterizam por um maior albedo, enquanto as florestas, as rochas e os oceanos - superfícies obscuras - têm um inferior.
     O último relatório do IPCC atribui um efeito mínimo ao derretimento dos gelos da Groenlândia e da Antártida sobre a elevação do nível dos oceanos neste século.
     Os especialistas americanos discordam: para eles, as análises do IPCC não consideram suficientemente a "física não-linear da desintegração" das placas, correntes e plataformas de gelo.
     Sua conclusão é que o nível de risco representado pelos gases liberados pela ação do homem é muito mais baixo do que normalmente se pensa e, se já não foi atingido, é certo que demorará muitas décadas antes de se chegar ao ponto crítico.
 
Autor: EFE - Terra


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

Europa encomenda novo satélite ambiental

     A Agência Espacial Européia (ESA) encomendou à companhia Thales Alenia Space um satélite Sentinel 1, o primeiro de uma série de sondas que acompanharão, ao vivo, as mudanças ambientais do planeta, durante o 47º Salão Aeroespacial de Le Bourget, nos arredores de Paris.
     Os cinco membros da família Sentinel substituirão o Envisat, o maior satélite de observação da Terra, que em março passado superou os cinco anos de vida para os quais havia sido construído.
     "Fizemos a escolha por satélites menores, mas especializados, que permitem reduzir o risco" de fracasso no momento do lançamento, explicou Volker Liebig, diretor dos programas de observação da Terra na ESA.
     O Sentinel 1 é o primeiro elemento do futuro Observatório Global para o Meio Ambiente e a Segurança (GMES, na sigla em inglês), que constitui uma rede de vigilância terrestre.
     Segundo Liebig, o Envisat dispõe de combustível suficiente para durar até 2010 e, se tiverem êxito os programas de economia de combustível, poderá inclusive prolongar sua vida útil até 2011 ou 2012.
 
Autor: France Presse - G1


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Comissão aprova aumento de penas para crimes ambientais

     A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovou, no último dia 30.05, o Projeto de Lei nº 80/07, do Deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), que muda artigos da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) para aumentar as penas previstas para várias ações danosas ao meio ambiente. As mudanças atingem especialmente os casos de desmatamento; morte de animais aquáticos; atividades de mineração; e danos ecológicos em áreas de preservação permanente.
     A relatora, Deputada Marina Maggessi (PPS-RJ), apresentou parecer favorável e destacou que o projeto dará às autoridades meios mais eficazes de combater práticas ilegais. "Notadamente aquelas em escala empresarial, como a extração e o comércio ilegal de madeira, carvão e lenha, a mineração sem licença e os danos à vegetação em áreas de preservação permanente."
 
Desmatamento e poluição
     A detenção de um a três anos prevista atualmente para destruição ou corte de árvores de floresta considerada de preservação permanente foi transformada em pena de reclusão, com acréscimo de multa. Atualmente, todas as penas podem ser trocadas por multa, caso a Justiça considere mais adequado.
     Segundo o projeto, a destruição de florestas nativas ou plantadas e da vegetação fixadora de dunas ou protetora de mangues será crime punido com reclusão de um a três anos e multa. Atualmente, esse ato é sujeito a detenção de três meses a um ano e multa. No caso de desmatamento de floresta em terras de domínio público ou devolutas sem autorização, a pena será ampliada para reclusão de dois a quatro anos.
     Para casos de morte da fauna aquática por poluição das águas, a legislação atual estabelece apenas a detenção de um a três anos. Segundo o projeto, a pena passará a ser de reclusão por três anos, acrescida de multa.
 
Mineração
     Os crimes relativos a atividades de mineração passarão, segundo o texto, a ter penas de reclusão de um a dois anos e multa. Atualmente, essas práticas são punidas com detenção de seis meses a um ano. Entre os crimes especificados no projeto, estão:
- Extrair pedra, areia, cal ou minerais de florestas de domínio público ou consideradas de preservação permanente;
- receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal sem exigir a licença do vendedor;
- executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem autorização dos órgãos ambientais.
 
Legislação branda
     De acordo com Mendes Thame, o combate aos crimes ambientais é dificultado pela excessiva brandura da legislação ambiental. "Hoje, quando se consegue prender o traficante ou o comerciante de madeira ilegal, ele simplesmente paga uma fiança e depois sai livre", ressaltou. Mendes Thame destacou que a atual legislação representa um estímulo à prática de infrações, "tendo em vista o alto lucro proporcionado pelos crimes ambientais".
      Ele enfatizou que a prática de crimes ambientais "é organizada, estratificada e departamentalizada, e adquire características empresariais e semelhantes às atividades de máfia".
 
Tramitação
O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, antes de seguir para o Plenário.
 
 


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

ONU: 20% da América do Sul pode virar deserto

     A América do Sul pode perder até um quinto de suas terras produtivas até 2025, alerta a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD, sigla em inglês).
     Segundo a entidade, o processo de desertificação no continente sul-americano tem se intensificado nos últimos anos, principalmente em países de grandes extensões, como a Argentina e o Brasil.
     Em entrevista à BBC Brasil, o oficial da unidade de facilitação para América Latina e Caribe da UNCCD, o brasileiro Heitor Matallo, afirma que as mudanças climáticas estão agravando o problema.
     "Há um ciclo em que um fenômeno alimenta o outro. Se o meio ambiente é degradado com desmatamento e erosão, os reservatórios de água diminuem, aumentando as áreas desertas", afirma Matallo.
     "Por sua vez, essas terras degradadas influenciam no clima, impedindo a formação de chuvas e aumentando ainda mais a desertificação."
     As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, dois dias antes do Dia Mundial da ONU para o Combate à Desertificação. Este ano, a campanha aborda a ligação entre a desertificação e o aquecimento global.
 
     Perdas econômicas
     Segundo Matallo, 1,5 milhão de km² do território brasileiro são compostos de áreas semi-áridas e abrigam 40 milhões de pessoas. A Argentina, com território de 3 milhões de km², tem 1,75 milhão de Km² cobertos pelo deserto.
     O representante da ONU diz que a área semi-árida do nordeste brasileiro, com o clima sujeito a secas freqüentes, vem aumentando com a degradação ambiental e as mudanças climáticas.
     "Se até 2050 a temperatura do planeta subir 6 graus, a área semi-árida do nordeste pode aumentar outro milhão de quilômetros quadrados", estima Matallo.
     "Sem falar da Amazônia, que já sofre com os efeitos da seca." Matallo ainda ressalta que as perdas econômicas provocadas pela desertificação na América Latina chegam a US$ 20 bilhões por ano.
     "Só o Brasil perde US$ 5 bilhões em solos que se tornam improdutivos." A desertificação é um processo que leva à degradação das terras, tornando-as improdutivas.
     Pode ser causada pela ação humana, entre outros fatores. O uso incontrolado da terra para cultivos e pastagens, além do desmatamento e pouca irrigação, estão transformando terras férteis em desertos.
     A ONU estima que a desertificação atinja cerca de 30% das terras do planeta, que abrigam cerca de 1,2 bilhão de pessoas.

Autora: Fernanda Nidecker - BBC Brasil


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

Paris vai 'fritar' com aquecimento

     As mortais ondas de calor na região do Mediterrâneo, como as que mataram cerca de 18 mil pessoas em 2003, podem se tornar corriqueiras neste século se as tendências atuais de emissão dos gases do efeito estufa não sofrerem alterações, disseram pesquisadores nesta sexta-feira (15/06). 
     O número de dias perigosamente quentes na região do Mediterrâneo, que inclui territórios na Europa, na África e no Oriente Médio, pode aumentar de 200% a 500%, segundo um estudo publicado na revista "Geophysical Research Letters. A França registraria a maior elevação no número de dias extremamente quentes, segundo o estudo.
     Paris iria literalmente fritar caso as simulações citadas no artigo se verifiquem efetivamente -- a capital francesa registraria durante dezenas de dias por ano temperaturas superiores às da época da letal onda de calor de 2003.
No entanto, a redução das emissões de gases do efeito estufa tornaria 50% menos intensos os dias perigosamente quentes, afirmaram os autores do estudo, no qual se analisaram simulações climáticas abrangendo o período até 2099.
     Cerca de 15 mil pessoas morreram na França devido à onda de calor de 2003 e quase 3.000 na Itália naquele mesmo verão. "Hoje os acontecimentos raros, como a onda de calor que atingiu a Europa em 2003, tornam-se muito mais comuns na medida em que aumenta a concentração de gases do efeito estufa", disse em um comunicado o pesquisador Noah Diffenbaugh, da Universidade Pardue, em Indiana.
     Diffenbaugh acrescentou que essas temperaturas "tornam-se o padrão e que os eventos extremos previstos para o futuro não terão precedentes quanto à sua violência". Os dias mais quentes dos verões de hoje, segundo o pesquisador, vão se transformar nos dias mais amenos dos verões futuros. Também participaram do estudo outros cientistas dos EUA, da Itália e da China.
     Além da ameaça à vida, essas temperaturas extremamente elevadas poderiam prejudicar a economia da região mediterrânea, afirmou Jeremy Pal, da Universidade Loyola Marymount, na Califórnia, e co-autor do estudo. No total, 21 países são banhados pelas águas do Mediterrâneo, o que inclui as cidades de Roma, Paris, Barcelona, Argel, Cairo, Istambul e Tel Aviv.
Fonte: Deborah Zabarenko - Reuters/G1


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

"Doenças ambientais" matam 233 mil por ano no Brasil

     Cerca de 233 mil pessoas morrem todo ano no Brasil por exposição a fatores de risco ambiental, como poluição, água não tratada e grandes estruturas urbanas, revelou nesta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).
     Significa dizer que 19% de todas as mortes no país poderiam ser evitadas se fossem adotadas políticas públicas eficientes, de acordo com os dados do primeiro levantamento deste tipo feito pela entidade sediada em Genebra.
Menino ao lado de esgoto aberto em favela do Rio
Falta de saneamento mata 15 mil por ano no Brasil, diz OMS
     Falta de higiene, saneamento básico e poluição do ar matam 32 mil brasileiros por ano, indicaram os dados.
     A pesquisa levou em consideração as condições enfrentadas pelos brasileiros em seu dia-a-dia.
     Em um país em que 84% da população vive nas cidades, a poluição do ar mata 12,9 mil pessoas por ano.
     Com 22% das pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, a falta de água tratada e de redes de esgoto tiram a vida de 15 mil brasileiros por ano.
     A OMS disse ainda que 4,1 mil mortes por ano poderiam ser evitadas se 13% dos lares brasileiros que hoje utilizam carvão ou madeira para cozinha substituíssem esses combustíveis por alternativas consideradas limpas, como gás encanado.
 
Crianças com malária na África
Um quarto das doenças poderia ser evitada
com medidas eficientes

     "Estas estimativas por país são um primeiro passo na direção de ajudar governantes em relação às prioridades para ação preventiva nas áreas de saúde e meio ambiente", disse a diretora-geral assistente de Desenvolvimento Sustentável da OMS, Susanne Weber-Mosdorf.
     É importante quantificar o peso das doenças causadas por ambientes pouco saudáveis. Esta informação é chave para ajudar os países a escolher as intervenções apropriadas.
 
Fonte: BBC Brasil


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Pegada ecológica e social

     Quanto aguenta a Terra em sua generosidade ao nos forncecer todas as condições para que possamos viver, nos reproduzir e coevoluir? Não só nós mas toda a comunidade de vida que vai das bactérias aos vegetais e animais? Ela é um planeta pequeno, finito em seus recursos e já velho. Temos que viver dentro das capacidades de fornecimento e de reposição, próprios da Terra e não ao nosso bel prazer. A espécie homo sapiens/demens ocupou 83% do planeta e consumiu excessivamente a ponto de a Terra já ter ultrapassado em 25% sua capacidade de recarga. A seguir esta lógica, o planeta quebra como qualquer empresa que gasta mais do que ganha.
     Como todos extraem da Terra seus recursos para viver, quanto de chão cada um precisa para garantir sua sobrevivência? Quanto de terra produtiva, área florestal, energia, habitação, água, mar, urbanização e capacidade de absorção dos dejetos cada pessoa necessita? A esse conjunto de fatores ecológicos e sociais se chama de pegada ecológica e social, expressão cunhada por Martin Rees e Mathis Wackernagel ao fazerem um estudo sobre o tema para o Conselho da Terra em 1977. Eles tomaram como referência de cálculo o número de hectares necessários para que cada um, cada cidade e cada pais possam viver de forma minimamente decente. O planeta dispõe de 10.8 bilhões de hectares produtivos que é menos que 25% de sua superfície. Para cada pessoa viver fazem-se necessários pelo menos 2.8 hectares. Esta seria a pegada ecológica média geral.
     Como 18% da humanidade consome 80% dos recursos vitais e os hábitos de consumo variam consoante as regiões e as culturas, varia também a porcentagem de hectares per capita usados. Assim a Europa, os Estados Unidos, o Japão, a India e a China vivem muito acima daquilo que lhes é permitido por seus recursos ecológicos, com uma pegada que vai de 200% até 600% (é o caso do Japão) de sua biocapacidade nacional. Isto significa que se uma região se apropria de mais hectares para manter seu alto nivel de consumo (Norte), a outra deverá forçosamente ocupar menos (Sul). Em outras palavras, o consumo alto de um pais ou região comporta um sub-consumo baixo no outro. Por ai se entende a profunda falta de equidade na repartição dos bens e o caráter desigual de todo o processo de produção e consumo mundial.
     A biocapacidade total do território brasileiro é de 18.615.000 pontos. A pegada ecológico-social brasileira é de 2.6 hectares. Nossa biocapacidade excede tanto a nossa demanda que o Brasil poderia ser a mesa posta para as fomes e as sedes do mundo inteiro. Mas nos paises notam-se profundas diferenças. Enquanto um habitante de Bengladesh possui uma pegada de 0,5 hectares, a de uma norte-americano é de 9,6. Em outras palavras, se todos os habitantes da Terra tivessem o nivel de consumo norte-americano, precisaríamos de três Terras semelhantes a nossa para garantirmos os recursos energéticos e materiais suficientes. Vivemos, pois, sem nenhuma humanidade e solidariedade. Por isso esse modo de viver é totalmente insustentável e pode levar ecologicamente a Terra a um colapso.
     O ideal que a Carta da Terra propõe para todos é um "modo sustentável de viver": produzir em consonância com os sistemas vivos, contendo nossa voracidade e dando tempo para que a Terra se regenere e continue a oferecer a nós e à comunidade de vida tudo o que todos precisam.
 
Fonte: Jornal do Meio Ambiente


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

domingo, 10 de junho de 2007

A Omissão Conveniente

 

     Desde os primórdios do homem moderno, o planeta Terra tem sido escravizado para servir aos propósitos do poder e da ganância. Durante esta longa história podemos citar diversas guerras e conflitos com o intuito do crescimento a qualquer custo e com a mínima preocupação com a vida que habita o planeta.
Com o uso das bombas nucleares e o fim da Segunda Guerra Mundial, acreditou-se que em qualquer situação a vida no planeta seria garantida com o progresso da ciência e da tecnologia, pois se direcionavam à satisfação humana e poderiam resolver os problemas vindouros. É claro que a ciência moderna proporcionou melhorias para a vida das pessoas, mas também não podemos esquecer do preço que será cobrado, direto ou indiretamente, pelo seu uso irracional e inconseqüente, que gera a poluição do ar, da água, do solo e, conseqüentemente, pela alteração do clima, extinção de plantas e animais e pela deterioração da qualidade de vida humana.
     Mesmo sempre ocorrendo debates sobre o meio ambiente e desenvolvimento sustentável e com a existência de Leis que protegem o meio ambiente para o uso racional e para garantir seu uso pelas gerações futuras, cada vez mais podemos notar que as ações são deixadas de lado e sendo usadas apenas como um mero marketing ambiental.
     Nesta discussão, faço uma analogia ao documentário "Uma Verdade Inconveniente" do candidato ao governo dos Estados Unidos da América, Al Gore, que trata principalmente da alteração do clima em conseqüência das atividades humanas e do crescimento industrial. Assim, enfocando somente a questão da água, um bem essencial para o desenvolvimento de todos os seres vivos, no município não está tendo seu devido cuidado.
Aqui, despejamos uma quantidade enorme de esgotos em diversos córregos e sangas que deságuam diretamente no Arroio Castelhano (Figura 1). Nele, também encontramos resíduos químicos e agroquímicos que seguem em direção ao Rio Taquari e assim por diante. Nos últimos anos, com a expansão do distrito industrial, também estamos poluindo o Arroio Taquari Mirim através da Sanga do Areial que passa no interior do Parque do Chimarrão.


Fig. 1: Sanga do Cambará, vista da ponte do acesso Grão Pará, despejando esgoto no Arroio Castelhano.



     Estes resíduos causam a morte de peixes, mamíferos, aves e o desequilíbrio do ecossistema aquático e quando é captada para uso humano, gera doenças e até a morte.
     No caso específico do Arroio Castelhano, devemos enfatizar que o curso d'água abastece mais de 35.000 habitantes da área urbana, usando milhões de litros de água/dia. Suas principais nascentes ficam em Linha Datas e Linha Alto Paredão (Santa Cruz do Sul), possuindo uma extensão superior a 120 quilômetros até desaguar no Rio Taquari. Quase não possui matas em suas margens, deixando-o suscetível a desmoronamentos e ao assoreamento. Sofreu diversas intervenções que o estão dizimando, uma delas é a alteração em seu leito natural por mais de 4 quilômetros realizado para aliviar as cheias e, em conseqüência, aumentando as enchentes na área urbana. É o único curso d'água que, pela mão do homem, "anda para trás" (Figura 2), pois as águas do curso alterado foi direcionado para uma curva inversa ao escoamento natural fazendo o arroio "andar" em torno de 150 metros ao contrário. Também, com as mudanças de seu leito natural, hoje existem pelo menos 8 ilhas no Arroio Castelhano (Figura 2), que no verão são áreas de proliferação de mosquitos e outros vetores de doenças.


 
Fig. 2: Imagem do Google Earth do local onde há diversas intervenções, uma é onde o arroio alterado foi direcionado para o leito natural do Arroio Castelhano, fazendo com que o curso d'água "ande para trás" e a formação de ilhas por causa da retificação.


     Em meados de 2004, foram dizimados a vegetação e os animais em conseqüência de duas queimadas criminosas que acabaram com, no mínimo, 160 hectares de mata em suas nascentes (Figura 3).


Fig. 3: Queimada em Linha Datas, vista da RS-422, que dizimou mais de 160 hectares de mata nas nascentes do Arroio Castelhano.



Fig. 4: Represa para captação de água da Corsan no Arroio Castelhano, onde no verão de 2005 o nível de água era tão baixo que não passava por cima da barragem, conseqüentemente, não corria água.



     Assunto que ficou alheio ao conhecimento da população e omisso pelos órgãos públicos, mas será lembrado caso houver outra seca como a do verão de 2005, pois o desmatamento e as queimadas são técnicas rudimentares que comprometem diretamente a vazão dos cursos d'água (Figura 4). Outro problema é a extração de cascalho nos cursos d'águas, principalmente na região de Monte Alverne (Figura 5) e também, como tratado em reunião da Câmara de Vereadores, no Arroio Sampaio. Esta atividade, com a desculpa de melhorar a vazão e para uso em estradas, acelera a velocidade da água acarretando num maior poder de arraste e de destruição das margens, o que somente transfere o problema para os moradores abaixo.
Com a proliferação de poços artesianos irregulares nos últimos anos, temos um quadro extremamente delicado que é a distribuição e o uso de água com excesso de flúor, causando a queda dos dentes em crianças e problemas ósseos em idosos. Temos também poços com mais de 100 metros contaminados com Escherischia colli (bactéria encontrada em fezes animais), poços contaminados com resíduos de agrotóxicos e poços sem água, pois o lençol freático está sendo rebaixado tão rapidamente que a Corsan já não pode mais utilizar seus poços por não haver mais água.
     Nos cuidados com a água e seu uso, ainda observamos que a população desperdiça água tratada para lavar calçadas e para outros usos desnecessários. Poucos cidadãos dão exemplo de utilizar a água da chuva. Temos, na área urbana, diversos pontos de enchentes em decorrência da impermeabilização do solo através do calçamento e asfaltamento de ruas, passeios públicos, moradias e fábricas. Assim, como as sangas e córregos existentes na área urbana já foram todos canalizados sem um estudo da taxa máxima de impermeabilização e de toda a bacia hidrográfica que estes cursos d'água drenam, Venâncio Aires terá muito mais enchentes nos próximos anos, com o aumento do nível da água nos locais costumeiros e com a ampliação dos locais de enchentes (Figura 6).




Fig. 5: Extração de cascalho no Arroio Castelhano na localidade de Monte Alverne.




Fig. 6: Enchente vista da esquina da rua Jacob Becker e rua Félix da Cunha em dezembro de 2002.



     Desta forma, com os fatos que se apresentam neste início de milênio, esta discussão busca chamar a atenção da população para as verdades e os problemas que poderão vir a causar prejuízos futuros ao município e aos seus munícipes e debater a questão da omissão, pois alguns órgãos públicos atuam para a gestão política, se apresentando passíveis aos interesses do bem comum e das gerações futuras.
     Nesta perspectiva, o cidadão bem intencionado com o bem estar futuro deve estar ciente da problemática ambiental, fazendo jus ao Dia Mundial do Meio Ambiente, e que para mudar esta situação calamitosa eleja pessoas comprometidas com o presente e com o futuro, que incorpore em suas políticas públicas a promoção ao desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida dos munícipes, porque somente falar em mudanças e não colocá-las em prática, será mais uma omissão conveniente.


Wilson Junior Weschenfelder
Biólogo, Especialista em Licenciamento Ambiental
Mestrando em Desenvolvimento Regional


Artigo publicado no Jornal Folha do Mate - Folha Especial do Dia Mundial do Meio Ambiente - referente a alguns problemas ambientais ocorrentes no município de Venâncio Aires/RS.


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

sábado, 9 de junho de 2007

Groenlândia já sente efeito do aquecimento

A superfície em degelo aumentou 30% nas últimas três décadas. O derretimento acontece numa velocidade maior do que se pensava.

Foto
Barcos pesqueiros navegam perto de icebergs (Foto: Reuters)
 
 
     A mudança climática arrasa as calotas polares e contribui para números cada vez mais desanimadores sobre o planeta. Na Groenlândia, a maior de todas as ilhas, com 2,6 milhões de quilômetros cúbicos de gelo (10% de toda a água potável do mundo), os últimos levantamentos deixam isso bem claro. Em 30 anos, a superfície em degelo aumentou 30%. Nos últimos tempos, isso aconteceu a um ritmo que varia de 100 a 150 quilômetros cúbicos por ano, o que equivale a todo o gelo dos Alpes.
 
Foto
A Groenlândia, território dinamarquês, tem 2,6 milhões de quilômetros cúbicos de gelo (Foto: Reuters)
 
 
     "As pessoas se assustam quando descobrem que o processo (de derretimento) acontece mais rápido do que se supõe", relata Konrad Steffen, especialista da Universidade do Colorado enviado pelo governo dos Estados Unidos, um dos países que mais sentiriam o efeito devastador se todo o gelo da Groenlândia se perdesse. Cidades como Nova York e Londres ficaram inundadas. Ilhas como as Maldivas praticamente sumiriam.
 
Foto
O especialista Konrad Steffen, a serviço dos Estados Unidos. Nova York ficaria inundada se todo o gelo da Groenlândia derretesse. (Foto: Reuters)
 
 
     Mas não é preciso fazer especulações ou viajar no tempo para sentir o drama. A perda de gelo desaqueceu a indústria do turismo na Groenlândia, fonte importante de renda para a maioria dos 56 mil moradores.
 
Foto
Turistas observam icebergs em Disko Bay (Foto: Reuters)
 
 
Reuters - G1


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Igreja Católica considera a poluição pecado grave

     O presidente do Pontifício Conselho de Justiça e Paz, cardeal Renato Raffaele Martino, afirmou que quem destrói o meio ambiente "comete um pecado grave", em entrevista publicada hoje pelo jornal Il Messaggero.
     O cardeal Martino explicou na entrevista o ponto de vista da Igreja Católica sobre a destruição ambiental, que considera um "insulto a Deus".
     "Jogar uma sacola de lixo na rua é um pecado venial. Mas quem destrói a Amazônia comete uma ofensa grave. Destruir o grande pulmão verde que é a floresta amazônica prejudica toda a humanidade e não só a população local", explicou Martino.
     O cardeal anunciou que o Conselho está estudando a criação de um documento sobre o meio ambiente. Ele comentou ainda que a Igreja Católica sempre mostrou preocupação com o planeta e que no Catecismo se lê que "a terra e seus bens são um dom que o homem pode usar, melhorar, mas não destruir".
     O bispo explica que para defender o meio ambiente "é necessário mudar o estilo de vida, sobretudo no Ocidente". "A mudança tem que começar com um novo caminho educativo, começando pelas escolas. Falta uma educação ambiental em todos os níveis e a percepção das conseqüências da poluição", acrescentou.
     Ele lamentou a falta de um acordo sobre a proteção ambiental entre os países do G8 (os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia), pedindo alguma medida diante do que considerou "um problema urgente".
 
Autor: Agência EFE S/A.
 


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Respirando intensamente...

Polinésios vieram à América antes dos europeus


Fósseis de galinhas encontrados no Chile pertencem a linhagens genéticas originárias da Oceania


O estudo analisou o DNA dos mais antigos fósseis de galinha já encontrados na América (montagem: Tim Mackrell).
Antes de os portugueses e espanhóis chegarem ao Novo Mundo, os polinésios já haviam estado na América do Sul, trazendo consigo frangos e possivelmente outras espécies de animais. Isso é o que indicam fósseis de galinha do século 14 encontrados no Chile. A análise do DNA dos ossos mostra que eles pertencem a linhagens da Polinésia, diferentes das dos frangos introduzidos pelos europeus cem anos depois.

Os polinésios teriam vindo ao Novo Mundo navegando pelo Pacífico, em condições similares às da viagem que o norueguês Thor Heyerdahl fez em 1947, em uma embarcação construída com a tecnologia disponível na América pré-colombiana. A bordo do Kon-Tiki , o explorador percorreu cerca de 7 mil quilômetros entre o Peru e as ilhas Tuamotu, na Polinésia, em uma viagem de 101 dias.

A introdução das galinhas nas Américas é objeto de discussão no meio acadêmico há 30 anos. Embora muitos defendam que essas aves tenham sido trazidas pelos europeus, os relatos dos conquistadores espanhóis que chegaram ao Peru em 1532 com Francisco Pizarro indicam que elas já faziam parte de rituais incas. Os especialistas acreditam que, caso elas tivessem sido trazidas pelos europeus, não teria havido tempo o bastante para que elas pudessem ter se integrado aos costumes religiosos dos povos nativos.

A introdução das galinhas por povos vindos da Ásia e da Oceania já havia sido sugerida anteriormente. Para investigar essa hipótese, a equipe da geneticista Elizabeth Matisoo-Smith, da Universidade Massey, em Auckland (Nova Zelândia), extraiu o DNA dos mais antigos ossos de galinha já encontrados nas Américas, provenientes do sítio arqueológico de El Arenal, no centro-sul do Chile. A datação direta dos fósseis indica que eles têm mais de 600 anos, com origem provável entre 1321 e 1407.

O material genético foi comparado com seqüências de DNA de 12 fósseis de galinhas encontrados em cinco arquipélagos da Polinésia. Os resultados da análise, publicados esta semana na revista PNAS , indicam que os fósseis pertencem a linhagens também encontradas em sítios arqueológicos nos arquipélagos de Tonga e da Samoa Americana. A presença de uma determinada seqüência de uma dessas linhagens em galinhas chilenas contemporâneas reforça a conclusão.

Resultados inequívocos
O DNA do fóssil sul-americano foi comparado com o de ossos de galinhas encontrados em sítios arqueológicos em cinco arquipélagos da Polinésia, destacados no mapa – clique para ampliar (imagem: Matisoo-Smith et al./PNAS).
Os autores consideram a assinatura genética encontrada no fóssil estudado uma evidência inequívoca da presença dos polinésios nas Américas antes dos europeus. "Seguimos os protocolos para o estudo de DNA antigo e tivemos nossos resultados replicados de forma independente por um outro laboratório, que chegou às mesmas conclusões", conta Matisoo-Smith à CH On-line . "A hipótese de contaminação de DNA está fora de questão."

As conclusões do estudo vêm se somar a outros indícios de contatos pré-colombianos entre os povos da Polinésia e das Américas. A descoberta em sítios arqueológicos da Califórnia e do Chile de embarcações semelhantes às da Polinésia e a presença de espécies nativas da América do Sul, como a batata-doce ( Ipomoea batatas ), em sítios arqueológicos polinésios anteriores à ocupação européia já haviam sugerido essa possibilidade.

Matisoo-Smith acredita que outras espécies possam ter sido trazidas para a América do Sul. "O rato Rattus exulans foi levado pelos polinésios a praticamente todos os sítios que eles ocuparam", conta a pesquisadora. "Seria de se esperar que esses animais também tivessem sido levados para as Américas."

Novos estudos de fósseis encontrados na Oceania e na América do Sul poderão trazer mais detalhes sobre a data e o local em que os polinésios desembarcaram em nosso continente. "Planejamos visitas a museus chilenos à procura de ossos de ratos em coleções de fósseis e esperamos realizar escavações adicionais na região em busca de mais fósseis de galinhas ou ratos que tragam novas pistas sobre a vinda dos polinésios", afirma Matisoo-Smith.



Bernardo Esteves
Ciência Hoje On-line
05/06/2007


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

Servidores do Ibama pedem Ajuda

 
     Nós, servidores do IBAMA em Minas Gerais, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, órgão público responsável pela execução da política nacional de meio ambiente, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, pedimos auxílio das comunidades ambientalistas e científicas para divulgação da pressão que vimos recebendo no Brasil para liberação de grandes obras que atingem extensas áreas da floresta amazônica e do cerrado brasileiros, afetando reservas indígenas, unidades de conservação e áreas ainda bem conservadas, porém muito pouco estudadas, mas com comunidades humanas em vias de deslocamento e desagregação, sem que as alternativas ou limitações a estas obras sejam discutidas abertamente. Tais obras beneficiam as grandes empreiteiras do país, que indiretamente ditam a política nacional. Relação escusa que ficou escancarada na última operação da Polícia Federal, que flagrou membros do Ministério de Minas Energia sendo corrompidos e atuando como lobistas de empresas que têm como objetivo executar obras previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
     Paralelamente, vê-se a continuada e intensa degradação da Amazônia e do Cerrado, o acelerado êxodo rural em função da expansão do agro-negócio e uma imensidão de terras já sem fertilidade, bem como o quadro de miséria e abandono da maioria das unidades de conservação, cujos funcionários se encontram expostos a conflitos sérios sem apoio logístico, financeiro ou jurídico e com precariedade administrativa.
     Pedimos apoio internacional para que a imprensa brasileira tenha maior liberdade para refletir a dimensão da perda que nos ameaça - a perda da oportunidade de estabelecer uma outra forma de desenvolvimento, que seria exemplar, utilizando a nossa imensa diversidade de ambientes, de espécies, de serviços ambientais e de culturas - perdas estas que a sociedade irá sentir, crescentemente, ao longo do tempo. No momento estamos rapidamente convergindo para a escolha comum da humanidade, de dilapidação dos recursos naturais, em uma confusão cruel entre valor e preço.
     Lembramos que:
- O governo brasileiro está empenhado na implantação do PAC a qualquer custo;
- O governo brasileiro já conseguiu a liberação da Transposição do rio São Francisco, apesar dos estudos técnicos que apresentam numerosas técnicas alternativas mais baratas e mais efetivas para prover o abastecimento de água sem os riscos associados à irrigação em um ambiente semi-árido, com grandes e conhecidos estragos já verificados em diversos locais do mundo. O empenho dos recursos para a transposição saiu antes da licença de instalação, atropelando os órgãos ambientais;
     Para o PAC é considerada fundamental a construção de duas barragens no rio Madeira (Jirau e Santo Antônio), no noroeste do país, afluente do rio Amazonas com elevada carga de sedimentos que descem dos Andes e imensa biodiversidade. Mas sua aprovação vem sendo forçada por chantagens como a troca por usinas nucleares ou termelétricas.
     A Ministra Marina Silva, apesar da relevância de sua figura pública, nos últimos quatro anos se mostrou submissa e omissa aos interesses do desenvolvimento in-sustentável, que imita o modelo irresponsável do passado do país, e se mostra ativa no asfixiamento progressivo do IBAMA, responsável pela execução da política ambiental de forma integrada, via corte de verbas e redução de poder de decisão e criação, no próprio MMA, de estruturas concorrentes com setores do IBAMA.
     O "torniquete" culminou com a divisão arbitrária do IBAMA, de que nem seus assessores diretos no Ministério do meio Ambiente foram informados, denegrindo todo o passado da ministra, de defesa da transparência e do compartilhamento de decisões;
     A imprensa brasileira, em grande parte, não se sensibilizou e não detectou as reais intenções por trás da divisão do IBAMA, que levará à oneração da gestão ambiental e ao enfraquecimento das decisões.
     A que interesses atende a divisão do órgão máximo de gestão ambiental do país, neste momento, sem discussão profunda e aberta? O isolamento do licenciamento ambiental em uma instituição despida dos centros de pesquisa sugere uma intenção de tirar sua força e sua legitimidade, inclusive perante a comunidade científica nacional e internacional.
     O surgimento de verbas suficientes para financiar esta divisão, custosa em termos administrativos, após quatro anos de falência do IBAMA, sem carros, sem telefone ou luz em diversos locais, sugere que estes recursos ficaram guardados de forma irresponsável, como é o caso das centenas de milhões de reais em recursos de medidas compensatórias.
- Exigimos que o discurso ambientalista não seja desqualificado em prol de um suposto desenvolvimento;
- Exigimos respeito às pessoas que arriscam suas vidas e a de suas famílias na defesa em campo do meio ambiente e das populações rurais, que o isolamento na capital federal faz esquecer;
- Exigimos que os princípios de participação e compartilhamento, tão defendidos para a sociedade em geral pelo atual governo, se estenda aos que se encontram isolados nos rincões do país defendendo o desenvolvimento responsável em termos sociais e ambientais, e realmente fazendo, corpo a corpo, a interação com as comunidades, com custos infinitamente menores e resultados infinitamente maiores do que os da indústria de consultorias que prevalece no Ministério do Meio Ambiente.
- Exigimos o envio de nova Medida Provisória revogando a MP 366/07, de modo a permitir uma discussão aberta. 
 
 
Jornal do Meio Ambiente
Data: 5/6/2007
Fonte: http://www.jornaldomeioambiente.com.br/JMA-index_noticias.asp?id=12924


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

domingo, 3 de junho de 2007

Ativação de região cerebral prediz altruísmo

     Pesquisadores da Duke University Medical Center descobriram que a ativação de uma região cerebral particular prediz se a pessoa tende a ser egoísta ou altruísta.
     "Embora o entendimento da função dessa região do cérebro possa não identificar necessariamente o que conduz uma pessoa como Madre Theresa, isso pode dar pistas das origens de comportamentos sociais importantes como o altruísmo", disse o investigador do estudo Scott A. Huettel, Ph.D, neurocientista do Brain Imaging and Analysis Center.
     O altruísmo descreve a tendência de as pessoas agirem de maneira a colocarem o bem-estar dos outros a frente do seu próprio. O motivo pelo qual algumas pessoas escolhem por agir de forma altruísta não é claro, disse o pesquisador principal do estudo Dharol Tankersley, estudante de mestrado no laboratório de Huettel.
     No estudo, os pesquisadores mapearam os cérebros de 45 pessoas, enquanto elas ou jogavam um jogo de computador ou assistiam o computador jogar sozinho. Em ambos os casos, o sucesso no jogo garantia dinheiro para uma caridade da escolha do participante.
     Os pesquisadores mapearam os cérebros dos participantes usando uma técnica chamada imagem por ressonância magnética funcional (fMRI, em inglês), que usa pulsos magnéticos inofensivos para medir mudanças nos níveis de oxigênio que indicam a atividade da célula nervosa.
     Os mapeamentos revelaram que a região do cérebro chamada de sulco temporal superior posterior foi mais ativada quando as pessoas perceberam uma ação - quando elas assistiram o computador jogar - do que quando elas mesmas agiram, disse Tankersley. Essa região, que fica na porção do topo posterior do cérebro, é ativada geralmente quando a mente está tentando compreender relacionamentos sociais.
     Depois, os pesquisadores caracterizaram os participantes como mais ou menos altruístas baseados em suas respostas a questões sobre com que freqüência eles se engajam em diferentes comportamentos de ajuda, e compararam os mapas cerebrais dos participantes com suas estimativas para comportamento altruísta. Os mapas fMRI mostraram que o aumento da atividade no sulco temporal superior posterior profetizou fortemente a probabilidade de uma pessoa ter comportamento altruísta.
     De acordo com os pesquisadores, os resultados sugerem que o comportamento altruísta pode ser originado de como as pessoas vêem o mundo ao invés de como elas agem nele.
     "Nós acreditamos que a habilidade de perceber as ações de outras pessoas como significativas é fundamental para o altruísmo", disse Tankersley.
     Os cientistas sugerem que estudar os sistemas do cerebrais que permitem que as pessoas enxerguem o mundo como uma série de interações significantes pode no final das contas ajudar a entender melhor as doenças como o autismo ou o comportamento anti-social, que são caracterizados por deficiências nas interações interpessoais.
     Agora, os pesquisadores estão explorando maneiras de estudar o desenvolvimento dessa região cerebral no começo da vida, disse Tankersley, acrescentando que essa informação pode ajudar a determinar como as tendências em direção ao altruísmo são estabelecidas.
 
 
Nature Neuroscience
 


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.

Alternativa ecológica ao cimento de amianto

     
O fibrocimento pode ser usado na confecção de telhas, placas planas e acessórios para construções.
Um novo tipo de cimento desenvolvido no Brasil vem sendo considerado uma alternativa ecológica ao cimento-amianto para a produção de telhas e placas planas. Resultado de pesquisas conduzidas pelo engenheiro civil Carlos Marmorato Gomes após seu doutorado na Universidade de São Paulo (USP), o material usa fibras de escória descartadas de atividades siderúrgicas. Amostras do novo fibrocimento já foram aprovadas em testes de resistência e durabilidade, o que capacita o produto para uso em construções.

     O fibrocimento serve como base para a fabricação de diversos materiais usados em construção. O amianto ainda é o principal componente dos fibrocimentos produzidos atualmente. Para a fabricação de placas planas, porém, o uso do mineral já não é mais preciso. O novo fibrocimento, que, além da escória, é feito de um composto híbrido de fibras poliméricas e celulose, pode substituir o cimento-amianto com vantagens.

     O grande diferencial do novo produto são seus benefícios ecológicos. O uso de fibras de escória vai evitar que esse material seja lançado em aterros sanitários pela indústria siderúrgica, o que prejudica o meio ambiente. Além disso, o novo fibrocimento não é tóxico, ao contrário do produzido com amianto, mineral bastante nocivo à saúde, cancerígeno, e que já teve seu uso proibido em diversos países.

     O fibrocimento feito de escória, que teve seu desenvolvimento finalizado na empresa do engenheiro – a TREND Tecnologia, Pesquisa e Desenvolvimentos, incubada na Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos –, tem ainda vantagens econômicas. Embora o amianto seja mais barato no mercado, o uso do novo cimento pode significar uma redução de até 30% no custo final de produção, já que utiliza material que seria descartado.

     
Telhas e placas planas produzidas com o fibrocimento de escória descartada de siderúrgicas, uma alternativa ao cimento de amianto. (Foto cedida pelo pesquisador).
Para a fabricação de uma telha em laboratório, por exemplo, o pesquisador usou 1,8% de fibras de polipropileno, 2% de fibras de escória, 2% de fibras de celulose e 25% de calcário. O restante foi preenchido com cimento convencional, chamado Portland. Mas Gomes ressalta: "Não se trata de uma receita. As composições podem variar conforme as necessidades do produto e do sistema de produção."

     Alternativas ao cimento-amianto têm sido bem aceitas no mercado. Elas já representam a maior parte das vendas tanto do material puro quanto de seus derivados, com exceção das telhas, que ainda usam um percentual de amianto em sua produção. Segundo pesquisa realizada pelo Sindicato Nacional dos Produtores de Artefatos de Cimento em 2003, dos cerca de 400 milhões de metros quadrados (m 2 ) de cobertura existentes no Brasil, aproximadamente 50% eram fabricados em amianto. "Em 2006, esse número subiu para cerca de 420 milhões de m 2 , dos quais 46,7% eram feitos de amianto", afirma Gomes, ressaltando que o mercado para produtos alternativos é promissor. "A tendência é que o novo fibrocimento seja bem aceito, justamente por seus benefícios ecológicos", avalia.



João Gabriel Rodrigues
Ciência Hoje On-line
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/92770


Novo Yahoo! Cadê? - Experimente uma nova busca.