segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Conservação dos butiazais de Tapes é estudada por alunos da UERGS

     Porto Alegre, RS - Um grupo de alunos da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) está elaborando um amplo estudo sobre as medidas possíveis de serem implementadas para conservação da maior reserva de biodiversidade da região: os Butiazais (de Tapes e Barra do Ribeiro). O trabalho será apresentado no IV Simpósio de Áreas Protegidas, que se realizará em maio do ano que vem, em Canela (RS). O grupo reúne acadêmicos do Curso de Gestão Ambiental da UERGS e é orientado pela Prof. Dra. Alessandra Schnadelbach.
 
Trabalho faz parte de um amplo estudo sobre as medidas possíveis de serem implementadas para conservação da maior reserva de biodiversidade da região.
 
     O objetivo é elaborar uma dissertação que afirme a necessidade de preservação legal da área dos Butiazais. Eles analisarão os aspectos que caracterizam as áreas protegidas e as características relevantes dos Butiazais. Desta forma serão apresentados dados sobre a área e todos os elementos que a tornam uma área com necessidade de ser preservada.
Além dos aspectos legais, serão discutidas, as ameaças que os Butiazais têm sofrido pela ocupação humana, atividade agrícola e outras interferâncias que contribuem para a destruição deste importante ecossistema. A área foi selecionada como sendo de alta importância ambiental pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Sistema Estadual de Unidades de Conservação. Além disso, foi considerada de grande potencial para nova unidade de conservação.
 
 
     Segundo o aluno Rafael Fernandes, um dos realizadores do estudo, "a região dos Butiazais foi objeto de análise pelo Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (PROBIO) que selecionou os maiores especialistas em fauna e flora para elaborar uma descrição da região. Esse trabalho do Ministério do Meio Ambiente e da Fundação Zoobotânica apontou o ecossistema dos Butiazais como de relevante preocupação quanto à sua preservação."
     Ele destaca ainda que, além do trabalho de apontar as formas possíveis de preservar essa paisagem única, existe a intenção de formar uma Associação de Defesa Ambiental que trabalhe especificamente em ações para buscar os objetivos de implantação de mosaico de áreas de preservação na região e uma unidade de conservação.
     Interessados em contatar com o grupo podem escrever para o email: ecotapes@gmail.com.
 
Fonte: EcoAgência - Portal do Meio Ambiente
 


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Qual é a importância da Amazônia para o clima do mundo

 
     A combinação entre as mudanças climáticas e o desmatamento pode criar um ciclo vicioso capaz de devastar 60% da floresta Amazônica até 2030. A ameaça é descrita em um estudo apresentado na conferência de mudanças climáticas da ONU em Bali hoje pela ONG WWF. Segundo o estudo, o desmatamento na Amazônia pode ser responsável pela emissão de 55,5 a 96,9 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2) de 2007 até 2030. Isso seria o equivalente a dois anos da emissão mundial de gases do efeito estufa. Além disso, se uma parte tão considerável da Amazônia for destruída desaparece também uma das mais importantes chaves para a estabilização do sistema climático mundial. O aquecimento global pode diminuir o regime de chuvas na Amazônia em mais de 20%. Existe também a possibilidade de a temperatura local subir mais de 2°C, podendo chegar a uma elevação de 8oC em alguns locais durante a segunda metade deste século. Com a contínua destruição da floresta Amazônica, deve chover menos na Índia e na América Central e nas áreas de plantio de grãos nos Estados Unidos e no Brasil.
     O estudo faz parte de um esforço conjunto das ONGs presentes a Bali, que pressionam as delegações oficiais – inclusive a do Brasil – para assumir compromissos de redução no desmatamento.
 
Autor: Alexandre Mansur - Blog do Planeta


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Ativistas se transformam em cartazes contra aquecimento global

Manifestantes se uniram a faixas coloridas para simular planeta Terra com seus corpos. Evento aconteceu na praia de Kuta, na ilha de Bali.

Foto: Jamal Saidi / Reuters 
Segurando faixas coloridas, ativistas simularam o planeta Terra e formaram a mensagem 'act now' ('ação imediata'). A manifestação foi contra os altos índices de emissão de carbono na atmosfera (Foto:Reuters / Greenpeace)
 
Foto: Murdani Usman / Reuters
A ilha de Bali, na Indonésia, sedia encontro de 190 países até 14 de dezembro para discutir o rumo das políticas climáticas. Brasil e China temem pressão de países desenvolvidos  (Foto: Murdani Usman / Reuters)
 
Fonte: G1


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Os pobres pagam pelos ricos

Os cem países mais vulneráveis ao aquecimento global são os que menos emitiram gases-estufa 
 
     Os cem países que mais vão sofrer com os impactos das mudanças climáticas na próxima década contribuem juntos com apenas 3,2% do total de dióxido de carbono emitido na atmosfera. Isto é o que revela um relatório recém-divulgado por pesquisadores do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento e da Escola de Economia de Londres. O estudo mostra que algumas das nações mais pobres do mundo serão as principais vítimas do aquecimento global, justamente por terem menos recursos para se adaptarem às mudanças causadas por ele.
 

Paraíso ameaçado: o arquipélago de Tuvalu (retratado na foto acima) está, ao lado de outras nações insulares e subdesenvolvidas, entre os cem países mais vulneráveis aos impactos do aquecimento global (foto: Stefan Lins).
 
     A lista dos mais vulneráveis não inclui qualquer país industrializado, europeu ou norte-americano. As nações menos desenvolvidas do planeta, em compensação, estão presentes às dezenas. Os países que aparecem em maior número no relatório são os africanos e os insulares, que correm o risco de serem inundados por conta do aumento do nível dos oceanos. Regiões polares e comunidades localizadas às margens dos megadeltas dos rios, principalmente na Ásia, também estão na lista. Da América do Sul, os únicos citados são Guiana e Suriname.
     Embora tenham uma contribuição modesta para a emissão de gases do efeito estufa, os cem países mais vulneráveis têm uma população superior a um bilhão de pessoas. Caso os desastres naturais aumentem em número e intensidade devido ao aquecimento global, a fome crônica e as doenças podem levar a uma migração em massa forçada de dezenas de milhões de pessoas. Para ajudar a adaptação de tantos imigrantes a curto prazo, seria necessária a criação de um grande fundo, cujos gastos poderiam ser de 10 bilhões de dólares por ano, segundo estimativas do relatório.
     As discussões da Convenção do Clima que está sendo realizada em Bali são fundamentais para se defenderem os interesses dos países mais vulneráveis ao aquecimento global. Ali, deve começar a se delinear a política climática global a ser adotada a partir de 2012, quando se encerra o prazo estipulado para as metas criadas pelo Protocolo de Kyoto. "É essencial que as vozes, perspectivas e pontos de vista desses países sejam ouvidos – e incorporados – às negociações do regime climático pós-2012", defendem os autores do relatório, que pode ser consultado na internet.
 
     O caso brasileiro
     Embora o Brasil tenha ficado fora da lista das nações mais vulneráveis ao aquecimento global, o país não sairá ileso de seus efeitos. Em artigo publicado na semana passada na revista Science, pesquisadores dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Brasil reforçam que as mudanças climáticas poderão agravar as conseqüências do desmatamento na Amazônia, entre elas, a seca.
      A vulnerabilidade da Amazônia ao aquecimento global já havia sido apontada em abril no relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). O documento alerta que, se nada for feito, a floresta poderá entrar em processo de savanização e sofrer escassez de água, o que prejudicaria a população e a saúde locais.
     O artigo da Science afirma que as áreas já desmatadas são as que mais correm riscos de secas, que poderão ser permanentes. Segundo os cientistas, experimentos indicam que a floresta intacta resiste muito mais aos processos de seca do que se imaginava, embora não sejam invulneráveis.
     As mudanças climáticas decorrentes do desmatamento diminuiriam o poder de renovação da Amazônia, mostra o artigo. A redução da floresta resultaria na queda de sua capacidade de absorver dióxido de carbono da atmosfera, o que aumentaria ainda mais os danos do aquecimento global, em um ciclo vicioso. "Os próximos anos representam uma oportunidade única, talvez a última, de manter o poder de recuperação, a biodiversidade e o ecossistema da Amazônia", alertam os autores. 
 
Autora: Diana Dantas - Ciência Hoje On-line
 


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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Austrália assina protocolo de Kyoto

     Nesta segunda-feira o país foi aplaudido na abertura da conferência sobre as alterações climáticas, em Bali, por concordar em ratificar o protocolo de Kyoto. Agora os EUA são a única nação desenvolvida fora do acordo.
     O novo primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, assinou o protocolo de Kyoto logo após assumir o cargo, pondo fim à longa oposição do seu país ao documento.
     Cerca de 190 países estão reunidos em Bali buscando um consenso sobre o novo acordo global contra as mudanças climáticas, que deve ser aprovado em 2009, a fim de evitar as secas, as ondas de calor e o aumento do nível dos oceanos.
 
Autor: Antonio Carlos Ribeiro - Atividade Ambiental


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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Às vésperas do Apocalipse?

     Armagedon, segundo o Livro do Apocalipse, é o mítico vale no qual acontecerá o enfrentamento final entre Deus e os espíritos malignos. Estamos caminhando para o Armagedon? Os sombrios cenários atuais fazem com que biólogos, bioantropólogos e astrofísicos avaliem a possibilidade de extinção da espécie homo sapiens demens, ainda neste século. Apresentam argumentos que merecem ser ponderados. O mais forte parece ser o da superpopulação, articulada com a dificuldade de adaptação às mudanças climáticas.
     Na escala biológica verifica-se um crescimento exponencial. A humanidade precisou de um milhão de anos para atingir, em 1850, uma população de um bilhão de pessoas. Os espaços temporais entre os índices do crescimento populacional diminuem cada vez mais, e se prevê que até 2050 haverá dez milhões de humanos. É um triunfo da espécie ou um prejuízo para toda a humanidade? A bióloga Lynn Margulis e seu filho, o escritor científico Dorion Sagan, afirmam em seu livro Microcosmos que um dos sinais do colapso que afetará a espécie é sua rápida superpopulação, com base em dados dos registros fósseis e da própria biologia evolutiva.
 
Microcosmos da bióloga Lynn Margulis e do seu filho Dorion Sagan
 
     Isto pode ser comprovado colocando-se colônias de bactérias e nutrientes na cápsula de Petri. Pouco antes de chegarem à beirada da placa cilíndrica, e antes de esgotarem os nutrientes, os microorganismos se multiplicam de maneira exponencial. E, repentinamente, morrem. Para a humanidade – comentam os autores – a Terra pode assemelhar-se a uma cápsula de Petri. De fato, ocupamos quase toda a superfície terrestre e deixamos livres apenas 17%: desertos, floresta amazônica e regiões polares. Estamos chegando à borda física do planeta. É um sinal precursor de nossa próxima extinção?
     O prêmio Nobel de Medicina em 1974, Christian de Duve, afirma em seu livro Vital Dust que estão sendo verificados sintomas que no passado precederam grandes extermínios. A cada ano desaparecem 300 espécies vivas porque chegam ao seu clímax evolutivo. Devido à pressão industrial global sobre a biosfera, o total de desaparecimento de espécies está chegando a 3,5 mil por ano. Esta destruição progressiva não ameaça também a nossa espécie? O falecido astrônomo Carl Sagan via, na tentativa humana de explorar a Lua e enviar sondas espaciais para fora do sistema solar, uma manifestação do inconsciente coletivo que pressente o risco de uma extinção próxima.
     A vontade de viver nos induz a imaginar formas de sobrevivência além da Terra. O astrofísico Stephen Hawking concebe a possibilidade de uma colonização extra-solar com uma espécie de veleiros espaciais impulsionados por raios laser. Contudo, para chegar a outros sistemas planetários, teríamos de percorrer bilhões e bilhões de quilômetros, faltariam séculos. O que pensa a teologia cristã deste eventual desaparecimento da espécie humana? Se o ser humano frustrar sua aventura planetária, significará, sem dúvida alguma, uma tragédia inominável.
      No entanto, não seria uma tragédia absoluta. Quando o Filho de Deus assumiu nossa humanidade, foi ameaçado de morte por Herodes. Durante sua vida foi rechaçado, preso, torturado e, finalmente, assassinado na cruz. Somente então se formalizou o pecado original, que é um processo histórico de negação da vida. Maior perversidade do que matar uma criatura, tirar-lhe a vida, é matar o Autor da vida, o Deus encarnado. Porém, os cristãos testemunham que a última palavra não é a morte, mas a resolução, que não é a reanimação de um cadáver. É a plena realização das potencialidades do ser humano, uma verdadeira revolução dentro da evolução.
     Talvez aconteça um salto na direção anunciada por Pierre Teillhard de Cardin, em 1933: uma irrupção da noosfera, isto é, daquele estado de consciência e de relação com a natureza que inaugurará uma nova convergência de mentes e corações e daí a uma nova era da condição humana. Nesta perspectiva, o cenário atual não seria de tragédia, mas de crise. A crise é purificação e maturidade. Prenuncia um novo início, a dor de um parto promissor e não as penas do naufrágio da aventura humana. O que pode acabar não é a vida humana, mas esta vida humana insensata que ama a guerra e a destruição em massa.
     Temos que inaugurar um mundo humano que respeite a vida, dessacralize a violência, que seja pródigo em amor e cuidado a todos os seres, que pratique a justiça verdadeira, que venere o mistério do mundo ao qual chamamos fonte originária ou Deus. Ou, simplesmente, que aprendamos a tratar humanamente todos os seres humanos e com compaixão e respeito toda a criação. Tudo o que existe merece existir. Tudo o que vive merece viver. Especialmente o ser humano.
 
Autor: Leonardo Boff - Portal do Meio Ambiente


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Greenpeace persegue baleeiros japoneses contra a "caça científica"

     Procura-se um baleeiro japonês. Com este objetivo, cerca de 40 ativistas do Greenpeace cruzam o Pacífico em busca da frota japonesa que partiu do porto de Shimonoseki, no Japão, há cerca de uma semana em direção ao oceano Antártico.
     Segundo a ONG, uma frota baleeira pretende caçar baleias-jubartes pela primeira vez desde 1963, quando se estabeleceu a moratória que proibiu sua caça. A espécie está na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
 
Navio Esperanza, do Greenpeace, que persegue baleeiros no Pacífico; objetivo é pedir que cessem as pesquisas com baleias
Navio Esperanza, do Greenpeace, que persegue baleeiros no Pacífico; objetivo é pedir que cessem as pesquisas com baleias
 
     A intenção dos ecologistas é "demonstrar ao mundo a farsa da caça científica", justificativa utilizada pelos japoneses para abater mais de mil baleias durante a temporada de caça deste ano. Além das 50 jubartes, os navios japoneses devem caçar 935 baleias mink e 50 baleias fin.
     Entre os ativistas do Greenpeace, está a bióloga brasileira Leandra Gonçalves, 25, coordenadora da campanha de baleias do Greenpeace Brasil e chefe de pesquisa a bordo do navio Esperanza.
Por uma conexão de satélite, ela conta do navio em um blog os detalhes da perseguição aos baleeiros que começou na semana passada.
     Em um dos relatos do blog, ela explica por que os ativistas a bordo do Esperanza ainda não conseguiram encontrar a frota japonesa, composta por quatro navios liderados pelo Nissin Maru, de 8.044 toneladas. "Estávamos perseguindo o navio errado."
     Também do navio, Gonçalves contou à Folha Online que desde sua partida os japoneses estariam tentando camuflar os verdadeiros fins da expedição. "Eles estão usando diversas estratégias para nos despistar. Eles saíram à noite, apagaram as luzes dos navios, tudo para que não conseguíssemos encontrá-los. Fomos ludibriados", desabafa.
 
     Justificativa
     A bióloga afirma que a caça para fins científicos não passa de uma desculpa dos japoneses para continuar com a caça comercial, proibida no país desde 1987 pela moratória da caça comercial mundial.
 
Leandra Gonçalves, coordenadora do projeto de baleias do Greenpeace Brasil."Estávamos perseguindo o navio errado"
Leandra Gonçalves, coordenadora do projeto de baleias do Greenpeace Brasil."Estávamos perseguindo o navio errado"
 
     "O fato de terem saído na noite escura é mais uma prova de que estão querendo se esconder na penumbra da noite, para não expor a caça comercial que estão realizando pobremente disfarçada de ciência", diz Gonçalves.
     Ao contrário do que afirma a ONG, o governo japonês se baseia na Convenção Internacional para a Regulamentação da Pesca da Baleia, que prevê que cada governo pode conceder uma permissão especial autorizando a matar, capturar e tratar baleias com propósito de pesquisas científicas.
     Em nota do consulado no Brasil, o governo japonês informa que a frota enviada ao mar Ártico, que pertence ao The Institute of Cetacean Research, irá coletar informações para melhor administrar as espécies baleeiras da segunda fase do programa "Japanese Whale Research Program".
 
     Protestos
     Em respostas aos diversos pedidos para que interrompa a pesquisa com baleias, o chefe de gabinete japonês Nobutaka Machimura afirmou nesta segunda-feira (26) que o Japão continuará com a caça às baleias porque "uma pesquisa científica não pode ser interrompida de repente".
     A Austrália é uma das maiores críticas à prática. Em outubro, os autralianos chegaram a lançar uma campanha no Youtube contra a caça de baleias. Veja o vídeo aqui.
 
     Pedido
     A idéia dos ecologistas do Greenpeace ao encontrar os navios japoneses é fazer um pedido para que eles interrompam as atividades de caça no oceano Antártico, em local considerado como santuário de baleias pela CIB (Comissão Baleeira Internacional).
 
Itsuo Inouye/AP
O navio baleeiro Nishin Maru deixa o porto de Shimonoseki, no Japão; governo não pretende interromper caça científica de baleias
O navio baleeiro Nishin Maru deixa o porto de Shimonoseki, no Japão; governo não pretende interromper caça científica de baleias
 
 
     "A princípio iremos fazer um pedido e outras ações vão depender do desenrolar", diz Gonçalves. "Queremos expor ao mundo o que eles estão fazendo".
     A ONG lançou uma campanha em seu site em que o internauta pode assinar uma mensagem que será enviada aos chefes de estado de quatro países --Brasil, Alemanha, Estados Unidos e Chile.
     A mensagem é um pedido para que estes líderes entrem em contato com o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, a fim de convencê-lo a suspender a caça.
 
     Santuário de baleias
     Esta é a primeira vez que a América Latina tem presença significativa na ação do Greenpeace contra a caça de baleias. Além da brasileira, um argentino, um chileno e um panamenho estão a bordo do Esperanza.
     A presença latina tem como propósito incentivar a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul. A proposta será levada ao encontro anual da CIB, que acontece em junho de 2008 no Chile.
     "Estaremos lá em presença massiva de ONGs latinas para tentar novamente propor o santuário e proteger as baleias que se reproduzem em nossa costa", diz Gonçalves.
     Para ser aprovada, a proposta do santuário de baleias no Atlântico Sul precisa ter 75% de votos favoráveis entre os países que participam da CIB.
Autor: Thiago Faria da Folha Online


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sábado, 1 de dezembro de 2007

Menos proteção para as florestas

     Um projeto de lei (PL) que diminui a proteção às florestas está para ser aprovado no Congresso Nacional. A proposta surgiu de um acordo entre a bancada ruralista e o governo federal. Há um ano, foi definido que a lei que protege a Mata Atlântica, o PL 285/99 que aguardou 14 anos para ser votado, seria aprovada. Em troca, o governo federal se propôs a rediscutir o tamanho das porções obrigatórias de florestas nas propriedades privadas, a chamada reserva legal. O acordo foi cumprido. Nas próximas semanas a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados vai analisar o PL 6.424 de autoria do Senador Flecha Ribeiro, do PSDB do Pará. A proposta deve ir para aprovação do Presidente Lula antes do final do ano.
 
     O portal O Eco informa que já está disponível o relatório do deputado Homero Pereira (PR-MT) sobre o projeto que altera o Código Florestal. O texto foi elaborado para votação da lei na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. Em seu substitutivo, o parlamentar aceita todas as sugestões feitas pela bancada ruralista de liberar a recomposição de reserva legal na Amazônia com espécies exóticas, como dendê, teca, eucalipto e cacau. Além disso, propõe que produtores não tenham mais a obrigação de fazer o plantio de árvores no mesma bacia em que houve a degradação.
     É o Congresso na contramão da tendência mundial de aumentar a proteção às florestas.
 
Autores: Alexandre Mansur e Juliana Arini - Blog do Planeta


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Leonardo DiCaprio fala sobre o filme "A Última Hora"

Em entrevista exclusiva ao Akatu, o ator Leonardo DiCaprio conta porque decidiu produzir o documentário e conta que é um ambientalista apaixonado desde a juventude. As diretoras e um consultor também participam da conversa.
 
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     Quais são os desafios para atingir um público que não está a par ou ao menos interessado nos assuntos ambientalistas abordados pelo filme?
 
NADIA CONNERS: Nós tentamos fazer um filme muito humano; é um filme que lida com emoções. É assustador, é empolgante, é trágico, é chocante, intimidante e esperançoso. Todos esses sentimentos, creio eu, ajudam na busca para se atingir um público maior. Sim, há muitas informações neste filme, mas elas estão mais ligadas à experiência da viagem pela informação, passando do terror à esperança. E eu acredito que com isso iremos atingir mais pessoas.
 
 
LEONARDO DICAPRIO: Eu acredito que esta é a principal razão para que fizéssemos este filme. E a gente fala especificamente destes assuntos sem estar ligado a nenhum partido político em especial. Este é um grande tema. É um tema que o mundo todo deve abraçar. Todos nós, e isso inclui os Estados Unidos, precisamos começar a aprender – através de filmes como este, através das mídias, através de atos públicos. Nós precisamos trabalhar juntos e esta é uma pequena peça do quebra-cabeça.
 
     Mas o que vocês têm a dizer para os céticos, aqueles que não crêem na existência do problema?

LEONARDO DICAPRIO: O grande propósito em se fazer este filme veio realmente do desejo de ouvir o consenso da maior parte da comunidade científica. Para mim, um simples cidadão americano, a vontade era ouvir o que essas pessoas tinham a dizer de maneira ininterrupta. Eu queria escutar sobre o trabalho da vida deles e o que eles vêm estudando durante todo esse tempo. Era basicamente a gente fazendo estas perguntas. E, assim espero, quando as pessoas assistirem ao filme, elas sentirão um impacto emocional e vão desejar fazer algo a respeito. Eu acho que este foi o ponto principal para fazermos este filme, um filme humano, no qual você percebe a dura realidade do que vai acontecer se nós continuarmos a levar a vida como agora. Mas a gente também ressalta as grandes alternativas que nós ainda temos. Já existem tecnologias capazes de reduzir o impacto ecológico em 90 por cento. E já é mais do que tempo de nós, as pessoas, começarmos a exigir que os poderosos tentem introduzir isso no nosso dia-a-dia, de modo que a gente nem sequer precise pensar neste assunto.

NADIA CONNERS: A idéia principal deste filme é restabeler o estado em que está o mundo e restabelecer toda a noção de ambientalismo como um questão ligada ao ser humano. Nós somos natureza. Nós somos parte da biosfera. Até agora, o ambientalismo esteve de fora de questão. Era algo tipo "ah, você pode ser ambientalista ou não". O que este filme está tentando fazer - e a razão pela qual eu acredito que ele cria novas conexões - é justamente porque nós estamos tratando da humanidade como um todo, quem nós somos, como nós chegamos ao estado em que estamos, e como nós podemos sair dele. E quando as pessoas são céticas ou tentam negar a realidade, ou sei lá o que mais, bastaria que essas pessoas realmente ouvissem e prestassem atenção e aprendessem, porque daí então elas saberiam que a realidade da situação atual é aquela que nós mostramos neste filme – a biosfera está em apuros; nós causamos este problema, nós temos que consertá-lo. E esta é a verdade mais pura.
 
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     O que dizer àquelas pessoas que consideram o aquecimento global uma enganação?

NADIA CONNERS: Que eles vão ficar para trás. Há milhões de pessoas, milhões e milhões pelo mundo todo, que estão fazendo um bom trabalho de restauração. E eu não acredito que os céticos ou aqueles que negam a realidade irão prevalecer.

LEONARDO DICAPRIO: Minha resposta a isso tem sido sempre: a imensa maioria da comunidade científica concorda que o ser humano é o grande responsável por isso. Como nós podemos não querer ar e água limpos? Estas são questões fundamentais de direitos humanos. Então, eu acredito que isso vá muito além das fronteiras políticas. Esta é a minha resposta aos céticos.

KENNY AUSUBEL: Eu acho que, agora, há novos ventos soprando. O verde está se tornando um grande negócio, inclusive financeiramente. As chamadas "construções verdes", aquelas em harmonia com o meio ambiente, são uma forte tendência para os próximos dez anos. A "indústria química verde" também será um assunto em voga, cada vez mais. DuPont, 3M, empresas gigantescas estão por trás disso. Então, esta é uma onda na qual, na verdade, políticas governamentais estão por trás dos interesses das corporações. E uma vez que este vento continue a soprar, o ceticismo tende a diminuir. Você olha algo tipo o movimento direitista cristão... Há cuidados na criação entre os evangélicos cristãos, agora. Portanto, já há muita mudança.
 
     As empresas monolíticas, querendo até pagar para poder poluir, como é possível fazê-las mudar de idéia?

LEILA CONNERS PETERSEN: Bom, é muito empolgante, porque isso é sobre liderança em todos os aspectos. Nós sabemos que há dois caminhos que podemos trilhar no momento: o caminho da destruição e o caminho da cura e da restauração. Nós sabemos, agora, o que tem que ser feito. As pessoas têm que pressionar as empresas a mudar, a migrar para um sistema de energia renovável, e não apenas através de seus produtos. É isso que está ocorrendo agora. Obviamente, as empresas ainda têm muito poder, mas isso irá mudar. Isso tem que ter a ver com uma mudança no coração dos americanos e de todo mundo, para seguir nesta nova direção.

Leo, como você equilibra sua necessidade de privacidade com um projeto como este, que permite às pessoas saber o que você pensa e de que lado você está?
 
LEONARDO DICAPRIO: Sinceramente, isso não é algo que eu pense, neste caso específico. Esta questão sempre foi uma grande paixão minha desde que eu era muito jovem. Eu fui muito afetado pela mídia, por coisas como este filme. Eu fui muito afetado por documentários que eu vi quando criança sobre a floresta tropical, a polícia, a extinção em massa que vemos agora... Então, pra mim, é a junção de dois mundos. Eu acho que este filme é a culminação disso. É a minha experiência neste ramo, meu aprendizado sobre como atingir o emocional das pessoas através de um filme, e a minha paixão por questões ambientais. É isso que este filme se tornou. E tem sido uma experiência bem profunda e também uma grande lição para mim, porque eu realmente queria representar o papel de alguém que está – espero eu – fazendo as perguntas certas às pessoas que devotaram suas vidas a este assunto. Mas eu sou muito ativo em relação a questões ambientalistas e eu vou continuar sendo. E eu vou continuar sendo ator também, porque ambas as coisas são simplesmente as minhas grandes paixões. É isso.

     Com tantos filmes agendados, como você organiza as suas prioridades pessoais e profissionais?
 
LEONARDO DICAPRIO: Essa é uma boa pergunta. É justamente com o que eu estou lidando no momento. Mas eu estou fazendo uma coisa de cada vez. Este filme tem sido um processo de três anos de duração. Ele foi um filme feito em casa, em muitos aspectos, e muito singular na minha carreira. É muito diferente do que seguir filmando por três ou quatro meses. Este filme me tomou centenas de horas com estas mulheres na sala de edição, condensando milhares de horas de material em um produto de uma hora e meia. Ao mesmo tempo tentamos fazer um filme que realmente vá causar um impacto nas pessoas ao ponto delas saírem do cinema com esta terrível realidade estampada na cara, vendo o que irá acontecer com o planeta e com a gente no futuro, caso não mudemos. Enquanto isso, também destacamos e, espero, damos inspiração para que o público perceba que existem muitas soluções possíveis se eles começarem a se mexer. Esta é a grande chave deste filme: a esperança de conseguir dar inspiração para que as pessoas se tornem mais informadas sobre este assunto e comecem a agir pessoalmente.

     Por que vocês puseram tanta informação sobre o problema ao invés de ir direto para as soluções? Vocês acham que as pessoas não enxergam a existência do problema?

NADIA CONNERS: A maioria das pessoas não acredita de verdade ou mesmo compreende a profundidade e a extensão deste problema; elas estão desligadas do problema em si. É lá, em algum lugar. Não é aqui. Na verdade, o problema está nesta sala. Está em tudo que vemos. Está em todos os produtos da sociedade industrial.

     Leo, uma pergunta sobre os filmes que você escolheu fazer. Você vê uma mudança hoje? As pessoas que fazem os filmes e aquelas que patrocinam estes filmes estão mais propensas a lidar com estes assuntos agora, mais do que, digamos, há dez anos?

LEONARDO DICAPRIO: Eu acho que o cenário é encorajador. Eu acho que é um retorno a vários dos filmes políticos que eu curtia na década de 70, certamente filmes como "A Trama" (The Parallax View) ou "Três Dias do Condor" (Three Days of the Condor). E eu adoraria fazer parte de mais filmes assim, se a história for boa o suficiente, se houver uma narrativa interessante e se o filme prometer ser bom, acima de tudo. Eu sou um grande defensor da idéia de se produzir mais filmes assim, e é por isso que "Diamante de Sangue" (Blood Diamond) me pegou forte e eu agarrei a chance na hora, assim como o filme do Ridley Scott que está para sair. Eu amaria fazer mais filmes como "A 11ª Hora". E eu espero apenas que um bom número de pessoas vá assisti-lo, assim os Estúdios se animam para continuar fazendo filmes do gênero no futuro, e ficam sabendo que há público para eles, que eles são lucrativos, porque nós estamos falando sobre mídias. Esta é a maneira pela qual as pessoas são educadas sobre estes assuntos, atualmente. As mídias são o principal canal para o aprendizado no mundo de hoje.
 
Entrevista com Leonardo DiCaprio (Narrador / Produtor),
Leila Conners Petersen (Roteirista / Diretora / Produtora),
Nadia Conners (Roteirista / Diretora) e Kenny Ausubel (Consultor)
 
Fonte: Envolverde / Instituto Akatu - Portal do Meio Ambiente
 


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EUA afirmam ter reduzido emissões de gases do efeito estufa

     O volume de gases responsáveis pelo efeito estufa emitido pelos Estados Unidos caiu em 1,5% no ano de 2006, algo que não ocorria desde 2001, informou nesta quarta-feira (28) o Departamento americano de Energia.
     No ano passado, os Estados Unidos lançaram na atmosfera 7,076 bilhões de toneladas de gases ligados ao efeito estufa, sendo 83,8% dióxido de carbono, 8,6% metano e 5,4% óxido de nitrogênio.
 
EUA afirmam ter reduzido emissões de gases do efeito estufa em 1,5% em 2006; objetivo é reduzir emissões em 18% até 2012
EUA afirmam ter reduzido emissões de gases do efeito estufa em 1,5% em 2006; objetivo é reduzir emissões em 18% até 2012
 
     Segundo o órgão, as emissões de dióxido de carbono da atividade industrial e do consumo energético retrocederam 1,8% em 2006, contra um aumento médio de 1,2% ao ano entre 1990 e 2005.
     O Departamento de Energia explicou que cerca de um terço desta redução se deve a "um retrocesso da demanda energética em seu conjunto e do volume de carvão utilizado na produção de eletricidade", graças ao aumento do uso do gás natural.
     A queda da demanda energética foi causada, principalmente, por "condições climáticas favoráveis (...) e por preços mais elevados da energia".
     "As emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa caíram 1,5% em relação a 2005, enquanto a economia cresceu 2,9%, (...) o que significa o melhor progresso anual desde 1985", disse a Casa Branca.
     "Isto nos posiciona bem diante de nosso objetivo, fixado em 2002, de reduzir a intensidade de emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa em 18% até 2012".
     Os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo de Kyoto, que fixa metas de redução de emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa para combater o aquecimento global.
Fonte: France Presse, de Nova York - Folha Online


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terça-feira, 27 de novembro de 2007

Museu irá expor esqueleto de suposto ET

 
Criatura que não é morcego, tem parte humana com características de macaco, asas separadas do braço, com garras nos pés e na mão, e uma estatura de 35 cm
Múmia de criança com duas cabeças
Múmia de uma criança-gato, datada do ano 1.400 d.C., com procedência da Ucrania
 
Ufólogos supõem que esqueleto possa ser de um extraterrestre
 
Imagens mostram análise computadorizada do susposto extraterrestre
O corpo da criatura será exposta em Cuiabá pelo Museu de História Natural Wilson Estevanovic, de Uberaba (MG)
 
Fonte: Terra Notícias
Fotos: Juliana Michaela/Especial para o Terra


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Nasa divulga mapas em alta resolução da Antártida

Imagens foram feitas com a mais moderna tecnologia de satélites da agência americana. 
 
     Cientistas americanos e britânicos anunciaram nesta terça-feira (27) um mapa completo da Antártida, elaborado com a mais moderna tecnologia de satélites da Nasa, que será essencial para as pesquisas no continente gelado.
 
Foto: Nasa
Mosaico revela detalhes da geografia do continente (Foto: Nasa)
 
     As imagens obtidas pelo satélite Landsat 7 (capaz de enxergar detalhes do tamanho de meia quadra de basquete) estão em uma resolução dez vezes melhor do que a de mapas anteriores. Ao todo, mais de mil fotografias tiradas durante mais de três anos de observações foram reunidas em um grande mosaico.
     "É um mosaico de imagens que abre uma janela para a Antártida que nós não tínhamos antes", afirma Robert Bindschadler, cientista chefe do Laboratório de Ciências Biosféricas e Hidrosféricas da Nasa. "Vai abrir novas janelas de oportunidade para a pesquisa científica assim como permitir que o público fique muito mais familiarizado com a Antártida e com como os cientistas usam imagens em suas pesquisas. Essa inovação é como assistir TV a cores em alta definição depois de ver a imagem em uma televisão em branco e preto", explica Bindschadler.
     Os mapas devem ser utilizados para planejar melhor as futuras expedições ao continente de gelo e para orientar cientistas que buscam estudar a geografia antártida
Fonte: G1


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História da Sustentabilidade

     A categoria sustentabilidade é central para a cosmovisão ecológica e, possivelmente, constitui um dos fundamentos do novo paradigma civilizatório que procura harmonizar ser humano, desenvolvimento e Terra entendida como Gaia. Comumente a sustentabilidade vem acoplada ao desenvolvimento. Oficialmente o conceito desenvolvimento sustentável foi usado pela primeira vez na Assembléia Geral das Nações Unidas em 1979. Foi assumido pelos governos e pelos organismos multilaterais a partir de 1987 quando, depois de quase mil dias de reuniões de especialistas convocados pela ONU sob a coordenação da primeira ministra da Noruega Gro Brundland se publicou o documento Nosso Futuro Comum. É lá que aparece a definição tornada clássica:"sustentável é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades".
leonardoboff.jpg     Na verdade, o conceito possui uma pré-história de quase três séculos. Ele surgiu da percepção da escassez. As potencias coloniais e industriais européias desflorestaram vastamente seus territórios para alimentar com lenha a incipiente produção industrial e a construção de seus navios com os quais transportavam suas mercadorias e submetiam militarmente grande parte dos povos da Terra. Então surgiu a questão: como administrar a escassez? Carl von Carlowitz respondeu em 1713 com um tratado que vinha com o título latino de Sylvicultura Oeconomica. Ai ele usou a expressão nachhaltendes wirtschaften que traduzido significa: administração sustentável. Os ingleses traduziram por sustainable yield que quer dizer  produção sustentável.
     De imediato surgiu a questão, válida até os dias de hoje: como produzir sustentavelmente? Apresentavam-se para o autor quatro estratégias. A primeira era política: cabe ao poder público e não às empresas e aos consumidores regular a produção e o consumo e assim garantir a sustentabilidade em função do bem comum. A segunda era a colonial: para resolver a carência de sustentabilidade nacional impunha-se buscar os recursos faltantes fora, conquistando e colonizando outros paises e povos. A terceira era a liberal: o mercado aberto e o livre comércio vão regular a demanda e o consumo, resultando então a sustentabilidade que será melhor assegurada se for apoiada por unidades de produção nos paises onde há abundância de recursos necessários para a produção. A quarta era técnica: para superar a escassez e garantir a sustentabilidade buscar-se-á a inovação tecnológica ou a substituição dos recurso escassos: em vez de madeira usar carvão e mais tarde, em vez de carvão, o petróleo.
     Hoje com a distância temporal podemos dizer: se houvesse triunfado a estratégia política em razão do bem comum, a história econômica e social do Ocidente e do mundo teria seguido o caminho da sustentabilidade. Haveria seguramente mais eqüidade (os custos e os benefícios seriam mais igualmente distribuidos), viver-se-ia melhor com menos e havera  mais preservação dos ecossistemas.
     Mas não foi este  o caminho escolhido. Foi o do colonialismo, do imperialismo, do globalismo ecômico-financeiro e da  economia política de mercado que gerou a grande transformação (Polanyi) com  a mercantilização de todas as coisas e o submetimento da política e da ética à economia.  A crise ecológica atual deriva deste percurso que, mantido, poderá ameaçar o futuro da vida humana. Agora é tempo de revisões e de buscas de alternativas paradigmáticas.
 
Autor: Leonardo Boff - Portal do Meio Ambiente


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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Concentração de dióxido de carbono na atmosfera chega a nível recorde

Níveis em 2006 foram de 381,2 partes por milhão.
Aumento foi de 0,53% em apenas um ano, segundo boletim.

     A concentração de dióxido de carbono (CO2), um dos gases culpados pelo efeito estufa, na atmosfera terrestre alcançou em 2006 um nível nunca registrado antes, informou a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
     Segundo o "Boletim sobre os gases do efeito estufa" publicado nesta sexta-feira (23), o nível em 2006 de CO2 foi de 381,2 partes por milhão, o que representa 0,53% a mais que em 2005.
     Os números se baseiam nas observações feitas através da Rede Mundial de Vigilância do dióxido de carbono e do metano, outro gás que provoca o efeito estufa e, portanto, a mudança climática, estabelecida pela OMM.
 
Aumento da temperatura causada pelo CO2
 
     O dióxido de carbono, o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O) são os três gases do efeito estufa mais relevantes presentes na atmosfera terrestre.
     A concentração do óxido nitroso também alcançou valores recordes em 2006, para 320,1 partes por milhão.
     Segundo a OMM, a concentração de CO2 e de óxido nitroso na atmosfera terrestre aumentou em 36% desde a era pré-industrial, no final do século XVIII.
     Grande parte deste aumento é por causa das emissões relacionadas à queima de combustíveis fósseis.
Autor: EFE - G1


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Lula agora apóia rigor para licença ambiental

No Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, presidente abandona crítica à área do meio ambiente no governo por atrapalhar obras do PAC
 
     O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o discurso sobre meio  ambiente. Ao anunciar o envio ao Congresso no início do próximo ano de um Plano Nacional e de um Programa de Política de Mudanças Climáticas, ele deixou de lado as críticas ao Ministério do Meio Ambiente e defendeu a posição dos técnicos da área de licenciamento de obras.
     Em discurso no Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no Palácio do Planalto, ele avaliou que o problema na área de licenciamento não era ideológico, como chegou a dizer no início do ano, mas falta de pessoal e falta de recurso.
     "Eu sei a angústia e o sofrimento no tempo em que a gente não tinha dinheiro", disse. "O governo vive esse confronto cotidiano, esses meninos sabem quantas pessoas nós tínhamos para fazer licenciamento, e era pau neles, pau neles."
     A reunião do fórum foi conduzida a portas fechadas, mas um longo trecho do discurso do presidente foi ouvido por jornalistas num corredor do palácio, próximo ao salão onde ocorreu o encontro.
     "O ministério era o culpado, ninguém se preocupava que não tinha funcionários suficientes", disse o presidente em outro trecho do discurso.
     "Foram dois anos trabalhando, aprendendo, apanhando, batendo, até chegar à posição de ganhar mais voz."
     Os assessores do Planalto retiraram os jornalistas do corredor, impedindo que a imprensa seguisse acompanhando o restante do pronunciamento de Lula.
     Foi um discurso bem diferente dos que o presidente fez nos últimos meses. Lula sempre atacou os técnicos do licenciamento ambiental e reclamava com a própria ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, especialmente pela "demora" na licença para construir as usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira. No início do ano, ele chegou a dizer que a equipe de Marina queria colocar um "bagre" no colo dele, referindo-se aos peixes do Madeira.
     Desmatamento
     Lula ainda avaliou que o governo federal sozinho não tem condições de combater o desmatamento da Amazônia. "Nós ainda temos uma deficiência grave", disse. "Se o governo federal acha que pode cuidar de um território grande como esse, é um ledo engano", completou.
Ele ainda defendeu parcerias com Estados, prefeituras, movimentos sociais e a Igreja Católica. "Todo mundo tem de ser fiscal de todo mundo."
 
     Plano nacional
     Na mesma reunião, Lula assinou um decreto instalando uma comissão interministerial para elaborar o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que deverá ser enviado ao Congresso até 30 de abril.
     O plano vai definir metas nacionais de redução de emissões de gases que causam o efeito estufa. O governo ainda pretende mandar ao Legislativo, em janeiro, o Programa de Política de Mudanças Climáticas.
     O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse, em entrevista, que o eixo central do Plano Nacional de Mudanças Climáticas é definir uma meta de redução de desmatamento e queimadas. O plano definirá formas de adaptação às mudanças climáticas e incentivos a pesquisas na área. "É possível definir essas metas", reiterou Capobianco.
 
Fonte: O Estado de SP - Jornal da Ciência


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terça-feira, 20 de novembro de 2007

Brasil importará poluição, disseram EUA

Afirmação está em documento de 1972 produzido pelo Departamento de  Estado na véspera de 1ª conferência ambiental;
Análise ecoa em posições defendidas hoje pelo país em reuniões ambientais, como a aversão à vigilância externa sobre a Amazônia
 
     "No futuro, o Brasil poderá até mesmo se tornar um "porto seguro de poluição" para empresas que estejam procurando escapar a restrições de países com controles." A frase está no documento intitulado "Brazil - If Development Brings Pollution, so Be It" ("Brasil - Se o Desenvolvimento
 Traz Poluição, Que Assim Seja").
     Seu autor é o Departamento de Estado norte-americano. O texto, disponível online desde que foi "desclassificado" (jargão dos serviços de inteligência para documentos que deixam de ser secretos), mas nunca antes publicado, traz a data de 28 de fevereiro de 1972.
     Escrito por Ruth M. Schimel e aprovado por Godfrey H. Summ, da Chancelaria norte-americana, o relatório procurava dar uma panorâmica da situação do meio ambiente ("ecologia" era palavra mais em voga então) no Brasil para o governo Nixon (1969-1974).
     Foi feito às vésperas do que é considerado o primeiro encontro multilateral sobre o tema, a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972.
     As críticas feitas então encontram eco 35 anos depois, quando o mundo se prepara para debater o tema da vez na "ecologia" - as mudanças climáticas - em Bali, na Indonésia, no mês que vem.
     A oposição do Brasil a controles externos, diz o documento, "reflete medos profundos de que tais controles possam frustrar seu impressionante crescimento econômico e o cumprimento de seu destino de potência mundial".
     "A política brasileira oficial [...] coloca objetivos de desenvolvimento acima do controle da poluição e busca forçar os países desenvolvidos a assumir a responsabilidade pelo controle da poluição", escreve Schimel no começo.
     A sentença poderia se referir a posições que o Brasil tem defendido em encontros ambientais internacionais, como a de que os países do Terceiro Mundo não podem abrir mão de seu "direito de poluir" em nome do desenvolvimento.
     Um esboço do decreto que propõe a elaboração do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que o governo Lula promete aprovar em 2008, reflete esse tipo de posição. A Folha publicou trechos do decreto no dia 10. Instado então pelo jornal a comentá-lo, Marcelo Furtado, do Greenpeace, fez crítica similar ao que já alertava o Departamento de Estado há mais de três décadas.
     "A única coisa que está assegurada aqui é que o desenvolvimento econômico não será afetado (...) Essa era a posição brasileira em 1972 em Estocolmo."
     O documento foi elaborado pelo hoje extinto Escritório de Pesquisa e Análise das Republicas Americanas, subordinado ao Escritório de Inteligência e Pesquisa da Chancelaria norte-americana, então comandada por William Pierce Rogers (1913-2001). Seu texto é bastante duro com a política ambiental brasileira.
     No geral, afirma, os brasileiros "continuarão a estimular investimentos em grande escala que apóiem seus objetivos de desenvolvimento, mesmo que isso signifique "importar poluição". E conclui com a frase do início dessa reportagem.
     Em outro trecho, o documento arrisca uma análise do cenário político brasileiro: "Aqueles que fazem as políticas públicas estão de acordo entre si e dizem que padrões internacionais serão usados para manter as nações em desenvolvimento dependentes".
     Outros, continua, "como membros do fraco Congresso e o presidente do Instituto de Estudos Oceânicos [Instituto Oceanográfico], admitem os perigos da poluição, mas no geral pedem soluções brasileiras para problemas brasileiros".
 
Autor: Sérgio Dávila (Folha de SP, 20/11) - Jornal da Ciência


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domingo, 18 de novembro de 2007

TV de Bangladesh divulga cifra de 3.000 mortos por ciclone

     O canal privado de TV Bangla, de Bangladesh, divulgou neste domingo que a cifra de mortos já atingiu os 3.000, devido à passagem do ciclone Sidr. A última contagem oficial aponta para cerca de 2.388 baixas, enquanto a Cruz Vermelha já fala em algo entre 5.000 e 10 mil vítimas.
     A cifra de baixas têm aumentado constantemente, à medida em que as equipes de resgate chegam às zonas litorâneas afetadas. O Exército e as equipes de socorro têm encontrado dificuldades em acessar as áreas mais afetadas, no sul do país.
     O ciclone Sidr foi classificado por muitos como um dos mais poderosos das últimas décadas, mas um plano de evacuação prévio e o fato de o furacão ter tocado a terra durante a maré baixa evitaram uma catástrofe ainda maior.
O Sidr arrasou tudo o que encontrou em seu caminho, com ventos de até 233 km/h, e causou uma alta das ondas em cinco metros, num país onde 60 milhões de pessoas vivem a menos de dez metros acima do nível do mar.
 
 
     A Cruz Vermelha de Bangladesh calcula que 900.000 famílias precisem de ajuda, o equivalente a 7 milhões de pessoas. A Marinha já enviou toneladas de víveres e medicamento, enquanto a Força Aérea empregou seus helicópteros na distribuição de alimentos e remédios.
     A União Européia, e em separado, a Alemanha, Suíça e Espanha, enviaram pelo menos 3 milhões de euros (cerca de R$ 8 milhões). Os Estados Unidos também prometeram auxílio financeiro e material.
 
 
 
     Equipes de organizações internacionais e soldados se reúnem num esforço massivo para ajudar os milhares de feridos e desabrigados, mas a devastação das áreas atingidas dificulta a distribuição de arroz, água potável e barracas para a população atingida.
     "Eu esperei horas para ter algo que comer. E o que eu recebi foram apenas uns poucos biscoitos. Não é suficiente", afirma Asad Ali, 45, um fazendeiro de Barguna, um dos distritos mais duramente atingidos.
     Ele contou que recebeu os biscoitos de um helicóptero que soltou pacotes de comida e atraiu uma multidão faminta.
 
 
     Funcionários do governo defendem os esforços já feitos e manifestam confiança de que as autoridades vão dar conta das tarefas. "Nós temos água e comida suficientes. Nós vamos superar esses problemas", afirmou Shahidul Islam, um funcionário sênior de Bagerhat. O governo afirma que reservou US$ 5,2 milhões (cerca de R$ 9 milhões) para ajuda emergencial e reconstrução das casas.
Fonte: Folha Online


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sábado, 17 de novembro de 2007

De denunciante a ré: Prenderam a defensora das araucárias

     Uma coalizão de 21 ONGs ambientalistas do Paraná está denunciando a prisão estranha de uma das maiores defensoras das araucárias do estado. Elma Romano, a ex-chefe do escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP ), está presa há 16 dias em Curitiba. Ela é acusada de chefiar um esquema de venda de licenças ambientais ilegais para corte de araucárias. Mas a rede de ONGs que trabalha no estado acha estranha a acusação e a prisão de Elma. Segundo eles, Elma teria passado os últimos 30 anos enfrentando as grandes madeireiras, os fazendeiros e os políticos do estado ligados à devastação. Agora, estaria pagando o preço por isso.
 
imagem1263.jpg     Ambientalistas que conhecem o trabalho de Elma dizem que ela é vítima de perseguição política. Existem alguns pontos estranhos na história. Elma foi presa no dia 23 de outubro em uma operação da Polícia Civil do estado. Foi retirada do hospital psiquiátrico, onde estava internada por depressão. Os policiais a levaram sem autorização médica. Os madeireiros presos com ela receberam hábeas corpus em menos de 24 horas. Já Elma continua na prisão até hoje. A justificativa oficial para mantê-la presa é que ela poderia continuar assinando papéis no IAP. Um argumento estranho quando se considera que ela está afastada há meses.
     Em março de 2007, Elma enviou ao governador Roberto Requião (PMDB ) um e-mail em que denunciava o esquema de vendas ilegais de licenças ambientais, que tinham a participação de madeireiros e funcionários do IAP de Ponta Grossa. Logo depois, entregou o cargo. "Durante meses, resistiu, até que viu-se obrigada a entregar o cargo, por não ver caminhos viáveis para solucionar a situação", diz Clóvis Borges, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, que publicou um artigo sobre o assunto. "Elma é vítima de um complô.
 
 
     O silêncio do governador do estado (Roberto Requião) dá o tom do grau de loucura presente nesta ocorrência. Ele teria todos os elementos para sair em defesa de Elma e está quieto. Não sei explicar isso a não ser a partir de uma análise de comportamento patológico que é a marca registrada deste governo", diz.
     Uma coalizão de 21 ONGs ambientais do Paraná divulgou uma nota repudiando a prisão de Elma.
 
Autor: Alexandre Mansur - Portal do Meio Ambiente
Nota do BioWilson: Contra a políticagem e a omissão assumida nos deparamos com fatos como esse, mas isso é somente uma parte do grande problema que é a forma que se trata as denúncias de crimes ambientais. Vemos órgãos ambientais municipais, estaduais, promotorias e demais órgãos fiscalizadores num dilema, multa-se quem?? O parceiro político ou o inimigo político, ou também, o que se está vendo, multa-se (e cala-se/prende-se) quem assume uma responsabilidade solidária com os demais seres vivos do planeta quando realiza a denúncia, que mesmo com a legislação ao seu favor, acaba sendo o "bode expiatório" na qual gera-se uma conspiração para para pulverizar as responsabilidade que no final sobra para a ponta mais fraca da corda.


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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Satélites da Nasa detectam mudança radical de correntes no Ártico

Alteração teve a ver com mudanças atmosféricas sem elo com ação humana, diz estudo.
No entanto, transformações podem ser sinal do que virá com aquecimento global
.

     Cientistas detectaram uma profunda alteração nas correntes do oceano Ártico, causada por novas condições atmosféricas e não pela mudança climática dos últimos anos, revelou nesta terça-feira o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa.
     A modificação no curso das correntes foi detectada na análise dos dados fornecidos entre 2002 e 2006 por um satélite da Nasa e dispositivos para medir as pressões submarinas, disse o JPL em comunicado. "Os resultados sugerem que nem todas as grandes mudanças detectadas no Ártico nos últimos anos são resultado das tendências a longo prazo vinculadas com o aquecimento global", disse o JPL.
 
Funcionamento das correntes marítimas.
 
    As mudanças foram descobertas em colunas de água medidas da superfície até o fundo do mar. Numa pesquisa publicada na revista "Geophysical Research Letters", os autores do estudo atribuem a mudança total de sentido das correntes a um enfraquecimento da "Oscilação Ártica", um padrão de circulação atmosférica no hemisfério Norte.
     Segundo o trabalho, o enfraquecimento da oscilação reduziu a salinidade nas camadas superiores do mar no Pólo Norte, diminuindo sua densidade e modificando a circulação. "Nosso estudo confirma que muitas mudanças detectadas na circulação do Ártico superior na década de 1990 foram periódicas e não resultado do aquecimento global", disse James Morison, do Centro de Ciências Polares do Laboratório de Física Aplicada da Universidade de Washington.
     No entanto, o cientista advertiu que a maioria dos modelos climáticos prevê que a Oscilação Ártica será mais forte no futuro. "O que vimos pode muito bem ser uma antecipação da forma como o Ártico responderá a períodos mais prolongados de aumento das temperaturas", observou.
 
Fonte da notícia: EFE - G1


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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A mente oculta das plantas

A ciência descobre o surpreendente domínio da consciência vegetal

     As plantas são capazes de perceber agressões à vida praticadas do outro lado da parede. E parecem ter consciência até mesmo de intenções ocultas na mente humana. Essa fantástica revelação — que foi tema do livro A Vida Secreta das Plantas, de Peter Tompkins e Christopher Bird, e inspirou o álbum de mesmo nome do compositor e cantor Steve Wonder — vem sendo confirmada por pesquisas científicas realizadas no Brasil. Ela faz parte de um conjunto de descobertas que deverá revolucionar a visão de mundo do próximo século e apontam para um relacionamento mais harmonioso entre o homem e a natureza.
 
Foto Kirlian de uma folha. Após décadas de pesquisas, os cientistas ainda não chegaram a uma explicação convincente para o halo luminoso que aparece em volta dos objetos
 
     Os xamãs — homens de conhecimento das comunidades pré-históricas — já sabiam que, por trás de seu aparente torpor, as plantas possuem uma vida secreta, cheia de percepções e atividades. Esse mundo oculto foi contactado, desde então, por visionários de diferentes épocas e lugares, como o místico alemão Jacob Boehme (1575-1624), que dizia ser capaz de penetrar a consciência das plantas.
     A ciência materialista, porém, preferiu descartar esse tema, que desafiava sua limitada descrição da realidade. Ele co ntinuaria provavelmente ignorado se, em 1966, uma descoberta casual não tivesse rompido essa conspiração de silêncio. Naquele ano, Cleve Backster, então o maior especialista americano em detecção de mentiras, teve a estranha idéia de fixar os eletrodos de um de seus detectores numa folha de dracena, espécie tropical utilizada como planta ornamental.
     Ele foi movido pela simples curiosidade, mas o que encontrou abalaria os fundamentos da visão de mundo dominante. Backster suspeitava que a planta reagisse a agressões reais à sua integridade física. Mas não podia imaginar que a simples idéia dessas agressões provocasse saltos violentos nos gráficos traçados pelo aparelho. Pois foi exatamente o que aconteceu quando ele pensou em queimar uma das folhas da dracena.
     E voltou a acontecer quando se aproximou dela com uma caixa de fósforos, disposto a levar sua intenção à prática. A planta parecia ler o seu pensamento e sabia distinguir as ameaças reais da mera simulação.
Sem querer, Backster abrira a porta que dava entrada a uma realidade totalmente inesperada — e desconcertante.
     A grande novidade do experimento foi ter propiciado um acesso direto às percepções das plantas sem a intermediação de sensitivos humanos: não era preciso ser paranormal para contactar o mundo da consciência vegetal. Esse ponto de vista foi reforçado, em julho último, por uma pesquisa feita na Universidade de Gant, na Bélgica.
     Valendo-se de imagens em infravermelho, o pesquisador Dominique van der Straeten e sua equipe descobriram que as folhas de tabaco têm a capacidade de reagir com uma espécie de febre quando infectadas por certos tipos de vírus. Como relatado no jornal Nature Biotechnology, as folhas sofreram um aumento de temperatura de até 0,4 grau Celsius, oito horas antes dos efeitos dos vírus se manifestarem, num processo "fisiológico" semelhante ao do corpo humano.
 
     Percepção básica
     Atento a tais descobertas, um brasileiro resolveu fazer uma investigação parecida. Trata-se do engenheiro Arlindo Tondin, mestre em eletrônica pela Universidade de Nova York e um dos fundadores da Faculdade de Engenharia Industrial, de São Bernardo do Campo, SP.
 

O engenheiro Arlindo Tondin fixa eletrodos numa planta. A foto foi realizada no Laboratório de Metrologia Elétrica da FEI, em São Bernardo do Campo, SP. O local é blindado eletricamente para eliminar a influência dos ruídos externos.
 
     Tondin fixou eletrodos próximo à raiz e num dos galhos de um limoeiro. "Verifiquei que havia, entre os dois pontos, uma diferença de potencial elétrico da ordem de microvolts", informa. "Eu já desconfiava que a ascensão da seiva estivesse associada a um fenômeno elétrico e, para confirmar isso, liguei aos eletrodos uma pilha de 1,5 volt, de modo a intensificar a corrente na região. Resultado: os frutos do galho onde estava o eletrodo ficaram maiores e amadureceram mais rápido que os demais."
     Estava provada a tese da seiva. O próximo passo era averiguar como as agressões externas afetavam a corrente elétrica que circula na planta. Para isso, o engenheiro utilizou um osciloscópio de raios catódicos de alta sensibilidade. "Conectei o osciloscópio aos eletrodos e, com uma vela, comecei a queimar algumas folhas. A resposta foi quase imediata: a imagem da tela do osciloscópio, que estava estacionária, passou a apresentar intensas variações." Tondin espantou-se com a reação provocada por seu ato. "Comecei a questionar até que ponto eu tinha o direito de agredir o vegetal e a natureza. E resolvi interromper a pesquisa."
     O engenheiro convenceu-se da seriedade dos experimentos descritos em A Vida Secreta das Plantas. Num deles, também realizado por Backster, três plantas reagem à matança de camarões, cometida numa outra sala. Essa investigação foi conduzida com os cuida dos que caracterizam as melhores pesquisas científicas:

1- foram escolhidos, como vítimas, animais de grande vitalidade, pois já tinha sido notado que seres doentes ou a caminho da morte não eram capazes de estimular as plantas a distância;
2- para evitar que a subjetividade dos pesquisadores influísse nos resultados, os camarões eram despejados numa vasilha de água fervente por um mecanismo automático, longe das vistas de qualquer ser humano;
3- eliminaram-se as possibilidades de que o próprio funcionamento do mecanismo ou eventuais perturbações eletromagnéticas afetassem a forma dos gráficos;
4- as plantas, monitoradas por detectores, foram colocadas em três salas diferentes, submetidas às mesmas condições de temperatura e iluminação.
     A análise dos gráficos mostrou que as plantas reagiam intensa e sincronizadamente à morte dos camarões — numa proporção que excluía qualquer hipótese de uma flutuação puramente casual das variáveis elétricas. Backster sentiu-se respaldado para formular a tese de que os vegetais, como todo organismo vivo, dispõem de uma percepção primária que lhes permite detectar, a distância, qualquer agressão à vida.
 
     Organismos complexos 
     Apesar de sua aparência simples, as plantas são organismos altamente complexos. Uma planta pequena, como o pé de centeio, possui nada menos que 13 milhões de radículas em sua raiz. Estas são formadas, por sua vez, de 14 bilhões de filamentos, que, se fossem enfileirados um após o outro, cobririam uma extensão de 11 mil quilômetros, quase a distância de um pólo a outro.
     Toda planta é dotada de uma malha elétrica em equilíbrio. Nas árvores, a corrente elétrica sobe pelo anel externo e desce pelo anel central. Como demonstrou a pesquisa do brasileiro Arlindo Tondin, essa corrente está associada ao fluxo da seiva
 
     Os corpos sutis
     Se, no homem, essa percepção básica nem sempre parece ocorrer, isso se deve ao filtro dos cinco sentidos, à força do pensamento racional, que obscurece as demais funções psíquicas, e a todo um condicionamento cultural, que determina o que deve ou não deve ser percebido. Como provaram outros experimentos, essa percepção a distância não é bloqueada por dispositivos de blindagem elétrica, como a gaiola de Faraday, nem por paredes de chumbo.
 
Jaqueira tratada com acupuntura: frutificação exuberante
 
     E Backster chegou a cogitar que ela não se limitaria aos organismos complexos, mas poderia descer aos níveis celular, molecular, atômico e até mesmo subatômico, perpassando toda a existência. Essa opinião ousada apresenta fortes afinidades com a hipótese da ressonância mórfica, do biólogo inglês Rupert Sheldrake, e com as revolucionárias descobertas sobre a consciência do psiquiatra checo Stanislav Grof (leia as reportagens "Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco" e "Consciência sem limites", em Galileu, números 91 e 94, respectivamente).
     Em outras palavras, cada planta — para não dizer cada ente material — estaria associada a um invisível e impalpável campo de consciência. Tal idéia, que vem ganhando adeptos entre os cientistas de vanguarda, converge com a visão de todas as grandes tradições espirituais da humanidade. Estas são unânimes em considerar a consciência como um dado primário da existência e afirmam que, além de seus corpos físicos, os entes materiais são constituídos por uma série de "corpos sutis", encaixados uns dentro dos outros como bonecas russas.
     As percepções descobertas por Backster e seus sucessores configurariam um esboço ou embrião daquilo que algumas tradições chamam de "corpo mental". Entre esse nível mais alto e o físico, as plantas, como todos os seres vivos, possuiriam um corpo intermediário, constituído pela rede de canais por onde flui a chamada "energia vital" (que corresponde ao prana dos indianos e ao qi dos chineses). Esse "corpo vital" é o objeto de práticas médicas como a acupuntura, que se destinam a desobstruir os canais e regularizar o fluxo da energia.
 
     Vantagem econômica
     A acupuntura em plantas vem sendo praticada com sucesso pelo médico Evaldo Martins Leite, presidente da Associação Brasileira de Acupuntura. Ele orientou, há cinco anos, uma pesquisa científica rigorosa, realizada pelo biólogo Alexandre Eustáquio de Sena, na Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte, MG. Sena dividiu uma plantação de feijão em duas partes iguais, tratando uma com acupuntura e mantendo a outra como grupo de controle. As plantas submetidas à acupuntura desenvolveram maior número de vagens, maior quantidade de grãos em cada vagem e maior peso por grão.
"Como ocorre nos homens e animais, os problemas de saúde que afetam os vegetais decorrem de um perturbação na circulação e distribuição do qi, a energia vital", explica Evaldo Martins Leite. "Isso resulta de um desequilíbrio dos princípios yang e yin (masculino e feminino)." O acupunturista ensina que as áreas de ramificação das plantas — isto é, onde os galhos saem dos troncos ou os ramos saem dos galhos — são regiões de concentração de qi.
     Os ângulos externos formados nesses lugares são yang e os internos, yin. "A energia yang é responsável pelo crescimento da planta. A yin, pela produção de flores, frutos e sementes. A introdução de pregos, agulhas ou a simples raspagem das áreas correspondentes estimula um ou outro princípio e promove a função regida por ele", informa o acupunturista. Não é possível ativar as duas funções ao mesmo tempo.
     A energia é uma só: se ela for desviada para o crescimento, a produção de frutos cairá, e vice-versa. Mas as vantagens — inclusive econômicas — oferecidas pela acupuntura em vegetais são importantes demais para serem tratadas como simples curiosidade.
     Na Bahia, está em curso uma pesquisa visando aumentar a produção de látex nas seringueiras e o enraizamento dos toletes de cana-de-açúcar destinados ao plantio. Reconhecendo as dimensões sutis do mundo vegetal, o homem poderá estabelecer com ele um novo tipo de relacionamento, vantajoso para ambos.
Autor: José Tadeu Arantes - Galileu


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