domingo, 7 de outubro de 2007

Amazônia: haverá tempo?

     Na Amazônia tudo é muito grande, mega. Desde suas dimensões, exuberância, diversidade cultural, riquezas, até processos de devastação e possíveis mega-catástrofes. Ocupa 61% do território brasileiro, tem mais de 200 espécies diferentes de árvores por hectare, 1.400 tipos de peixes, 1.300 pássaros. Mais de 2 milhões de espécies e cerca de 30% da biodiversidade da Terra. Possui um terço de toda a área de florestas tropicais do mundo e é essencial para o clima e a diversidade biológica do planeta.
 
 
     Portanto, destruir a Amazônia significa levar seca prolongada para diversas regiões brasileiras e reduzir a produtividade agrícola do País, causando profundos impactos econômicos e sociais. Mas é exatamente isso que tem sido feito. Quase 20% dos seus 5 milhões de km2 já foram devastados – o desmatamento e as queimadas respondem por cerca de 75% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, que contribuem para acelerar o aquecimento global.
     Pra não ir muito longe onde esse processo pode levar, basta ler o que está nos veículos de comunicação somente esta semana. Um estudo do Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais estima que se o desmatamento alcançar 40%, pode provocar aumentos de temperatura de até 4ºC e uma redução de até 24% nas chuvas durante a estação seca na porção leste do território amazônico. Imaginemos as conseqüências disso para a vida e a economia da região.
     O conceituado cientista inglês, membro do IPCC, James Lovelock, diz que um cenário sinistro está sendo montado para a Amazônia nas próximas décadas. A maior e mais complexa floresta tropical do planeta pode estar com a morte decretada num futuro mais próximo do que se imaginava. Entre 50 e 100 anos tudo poderá se transformar numa fina areia desértica, inóspita, engolindo não só quase 50% do território brasileiro. Mesmo sendo considerada uma perspectiva exagerada por alguns de seus colegas, todos concordam que são necessárias ações urgentes na conservação e recuperação da Amazônia.  "A idéia é reduzir a todo custo o desmatamento e a emissão dos gases do efeito estufa", diz José Marengo, integrante do IPCC e cientista do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, órgão do Inpe.
     De outro lado, inúmeras iniciativas e esforços têm sido feitos por centenas de instituições, setores dos governos, empresariais e da sociedade e alguns resultados tem sido alcançados; como a redução significativa do desmatamento em 2005 e 2006 – mesmo com a contribuição decisiva da redução do câmbio e dos preços das comodities. Ainda essa semana varias ONG's lançaram em Brasília a proposta de um Pacto pelo fim do desmatamento, que está sendo bem aceita pelos governos, parlamentares e setores empresariais. Resta saber se emplacará.
     Mas, haverá tempo de evitar o pior? Pergunta o jornalista Washington Novaes, citando noticias de desastres climáticos cada dia mais graves, inclusive no Brasil: seca sem precedentes no Centro-Oeste, perda de mais de 20% na safra de café, aumentos das queimadas e previsão do Inpe de que a desertificação no semi-árido atingirá 400 mil km2. Mesmo sem saber se será possível, uma parte da resposta é certa, vai depender de nós, sociedade e governos abandonar mitos de "desenvolvimento" e buscar soluções urgentes e criativas para reverter as nada animadoras perspectivas que até então se colocam.
 
Autor: Sérgio Guimarães (engenheiro civil com especialização em Políticas Ambientais. É representante das ONGs do Centro-Oeste no CONAMA (Conselho Nacional de Maio Ambiente) e foi Secretário de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso. É fundador e coordenador executivo do Instituto Centro de Vida)
Fonte: Blog do Planeta

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O preço para salvar a Amazônia

     A maior parte dos gases do efeito estufa que o Brasil manda para a atmosfera sai de algumas das áreas mais ricas em biodiversidade do planeta: a Amazônia e o Cerrado. Segundo o inventário de emissões feito pelo governo brasileiro, divulgado em 2004 e baseado em dados de dez anos antes, o desmatamento é responsável por 75% das emissões brasileiras. Uma contribuição mais do que significativa ao se considerar que o Brasil é o quarto país que mais emite gases do efeito estufa no mundo, segundo o World Resources Institute (WRI). A organização ambiental americana é dona da lista mais respeitada de poluidores da atmosfera porque têm os dados mais atualizados.
 
     De acordo com as contas do WRI, o Brasil foi responsável pela emissão de 5,3% dos gases do efeito estufa em 2000, o último ano com informações disponíveis sobre emissões causadas por atividades relacionadas ao uso da terra - fundamentais para entender a contribuição brasileira.
     Não basta para o Brasil apenas tornar seu setor energético mais limpo. O país já é dono de uma das matrizes energéticas menos poluentes do mundo: cerca de 80% da energia gerada vem de hidrelétricas, que não emitem grande quantidade de gases do efeito estufa. É por isso que a redução do desmatamento é tão importante no combate às mudanças climáticas. ÉPOCA desta semana discutiu o plano apresentado por economistas e cientistas de algumas das principais entidades ambientais do mundo para frear o desmatamento na Amazônia. A devastação na maior floresta tropical do mundo, que corresponde a 44% das emissões brasileiras, poderia ser zerada em sete anos e com R$ 7 bilhões.
 
Fonte: Blog do Planeta

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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Grupo adianta volta ao mar de lobo-marinho

Animal de um ano de idade chegou ferido e desnutrido à costa de Santa Catarina.
Pesquisadores de universidade catarinense devem devolvê-lo à natureza no sábado.

     Deve acabar bem o drama do filhote de lobo-marinho-do-sul (Arctocephalus australis), de apenas um ano de idade, que apareceu ferido, com pouco pêlo e desnutrido numa praia de Santa Catarina há cerca de dois meses. Pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina, devem soltar o animal no mar neste sábado (6). Cadu, como foi apelidado pela equipe da Univali, já está recuperado e consegue até pescar sozinho, apesar das cicatrizes que carrega.
 
Foto: Divulgação
O bichinho recebeu uma marca para poder ser rastreado no futuro (Foto: Divulgação)
 
     A operação para levar o bichinho de volta ao mar começa cedo, às 7h, quando os cientistas avaliarão se as condições de tempo estão propícias para a soltura. Inicialmente planejada para domingo, tentativa foi antecipada em razão das boas condições meteorológicas.
     Se tudo correr bem, Cadu será carregado até cerca de 50 km de distância da costa, sendo finalmente solto. Espera-se que ele seja carregado por uma corrente marítima e chegue até a costa africana, incorporando-se a algum bando de sua espécie que esteja por lá.
Foto: Divulgação
Pêlo do lobo-marinho está em péssimo estado (Foto: Divulgação)
 
     Pesando apenas 20 kg, o filhote de mamífero marinho provavelmente se perdeu de seu grupo migratório e foi arrastado até o Brasil pelas correntes marítimas. Os pesquisadores da Univali deram ao bicho suplementos alimentares, antibióticos, vermífugos e pomadas, além de tratá-lo de um quadro de anemia.
Foto: Divulgação
Animal também estava com desnutrição e escoriações pelo corpo (Foto: Divulgação)
 
Foto: Divulgação
Agora o filhote já está conseguindo se alimentar sozinho com peixes (Foto: Divulgação)

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Uma boa notícia

     O mundo acabou de ganhar mais um rinoceronte negro. O filhote nasceu de Tanda, uma rinoceronte do zoológico Ramat Gan Safari, em Tel Aviv, Israel. Há 15 anos não era registrado a reprodução do animal em cativeiro no país. Novos filhotes são sempre bem vindos a um mundo que conta hoje com menos de 3 mil indivíduos da espécie soltos na natureza.
 
 
Fonte: Juliana Arini - Blog do Planeta / fotos EFE

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Medicamento natural contra hipertensão

     Comprovado efeito vasodilatador do extrato da planta brasileira conhecida como chapéu-de-couro


O chapéu-de-couro ( Echinodorus grandiflorus ) é uma planta encontrada em todo o Brasil, principalmente na região Sudeste. (Crédito: Gutemberg Brito/ IOC). 
  
     Pacientes que sofrem de hipertensão arterial poderão contar no futuro com um novo medicamento para tratar a doença. Estudo realizado no Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) comprovou, por meio de testes in vitro e em animais, o efeito vasodilatador do extrato da planta brasileira Echinodorus grandiflorus , popularmente conhecida como chapéu-de-couro. Se confirmado o mesmo efeito em humanos, o composto poderá ser usado no tratamento crônico da hipertensão arterial.
     O chapéu-de-couro, planta encontrada em todo o Brasil, principalmente na região Sudeste, já era usado popularmente no tratamento da hipertensão arterial. Há cinco anos, pesquisadores do Laboratório de Farmacologia Neuro-Cardiovascular do IOC, em colaboração com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), também da Fiocruz, iniciaram os testes para avaliar os efeitos da planta.
     Até agora, a eficácia do chapéu-de-couro como vasodilatador já foi comprovada em estudos pré-clínicos. Em uma primeira etapa, o extrato da planta foi aplicado em aortas de coelhos pré-contraídas pela ação de noradrenalina, substância que provoca a diminuição do diâmetro dos vasos sangüíneos, o que resulta no aumento da pressão arterial. Após os bons resultados nessa primeira fase, em que se verificou o relaxamento das aortas dos coelhos, o extrato da planta foi testado com sucesso em ratos espontaneamente hipertensos (que apresentam hipertensão arterial semelhante à forma humana da doença).
     A próxima etapa da pesquisa será a análise toxicológica do extrato, para avaliar possíveis efeitos tóxicos do composto no organismo. Em seguida, serão realizados estudos clínicos em pacientes. Se os resultados forem positivos, os pesquisadores pretendem desenvolver um medicamento fitoterápico contra hipertensão que seja tão eficaz quanto os convencionais.
Segundo o farmacologista Eduardo Tibiriçá, chefe do Laboratório de Farmacologia Neuro-cardiovascular do IOC, os medicamentos fitoterápicos não exigem o isolamento do princípio ativo, ou seja, não é necessária a purificação do extrato da planta até que se encontre uma ou mais substâncias responsáveis pelo efeito estudado. Além disso, a produção do fitoterápico deve usar um extrato padronizado a partir de um lote único de plantas, retiradas de um mesmo local e com as mesmas características químicas. "Com o uso do extrato bruto da planta, o tempo e o custo de produção são menores, já que não há gastos com o processo de purificação", destaca.
     Embora o chapéu-de-couro seja usado popularmente como anti-hipertensivo, o farmacologista ressalta que mesmo os medicamentos feitos à base de plantas podem oferecer riscos à saúde, o que evidencia a necessidade da análise científica. "Assim como qualquer outro medicamento, os fitoterápicos devem ser desenvolvidos cientificamente, atendendo às exigências estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre elas a padronização do extrato e a comprovação de sua eficácia e segurança."
     Segundo Tibiriçá, a equipe enfrenta dificuldades para dar continuidade às pesquisas. "A solução pode ser a parceria com alguma indústria farmacêutica, em um processo de transferência de tecnologia, ou até com o Ministério da Saúde, já que as doenças cardiovasculares, entre elas, a hipertensão arterial, são responsáveis por um terço da mortalidade no Brasil."

Fonte: Rachel Rimas - Ciência Hoje On-line

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Irmãos encontram cobra de duas cabeças nos EUA

     Dois irmãos encontraram nesta quinta-feira uma cobra de duas cabeças nas proximidades do lago Coralville, no Estado americano de Iowa.


A cobra foi encontrada nas proximidades de um lago do Estado de Iowa (Imagem AP).

     Jonah Dancer, 7 anos, e Jens Dancer, 10 anos, levaram o réptil à escola para mostrar aos colegas, mas pretendem devolvê-lo à natureza.

Fonte: Terra Notícias

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terça-feira, 2 de outubro de 2007

Redução em gelo do Ártico preocupa cientistas

     O gelo do Ártico diminuiu neste ano para o menor nível registrado desde o início das medições por satélite, na década de 1970, mantendo a tendência provocada pelo aquecimento global - inclusive com causas humanas -, disseram cientistas na segunda-feira.
     A redução foi tamanha que a chamada Passagem Noroeste, normalmente coberta de gelo, foi aberta pela primeira vez desde que se tem lembrança, permitindo que barcos navegassem por essa rota do Atlântico para o Pacifico e vice-versa, segundo pesquisadores.
     O Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos EUA, ligado à Universidade do Colorado, em Boulder, costuma medir o gelo do Ártico durante o degelo anual, entre março e setembro.
 
Imagem comparada mostra a camada de gelo em setembro de 2005 e setembro de 2007
 
     A extensão média em setembro, auge do degelo, caiu para 4,28 milhões de quilômetros quadrados, superando em quase um quarto o recorde negativo anterior, estabelecido dois anos antes, segundo os pesquisadores.
     "No geral, houve uma tendência de queda aguda e significativa desde que começamos a receber bons dados de satélites, a partir de 1979", disse por telefone Walt Meier, um dos pesquisadores envolvidos.
     "Pegamos agora os números finais para este setembro, e é um recorde negativo realmente dramático. Não só quebrou o recorde, esmagou o recorde. Este ano simplesmente obliterou todo o resto."
     No mês passado, a extensão do gelo no Ártico era 39% inferior à média de longo prazo entre 1979 e 2000, segundo os cientistas. Paralelamente, um estudo liderado pela Nasa documentou uma perda de 23% na cobertura permanente de gelo do Ártico ao longo dos últimos dois invernos.
     A redução do gelo perene no inverno é uma das principais causas do recuo tão rápido do verão passado e, consequentemente, do recorde negativo de cobertura de gelo na região. As conclusões dos cientistas foram publicadas na revista Geophysical Research Letters.
     Meier disse que não será surpreendente se nos próximos 25 anos - bem antes que o previsto, portanto - o Ártico não tenha mais gelo durante o verão. "Não acho que a gente chegasse a esse tipo de situação se não houvesse temperaturas se aquecendo", disse Meier, citando as emissões humanas de dióxido de carbono e de outros gases do efeito estufa como causas.
 
Fonte: Reuters - Terra Notícias

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Derretendo o planeta

     Pesquisadores do Joint Center for Earth Systems Technology, em parceira com a Nasa, divulgaram nos últimos dias mais dois dados preocupantes sobre o degelo no planeta. Na metade de setembro, imagens de satélite já tinham flagrado a menor cobertura de gelo de que se tem notícia no Ártico. O degelo de uma área do tamanho de seis estados da Califórnia ligou o oceano Atlântico ao Pacífico pelo pólo norte. Agora, chegaram novas informações sobre o ritmo do derretimento na Groenlândia e na Antártida.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
     Na Groenlândia, a quantidade de gelo que já derreteu neste ano é suficiente para cobrir duas vezes a superfície dos Estados Unidos. No verão do hemisfério norte deste ano, o degelo alcançou até áreas altas, a 1,6 mil metros acima do nível do oceano. E o derretimento está durando mais tempo: entre 25 e 30 dias a mais do que costumava ocorrer nos 19 anos anteriores.
     Na Antártida, o continente mais gelado do planeta, os pesquisadores encontraram sinais de degelo em lugares nunca vistos antes. Em 2005, o derretimento atingiu áreas a mais de 800 quilômetros da costa. O gelo derretido acelera o processo porque a água se infiltra em pequenas rachaduras, fazendo com que a cobertura de gelo quebre.
     Para o pesquisador Marco Tedesco, responsável pelas duas pesquisas, não há dúvidas de que o aquecimento global está por trás da aceleração do degelo. "O derretimento está muito ligado a mudanças na temperatura da superfície. Então, é provável que temperaturas mais altas estejam na raiz do que temos observado na Antárdita", diz Tedesco. Detalhe: a Antártida concentra 90% da água doce da Terra e, por isso, tem o maior potencial para aumentar o nível dos oceanos.
     Na imagem ao lado (Nasa/Rob Simmon), as áreas coloridas mostram onde o gelo está derretendo. As regiões em azul correspondem a locais onde o degelo começou recentemente, entre 2004 e 2005. Será que ainda dá para negar que as mudanças climáticas não estão em curso?
 
Fonte: Marcela Buscato - Blog do Planeta

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domingo, 30 de setembro de 2007

Aquecimento poderia ser controlado através da teoria do caos

     A maioria dos fenômenos naturais responde a um modelo de sistemas caóticos que poderiam ser controláveis, como, por exemplo, o aquecimento global, segundo o brasileiro Jacob Palis, um dos matemáticos mais relevantes na investigação do comportamento caótico.
     O cientista, que esta semana deu uma conferência na inauguração do Instituto Madrileno de Estudos Avançados em Matemática, disse à agência Efe que, embora existam na natureza fenômenos "regulares" ou perfeitamente previsíveis, a imensa maioria tem um comportamento caótico.
     "Os exemplos na natureza são múltiplos, como a meteorologia, o movimento dos astros, a expansão de epidemias ou a evolução dos fluxos migratórios", acrescentou.
     A teoria do caos, postulada pelo matemático Henri Poincaré no século XIX e cuja formulação moderna data de 1990, sugere que a evolução destes sistemas depende, em grande medida, das condições "de partida", de modo que uma pequena mudança pode fazer com que o sistema evolua de maneira distinta.
     Palis afirmou que é muito comum pensar que, no "caos", existe um descontrole total, mas a maior parte destes fenômenos poderia ser previsível, desde que sua situação inicial fosse conhecida. Assim, seria possível controlar o desenvolvimento do processo em direção a um ponto determinado se suas condições fossem alteradas.
     No entanto, é impossível ter todos os fatores sob controle em um sistema caótico, fato com o qual os humanos devem se acostumar, já que "a incerteza é muito comum em nossas vidas", disse.
     Palis lembrou as palavras de Galileu de que "os fenômenos da natureza estão escritos em linguagem matemática", contrariando o senso comum de que a matemática não serve para nada.
 
Fonte: EFE - Terra Notícias

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sábado, 29 de setembro de 2007

A Morte - A Dor de uma Perda

Aconteceu numa praça, no Japão. Não se sabe como o pássaro morreu. Ele estava ali no asfalto, inerte, sem vida. Seria um fato corriqueiro, mas o fotógrafo fez a grande diferença.



A Solidariedade
Segundo o relato do fotógrafo, uma outra ave permanecia próxima àquele corpo sem vida e ficara ali durante horas. Chamando pelo companheiro, ela pulava de galho em galho, sem temer os que se aproximavam, inclusive sem temer ao fotógrafo que se colocava bem próximo.


A Solicitação
Ela cantou num tom triste. Ela voou até o corpinho inerte, posou como querendo levantá-lo e alçou vôo até um jardim próximo. O fotógrafo entendeu o que ela pedia e, assim, foi até o meio da rua, retirou a ave morta e a colocou no canteiro indicado. Só então a ave solidária levantou vôo e, atrás dela, todo o bando.



A Despedida.
As fotos traduzem a seqüência dos fatos e a beleza de sentimentos no reino animal.


Uma Questão de Amor e Carinho.
Segundo o relato de testemunhas, dezenas de aves, antes de partirem, sobrevoaram o corpinho do companheiro morto. As fotos mostram quanta verdade existiu naquele momento de dor e respeito.



Um grito de dor e lamento
Aquela ave que fez toda a cerimônia de despedida, quando o bando já ia alto, inesperadamente voltou ao corpo inerte no chão e, num grito de não aceitação da morte, tenta novamente chamar o companheiro à vida. Desesperada, mas com amor e carinho, ela se despede do companheiro, revelando o seu sentimento de dor.


Mas, agora, me respondam: Serão os animais realmente os irracionais?

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Herbicidas podem ser causa de animais bicéfalos

     O nascimento de animais com má formação genética ainda causa espanto nas pessoas pelos impressionantes tipos de deformações. Em localidades mais distantes, acredita-se que o animal possa trazer má sorte à região. Mas para a professora Maria Lúcia Zaidan, que trabalha na área de patologia da Universidade de São Paulo (USP), um dos fatores que podem causar essas anomalias são os herbicidas.
     Zaidan afirma que durante a fase fetal ocorre uma proliferação celular na área em que os tecidos estão se formando. "Em algumas ocasiões, um agente tóxico pode interferir no desenvolvimento do embrião, gerando um animal com má formação genética."
 
Herbicidas podem ser a causa de animais com anomalias, como esta bezerra nascida em uma fazenda americana
 
     "Colocar herbicida no pasto pode intoxicar o alimento que será ingerido pelo animal, e, neste caso, também depende da quantidade de substâncias tóxicas presentes na comida e quanto o animal se alimentou."
     Mas a professora é cautelosa ao elencar as possíveis causas para as anomalias e afirma que outros fatores podem ser os causadores do defeito, além dos herbicidas. "A deformidade no animal também pode ser de natureza hereditária, funcional, metabólica e comportamental", informou.
     Segundo a professora, uma pequena porcentagem de anomalias ocorre por causa de um mau cruzamento antes da reprodução. "Muitas vezes são deficiências hereditárias adquiridas geneticamente, mas a falta de nutrientes saudáveis na alimentação do animal também pode ser um fator determinante", destacou.
     Sobre a possibilidade de o animal sobreviver com a anomalia, ela explicou que depende muito do tipo de má formação, já que existem vários exemplos de problemas genéticos. "Existem defeitos compatíveis e as incompatíveis com a vida. Em algumas delas, o animal pode sobreviver e se adaptar à vida com o seu defeito".
     No caso da criação de gado, Zaidan explicou que geralmente acontece o sacrifício, por "menor que seja" o problema, e "mesmo que o animal seja saudável", para futuramente não trazer problemas à reprodução.
 
Fonte: Terra Notícias

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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

China admite risco de desastre ecológico em maior represa do mundo

     A China reconheceu pela primeira vez, após negar reiteradamente as advertências dos ecologistas, que a represa das Três Gargantas, o maior projeto hidrelétrico do mundo, pode provocar uma catástrofe ambiental.
     Segundo a agência estatal Xinhua, especialistas e funcionários chineses concordaram em um fórum que o projeto, iniciado em 1993, supõe um impacto "notavelmente adverso" na área de 600 quilômetros quadrados que cerca a represa, com contaminação e deslizamentos de terra.
 
Capacidade instaladas das maiores represas.
 
     "Se não forem adotas medidas, o projeto pode levar a uma catástrofe", alertaram os participantes do encontro, que durou dois dias e terminou na terça-feira (25) em Wuhan, capital da província central de Hebei.
     O "enorme peso" da água após a construção da represa começou a erodir as margens do rio Yang Tsé em muitas partes, o que, junto com as freqüentes oscilações do nível hídrico, causou vários deslizamentos de terra.
     Essa é a primeira vez que Pequim reconhece os danos causados por um de seus projetos mais importantes, que obrigou a deslocar mais de 1 milhão de pessoas, destruiu relíquias culturais e contribuiu para a diminuição de espécies animais e vegetais.
     "É um bom passo, mas é preciso fazer estudos e investigações muito mais profundos sobre as mudanças que a construção da represa está provocando", afirmou hoje à Efe Wang Yongcheng, da organização governamental chinesa Voluntários Verdes.
 
Represa Três Gargantas
 
     Yongcheng explicou que, nos últimos dois anos, o rio Yang Tsé e seus afluentes alcançaram seus níveis mais baixos, algo que "não pode ser atribuído apenas à mudança climática, mas também aos efeitos da represa".
     "Não podemos de maneira nenhuma baixar a guarda diante dos problemas de segurança ecológica e ambiental causados pelo projeto", afirmou no fórum Wang Xiaofeng, diretor do governamental Comitê do Projeto das Três Gargantas.
     A erosão e os deslizamentos nas colinas ao redor da represa, as divergências sobre os assuntos ligados à terra e à "deterioração ecológica causada pelo desenvolvimento irracional" são, em sua opinião, as principais ameaças do projeto, que tem um orçamento de cerca de US$ 25 bilhões.
     A qualidade de água nos afluentes do Yang Tsé também caiu e os surtos de algas e outras plantas aquáticas tornaram-se mais freqüentes.
Localizada no terceiro rio mais extenso do mundo, a represa das Três Gargantas, que tirou de Itaipu o posto de maior do mundo, já começou a gerar eletricidade e estará totalmente concluída em 2008.
 
Fonte: Folha Online - Jornal

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A solução está no mar

     Em correspondência publicada na edição de hoje (27/9) da revista Nature, o cientista e ambientalista James Lovelock propõe uma ação radical para estimular a capacidade de a Terra curar a si mesma, como um tratamento de emergência para o que chama de "patologia do aquecimento global".
 
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     O texto foi publicado em co-autoria com Chris Rapley, do Museu de Ciência de Londres. Lovelock, da Universidade de Oxford, é o criador da hipótese de Gaia, sugerida para explicar o comportamento sistêmico do planeta Terra, encarado como um grande organismo.
     Os dois propõem que sejam instalados nos oceanos tubos que, com o movimento das ondas, bombeariam para a superfície a água que está entre 100 metros e 200 metros de profundidade. Segundo eles, a mistura de águas ricas em nutrientes sob a termoclina – região onde há um decréscimo brusco de temperatura da água – com a água relativamente estéril da superfície estimularia o crescimento das algas.
     "A água bombeada fertilizaria as algas na superfíce e estimularia seu desenvolvimento. Isso diminuiria o dióxido de carbono e produziria dimetil sulfito, o precursor dos núcleos que formam nuvens refletoras de luz solar", diz o artigo.
     Os canos teriam cerca de 10 metros de diâmetro, com uma válvula unilateral na parte de baixo, permitindo que o movimento das ondas produza o bombeamento.
     De acordo com os cientistas, processos naturais que normalmente serviriam para regular o clima estão sendo levados a acirrar o aquecimento global. "É duvidoso que qualquer técnica, ou esquema social bem intencionado, de redução das emissões de carbono possa restaurar o status quo", sugerem.
     O radicalismo da proposta é justificado pelos cientistas pela emergência da situação. "Precisamos de uma cura fundamental para a patologia do aquecimento global. Esse tratamento de emergência poderia estimular a capacidade que o planeta tem de curar a si mesmo", afirmam.
     "Os oceanos, que cobrem mais de 70% da superfície terrestre, são um lugar promissor para buscar uma influência reguladora", destacam. Os autores admitem que a estratégia pode falhar tanto em termos de engenharia como em termos econômicos. E o impacto na acidificação do oceano precisa ser levado em conta.
     "Mas as apostas são tão altas que colocamos em prática o conceito geral de utilizar a própria energia do sistema terrestre para melhorá-lo. A remoção de 500 bilhões de toneladas de dióxido de carbono do ar por ação humana está além da nossa atual capacidade tecnológica. Se não podemos curar o planeta, talvez possamos ajudá-lo a se curar sozinho", sugerem.
     O artigo Helping the Earth to cure itself via the oceans, de James Lovelock e Chris Rapley, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Fonte: Agência FAPESP - Portal do Ambiente

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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

WWF descobre novas espécies nas selvas do Vietnã

     Cientistas do Fundo Mundial da Vida Animal (WWF, sigla em inglês) anunciaram nesta terça-feira que descobriram 11 novos espécies de plantas e animais em regiões remotas das selvas do Vietnã. Em comunicado divulgado em Washington, o WWF ressaltou que a descoberta mostra a importância dos esforços de conservação nas selvas remotas vietnamitas.
     Na região conhecida como Corredor Verde, na cordilheira Annamitas, os cientistas encontraram uma serpente, cinco orquídeas, duas borboletas e outras três plantas totalmente desconhecidas. Outras espécies de plantas, entre elas quatro orquídeas, ainda estão sob estudo, mas também parecem ser espécies novas.
     Chris Dickinson, diretor do estudo, afirmou que na década de 90, nas mesmas selvas, haviam sido descobertas outras espécies, inclusive de grandes mamíferos. "Estas 11 podem ser só a ponta do iceberg", comentou. Segundo especialistas da organização, as selvas da região se mantiveram sem perturbações humanas durante milhares de ano. Por isso, constituem um habitat único para muitas espécies.
     A nova espécie de serpente apresenta uma mancha branca e amarela ao longo de todo o corpo. Ela vive principalmente junto aos riachos, se alimenta de rãs e outros pequenos animais e pode medir quase um metro de comprimento. Três das novas orquídeas não têm folhas, clorofila nem pigmentação verde. Outra espécie é uma planta com uma flor quase totalmente negra.
     Segundo o WWF, todas as novas espécies correm o perigo de extinção devido à poda ilegal, à caça e à extração sem controle de recursos naturais.

Fonte: EFE  - Terra Notícias

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Contaminação agrícola faz surgir rãs de seis patas

     Rãs com seis patas ou com quadris adicionais podem ter suas deformidades atribuídas aos resíduos ricos em nutrientes gerados por fazendas e ranchos americanos, de acordo com um estudo conduzido pela Universidade do Colorado.
     Os biólogos sabem há diversos anos que parasitas conhecidos como tremátodes podem infectar as rãs jovens e causar severas deformidades, mas ninguém havia descoberto até agora por que a incidência desses parasitas está em alta.
     Pieter Johnson, biólogo da universidade, e seus colegas descobriram que a poluição por nutrientes - resíduos da agricultura ricos em nitrogênio e fósforo - pode deflagrar uma reação em cadeia biológica nos lagos e corpos aquáticos, que começa com larvas e termina em rãs que não são capazes de saltar.
     O trabalho dos pesquisadores do Colorado foi publicado na mais recente edição da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
     "Trata-se do primeiro estudo a demonstrar que o enriquecimento dos nutrientes gera a abundância desses parasitas e as deformações", afirmou Johnson.

 
Rãs com seis pernas são anomalias cada vez mais comuns no Colorado, onde pesquisa culpa as fazendas pelo fenômeno.
Pieter Johnson/Universidade do Colorado/Divulgação

     O estudo de Johnson também oferece uma lição sobre como as alterações ambientais causadas por seres humanos podem tornar a vida mais fácil para os parasitas nocivos, disse o biólogo.
     A poluição por nutrientes em algumas vias aquáticas de Belize favorece as espécies de mosquitos portadoras de malária, disse Johnson, e as águas ricas em nutrientes em todo o mundo favorecem os organismos que causam cólera, infestação por algas e alergias comuns a nadadores.
     Depois que alunos de uma escola de Minnesota descobriram um pequeno lago povoado apenas por rãs imensamente deformada, em 1995, o número de incidentes semelhantes começou a crescer cada vez mais no território dos Estados Unidos - especialmente no Meio-Oeste e na região noroeste da costa do Pacífico.
     Para determinar se a presença de nutrientes era capaz de explicar ao menos em parte essa questão, Johnson e seus colegas criaram 36 falsos lagos no centro do Wisconsin e os abasteceram com números controlados de caramujos e girinos verdes.
     Os tremátodes que causam deformidades em rãs são pequenos vermes que dependem de uma série de hospedeiros para obter pleno desenvolvimento, passando dos caramujos às rãs e pássaros.
     Os pesquisadores acrescentaram nutrientes a alguns dos lagos experimentais, e os cientistas fizeram o papel de pássaros, adicionando ovos de parasitas aos tanques.
     Os pássaros executam essa tarefa, em ambientes naturais, comendo rãs infectadas e excretando parasitas.
     Nos lagos contendo nutrientes, as algas floresceram, os caramujos que as consomem se tornaram maiores e mais prolíficos e os parasitas que os caramujos portam produziram oito vezes mais ovos, segundo Johnson e seus colegas.
     As rãs dos lagos ricos em nutrientes sofreram de duas a cinco vezes mais infecção por tremátodes, e têm menor probabilidade de sobreviver do que os animais que vivam em água comum de lago, eles constataram.
     A pesquisa é importante porque os anfíbios estão desaparecendo em todo o mundo, disse Cynthia Carey, fisiologista e especialista em anfíbios na Universidade do Colorado em Boulder, que não participou da pesquisa.
     "Os anfíbios deveriam servir como poderoso alerta de que as mudanças ambientais estão acontecendo em ritmo tão acelerado que deveríamos estar no perguntando o que acontecerá em seguida, e onde estaremos em seguida", disse Carey.

Autora: Katy Human (The Denver Post)
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci
Fonte: The New York Times - Terra Notícias

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Brasil: 76% querem urgência contra aquecimento

     Uma pesquisa encomendada pelo Serviço Mundial da BBC indicou que 76% dos brasileiros acham que é necessário adotar medidas urgentes para combater o aquecimento global. Ainda segundo o estudo, 63% dos brasileiros entrevistados disseram ser a favor de limitar as emissões nos países em desenvolvimento.
     A pesquisa, realizada pela empresa Globescan, entrevistou mais de 22 mil pessoas em 21 países. A enquete também concluiu que oito em cada dez pessoas ao redor do mundo acreditam que a atividade humana está provocando mudanças climáticas.
     Entre os entrevistados, 79% concordaram que "a atividade humana, incluindo indústrias e transportes, é uma causa significativa das mudanças climáticas".

     Acordo global
     Nove em cada dez participantes disseram que é necessário agir, e dois terços foram além, afirmando que "é necessário tomar medidas importantes e começar logo".
     Segundo a pesquisa, 73% das pessoas manifestaram apoio a um acordo global em que cada país limite suas emissões de gases que causam o efeito estufa e que incluiria os países em desenvolvimento.
     Em troca, os países em desenvolvimento receberiam apoio financeiro e tecnológico das nações ricas. Somente em três dos países pesquisados (Egito, Nigéria e Itália) a maioria dos entrevistados disse que as nações em desenvolvimento não deveriam limitar suas emissões.

     Encontro de líderes
     Os resultados da pesquisa foram divulgados um dia depois de um encontro de líderes e delegados de 150 países, incluindo 80 chefes de Estado, realizado nesta segunda-feira, na sede da ONU em Nova York, para discutir como combater o aquecimento global.
     Segundo o presidente da empresa de pesquisas Globescan, Doug Miller, o impacto das mudanças climáticas pode ser sentido pelas pessoas em seus países, em suas propriedades. "É real para pessoas ao redor do mundo", disse.
     "A força dos resultados (da pesquisa) torna difícil imaginar um momento mais favorável da opinião pública para que os líderes se comprometam em agir (contra as mudanças climáticas)", afirmou Miller.
     Em seu discurso no encontro desta segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a forma como os governos lidam hoje com as mudanças climáticas definirá o legado que deixarão para as futuras gerações e que a ONU é o melhor fórum para discutir quais ações devem ser tomadas.

     Avanço real
     "Hoje, o tempo das dúvidas acabou. O painel intergovernamental da ONU sobre mudanças climáticas confirmou de forma inequívoca o aquecimento do nosso sistema climático e o associou diretamente a atividades humanas", disse o secretário-geral da ONU.
     "Nosso objetivo não deve ser nada menos do que um real avanço em Bali", salientou, referindo-se ao encontro anual sobre o Tratado do Clima na ilha indonésia, que será realizado em dezembro.
     O presidente americano, George W. Bush, não participou do evento desta segunda-feira. Bush vai realizar seu próprio encontro sobre o tema nas próximas quinta e sexta-feira, quando receberá na Casa Branca representantes de 16 grandes emissores de gases poluentes associados ao aquecimento da Terra.

Fonte: BBC Brasil - Terra Notícias

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segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Estudo comprova que Pai Querê amplificará impacto ao Corredor Ecológico do Rio Uruguai

     O título é esperançoso, mas o conteúdo é assustador e preocupante. Leva a uma profunda reflexão sobre o modelo de licenciamento ambiental e, antes, sobre a estrutura subjacente à prática de Estudos de Impacto Ambiental que se proliferou no Brasil, pautada pela relação de subordinação entre elaboradores e proponentes de projetos. Assim é o documento "Hidrelétrica de Pai Querê: ainda há tempo para impedir mais uma grande tragédia sobre a biodiversidade da Bacia do Uruguai", que ecologistas e pesquisadores do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais, da Fundação Gaia e do Núcleo Amigos da Terra encaminharam ao Ministério do Meio Ambiente na semana passada.
     Fruto de um projeto com raízes na ditadura militar, com o intuito de produzir o máximo de energia sem a devida cautela de preservação ambiental, o projeto da usina está previsto para o Rio Pelotas, num aproveitamento de um desnível de 150 metros do rio, em 80 quilômetros de extensão. Vai contribuir para pôr sob água 6,12 mil hectares da Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Patrimônio Mundial classificado pela Unesco, agência das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura. Florestas e campos de araucárias da região – entre os municípios de Bom Jesus (RS) e Lages – estão ameaçados também fora do vale do Rio Pelotas. Conforme o documento, 75% dessa vegetação nativa podem desaparecer não apenas devido à usina em si, mas ao avanço das madeireiras e ao corte raso que dá espaço ao monocultivo extensivo de soja. Os campos de cima da Serra, aos poucos, vão sendo invadidos pelo pinus, e a diversidade do verde dá lugar à homogeneidade e à pobreza ecológica.
     Imagens de satélites disponibilizadas pelo Google Earth, mostradas no estudo, permitem visualizar os últimos remanescentes primários da floresta ombrófila mista, também conhecida por mata de araucária, da qual restam menos de 5 % da sua extensão original. A maior parte destas extensões são consideradas áreas de preservação permanente pelo Código Florestal Federal (Lei 4.771/1965).

     Rio ou seqüência de lagos?
     A persistir o processo de construção de novas usinas na região, seguindo o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), a tendência, de acordo com os ecologistas e pesquisadores, é o desaparecimento do Rio Pelotas, o qual se transformaria em uma escada de lagos artificiais, "praticamente colando o muro de uma hidrelétrica na 'rabeira' da inundação da barragem subseqüente". Nos últimos cinco anos, entraram em operação Machadinho, Campos Novos, Foz do Chapecó e Barra Grande, o que trouxe grande impacto à biodiversidade do Corredor Ecológico do Rio Uruguai.
     E a Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE) do Ministério das Minas e Energia prevê ainda mais nove unidades entre usinas e aproveitamentos hidrelétricos para a bacia do Uruguai até 2015. Com a mudança rápida da paisagem, os registros fotográficos da região, de agora, poderão vir a ser apenas memória em menos de uma década.

     Adeus, bromélias e mamíferos
     Somente em memórias estarão também bromélias e mamíferos típicos daquela área. De acordo com cientistas que estudam a flora da região, "a vazão do rio Uruguai alterou-se de tal forma que a jusante dos barramentos desapareceram as populações de Dyckia brevifolia (bromélia-do-rio), espécie reófita assinalada como ameaçada na Portaria do Ibama nº. 37 de 1992, que ocorria no Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas (Brack et al. 1985). O desaparecimento deve-se, ao que tudo indica, pelas cheias mais duradouras quando da abertura das comportas de vertedouros das barragens. A informação da ausência desta planta foi fornecida pelos Drs. João André Jarenkow (UFRGS), Ademir Reis (UFSC) e o falecido Bruno Irgang (UFRGS), sendo tal fato confirmado em 2006", atesta o relatório.
     Com a construção de Pai Querê, vão desparecer espécies como o queixada ou Tayassu pecari, mamífero já desaparecido no restante do Estado. Estarão ameaçados a jaguatirica (Felis pardalis), o puma (Felis concolor), o gato-mourisco (Felis yagouaroundi), os veados (Mazama spp., Ozotocerus beozoarticus), entre outras espécies apontadas por pesquisadores do Departamento de da Zoologia da UFRGS. Entre 228 espécies de avifauna, 27 estão ameaçadas de extinção, entre elas o gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) e papagaio-charão (Amazona pretrei), segundo pesquisadores do Laboratório de Ornitologia da PUC-RS. Ainda na região, cientistas do Laboratório de Ictiologia do Departamento de Zoologia da UFRGS detectaram a presença de 13 espécies de peixes consideradas novas para a Ciência, as quais, com o empreendimento, estão igualmente em risco.
 
     Falhas no EIA e no RIMA
     Sem esquecer que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) de Pai Querê foram elaborados pela mesma consultoria que "omitiu" 5,7 mil hectares de florestas no EIA e no RIMA de Barra Grande, a avaliação de impacto ambiental realizada para Pai Querê, pela Engevix, tem diversas falhas, denunciam os pesquisadores da UFRGS. "O EIA-RIMA de Pai Querê, submetido ao Ibama, é tecnicamente superficial, inconsistente e contraditório", apontam.
     O estudo da Engevix deixou de fora o urubu-rei (Sarcoramphus papa), "espécie ameaçada, registrada em duas ocasiões em que professores, estudantes da UFRGS e voluntários de ONGs ambientalistas estiveram na área de influência direta do empreendimento", explicam os ecologistas. Além disto, no EIA e no RIMA oficiais, a consultoria apontou a presença de 140 espécies de flora, enquanto que a equipe da UFRGS detectou 250, em apenas cinco dias de trabalhos de campo, e ainda "17 espécies de orquídeas nas matas sujeitas ao alagamento, contra nenhuma citação de espécies de Orquidáceas no EIA da Engevix.
     E mais: "O estudo da empresa não fez referência a várias espécies que constam em listas oficiais de espécies ameaçadas (IUCN, Ibama, Decreto Estadual do RS, n. 42.099/2002). O estudo fitossociológico aponta apenas 22 espécies de árvores, o que é absolutamente inverossímil para os padrões da Floresta Ombrófila Mista, sendo 16 delas identificadas de modo falho: cinco espécies não são identificadas e 11 são identificadas apenas pelo gênero. Ou seja, 70% do levantamento fitossociológico não tem valor técnico", destaca o trabalho da UFRGS.
 
     Tamanho do impacto x licença
     Qual a validade científica dos EIA? Qual a fidedignidade e o compromisso desses estudos com a sustentabilidade ambiental? Estas são também questões colocadas pelos ecologistas e cientistas que analisaram casos como "Barra Grande" e, agora, Pai Querê. Segundo eles, em 2001, a Engevix publicou um documento chamado "Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental" da UHE Pai Querê, no qual considerou como de "pequena magnitude" a "fragmentação e perda dos ecossistemas aquáticos". "A empresa considerou pequeno o impacto sobre o meio aquático, sem nenhum embasamento técnico", denunciam os pesquisadores. Isto acontece porque "as consultoras são contratadas e pagas diretamente pelos empreendedores, a parte mais interessada na emissão das licenças".
 
     Rios escravos
     Os rios brasileiros estão virando patrimônio privado e deles se busca retirar o máximo em energia, sem considerar sua vitalidade inerente, sua condição de sistemas dinâmicos dos quais depende todo um conjunto de fauna e flora. A escravidão, por assim dizer, vem se aplicando também dos rios como suportes da vida.
     "Por que não considerarmos a importância da permanência de 'Reservas Legais' para os rios brasileiros? Com que base equipes consultoras e órgãos governamentais de produção energética podem definir que os rios sejam utilizados em 100% de seu curso? Esses estudos de licenciamento, para que pudessem ser incluídos em um rol de critérios de sustentabilidade, deveriam basear-se em avaliações sérias, não viciadas, dando a possibilidade de licenças para empreendimentos de menor impacto. Aqueles que tivessem grande impacto, como no caso de Pai Querê, deveriam ser impedidos ou ter seus projetos refeitos. Porém, no Brasil os setores energético e econômico não estão acostumados a reavaliações e a impedimentos aos tradicionais pleitos imediatistas de crescimento econômico, muitas vezes a qualquer custo. Neste país, é costume primeiro se fazer o projeto do ponto de vista econômico para muito depois avaliar os seus possíveis prejuízos socioambientais", atesta o documento assinado por ecologistas e cientistas da UFRGS – Paulo Brack , professor do Departamento de Botânica da UFRGS, doutor em Ecologia; Adriano Nygaard Becker, jornalista e fotógrafo, conselheiro do Núcleo Amigos da Terra/Brasil; Cristiano Eidt Rovedder, mestre em Zoologia do Laboratório de Ornitologia da PUC-RS; Eduardo Forneck, doutor em Ecologia; Lucia Schield Ortiz, geóloga, coordenadora do Núcleo Amigos da Terra – Brasil; Renzo Bassanetti, geógrafo e ex-diretor do Parque Nacional dos Aparados da Serra (2003-2006); Vicente Medaglia, filósofo e especialista em Diversidade da Fauna.
 
Fonte: Ambiente JÁ (Cláudia Viegas) - Portal do Meio Ambiente

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sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Destruição ambiental ameaça crescimento

As iniciativas dos países desenvolvidos continuam a ser muito importantes, mas o papel dos grandes países emergentes está crescendo
 
     O rápido crescimento da economia mundial na última década só poderá continuar se a destruição ambiental e as mudanças climáticas forem revertidas. As iniciativas necessárias dos países desenvolvidos continuam a ser muito importantes, mas o papel dos grandes países emergentes, como a China e o Brasil, está crescendo.
     Os países desenvolvidos são os maiores responsáveis pelos elevados níveis de emissão de gases de efeito estufa por pessoa e deveriam, por isso, responder pela maior parte das ações para conservar a energia e proteger o meio ambiente.
     No entanto, os países de renda média já respondem pela metade de todas as emissões no mundo e, seguindo seus próprios interesses nacionais, não querem repetir os erros dos países ricos em seu processo de desenvolvimento.
     O recente crescimento dos países de renda média foi excepcional. Essas 90 nações aumentaram em 4% ao ano a sua renda per capita na última década, duas vezes mais rápido que os países de renda alta, e contribuem com mais de um terço da produção mundial -índice que está em ascensão. Estimulados pela globalização, esses países mais que duplicaram seu volume de negócios e, por meio de políticas de abertura comercial, ajudaram outros a obter ganhos.
     Destes, 50 têm agora acesso aos mercados de capital globais, o dobro de dez anos atrás, e 20 são emissores de títulos com grau de investimento. Com dois quintos das reservas externas internacionais, essas nações impulsionaram os fluxos de capital, inclusive para países de baixa renda.
     Contudo, para manter o seu desempenho, esses países precisam priorizar a conservação do meio ambiente.
     Eles abrigam 60% das reservas de água doce do mundo, 60% das florestas, a maior parte dos recifes de coral e uma valiosa biodiversidade em sua fauna e flora, mas enfrentam uma imensa degradação do ar, das florestas, do solo, da água e dos recursos marinhos que prejudica tanto a economia interna quanto a mundial.
    Na China, na Índia e em outros países, a poluição do ar e da água está afetando gravemente a saúde e a produtividade da população. A degradação do solo e o desmatamento no Brasil, na Indonésia e em todas as regiões do mundo estão contribuindo para o grande aumento de enchentes e furacões, com alto custo para a sociedade.
     Na bacia amazônica, a transformação da floresta em áreas agrícolas e de pastagem pode provocar o aumento da temperatura, prejudicando a agricultura e as pessoas.
     Além disso, a globalização agiliza a propagação desses danos. A crescente demanda por alimentos, fibras e madeira esgotam a pesca, os campos e as florestas, contribuindo para a perda irreversível da biodiversidade global.
     O crescimento impulsionado por uma indústria que consome muita energia, pela concentração urbana e pelo desmatamento aumentou o volume de gás carbônico na atmosfera.
     As mudanças climáticas podem erodir o litoral, provocando secas e enchentes nos países ricos e pobres. O número de desastres naturais -e de vítimas- quadruplicou nos últimos 30 anos. Os danos têm crescido, sendo mais pesados para os pobres, que vivem em geral nas regiões afetadas. As perdas no PIB, resultantes dessas calamidades, extrapolam o custo de sua prevenção.
     Uma ação coletiva pode trazer muitos benefícios. China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e África do Sul -sete entre as 20 maiores economias- podem estabelecer uma agenda comum para o meio ambiente e enfrentar uma parte considerável do problema, mantendo restrito o número de países envolvidos.
    Agências multilaterais, como as Nações Unidas e o Banco Mundial, certamente prestarão assistência a essas iniciativas. Um caminho é evitar o desmatamento.
     O corte de florestas é responsável por um quinto das emissões, ou seja, volume maior que o gerado por todos os meios de transporte. Ao protegerem suas florestas, países como Brasil, Camarões e Indonésia reduzirão as emissões de carbono na atmosfera, possibilitando a criação de novos mercados de permissões de emissão comercializáveis, que os compensarão por promover a conservação.
     A rapidez com que o meio ambiente for priorizado determinará as tendências de crescimento local e global.
     Os países de renda alta precisam assumir a responsabilidade pela grande parte que lhes cabe, mas os países de renda média, que se beneficiam da globalização, também têm um papel a desempenhar, em prol de seus interesses nacionais.
Fonte: Vinod Thomas - Artigo publicado na Folha de SP - Jornal da Ciência

 

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terça-feira, 18 de setembro de 2007

Especialista cobra avanço contra buraco na camada de ozônio

      Um dos cientistas responsáveis pela descoberta do buraco na camada de ozônio afirmou nesta segunda-feira que é preciso avançar mais rapidamente na proteção da película na estratosfera que protege a Terra contra raios ultravioletas danosos.
Buraco na camada de ozônio
Joe Farman é um dos descobridores do buraco na camada de ozônio
 
     Em um artigo para a BBC, Joe Farman fez um apelo por mais rapidez no processo de acabar com a fabricação de produtos químicos que destroem a camada de ozônio, além da destruição dos estoques já existentes.
     Nesta semana, completam-se 20 anos desde a aprovação do Protocolo de Montreal, que impôs restrições ao uso dessas substâncias, depois das descobertas de Farman e outros cientistas na década de 70.
     Os 191 signatários do protocolo se reúnem nesta semana em Montreal, no Canadá, para discutir os avanços conquistados desde 1987 e a antecipação do fim do uso dos HCFCs (hidroclorofluorcarbonos), os principais substitutos dos CFCs.
 
     Críticas
     Muitos desses representantes concordam com as críticas de Farman sobre os acordos que autorizam países em desenvolvimento a continuar a utilizar os HCFCs até 2040.
     "Revisões freqüentes socorreram o Protocolo de Montreal das suas deficiências originais, mas outro reexame é visivelmente necessário", escreveu o cientista no site da BBC.
     O governo brasileiro vai apresentar junto com a Argentina uma proposta para acelerar a redução do consumo de HCFCs.
     De acordo com o programa de meio ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1995, o Brasil era o quinto maior consumidor de CFCs no mundo, com 10,9 mil toneladas por ano.
     Hoje, o país é o quinto entre os que mais reduziram o uso das substâncias, atrás de China, Estados Unidos, Japão e Rússia.
     Em 2002, o governo brasileiro aprovou o Plano Nacional para a Eliminação dos CFCs (PNE), que previa investimentos de US$ 27 milhões em projetos de eficiência energética, como o de substituição de geladeiras antigas.
 
     Em desenvolvimento
     Os países ricos praticamente eliminaram a produção de CFCs em 1995, o prazo para os países em desenvolvimento vence em 2010.
     Atualmente, essas substâncias continuam a ser usadas por corpos de bombeiros em vários países. Muitas das substâncias, usadas em refrigeração, aerosóis e combate a incêndios podem ser facilmente substituídas por produtos químicos parecidos, como os HCFCs.
     Embora eles causem menos danos à camada de ozônio, a produção dos HCFCs está crescendo rapidamente nos países em desenvolvimento.
     Pelos termos atuais do protocolo, até 2015 o uso de HCFCs nesses países deve ser congelado no máximo aos níveis atingidos até lá. A suspensão do uso dos HCFCs é prevista para 2040.
     A substância também é fortemente associada ao aquecimento global, já que comparativamente os efeitos dos HCFCs são muito mais danosos do que os do dióxido de carbono.
     "Em 2005, a destruição causada pelo HFC23 foi responsável por 64% dos valores de todos os projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (criado no Protocolo de Kyoto para viabilizar investimentos de países ricos em países pobres como alternativa a investimentos muito mais caros nos próprios países ricos) e passou para 51% em 2006", segundo Farman.
     O cientista escreve ainda que atualmente é altamente discutível se o sistema de trocas de carbono, que utiliza este tipo de HCFC, proposto nos moldes Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, realmente leva ao desenvolvimento sustentável.
     Joe Farman foi um dos três pesquisadores britânicos que relataram pela primeira vez os graves danos sofridos pela camada de ozônio sobre a Antártica – o "buraco" revelado em 1985.
 
Fonte: BBC Brasil

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Brasil propõe criação de nova agência na ONU

Em reunião internacional de ministros, Marina Silva e Celso Amorim falam numa organização "guarda-chuva" que coordene o Pnuma e os mecanismos financeiros ambientais da ONU. Definição da agenda global pós-2012, quando terminará a primeira fase de Quioto, é prioridade para as nações.
 
     RIO DE JANEIRO – Se quiserem mesmo levar a sério a luta contra o aquecimento global nos próximos anos, os governos nacionais necessitam iniciar imediatamente as discussões sobre qual caminho deverão seguir a partir do fim de 2012, quando terminará a primeira fase do Protocolo de Quioto. Essa urgência, aliada ao alarme provocado na opinião pública internacional pela divulgação dos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), está movimentando a agenda multilateral com uma série de eventos preparatórios à 13ª Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP-13), que acontecerá em Bali, na Indonésia, em dezembro.
     Ator importante na discussão ambiental global, o Brasil fez sua parte ao organizar nos dias 3 e 4 de setembro, no Rio de Janeiro, uma reunião internacional de ministros para discutir desenvolvimento sustentável e governança ambiental. Autoridades de 22 países foram convidadas pelo governo brasileiro para o evento, que foi coordenado pelos ministros Marina Silva (Meio Ambiente) e Celso Amorim (Relações Internacionais). Na pauta do encontro, a busca por um modelo de governança global que consiga tirar do papel a sonhada transversalidade e possa aliar efetivamente as questões ambientais às outras esferas do desenvolvimento econômico.
     O Brasil obteve sucesso na busca pelo consenso, papel geralmente desempenhado pelo país anfitrião, ao apresentar uma proposta alternativa que talvez possa colocar um ponto final na discussão _ que já começa a ficar velha _ sobre se a ONU deve fortalecer o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) ou criar uma nova organização ambiental multilateral nos moldes da Organização Mundial de Saúde (OMS). A criação dessa organização, que se chamaria Onuma, é defendida pela União Européia, sobretudo pela França, enquanto os países em desenvolvimento preferem a primeira opção.
     Intermediária, a proposta brasileira prevê o fortalecimento do magro orçamento do Pnuma (US$ 115 milhões anuais), mas também fala na criação de uma nova agência da ONU a qual o Pnuma estaria submetido, assim como o Fundo Global para o Meio Ambiente e outros mecanismos financeiros necessários ao efetivo cumprimento dos objetivos ambientais: "Uma das formas de pensar essa nova estrutura seria concebê-la como uma organização do tipo guarda-chuva, com responsabilidades nas dimensões normativa, de cooperação e de financiamento. Uma nova organização que potencialize e coordene a ação das órgãos já existentes", disse Celso Amorim.
     A proposta do Brasil foi bem recebida pelos demais governos, e será levada novamente à discussão na abertura da Assembléia Geral da ONU, que acontecerá na última semana de setembro em Nova York, nos Estados Unidos. A ministra Marina Silva festejou "a simpatia" com que foi acolhida a tentativa brasileira de produzir uma proposta de consenso: "Não tenho dúvida de que temos uma grande contribuição a dar nessa discussão. O Brasil apresentou a idéia dessa organização, ou agência, desde que sejam preservadas as outras estruturas e, ao mesmo tempo, coordenadas as convenções e os secretariados", disse.
 
     FBOMS envia carta a ministros
     Durante a reunião do Rio de Janeiro, foi entregue às autoridades nacionais e internacionais uma carta produzida pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS). No documento, as organizações do movimento socioambientalista lembram o Painel de Discussão criado no ano passado pela ONU para "avaliar as melhores formas de se trabalhar a questão ambiental de maneira transversal" e recomendam aos ministros "incrementar a autoridade do Pnuma como pilar ambiental do sistema das Nações Unidas".
     O documento do FBOMS propõe ainda "racionalizar os recursos utilizados no sistema ONU, através de unificação de secretariados, agrupamento de acordos ambientais afins, missões conjuntas e realização de conferências simultâneas de acordos e convenções que tratam de temas afins, para maior eficiência e sinergia no cumprimento de acordos multilaterais ambientais". Também foi destacada no documento "a necessidade de vincular a discussão sobre a reforma da ONU a uma discussão mais ampla que inclui a necessidade de alteração dos padrões de consumo".
 
     Mudanças climáticas
     Numa reunião organizada pela ONU e realizada em Viena, na Áustria, durante a última semana de agosto, os governantes dos países ricos e dos países ditos em desenvolvimento tentaram avançar na negociação das bases para a discussão de um acordo pós-2012 a ser travada já a partir da COP-13 em Bali. O principal entrave para isso continua sendo a recusa dos países emergentes em assumir metas obrigatórias de redução de suas emissões de gases provocadores do efeito estufa.
     Este grupo, que tem a liderança de Brasil, China e Índia, evoca o princípio das "obrigações comuns, porém diferenciadas" que norteou a criação do Protocolo de Quioto há dez anos para exigir que os países mais industrializados arquem com sua responsabilidade histórica pelo aquecimento global. Os países ricos, por sua vez, fazem crescer a pressão sobre os emergentes e afirmam que, sem um esforço conjunto materializado em metas obrigatórias de redução das emissões, será impossível deter as mudanças climáticas em curso.
    A reunião de Viena não fez avançar muito esse impasse, mas ao menos os diversos grupos de países aceitaram discutir possíveis concessões de lado a lado novamente na COP-13. Para não terminarem a rodada de discussões austríaca sem nada para mostrar, os países mais industrializados anunciaram ao final do encontro a intenção de reduzir suas emissões entre 20% e 40% até 2020. Essa decisão veio na esteira da proposta apresentada durante a reunião do G-8 em junho, quando os ricos falaram em reduzir 50% das emissões até 2050. Ambas as decisões, no entanto, não têm caráter obrigatório, o que as coloca, ao menos por enquanto, no vasto balaio internacional de manifestos de boas-intenções ambientais.
Autor: Maurício Thuswohl - Carta Maior

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