quarta-feira, 22 de agosto de 2007

No RS, 148 plantas ameaçam o ecossistema

Espécies 'invasoras' levadas para a região serrana do Rio Grande do Sul prejudicam o crescimento da vegetação nativa de áreas protegidas.
 
     Um estudo que está sendo feito pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em parceria com o PNUD detectou a existência de 148 tipos de plantas exóticas (originárias de outros países ou continentes) prejudiciais a áreas de preservação ambiental na Serra Gaúcha. Essas plantas dificultam o crescimento das espécies naturais, pois competem por nutrientes e por água do solo, causam sombras, soltam substâncias tóxicas da terra, aumentam o impacto dos incêndios criminosos, dificultam o fluxo da água nos córregos, bloqueiam a penetração da luz nos rios ou aumentam a erosão nos campos.
     O estudo faz parte do projeto "Desenvolvimento Florestal Sustentável", que passou a ser executado pelas duas instituições neste ano. O objetivo é fazer um levantamento das plantas exóticas presentes nas Áreas de Preservação Permanente e nas Reservas Legais da Serra Gaúcha. A região abrange municípios como Canela, Gramado, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Vacaria e São José dos Ausentes e é caracterizada por campos naturais, banhados e Mata Atlântica. Nas áreas protegidas existem muitas espécies endêmicas, raras e ameaçadas de extinção, destaca a consultora do PNUD no IBAMA, Ana Carla Santos Pereira.
     As invasoras podem ser introduzidas por institutos de pesquisa e extensão agropecuária, por agricultores, por colecionadores de plantas, por governos, que muitas vezes não têm recursos para pesquisa e vigilância, e mesmo pelo consumidor. "Muitas vezes, viajamos e levamos uma planta que gostamos para casa. Só que ela pode ter um potencial muito grande de ser invasora", afirma Ana Carla.
     A maioria das plantas exóticas que se proliferam na Serra Gaúcha vem de regiões frias do hemisfério norte. Mas algumas espécies invasoras encontradas na região são tropicais, de acordo com Ana Carla. "Elas não deveriam se adaptar ao frio, mas se adaptaram porque se proliferam em locais perturbados, em que há desmatamentos, extração de rochas e minerais, assoreamento, poluição e abertura de estradas. E nem áreas protegidas estão livre de invasões. Existem muitas áreas de conservação permanente com problemas sérissimos", completa.
 
Pinus (Pinus taeda)
 
     Entre as espécies invadoras (plantas exóticas prejudiciais ao ecossistema invadido) presentes nas áreas estudadas, a que mais se disseminou foi o pinheiro originado dos EUA (Pinus taeda). Ele aparece em áreas de campos naturais do Parque Nacional de Aparados da Serra e no Parque Nacional da Serra Geral, ambas no município de Cambará do Sul. "Onde tem esse pinheiro, não nasce nada embaixo. Ele libera substâncias tóxicas no solo que permanecem mesmo depois que é cortado", diz Ana Carla. Outro invador na região é o lírio-do-brejo (Hedychium coronarium), a principal espécie invasora do país, que domina, principalmente, as áreas úmidas. "Ele elimina todas as espécies mais baixas, devido ao sombreamento intenso", afirma a consultora.
 
Lírio-do-brejo (Hedychium coronarium)
 
     Com a pesquisa, destaca, pretende-se chamar atenção das pessoas para os perigos que essas plantas exóticas representam para os ambientes nativos. "A difusão dos conhecimentos sobre os impactos das invasões pode ajudar no controle", ressalta. "A invasão por algumas espécies já tomou proporções preocupantes, e não temos a pretensão de eliminá-las. Nesses casos, temos que investir na prevenção, evitando o plantio e o alastramento das invasões". Segundo ela, ao final do projeto uma cartilha sobre as espécies invasoras será produzida e distribuída em escolas, fazendas e propriedades rurais.
     A consultora alerta que manter essas espécies em Área de Proteção Permanente é ilegal. O crime está previsto na Lei dos Crimes Ambientais (lei número 9.605 http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L9605.htm) e na lei que criou o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (lei número 9.985 http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/L9985.htm).
 
Autora: Talita Bedinelli, do PNUD

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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Clima: cientistas buscam novas formas de ver riscos

     Cientistas estão tentando melhorar as previsões sobre o impacto do aquecimento global neste século reunindo estimativas sobre o risco de inundações ou de desertificação.
     "Temos certeza sobre alguns dos aspectos da futura mudança climática, como o de que vai ficar mais quente", disse Matthew Collins, do Met Office (Departamento Britânico de Meteorologia). "Mas muitos dos detalhes são difíceis de dizer", acrescentou.
     "A forma como podemos lidar com isso é uma nova técnica de expressar as previsões em termos de probabilidades", disse Collins, referindo-se à pesquisa climática publicada na revista Philosophical Transactions, da Real Sociedade britânica.
     Os cientistas do painel climático da ONU, por exemplo, usam complexos modelos informatizados para prever o impacto do aquecimento neste século, em quesitos como precipitação pluviométrica na África ou elevação no nível dos mares.
     Mas esses modelos têm falhas devido à falta de compreensão sobre a formação das nuvens ou a reação do gelo antártico ao aquecimento, por exemplo. Além disso, os registros de temperatura na maioria dos países remontam a apenas 150 anos.
     Sob as novas técnicas, "as previsões de diferentes modelos são somados para produzir estimativas da futura mudança climática, junto com suas incertezas associadas", disse a Real Sociedade em nota. A abordagem pode ajudar na quantificação de riscos para uma construtora que faça casas num vale inundável ou uma seguradora, por exemplo.
     Collins disse também que as incertezas incluem como os desastres naturais afetam o clima. Uma erupção vulcânica, como a do monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, pode temporariamente resfriar a Terra, porque a poeira bloqueia a luz solar. "A ciência climática é uma ciência muito nova, e mal começamos a explorar as incertezas", disse David Stainforth, da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha), que contribuiu com a pesquisa da Real Sociedade.
     "Devemos esperar que a incerteza aumente em vez de diminuir", afirmou ele, referindo-se às pesquisas dos próximos anos e acrescentando que isso complica a precisão no estabelecimento de probabilidades.
     Por exemplo, arquitetos que projetam escolas na Europa querem saber se haverá mais ondas de calor, como a de 2003, quando as crianças chegaram a ser proibidas de brincar nos pátios devido ao risco de queimaduras e câncer de pele. De posse dessa previsão, os arquitetos poderiam projetar escolas com mais áreas sombreadas para brincar.
     "Mas pode ser o caso de que temperaturas mais altas signifiquem mais nuvens, então não haveria o risco de câncer de pele. Fatores alheios à temperatura são os mais difíceis de prever", explicou Stainforth.
 
Fonte: Terra - Reuters

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Lado B do livro "O mundo sem nós" escancara divórcio fatal entre os humanos e o planeta

     Para o autor, Allan Weisman, a espécie humana já alterou o curso da Terra
Eduardo Geraque escreve para o caderno "Mais" da "Folha de SP":
    Apesar de ter, talvez, um título errado e algumas páginas arrastadas demais, o livro "O Mundo Sem Nós", do professor-jornalista americano Allan Weisman, que acaba de chegar ao mercado brasileiro pela Editora Planeta, tem pelo menos um ponto bastante relevante.
    Na verdade, o leitor que resolver atravessar as 382 páginas da obra deveria fazer isso com a atenção redobrada em um outro livro que também está ali, diante dos seus olhos, mas que não foi o objetivo principal do escritor americano.
    Como sem presente não existe futuro, antes de pensar no legado humano quando, por ventura, o Homo sapiens desaparecer de vez, é preciso antes de mais nada refletir no mundo com esses seres vivos sobre ele.
    "O mundo conosco" poderia ser o título desse lado B da obra do jornalista americano, que também tem uma visão bem americana de mundo.
     Em um capítulo sobre evolução humana, por exemplo, teorias acalentadas por cientistas brasileiros -para quem a ocupação das Américas foi bem mais antiga do que se imagina- foram solenemente ignoradas.
     E, nesse caminho oculto do livro, os exemplos que aparecem são espetaculares e trágicos, apesar de Weisman – que além de viajar pelo mundo atrás de boas histórias também leciona na Universidade do Arizona – tentar dar um final menos apocalíptico a sua obra.
     No livro – que não é de ficção científica mas sim de não-ficção, baseado em extenso conjunto de fontes de vários segmentos – o jornalista descreve, por exemplo, como seriam os dias seguintes de Nova York (EUA) sem os seus moradores.
     O início do fim da cidade não demoraria quase nada, segundo o autor.
     Em 48 horas, os túneis do metrô já estariam totalmente inundados. Isso só não ocorre normalmente hoje porque funcionários e bombas d'água estão sempre trabalhando. (Excepcionalmente, as chuvas desta última semana conseguiram vencer os esforços humanos.)
     Os charmosos edifícios que formam hoje o "skyline" de Manhattan, estariam quase todos em ruínas em quatro anos por causa do ciclo congelamento-descongelamento.
     A queda de um deles teria o mesmo efeito que uma árvore caindo na floresta. Clareiras seriam abertas na selva de pedra.
     Em 500 anos, a floresta estaria de volta. É mesmo! As grandes cidades, como também é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro e tantas outras no Brasil e no mundo, não estiveram onde estão desde o início.
 
     Plásticos invisíveis
     No mar, um outro rastro humano impensável para a maioria dos terráqueos foi descoberto por um grupo de pesquisadores ingleses, da Universidade de Plymouth.
     Há algum tempo eles estavam tentando saber o que era pequenos grânulos estranhos que apareciam sob os seus microscópios.
     A história, segundo o escritor americano, começou mais ou menos assim:
     O pesquisador Mark Browne, certo dia, resolveu abrir o armário de uma laboratório onde mulheres guardavam seus produtos de beleza. Estavam lá cremes e detergentes para as mãos.
     Todos eram considerados esfoliantes, mas nem todos eram 100% naturais.
Isso que significa dizer, segundo Browne, que enquanto alguns fabricantes usavam sementes de uva ou sal marinho para esfoliar a pele, outros partiram para o plástico.
     "Grânulos microfinos de polietileno" disse o pesquisador. Isso mesmo, Browne descobriu o que eram aqueles elementos estranhos. O ciclo se fechou.
     Esses produtos, portanto, contém plásticos que vão diretamente para o ralo, para a rede de esgotos, para os rios e os oceanos. E, claro, são engolidos pelos seres marinhos.
     O cientista, preocupado com o presente mas olhando para o futuro, chega a se arrepiar. Para ele, não existe dúvida. Mesmo que a produção de plásticos acabasse hoje, a cadeia marinha vai precisar "lidar" com esses grânulos de plásticos por milhares de anos.
     Ao passear por terras e mares, Weisman acaba compondo um conjunto quase cansativo de exemplos que provam que a espécie humana já alterou o curso da Terra.
     Talvez, grande parte dos leitores do livro, nem achem isso necessariamente ruim. Afinal, a vida (e o consumo "moderno") deve seguir.
     O mais interessante, talvez, para aqueles que sabem que a espécie humana é que vive sobre o planeta e não o contrário, é perceber que depois de tudo acabar, mesmo com uma série de cicatrizes, o planeta e o universo vão conseguir seguir em frente sem muitos problemas.
     E apenas algumas estátuas de bronze, além do lixo atômico, por exemplo, ficarão para ser descobertas em um futuro muito, mas muito, distante.
 
Fonte: do Livro - "O Mundo Sem Nós" de Alan Weisman (Folha de SP, Mais!, 12/8)
 
Sobre o problema do plástico nos oceanos leia:
 
 
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sábado, 11 de agosto de 2007

Nós, as bactérias

Genômica permitirá mapear os trilhões de microrganismos que habitam nosso corpo, mostra colunista 
 
     Nós, humanos, iniciamos nossa vida na concepção com um única célula, o zigoto, produzido pela união de um óvulo e um espermatozóide. Através de um processo maravilhoso de multiplicação e diferenciação celular, esse zigoto dá origem a 10 trilhões de células de mais de uma centena de tipos variados no adulto. Fato : o Projeto Genoma Humano, terminado em 2003, elucidou toda a seqüência de bases do genoma humano. Conseqüência : temos todo o mapa genético para poder entender o corpo humano na saúde e na doença, certo? Erradíssimo!!!
 

Bactérias na superfície do intestino grosso humano. Foto: Gross L (2007) Human Gut Hosts a Dynamically Evolving Microbial Ecosystem. PLoS Biol 5(7): e199.   
    
     O corpo humano na verdade contém 100 trilhões de células, e não meros 10 trilhões. O que acontece é que 90% das células do nosso corpo são microrganismos que vivem simbioticamente em nosso intestino, estômago, boca, nariz, garganta, aparelho respiratório e sistema geniturinário. As bactérias que constituem essa microbiota derivam seus nutrientes de nós, mas pagam pela hospedagem se encarregando de várias tarefas essenciais para nossa saúde, incluindo a proteção contra patógenos e a conversão metabólica de nutrientes.
     Não quero induzir os leitores a uma crise de identidade, mas nosso corpo é de fato mais microbiano do que humano. Ele constitui um verdadeiro sistema ecológico com grande biodiversidade, um superorganismo. Agregado ao genoma humano propriamente dito, temos esse genoma bacteriano suplementar, chamado "microbioma", que contém cem vezes mais genes do que o nosso próprio.
     A grande novidade na praça é que um grupo de cientistas, com o patrocínio dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, deu recentemente o pontapé de partida ao "Projeto do Microbioma Humano". Considerando que estamos falando de milhares de espécies de bactérias, como é tecnicamente possível fazer o seqüenciamento desse genoma coletivo?
 
     Metagenômica
     Como escreveu Stephen Jay Gould no seu excelente livro Full house: a difusão da excelência de Platão a Darwin , as bactérias são – e sempre foram – as formas dominantes de vida na Terra. A história das bactérias é a própria história da vida no planeta, desde que os primeiros fósseis – bactérias, é lógico – foram emparedados em rochas, há mais de três bilhões e meio de anos.
     Ocorre que até hoje catalogamos apenas uma minúscula fração de todas as bactérias existentes, pois nosso conhecimento delas é totalmente dependente do cultivo e estudo em laboratório. No entanto, talvez a maioria delas não seja cultivável. Recentemente foi desenvolvida uma nova estratégia para capturar e estudar toda a diversidade dos microrganismos na Terra, a metagenômica. A proposta é trocar os meios de cultura do laboratório e a lente do microscópio pela tecnologia da genômica e da bioinformática.
 
 
O notável cientista J. Craig Venter pilotando seu iate-laboratório Sorcerer II . Venter é um iconoclasta, mas possivelmente o maior cientista biomédico americano da atualidade. Entre suas muitas conquistas científicas, podemos destacar: desenvolvimento da metodologia de etiquetas de seqüências transcritas (ESTs) para estudar o transcriptoma humano, desenvolvimento do seqüenciamento genômico total em "tiro de cartucheira" ( shotgun sequencing ), responsável pelo primeiro genoma completo ( H. influenzae em 1995), co-responsável pelo seqüenciamento do genoma humano, pioneiro da biologia sintética e da metagenômica. Em 1992 Venter esteve no Brasil como nosso convidado para participar da Conferência Sul-Norte do Genoma Humano em Caxambu. Logo depois, nosso grupo de pesquisa na UFMG iniciou uma colaboração com Venter que permitiu começar o primeiro esforço genômico brasileiro, o mapeamento de genes do parasito Schistosoma mansoni . Venter foi co-autor de nossa primeira publicação com os resultados do projeto (foto: Craig Venter Institute).  
 
     A estratégia metagenômica foi idealizada pelo legendário "genomicista" americano J. Craig Venter. Ele transformou seu iate pessoal Sorcerer II em um laboratório marinho e, em um projeto-piloto, examinou espécies de bactéria vivendo na água do Mar de Sargaços, circundando Bermuda no Atlântico norte, cujas águas paradas possibilitam o desenvolvimento de imensa quantidade de algas.
     A tática experimental foi simplesmente colher amostras de água do mar e passá-las através de filtros bacterianos. O DNA das bactérias presas no filtro foi, então, extraído, fragmentado de maneiras diferentes e submetido ao seqüenciamento de DNA à la "tiro de cartucheira" ( shotgun sequencing ). As leituras foram, então, montadas como um quebra-cabeça e as espécies de bactérias enumeradas e caracterizadas por sofisticadas e poderosas ferramentas bioinformáticas. No estudo piloto, Venter identificou 1,2 milhões de genes em cerca de 1800 espécies de bactérias diferentes.
     Na esteira desse sucesso, Venter e sua equipe agora estão dedicados à tarefa de circunavegar a Terra no Sorcerer II colhendo e caracterizando metagenomicamente amostras de todos os mares. Os resultados têm sido espetaculares. Em março deste ano, por exemplo, eles publicaram um artigo no periódico PLoS Biology que descreve um verdadeiro tour de force (todos os artigos da Expedição de Coleta Oceânica Global de Venter podem ser obtidos clicando aqui ).
     Esse artigo relata o seqüenciamento de mais de 6 bilhões de pares de base de DNA (duas vezes o genoma humano) e a identificação de mais de 6 milhões de proteínas diferentes. Isso equivale a mais que o dobro do número de todas as proteínas descritas e presentes em bancos de dados até 2007. Várias das novas proteínas descobertas não tinham similaridade com qualquer outra descrita até hoje e parecem representar famílias protéicas completamente novas!
 
     O Projeto do Microbioma Humano
     Para o projeto do microbioma humano a mesma estratégia metagenômica vai ser utilizada, só que sem precisar sair de casa. Em vez das águas dos sete mares, serão utilizadas prosaicas amostras de fezes, saliva, secreções vaginais e esfregaços de pele humana.
     Um estudo piloto do microbioma foi realizado nos Estados Unidos pela equipe do antigo Instituto para Pesquisa Genômica (recentemente renomeado Instituto Craig Venter) e publicado em 2006 na Science . Foram estudadas amostras de fezes de dois adultos sadios que não haviam recebido antibióticos por mais de um ano. A partir daí os pesquisadores geraram mais de 60 mil seqüências de DNA de cada indivíduo.
 
 
Um estudo piloto do microbioma sugere que a Methanobrevibacter smithii , retratada acima, é uma arqueobactéria metanogênica comum no intestino humano (foto: National Research Council Canada).  
 
     Foram encontrados centenas de tipos bacterianos, mas a maioria pertencia a apenas duas divisões chamadas Firmicutes e Bacteroidetes. Além disso, uma arqueobactéria metanogênica ( Methanobrevibacter smithii ) era muito comum. Isso demonstrou ao mesmo tempo grande diversidade e grande especificidade da microbiota intestinal, pois são conhecidas nada menos que 70 divisões de bactérias e 13 divisões de Archeae.
     Podemos perguntar se o nosso microbioma é específico e individual como o nosso genoma. Existe em nós uma "impressão digital" bacteriana? Os estudos feitos até agora parecem indicar que sim. Os resultados revelaram que a composição da microbiota intestinal varia bastante entre indivíduos, mas que a variação ocorre primariamente entre espécies e subespécies de Firmicutes e Bacteroidetes. Também foi identificado que no hábitat intestinal algumas espécies de bactérias parecem ser residentes permanentes (componentes autóctones), enquanto outras aparentemente são transeuntes (componentes alóctones), de passagem junto com comida, água etc.
     Isso faz sentido teórico. A persistência de bactérias em nossa pele e cavidades corporais depende de interação com componentes da membrana de nossas células, os quais são frequentemente polimórficos, dependendo do nosso genoma. Assim, nossa individualidade genômica pode determinar uma individualidade microbiômica.
     Mas como é construído o microbioma? No útero, não temos nenhuma bactéria no nosso corpo. Começamos a adquirir nosso "eu bacteriano" no próprio processo de nascer, pelo contato com microrganismos do canal vaginal materno. Em um artigo recente, uma equipe da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, estudou o processo de aquisição da flora microbiana intestinal por 14 bebês.
     Foi observado que no final do primeiro ano de vida as crianças haviam atingido um padrão essencialmente adulto de diversidade bacteriana, mas que havia diferenças significativas entre elas. Os dois bebês com a flora mais parecida eram dois gêmeos dizigóticos. Isso sugere que o ambiente também pode ser instrumental em determinar a natureza da nossa microbiota. 
 
     A ecologia da saúde e da doença  
     A visão do corpo humano como um superorganismo pode nos permitir ver saúde e doença em termos de equilíbrio ou desequilíbrio ecológico. Sabemos que os microrganismos sintetizam vitaminas essenciais para o nosso metabolismo e possibilitam a digestão de alguns nutrientes.
     Não temos, por exemplo, a maquinaria química necessária para quebrar totalmente a celulose das plantas em seus constituintes elementares, mas as bactérias nos fornecem enzimas chaves deste processo, como a celobiase. Além disso, a nossa microbiota ocupa nichos ecológicos no nosso corpo que poderiam ser colonizados por patógenos.
 
 
Um estudo feito em 2006 apontou diferenças significativas entre a proporção de bactérias do grupo das Firmicutes em indivíduos magros e obesos (arte: Laura Kyro, Zhen He, Largus Angenent e Jeffrey Gordon). 
 
     Alguns resultados muito interessantes têm emergido sobre a interação entre a microbiota e nosso status metabólico. Em dezembro de 2006 o grupo de Jeffrey Gordon na Universidade Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos, publicou na Nature um estudo instigante sobre a relação entre a flora intestinal e a obesidade.
     Os autores estudaram indivíduos obesos e descobriram que a proporção de bactérias Firmicutes era significativamente mais alta do que em controles magros. Ademais, quando os obesos foram colocados em uma dieta e perderam peso durante um período de um ano, a proporção de Firmicutes caiu e ficou mais parecida com a de pessoas magras. Obviamente, essas correlações não demonstram causa-e-efeito e na verdade nem sabemos se a microbiota é a galinha ou o ovo neste caso.
     Muitas perguntas permanecem. Até que ponto somos dependentes da população bacteriana que compõe nosso corpo? Mudanças na constituição da microbiota podem levar a problemas metabólicos outros que não a obesidade? E as doenças inflamatórias intestinais como a doença de Crohn e a colite ulcerativa? Será que hospedar espécies erradas de simbiontes bacterianos pode causar câncer, diabetes, doença cardiovascular? Seremos capazes no futuro de manipular nossa flora bacteriana corporal para prevenir ou curar doenças? Esperamos que as respostas a todas estas questões possam emergir do promissor Projeto do Microbioma Humano.
     Até lá, só nos resta mudar o paradigma vigente com relação às bactérias. Elas não são nossas inimigas, que precisam ser destruídas e eliminadas de nossa vida com desinfetantes e antibióticos. Ao contrário, são parte integral e fundamental de nós mesmos.

Autor: Sergio Danilo Pena - Professor Titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia - Universidade Federal de Minas Gerais

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Satélites estrangeiros vigiam queimadas

Aparelhos europeu e americano ajudarão no monitoramento florestal brasileiro.
Anúncio foi feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

     Dois novos satélites vão ajudar no monitoramento de queimadas no País neste ano. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciou nesta quinta-feira (9) que o satélite europeu MSG-02 e o americano GOES-10 vão passar pelo Brasil e captar as imagens de focos de incêndios. Desde janeiro, o número de focos de incêndio já teve um aumento de 25% em relação ao mesmo período de 2006. Na Amazônia, a situação é ainda pior: volume de queimadas já subiu 39%.
     Apenas 1 dos 11 satélites que estão em operação, o NOAA-12, detectou neste ano 25.290 focos, sendo 16 mil na Amazônia. "Esses dois novos satélites vai permitir mais qualidade no serviço de monitoramento das queimadas. Vamos saber mais sobre a destruição", informou o pesquisador do Departamento de Queimadas do Inpe Alberto Setzer.
     Campeão em queimadas no mundo, o Brasil também é o país que mais utiliza satélites para monitorar tais condições. O trabalho do Inpe de detectar os focos de calor começou em 1987. Os 11 satélites geram centenas de imagens, atualizadas sete vezes por dia. Esse monitoramento, que pode ser acompanhado pela internet, auxilia, por exemplo, o Ibama no acompanhamento da situação de risco em florestas, ajudando o Corpo de Bombeiros no combate às queimadas. Ao todo, cerca de 2 mil usuários entre instituições, universidade e pessoas físicas recebem as informações dos satélites diariamente. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo". 
 
Fonte: G1 - Agência Estado

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Etnia indígena que protesta contra transposição do São Francisco, em Pernambuco, tem energia cortada

     Os vários protestos contra a obra de transposição das águas do rio São Francisco vinham transcorrendo de maneira pacífica, mas, na quarta-feira passada, esse caráter começou a perder terreno.
     O Povo Indígena Truká, que resiste ao projeto do Governo, reteve oito técnicos da Coelba, a empresa de abastecimento de energia da Bahia, que foram verificar torres de alta tensão na Ilha de Assunção, onde a etnia se concentra, no município de Cabrobó, a cerca de 500 Km de Recife.
     Os truká tinham derrubado uma das torres, comprometendo parte do abastecimento de energia da região de Curaçá e Abaré, na Bahia. A ação dos índios foi motivada pelo corte da energia elétrica da Ilha, promovida pela Celpe – a empresa do setor em Pernambuco – desde a manhã da terça-feira. O quadro de insatisfação agravou-se pelo fato de o corte ter sido levado a termo sem aviso prévio nem à Funai, nem à comunidade Truká, interrompendo ainda seu abastecimento de água, feito por intermédio de bombeamento elétrico.
     As lideranças Truká estiveram em Recife para conseguir uma audiência com as autoridades do governo do Estado, mas não foram recebidos. "A gente tinha um acordo com o governo para permitir que as torres de alta tensão passassem em nosso território; em contrapartida, o povo não teria ônus com a energia e esse acordo agora foi descumprido", disse o cacique da aldeia, Neguinho Truká, conforme informações da Articulação São Francisco Vivo.
     Segundo ele, o povo Truká é o maior produtor de arroz de Pernambuco e precisa da energia para irrigar suas roças, que já estariam prejudicadas. "Entendemos que essa já é retaliação contra nosso povo por causa do interesse da transposição", avalia o cacique. Eles lutam pela demarcação do território, iniciada há mais de 10 anos, na área onde o governo federal tenta construir o eixo norte do projeto.
     Sem acordo com o Governo de Pernambuco, os índios acabaram liberando os técnicos da Coelba no final da tarde, após eles ficarem retidos por quatro horas. Fecharam a entrada da ponte que dá acesso à Ilha e não permitiam a entrada de ninguém, em exigência à religação imediata da energia.
     Ainda na quarta, avisaram que, caso o Governo não o fizesse, iriam derrubar mais torres de alta tensão no dia seguinte, quinta-feira, à razão de uma a cada meia hora. A ameaça não chegou a se concretizar porque o abastecimento foi normalizado ontem (09) pela manhã.
     A Companhia Energética de Pernambuco (CELPE) alega que a Fundação Nacional do Índio (Funai), teria uma dívida de R$ 14,3 milhões de contas não pagas desde 1984. Entretanto, teve que voltar atrás no corte devido a pressão e solicitação do Ministério Público Federal.
     Hoje, está prevista a continuidade das negociações, em reunião que deve envolver representantes da CELPE, Funai e do povo Truká.
Argumentos
     A obra de transposição das águas do São Francisco continua no centro de uma polêmica a que o Governo Federal parece não dar atenção. A Diretoria Executiva do Comitê da Bacia do rio já divulgou nota oficial em que afirma: "As incertezas e contradições do projeto, levantadas pela Comunidade Científica, representam uma temeridade sobretudo diante da extraordinária soma de recursos destinada ao projeto pelo PAC (o Programa de Aceleração do Crescimento lançado pelo Governo Federal) - 6,6 bilhões de reais -, somente nas suas etapas iniciais".
     Segundo a entidade, o projeto de transposição atende a menos de 20% da área do Semi-Árido e que 44% da população que vive no meio rural continuarão sem acesso à água. "Exatamente os que mais precisam vão permanecer excluídos dessa mega iniciativa do Governo Federal", diz a nota.
     Para o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco – CBHSF -, a decisão do Governo Federal ignora outras prioridades mais urgentes de investimentos para aumentar a oferta de água em todo o Semi-Árido, inclusive nos municípios da própria Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.
 
Os eixos da transposição do rio São Francisco.
 
     No início deste mês, a Agência UnB divulgou uma matéria em que seis especialistas da própria instituição, a Universidade de Brasília, garantem que, embora seja notória a necessidade de promover o desenvolvimento do interior nordestino castigado pela seca, a falta de estudos mais amplos sobre o rio São Francisco pode comprometer o investimento de R$ 4,5 bilhões.
     "Pesquisadores da UnB acreditam que a quantidade de água a ser transposta não é suficiente para a agricultura. De acordo com eles, a transposição deverá ser acompanhada por um grande conjunto de obras para as quais não existem recursos financeiros assegurados. E para piorar, pode ser que o rio perca sua vazão em 20 anos", coloca a reportagem. (Para ler a íntegra, clique aqui)
 
Autora: Mônica Pinto - / AmbienteBrasil (com informações da Assessoria de Comunicação da Articulação São Francisco Vivo)
 
Leia mais sobre o assunto em:

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A posição dos servidores do Ibama depois da derrota no Senado

     Após a aprovação da MP 366/07 no Senado, na terça-feira passada, a Associação dos Servidores do Ibama – Asibama – divulgou sua posição em relação ao assunto:
     "O Comando Nacional de Mobilização entende e compartilha com a grande maioria dos servidores do IBAMA o sentimento de frustração e de revolta com a forma de condução (voto de liderança com o propósito de ocultar o voto dos senadores) e com o resultado da votação da MP 366/07 (PLV 19/07), na noite de terça-feira, dia 07. Mas, compartilha, também, a sensação de dever cumprido como cidadãos e servidores públicos, responsáveis que somos pela execução da gestão ambiental federal.
     (...) Embora hoje não seja possível visualizar todo o dano que esta medida irá trazer para a nação e para o povo brasileiro, a história e as futuras gerações, infelizmente, haverão de comprová-lo, inocentando os que a ela se opuseram e condenando os seus autores.
     (...) Portanto, cabe a nós, servidores, nessa conjuntura, mantermos a unidade e a organização alcançada com o movimento grevista, a fim de que possamos enfrentar os desafios que estão colocados frente ao caos institucional instalado.
     (...)Por fim, parabenizamos todos aqueles que se engajaram firmemente nessa luta em defesa do IBAMA e da unicidade da gestão ambiental federal, a despeito das adversidades, retaliações, ameaças, desgastes e incompreensões inerentes ao processo. Temos certeza de que, apesar do nosso adversário ter se utilizado de todo o aparato disponível - tendo em mãos a máquina pública e o poder - obtivemos saldos positivos nessa empreitada, principalmente no que diz respeito aos aspectos da compreensão política, do grau de organização que caracterizou o movimento, a compreensão, o respeito e a aceitação da nossa causa pela sociedade brasileira".
 
Fonte: Ambiente Brasil
 
Leia mais sobre o licenciamento ambiental em:
A ineficaz legislação ambiental de Antonio Fernando Pinheiro Pedro.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Ambientalistas chamam presidente Lula de genocida

     ONGs e parlamentares protestaram hoje contra os planos de construção da usina nuclear de Angra III, cujas obras podem começar ainda este ano, segundo o Ministério de Minas e Energia.
     O Greenpeace, o World Wildlife Fund (WWF) e a S.O.S Mata Atlântica, organizaram a manifestação com 200 ativistas, em clima festivo, em frente ao Palácio do Planalto.
     Os manifestantes deitaram no chão da Praça dos Três Poderes, formando a frase "Nuclear Não" para protestar contra a retomada das obras de construção de Angra III, paradas há 20 anos.
     O deputado Edson Duarte (PV-BA), que apoiou a manifestação, disse que o Programa Nuclear Brasileiro é "inseguro" e qualificou a construção da usina de "inoportuna, equivocada, arriscada e perigosa".
     Os ativistas lembraram com cartazes o lançamento de duas bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki - que completam 62 anos esta semana - e a explosão na usina soviética de Chernobil, em 1986.
 
Efeitos de Chernobyl.
 
     Além disso, os participantes entregaram um documento com reivindicações a um grupo de parlamentares, que prometeram enviá-lo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
     Um representante do Greenpeace, Claudio Sideral, alegou que Angra dos Reis (RJ), onde será construída a nova usina, e que já possui Angra I e Angra II, "não tem um plano de evacuação" para o caso de um hipotético acidente nuclear.
     Com um megafone, Sideral gritou que, por não cuidar da segurança dos moradores da região, "Lula é um genocida", sendo amplamente aplaudido pelos manifestantes, que animaram todo o ato com apitos e tambores.
     Recentemente, Lula disse que a energia nuclear é "limpa", apoiando a construção da usina para diversificar ao máximo a matriz energética brasileira.
     O projeto de Angra III foi retomado em junho. O governo prevê que a central esteja em funcionamento em um prazo de cinco anos e que deva gerar 1.369 megawatts.
 
Usina Nuclear Angra 3: as obras começaram há 22 anos e até hoje não foram concluídas
 
     A terceira usina nuclear do país, na qual foram investidos R$ 1,5 bilhão em uma primeira fase paralisada há duas décadas, exigirá novos investimentos de R$ 7,2 bilhões, de acordo com cálculos do MME.
     Além de Angra III, o governo estuda há meses um projeto para construir entre quatro e oito novas usinas nucleares até 2030.
 
Fonte: EFE - Terra
 
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Clima 'maluco' é recorde em 2007

Temperatura global entre janeiro e abril atingiu maior nível da história. Em nenhum outro ano houve tantas inundações, tormentas e ondas de calor e de frio.
 
     Uma longa lista de países registrou desde o início do ano um número recorde das condições climáticas extremas que provocaram inundações, ondas de calor, tormentas e frio intenso, informou a agência da ONU sobre o clima.
     As observações preliminares também indicaram que a temperatura global na superfície terrestre entre janeiro e abril passados alcançou um nível histórico, segundo comunicado da Organização Mundial Meteorológica (OMM).
     A OMN afirmou que os termômetros poderiam ter aumentado 1,89 grau com relação a média de janeiro e 1,37 grau para abril. Na Europa, calcula-se que as temperaturas de abril tenham superado em quatro graus, afirmou Omar Baddur, cientista da OMM.
     As condições climáticas confirmaram as previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, que alertou para um aumento nos fenômenos extremos.
 
Furacão Katrina
 
     "O início de 2007 foi muito ativo em termos de acontecimentos climáticos extremos", declarou Baddur, que citou como exemplo as monções de intensidade excepcional e as grandes inundações que se registraram no sul da Ásia nestas últimas semanas e que afetaram a 30 milhões de pessoas.
     Outros eventos incluem a atual onda de calor no sudeste da Europa, as fortes chuvas que caíram sobre o sul da China em junho e o ciclone tropical Gonu, o primeiro no mar da Arábia que atingiu o Irã e o Omã no início deste mesmo mês, causando 50 mortes.
 
Fonte: France Presse - G1

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sexta-feira, 3 de agosto de 2007

A Amazônia está mudando

Fragmentação da floresta leva à perda de espécies locais e facilita a entrada de espécies exóticas

     As alterações na biodiversidade da Amazônia provocadas pelos desmatamentos vêm sendo estudadas de muitas formas. Um grande projeto de pesquisa investiga o que acontece em fragmentos florestais, de diferentes tamanhos, remanescentes da derrubada da mata ao seu redor. Estudos sobre as respostas de espécies de moscas e de outros animais revelam que a fragmentação da floresta leva à perda de espécies locais e a alterações na abundância de outras, além de facilitar a entrada de espécies exóticas. Também foi constatado que as pastagens são mais danosas à diversidade de espécies das áreas florestadas restantes nas proximidades do que as atividades agrícolas ou silviculturais.
     Considerada o maior reduto de vida no planeta, a Amazônia está mudando. Essa mudança na paisagem amazônica vem ocorrendo, em ritmo crescente, nos últimos 50 anos. Qualquer pessoa que sobrevoasse a Amazônia nos anos 50 veria a paisagem como uma floresta contínua, com algumas clareiras nas margens dos rios e nas vizinhanças das principais cidades. Hoje, um vôo por certas áreas da Amazônia brasileira, principalmente em suas partes nordeste e sul, mostrará imensas manchas provocadas pelo desmatamento, com terra desnuda ou recoberta com pastagens e cultivos agrícolas. Enquanto o Amapá tem 95% de sua floresta preservada, o nordeste do Pará e o oeste do Maranhão, segundo o Projeto Biota do Pará, conservam apenas 23% da vegetação amazônica, divididos em fragmentos, revelando índices de desmatamentos semelhantes aos registrados na mata atlântica, na região Sudeste.
 

Plantação de eucaliptos em Monte Alegre, no norte do Pará, onde os fragmentos florestais remanescentes têm sido estudados por cientistas. (Foto cedida pelos autores) 
  
     Tal imagem causa desolação a muitos, mas é motivo de orgulho para outros. Os desolados pensam na floresta perdida, nas milhares de espécies extintas (muitas antes de serem conhecidas), no imenso patrimônio biológico e evolutivo desperdiçado (e, com ele, as oportunidades perdidas de novos conhecimentos, produtos e negócios). Pensam ainda no povo da floresta desprovido do seu modo de vida, sem oportunidade de materializar sua cultura, suas crenças e sua arte. Já os orgulhosos argumentam que isso significa progresso e vislumbram a Amazônia finalmente inserida no processo nacional de desenvolvimento, produzindo grãos, exportando minérios para o mundo e energia para o país.
     Mas afinal o que essa mudança no uso da terra significa para a biodiversidade? Como a biodiversidade responde a essa nova Amazônia?
A biodiversidade amazônica é ainda muito mal mensurada. Não sabemos quantas espécies existem, conhecemos muito pouco sobre o papel de algumas espécies na sustentação da floresta e conhecemos menos ainda sobre as interações entre espécies e como elas respondem às variações do meio ambiente. Esse quadro de desconhecimento torna necessários estudos urgentes sobre as mudanças no uso da terra e suas conseqüências sobre a biodiversidade.
     Antes dos anos 80 o termo biodiversidade não era conhecido. Esse termo, que une as palavras 'diversidade' e 'biológica', foi popularizado pelo livro Biodiversity , de 1988, organizado pelo biólogo norte-americano Edward O. Wilson, um dos pioneiros da ecologia, a partir dos debates do Fórum Nacional de Biodiversidade, realizado dois anos em Washington (Estados Unidos) -- o livro foi publicado no Brasil em 1997. No conceito de biodiversidade estão incluídos todos os seres vivos e as relações que esses organismos têm entre si e com o meio físico, transformando e construindo florestas, lagos e todos os elementos da paisagem que normalmente chamamos de natureza. Assim, plantas, animais e ecossistemas passaram a ser entendidos como um complexo integrado, que dá forma e funcionamento à vida no planeta.
     A biodiversidade, portanto, não se refere exclusivamente aos organismos em si, mas também ao ambiente criado a partir da presença deles. É como um jogo de xadrez. De que valem as peças se não forem realizadas boas jogadas? Precisamos compreender as complexas regras desse jogo, para evitar ou minimizar nossas interferências nefastas. No caso da Amazônia, precisamos apreender a biodiversidade da região em toda a sua complexidade e dinâmica, entender os efeitos dos processos de mudança e buscar as melhores soluções para a manutenção dessa diversidade. Como responder a tal desafio?

Autores:
Marlúcia Bonifacio Martins e Catarina de Lurdes Praxedes
Coordenação de Zoologia, Museu Paraense Emilio Goeldi
Ronildon Miranda-Santos
Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia, Museu Paraense Emilio Goeldi
Alessandra Azevedo Rodrigues da Silva
Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (PA)
Joana Evangelista Costa
Museu Paraense Emilio Goeldi

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Resgatar o coração

A técnica é importante para resolver o problema do aquecimento global, mas não é tudo e nem o principal. Parafraseando Galileu Galilei, podemos dizer: "a ciência nos ensina como funciona o céu, mas não nos ensina como se vai ao céu".
     Seguramente a crise ecológica global exige soluções técnicas, pois podem impedir que o aquecimento global ultrapasse 2 graus Celsius, o que seria desastroso para toda a biosfera. Mas a técnica não é tudo e nem o principal. Parafraseando Galileo Galilei, podemos dizer: "a ciência nos ensina como funciona o céu, mas não nos ensina como se vai ao céu". Da mesma forma, a ciência nos indica como funcionam as coisas, mas por si mesma não tem condições de nos dizer se elas são boas ou ruins. Para isso, temos que recorrer a critérios éticos, aos quais a própria prática científica está submetida. Até que ponto, apenas soluções técnicas equilibram Gaia a ponto de ela continuar a nos querer sobre ela e ainda garantir os suprimentos vitais para os demais seres vivos? Será que ela vai identificar e assimilar as intervenções que faremos nela ou as rejeitará?
     As intervenções técnicas têm que se adequar a um novo paradigma de produção menos agressivo, de distribuição mais equitativa, de um consumo responsável e de uma absorção dos rejeitos que não danifique os ecossistemas. Para isso precisamos resgatar uma dimensão, profundamente descurada pela modernidade. Esta se construiu sobre a razão analítica e instrumental, a tecnociência, que buscava, como método, o distanciamento mais severo possível entre o sujeito e o objeto. Tudo que vinha do sujeito como emoções, afetos, sensibilidade, numa palavra, o pathos, obscurecia o olhar analítico sobre o objeto. Tais dimensões deveriam ser postas sob suspeição, serem controladas e até recalcadas.
     Ocorre que a própria ciência superou esta posição reducionista seja pela mecânica quântica de Bohr/Heisenberg seja pela biologia à la Maturana/Varela, seja por fim pela tradição psicanalítica, reforçada pela filosofia da existência (Heidegger, Sartre e outros). Estas correntes evidenciaram o envolvimento inevitável do sujeito com o objeto. Objetividade total é uma ilusão. No conhecimento há sempre interesses do sujeito. Mais ainda, nos convenceram de que a estrutura de base do ser humano não é a razão, mas o afeto e a sensibilidade.
     Daniel Goleman trouxe a prova empírica com seu texto a Inteligência emocional que a emoção precede à razão. Isso se torna mais compreensível se pensarmos que nós humanos não somos simplesmente animais racionais, mas mamíferos racionais. Quando há 125 milhões de anos surgiram os mamíferos, irrompeu o cérebro límbico, responsável pelo afeto, pelo cuidado e pela amorização. A mãe concebe e carrega dentro de si a cria e depois de nascida a cerca de cuidados e de afagos. Somente nos últimos 3-4 milhões de anos surgiu o neocortex e com ele a razão abstrata, o conceito e a linguagem racional.
     O grande desafio atual é conferir centralidade ao que é mais ancestral em nós, o afeto e a sensibilidade. Numa palavra, importa resgatar o coração. Nele está o nosso centro, nossa capacidade de sentir em profundidade, a sede dos afetos e o nicho dos valores. Com isso não desbancamos a razão, mas a incorporamos como imprescindível para o discernimento e a priorização dos afetos, sem substitui-los. Hoje se não aprendermos a sentir a Terra como Gaia, não a amarmos como amamos nossa mãe e não cuidarmos dela como cuidamos de nossos filhos e filhas, dificilmente a salvaremos.
     Sem a sensibilidade, a operação da tecnociência será insuficiente. Mas uma ciência com consciência e com sentido ético pode encontrar saídas libertadoras para nossa crise.
 
Autor: Leonardo Boff - Agência Carta Maior

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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Poluição da Ásia ajuda a derreter Himalaia

Partículas de fuligem emitidas por carros e fábricas estão piorando mudança climática.
Aquecimento na Ásia pode deixar Índia e China sem geleiras e água.

  
     A névoa de poluição que hoje cobre o Sudeste Asiático está acelerando a perda das geleiras do Himalaia, o que coloca o abastecimento de água dos países mais povoados e populosos do mundo -- a China e a Índia -- sob um risco incalculável, alerta um grupo de pesquisadores.
 
Himalaia
 
     No estudo, que está na edição desta semana da revista científica britânica "Nature", a equipe afirma que a chamada Nuvem Marrom Asiática tem tanta culpa pelo aquecimento observado nos últimos 50 anos no Himalaia quanto os gases causadores do efeito estufa. O derretimento das 46 mil geleiras do Planalto Tibetano, a terceira maior massa de gelo do planeta, já está causando enchentes nos lugares mais baixos, mas no longo prazo o grande risco é o da seca.
     Os pesquisadores, liderados por Veerabhadran Ramanathan, do Instituto Scripps de Oceanografia (Califórnia, EUA), usou uma técnica inovadora para explorar a Nuvem Marrom Asiática. A pluma de partículas em suspensão se espalha pelo continente asiático, gerada por canos de escapamento, chaminés de fábricas e termelétricas, florestas ou campos que estão sendo queimados para uso agrícola e madeira ou esterco queimados como fonte de calor.
 
Foto
Imagem de satélite mostra a nuvem de poluição particulada da Ásia entre a Coréia e o Japão (Foto: Nasa/Divulgação)
 
     O papel dessas emissões em forma de partículas sólidas no aquecimento global ainda é pouco conhecido. Também chamadas de aerossóis, as partículas resfriam a terra ou o mar debaixo delas porque filtram a luz que vem do Sol. Ao mesmo tempo, alguns aerossóis também absorvem a luz solar, podendo esquentar a atmosfera localmente.
     A equipe de Ramanathan usou três aviões pilotados por controle remoto, equipados com 15 instrumentos capazes de monitorar a temperatura, as nuvens, a umidade e os aerossóis. Lançados da ilha de Hanimadhoo, nas Maldivas, os aviões fizeram 18 missões em março de 2006, voando sobre o oceano Índico.
     A principal descoberta é que a nuvem aumentou o efeito do aquecimento solar sobre o ar em volta dela em cerca de 50%. Isso acontece porque as partículas são basicamente fuligem, que é negra e absorve a luz do Sol. Cálculos dos pesquisadores indicam que até metade do aquecimento atmosférico do Sudeste Asiático desde os anos 1950 pode ser explicado justamente pela ação desse tipo de poluente.
 
Autor: Richard Ingham - France Presse - G1

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Mexicanos fazem privada gigante para protestar contra praia suja

Ato foi organizado por ativistas do Greenpeace.
Manifestação ocorreu na praia de Los Muertos.
 
Foto: Reuters
Ativistas do Greeenpeace fizeram uma privada gigante em praia do México para protestar contra a liberação de esgoto direto na água do mar, sem tratamento (Foto: Gustavo Graf/ Reuters)
 
Fonte: Reuters - G1

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quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Hipocrisia ou farsa ambiental?

     Ultimamente assistimos na mídia, com bastante freqüência, doutos senhores com ares de respeitabilidade e escudados por Organizações Não Governamentais, Governos e títulos acadêmicos diversos, apresentarem o reflorestamento como panacéia salvadora para todos os males ambientais advindos do Efeito Estufa.
     O reflorestamento, como está sendo preconizado, é apenas a metade do caminho a ser percorrido, um paliativo para uma situação cada vez mais séria, pois o chamado efeito estufa cada vez mais se agrava.
     O verde, a floresta retém a água no solo, pereniza os rios, ameniza e equilibra o clima, não captura o carbono em definitivo, apenas o recicla. Funciona como uma represa que retém a água temporariamente;  mais cedo ou mais tarde, a libertará para que siga seu curso.  
 
Floresta absorvendo CO2.
 
     O mundo está como um vagão, descontrolado, despencando ladeira abaixo, rumo ao abismo, e nossos "cientistas" querem freá-lo utilizando barbantes em vez de reforçados cabos de aço!
     A biomassa caracteriza-se pela instabilidade, veio do gás carbônico, da água e da energia solar, via fotossíntese, e ao gás carbônico retornará tão logo a energia potencial acumulada em suas moléculas seja exaurida.
     O verde, a floresta, aproveitando a energia solar e a água fixa o carbono por algumas dezenas de anos, ou nem isso, e o libertará para atmosfera sob a forma de gás carbônico, voltando às condições anteriores.    
     A quem os nossos doutos senhores querem enganar? Ficam apregoando providências esdrúxulas que não levam a nada!
     Querem calcular, por exemplo, quantas árvores devem ser plantadas para compensar a fabricação de um CD, a edição de uma revista, a flatulência de uma vaca!
      Enquanto isso, um simples carro de passeio atira no ar que respiramos dezenas de toneladas de gás carbônico durante sua vida útil.
     É preciso que a sociedade seja esclarecida, a verdade escancarada e alertada para o suicídio coletivo que representa o uso do combustível fóssil sem a destinação adequada dos gases gerados como conseqüência!
     Fazem cálculos mirabolantes sem chegar a resultado algum, só confundindo a sociedade leiga e simulando que providências sérias e enérgicas estão sendo tomadas.
      Querem justificar certamente as verbas astronômicas doadas pelos governos e empresas que são aplicadas em pseudo pesquisas, ditas "sérias e urgentes".
      Ainda que todos os espaços do planeta fossem ocupados com o cultivo de florestas o "problema do efeito estufa" não seria resolvido, o vegetal, como todo ser vivo, nasce, cresce, amadurece e morre e, ao morrer, devolve todo o carbono a atmosfera sob forma de gás carbônico.   
     É preciso que se volte ao passado geológico, ao Período Carbonífero, quando a Natureza limpou a atmosfera soterrando gigantescas quantidades de biomassa que deram origem às fontes de combustíveis fósseis que hoje o homem explora.
     Foi esta "limpeza" da atmosfera, essa retirada do gás carbônico do ar, via biomassa, que permitiu a origem da vida aeróbia, a vida do ser que respira.         
     O homem, desde o século passado, está trazendo esse "lixo soterrado" para a superfície, transformando-o em energia, saturando a atmosfera, criando o caos que estamos vivendo, fechando um círculo com o retorno ao passado geológico inóspito do planeta.
 
Plataforma de extração de petróleo.
 
     O reflorestamento só terá sentido se a biomassa for "colhida e armazenada", estocada de forma permanente, em condições de não decomposição, (biológica ou por oxidação), mantendo seu potencial energético intacto, sem condições de retorno à condição mais simples da matéria orgânica, ou seja, de retorno à forma de gás carbônico.
     Como fazer isso?
     Devolvendo, a biomassa, o carbono que está em excesso na atmosfera (gás carbônico), aos locais de sua origem, às profundezas do subsolo, ocupando com a mesma as fossas abissais oceânicas, os espaços deixados pelos poços de petróleo exauridos, as falhas geológicas, as crateras artificiais criadas pelo homem e pela mineração.
     Cada "colheita" feita e devolvida às suas origens, a esses locais, representará uma limpeza, embora parcial, um alívio às condições climáticas adversas que estamos vivendo devido ao efeito estufa. 
     Para cada 12 toneladas de biomassa assim "armazenadas", teremos 32 toneladas de oxigênio devolvidas à atmosfera e menos 44  toneladas de gás carbônico a nos asfixiar. 
     Se assim procedêssemos, poderíamos continuar até mesmo utilizando a atual matriz energética, o combustível fóssil, por que o subproduto gerado pela mesma, o gás carbônico, estará sendo devidamente tratado e não simplesmente descartado.
      Tratar os resíduos gerados pela indústria é rotina neste meio; toda indústria é obrigada por lei a tratar e destinar corretamente os seus rejeitos.
      Por que a indústria do petróleo não é obrigada fazer o mesmo?
     A proposta é a mais absolutamente correta do ponto de vista ecológico: a devolução do carbono ao local onde deveria estar e ficar para sempre.
 
 
Autor: Antonio Germano Gomes Pinto - Ambiente Brasil (o autor é bacharel e licenciado em Química, químico industrial, engenheiro químico, especialista em Recursos Naturais com ênfase em Geologia, especialista em Tecnologia e Gestão Ambiental, professor universitário e autor de duas patentes registradas no INPI e em grande número de países.

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segunda-feira, 30 de julho de 2007

Amazônia: conservação ou colonialismo?

Jornalista Larry Rohter, do 'NYT', escreveu reportagem sobre a região.
Reportagem cita uma pesquisa do Ibope.
 
NYT
 
     Dependendo do ponto de vista, o apoio financeiro à reserva natural no Rio Negro por parte do World Wildlife Found pode ser tanto uma tentativa louvável para conservar a floresta amazônica – quanto o ponto de partida de um plano infame por parte de grupos ambientalistas estrangeiros para usurpar o controle do Brasil sobre a maior floresta tropical do mundo e passá-lo para o controle internacional.
     Em 2003, depois de assinar um acordo com a WWF e o Banco Mundial, o governo brasileiro criou o programa de Áreas Protegidas da Região Amazônica. Desde então, um grande número de parques nacionais e reservas cobrindo uma área maior do que a de Nova York, Nova Jersey e Connecticut juntos foram incorporados ao programa e receberam uma infusão de novos fundos.
 
     New York Times
     O objetivo do programa é montar um "um sistema central para ancorar a proteção à biodiversidade da Amazônia", disse Matthew Perl, o coordenador da WWF na Amazônia, em junho, numa visita à área, um arquipélago de 400 ilhas esparsamente povoado ao nordeste de Manaus. "É parte da estratégia ganhar tempo, elevar cada área protegida a certos padrões de administração e captar recursos para o monitoramento e fiscalização".
 
Foto: New York Times
Vista da Estação Ecológica Anavilhanas (Foto: New York Times)
 
     Mas esse esforço levantou suspeitas por parte de poderosos grupos políticos e econômicos brasileiros que querem integrar a Amazônia na economia do país através de represas, projetos de mineração, estradas, portos, extração de madeira e exportação agrícola.
     "Essa é uma nova forma de colonialismo, uma conspiração aberta em que os interesses econômicos e financeiros agem através de organizações não governamentais", diz Lorenzo Carrasco, editor e co-autor de "A Máfia Verde", um polêmico documento antiambientalista de vasta circulação. "É evidente que esses interesses querem bloquear o desenvolvimento do Brasil e da região amazônica com a criação e o controle dessas reservas, que são todas cheias de minerais e de outros valiosos recursos naturais".
 
Foto: Lalo de Almeida/New York  Times
Criança moradora da região da Estação Ecológica Anavilhanas (Foto: Lalo de Almeida/New York Times)
 
     Visões como essa são amplamente sustentadas no Brasil, independentemente de classe social ou regionalismo. Numa pesquisa feita com 2 mil pessoas em 143 cidades feita pelo principal instituto de pesquisa do Brasil, o Ibope, 75% dos entrevistados disseram que as riquezas naturais do Brasil poderiam provocar uma invasão estrangeira, e quase três entre cinco pessoas desconfiavam das atividades de grupos ambientalistas.
     Vencer a batalha pela opinião pública no Brasil é crucial para qualquer esforço global de preservação do meio ambiente e, conseqüentemente, para controlar a mudança climática. O Brasil é o quarto maior produtor de gases responsáveis pelo efeito estufa; mais de três quartos dessas emissões vêm do desmatamento, e a maior parte vem da Amazônia.
     Mas a noção de que os estrangeiros cobiçam a Amazônia vem há tempos sendo divulgada no Brasil, alimentada em parte pela ansiedade causada pelo tênue controle que o governo central exerce sobre a região. Essa preocupação foi exacerbada nos últimos anos pela Internet, que tornou-se cenário de documentos e declarações fabricados para convencer os brasileiros de que sua soberania está em risco.
     O exemplo mais notório é um mapa reproduzido em larga escala supostamente usado em livros de geografia de escolas americanas. Cheio de erros de ortografia e sintaxe comuns aos nativos de línguas latinas como o Português, mostra a Amazônia como uma "reserva internacional", e descreve os brasileiros como "macacos" incapazes de administrar a floresta tropical.
     Outro documento falso diz que tanto o presidente Bush quanto Al Gore fizeram discursos durante a campanha presidencial de 2000 a favor de tomar a Amazônia à força do Brasil. Em determinado ponto, o documento cita um fictício general americano, que comanda um departamento que o Pentágono afirma não existir, dizendo: "No caso de o Brasil decidir usar a Amazônia de forma que coloque o meio-ambiente dos Estados Unidos em risco, devemos estar prontos para interromper esse processo imediatamente."
     Desde que a guerra do Iraque começou, acusações de planos militares dos EUA na Amazônia são freqüentemente levantadas para difamar os ambientalistas e suas queixas quanto à política do govenro. Em audiências realizadas no ano passado para discutir uma possível represa no rio Madeira, os proponentes distribuíram um mapa mostrando supostos "centros de operação avançados" dos EUA na região, destinados a impedir o desenvolvimento do Brasil, incluindo bases militares e conselheiros na Bolívia e na Venezuela, dois países que não são exatamente simpatizantes da administração Bush.
     Parte do material que circulou foi elaborado por grupos nacionalistas de direita favoráveis à ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. Mas numa situação inusitada em que antigos adversários concordam, as organizações na extrema esquerda – até mesmo no Partido dos Trabalhadores do governo – também adotaram a noção de que existe um plano estrangeiro para tomar a Amazônia, assim como alguns segmentos militares na ativa.
     "Tudo indica que as questões indígena e ambientalista são meros pretextos", disse um relatório de inteligência militar recente, que foi enviado ao New York Times por um brasileiro que recebeu uma cópia e se mostrou preocupado com o ponto de vista expresso. "As principais ONGs são, na realidade, peças no grande quebra-cabeças em que os poderes hegemônicos estão engajados para manter e aumentar sua dominação. Certamente, elas servem de cobertura para esses serviços secretos."
     Na realidade, diz Perl, coordenador da WWF, sua organização espera simplesmente criar um cinturão ao redor da reserva natural através da criação de um grande "Bloco de Conservação do Rio Negro". Ele disse que a idéia é proteger a reserva ajudando as reservas indígenas existentes, parques estaduais e reservas naturais ao longo das margens do rio para operar mais efetivamente.
     Em 2012, disse Perl, sua organização e parceiros esperam colocar uma área maior que a Califórnia dentro do programa. Foi criado um fundo administrado por uma fundação brasileira que espera levantar 390 milhões de dólares e inclui doações do governo alemão entre outros.
     Em meados dos anos 90, parte da área ao redor do arquipélago foi de fato declarada um parque estadual. Mas pouco foi feito para efetivar o decreto, e desde então o Ministério de Reforma Agrária do governo federal colocou 700 famílias de agricultores sem-terra no local e a marinha brasileira, soldados e a polícia montaram centros de treinamento na área protegida.
     "Existem camadas e camadas de queixas, planos e mais planos, então essa área se tornou uma área de conflito", diz Thiago Mota Cardoso, que monitora o parque para o Instituto de Pesquisas Ecológicas, um dos parceiros regionais da WWF. "É irônico que esse território pertença ao governo federal, e que ele não faça nada".
 
Autor: Larry Rohter - New York Times - G1

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Estrangeiros já possuem cerca de 10% das terras na Argentina

Livro de jornalistas argentinos denuncia o crescente processo de estrangeirização da proriedade da terra no país. Aproximadamente 10% do território argentino já estão em mãos de investidores internacionais. São algumas das terras mais férteis do país, ricas em água e outros recursos naturais.
 
     BUENOS AIRES - Cerca de 10% do território argentino (aproximadamente 270 mil quilômetros quadrados) pertence hoje a estrangeiros, segundo levantamentos da Federação Agrária Argentina (FAA). Até setembro de 2006, 4,5 milhões de hectares correspondentes às melhores terras cultiváveis do país estavam à venda ou em processo de venda para investidores, entre pessoas físicas, empresas ou sociedades anônimas. Deste total, quase 24 milhões de hectares foram vendidos a grupos transnacionais. Esses dados são do livro "Tierras S.A – Crónicas de un país rematado", dos jornalistas argentinos Andrés Klipphan e Daniel Enz (Aguilar, 2006), que denunciam o crescente processo de estrangeirização da propriedade da terra na Argentina. Após três anos de pesquisas, Klipphan e Enz chegaram à conclusão de que a concentração de terras e recursos naturais avança sem cessar no país.
Segundo os autores, muitas destas transações são feitas com fundos de procedência duvidosa, às vezes em nome de sociedades anônimas de origem incerta. Uma das conseqüências mais evidentes desse processo, advertem, é a apropriação privada de espaços que eram de acesso público.
 
 
     Eles dão nome aos bois (ou melhor, aos novos donos dois bois). Milionários como Luciano Benetton, Douglas Tompkins e Ted Turner são alguns dos novos proprietários de terras e recursos argentinos. "Muitos dos hectares foram comprados a preços insignificantes e com a cumplicidade ou indiferença de políticos e funcionários do governo, correspondendo às melhores áreas cultiváveis ou encontrando-se em zonas estratégicas de fronteira", escrevem. Trata-se da primeira obra a fazer esse levantamento e a apresentar as dramáticas conseqüências sociais deste processo de concentração de terras e recursos naturais.
 
     Benetton, o maior latifundiário do país
     O processo de estrangeirização das terras argentinas é mais forte nas regiões da Patagônia e do norte do país. Nestas áreas, verifica-se também a maior concentração de milionários estrangeiros, "beneficiados com atitudes flexíveis de distintos governos – tanto nacionais como provinciais – que permitiram a venda de milhões de hectares e recursos naturais não renováveis, sem restrições e a preços módicos", denunciam Klipphan e Enz. Segundo eles, chegou-se ao cúmulo de investidores estrangeiros comprarem enormes extensões de terra ao preço de um hambúrguer do McDonald's ou de um par de tênis Nike ou Adidas. Um dos resultados dessas transações é que, hoje, o maior latifundiário privado da Argentina é o grupo italiano Benetton, que possui cerca de 900 mil hectares no país (uma área equivalente a 4.500 vezes a superfície da cidade de Buenos Aires).
 
Região da Patagônia.
 
     Conforme um estudo da Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais (Flacso), dos 80 mil proprietários de terras na região pampeana, na província de Buenos Aires (a zona mais fértil e cara do país), os primeiros 1250 possuem 35% das terras. Além disso, os 50 maiores proprietários detém 2,4 milhões de hectares, 15% mais do que final da década de 1980 (segundo dados do Censo Nacional Agropecuário, realizado em 2002). A concentração de terras pode ser ainda maior, advertem os jornalistas argentinos, uma vez que muitas vezes é praticamente impossível seguir o rastro dos verdadeiros donos das terras, porque as mesmas aparecem em nome de dezenas de sociedades anônimas, grande parte das quais, sediadas em paraísos fiscais como Bahamas, Uruguai e Ilhas Cayman.
 
     "O ano de ouro na Argentina"
     O interesse dos investidores internacionais está dirigido também para o que existe debaixo do solo na Argentina. Em San Juan, La Rioja, Jujuy e Catamarca estão instaladas as maiores empresas mineradoras do mundo, que exploram reservas de ouro e prata. Klipphan e Enz citam alguns números para caracterizar a dimensão deste mercado. A produção mineira argentina passou de 481 milhões de dólares, em 1994, para cerca de 900 milhões, em 2005. O número de empresas estrangeiras no setor saltou de quatro, em 1986, para 50. Os ex-presidentes Carlos Menem e Fernando de la Rúa incentivaram essa expansão de investimentos estrangeiros no setor minerador. De la Rúa chegou a dizer que 2000 seria "o ano de ouro na Argentina". Como se sabe, não foi exatamente isso que ocorreu.
     O entusiasmo de De la Rúa com a mineração, assinalam os jornalistas, ocorreu depois de uma viagem aos Estados Unidos. Na bagagem de retorno, o ex-presidente argentino trouxe a promessa de investimentos de aproximadamente 1 bilhão de dólares por parte de empresários norte-americanos. No dia 17 de junho de 2000, a revista argentina "Notícias" denunciou que De la Rúa havia omitido um "pequeno detalhe" em torno deste grande negócio: um primo dele e um contador da família possuíam investimentos milionários no setor minerador.
Zonas de fronteira à venda
     O livro investiga ainda um fenômeno que também está ocorrendo no Brasil: a compra de terras em áreas de fronteira por investidores estrangeiros (como ocorre no Rio Grande do Sul, por exemplo, envolvendo grandes empresas de celulose). Durante o governo de Carlos Menem, estrangeiros adquiriram 1.773.000 hectares de terras em zonas de fronteira. Nos primeiros quatro anos do governo Kirchner, esse número caiu para 160 mil hectares.
     Não há legislação proibindo essas compras na Argentina. Existem, atualmente, na Câmara de Deputados e Senadores e em oito assembléias provinciais, 38 projetos protocolados propondo a adoção de regras de controle e limitação para a compra de terras por parte de estrangeiros. Estão, ou parados, ou em fase de tramitação. Uma das conseqüências sociais mais danosas deste novo processo de colonização, denunciam os jornalistas em seu livro, é que cerca de 200 mil produtores agropecuários perderam suas terras nas últimas décadas do século XX, tendência que se manteve nos primeiros anos do século XXI. A jornalista Maria Seoane advertiu para os riscos desta situação: "o processo de estrangeirização da terra e dos recursos naturais e estratégicos, ocorrido nos últimos 15 anos, e com singular força nos anos 90, é tão acelerado e complexo que ainda é difícil de medir todas as suas conseqüências".
     Um alto funcionário do Ministério do Interior revelou aos jornalistas que, entre 2002 e 2006, foram protocolados na Secretaria de Segurança do Interior, 2358 pedidos de investimentos em zonas estratégicas denominadas "zonas de segurança". Essas áreas compreendem 150 quilômetros de fronteira, abrangendo a Cordilheira dos Andes e 50 quilômetros na faixa de litoral. E possuem uma das maiores concentrações de recursos naturais, água potável e terras cultiváveis do país. Do total destas áreas em mãos de estrangeiros, 90% do total estão sendo usadas para exploração mineradora.
     Mas esses dados já envelheceram, destacam Klipphan e Enz. No final de agosto de 2006, Bill Gates anunciou que investiria cerca de 120 milhões de dólares na Argentina para extrair prata das minas de Santa Cruz. A água também é objeto de forte interesse dos investidores internacionais. Douglas Tompkins, maior proprietário privado de recursos naturais vinculados à água na Patagônia e ns Esteros do Iberá, é dono de cerca de 90 mil hectares de terras em zonas de fronteira. Além disso controla a nascente e a desembocadura do rio Santa Cruz, o mais caudaloso da Patagônia.
 
Autor: Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior

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sexta-feira, 27 de julho de 2007

Poluição mata 4 milhões de crianças ao ano

Relatório da OMS diz que menores de cinco anos são mais atingidos por risco ambiental.
    Dejetos industriais e má qualidade do ar e da água são os maiores vilões.
Mais de 4 milhões de crianças com menos de 5 anos morrem todos os anos devido a fatores ambientais, principalmente devido à exposição a poluentes e à má qualidade do ar e da água, disse hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 
 
     As crianças, principalmente as de países em desenvolvimento, são mais vulneráveis aos fatores ambientais, ressalta a OMS, que calcula que 30% das mortes de menores no mundo todo podem ser atribuídas às más condições ambientais. A agência de saúde das Nações Unidas apresentou hoje seu primeiro relatório sobre o impacto do meio ambiente na saúde infantil.
     Nesse sentido, o relatório indica que as crianças têm uma suscetibilidade diferente nos distintos períodos de sua vida. Segundo a especialista da OMS, comportamentos como engatinhar ou colocar as mãos na boca aumentam o nível de exposição dos menores em relação aos mais velhos.
 
 
     Na apresentação, Pronczuk afirmou que muitos efeitos da exposição a substâncias químicas são irreversíveis e que há evidências de que doenças como câncer ou patologias cardiovasculares em adultos estão associadas a algum tipo de exposição a um agente químico durante a infância.
     No caso específico das crianças, a OMS cita alguns efeitos negativos na saúde derivados do contato com substâncias químicas, entre eles a morte pré-natal, crianças que nascem abaixo do peso, más-formações congênitas e o pouco desenvolvimento nas primeiras fases de vida. O relatório menciona ainda o surgimento da asma e outros transtornos imunológicos em crianças mais velhas e em adolescentes, como a puberdade precoce ou retardada.
 

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quinta-feira, 26 de julho de 2007

Com os dias contados?

Assentamentos ameaçam continuidade do maior estudo sobre fragmentos florestais na Amazônia
 
     Uma região ao norte de Manaus abriga desde 1979 o maior e mais longo estudo sobre fragmentos florestais do mundo. Em uma área de 1.000 km 2 , pesquisadores comparam como o isolamento de pequenos trechos da mata afeta o equilíbrio ecológico na Amazônia. O projeto já rendeu mais de 500 artigos científicos e 100 teses de mestrado e doutorado. Mas sua continuidade está ameaçada pela colonização dessa região, promovida pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), órgão público responsável pela administração da área.
 
Trecho isolado de mata estudado no Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, que procura entender como a fragmentação da floresta afeta o equilíbrio ecológico na Amazônia (fotos: PDBFF).
 
     A Suframa promoveu a instalação de assentamentos ao longo da estrada secundária que sai da BR-174 (Manaus-Boa Vista) e atravessa a área onde é realizado o Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF). Para os próximos anos, prevê-se a acomodação de 180 famílias em seis núcleos, um dos quais nas imediações de um dos acampamentos do PDBFF na região.
     As atividades predatórias praticadas nos assentamentos – como a derrubada da mata para produção de carvão e móveis – ameaçam a conservação dos trechos de mata intacta da região, usados para monitorar como as diferentes espécies se comportam nos fragmentos florestais e nas áreas de mata intocada.
     Preocupados com os prejuízos a um projeto de valor científico inestimável, pesquisadores do PDBFF fizeram, em vão, sucessivos apelos ao Suframa nos últimos anos para interromper a colonização da região. Diante do fracasso das tentativas de negociação, dois deles resolveram fazer um pedido público de socorro. Em artigo publicado na edição desta semana da Nature , eles pedem a mobilização da opinião pública para salvar o projeto.
     A presença dos novos colonos na área do estudo já mudou a paisagem da região, conforme conta a ecóloga Regina Luizão, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), coordenadora científica do PDBFF. "Hoje você pega a estrada para ir aos acampamentos e só vê aqueles telhados de zinco brilhando sob o Sol, onde antes era pura floresta". A derrubada de mata intacta está restringindo o território de onças e outros animais de grande porte, que agora estão sendo avistados com maior freqüência.
     A violência é outro temor suscitado pelos assentamentos. "Nosso acampamento que fica mais próximo da beira da estrada já foi assaltado duas vezes este ano", conta Regina. "Nossos estudantes estão coletando dados ouvindo tiros e motosserras." O artigo da Nature , assinado por ela e por William Laurance, pesquisador do Instituto Smithsoniano de Pesquisa Tropical, no Panamá, afirma que uma escalada de violência na região poderia levar a uma tragédia comparável ao assassinato da freira Dorothy Stang no Pará em 2005.
 
     Impasse institucional 
     A área em que está sendo realizado o estudo dos fragmentos florestais faz parte do chamado Distrito Agropecuário da Zona Franca de Manaus, criada com o objetivo de estimular o desenvolvimento econômico local. Inicialmente, a região estava destinada a abrigar lavouras e pastagens que permitissem abastecer o contingente populacional que Manaus deveria receber em função dessa iniciativa.
 
O mapa mostra, em vermelho, as áreas do projeto que estuda fragmentos florestais. A região delimitada em branco corresponde ao Distrito Agropecuário da Suframa, no qual estão incluídas as áreas estudadas. Clique no mapa para ampliar.
 
     No entanto, os solos da região se mostraram impróprios para essas atividades e as terras foram deixadas de lado. No final dos anos 1970, parte delas foi doada ao Inpa e a outras instituições científicas para a realização de estudos na área.
     Em nota distribuída à imprensa por sua assessoria de comunicação, a Suframa reafirma que a área mencionada pelos pesquisadores faz parte do Distrito Agropecuário sob sua administração.
     A Suframa alega que propôs ao Inpa em 2003 estabelecer uma zona de segurança em volta das áreas de pesquisa, mas não houve consenso em relação ao tamanho dessa zona. Segundo a nota, não foram feitos desde então assentamentos de famílias no entorno da área destinada aos estudos – o que os autores do artigo da Nature contestam. De qualquer forma, a Suframa não abre mão da sua prerrogativa de instalar um pólo agropecuário na região.
     "A Suframa tem buscado dar total apoio ao trabalho das instituições de pesquisa desenvolvido nessa área, sem prejuízo ao objetivo-fim do Distrito Agropecuário, que é o de possibilitar a atividade de produtores rurais mediante rígidos critérios, de forma sistemática e organizada, de modo a viabilizar a ocupação e exploração econômica, ecologicamente correta e socialmente desejável das áreas ocupadas com atividades agrícolas e agroindustriais, com o objetivo de atender a grande demanda por terras agricultáveis, visando a geração de emprego e renda na região", afirma a nota.
 
     Relatório ignorado 
     Regina Luizão alega que os assentamentos promovidos pela Suframa são ilegais, pois estão sendo feitos sem qualquer licenciamento ambiental. O mais irônico, afirma ela, é que a colonização da região desrespeita as recomendações de um relatório feito para orientar o zoneamento econômico e ecológico do Distrito Agropecuário da Zona Franca de Manaus. O documento foi encomendado pela própria Suframa a especialistas, entre os quais alguns pesquisadores do PDBFF.
     "Esse relatório diz claramente que as atividades de maior impacto para o território do Distrito Agropecuário são a expansão urbana, a atividade de carvoaria e a pecuária de corte", conta Regina. "A Suframa recebeu em 2005 o relatório que ela encomendou e pagou com dinheiro público, relutou em liberar o documento e está fazendo o contrário do que ele recomenda!" 
 
Um dos sete acampamentos que o Projeto Diversidade Biológica de Fragmentos Florestais mantém na Amazônia.
 
     A Suframa se defende dizendo que a entrega do relatório "foi apenas o primeiro passo de um amplo processo para sua implantação, que envolve a análise do conteúdo e recomendações do estudo, que está em fase final de realização por uma comissão interdepartamental". Antes de sua implementação, afirma a nota da Suframa, as recomendações precisam também ser submetidas à aprovação do Ministério do Meio Ambiente e do governo do Amazonas.
     Os autores esperam que o apelo lançado à opinião pública com o artigo da Nature ajude a resolver o impasse institucional. Segundo eles, não resta muito tempo para agir: em julho, quando começa a estação seca e a temporada de queimadas na Amazônia, a ameaça se intensifica. "Na estação seca é muito difícil controlar o fogo", explica Regina Luizão. "Há um risco enorme de vermos milhões de dólares investidos ao longo de 28 anos sumirem em fumaça."  
 
Autor: Bernardo Esteves  - Ciência Hoje On-line
Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/97185

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Ibama aplica multa de R$ 2 milhões a fábricas de xaxim no Paraná

     O Escritório Regional do Ibama em União da Vitória, Paraná, realizou uma mega apreensão de vasos e toras de xaxim (Dicksonia sellowiana), no município de Pinhão, no Estado.
 
Xaxim (Dicksonia sellowiana) em ambiente natural.
 
     Esta espécie é ameaçada de extinção e predomina no bioma Mata Atlântica e em especial na Floresta Ombrófila Mista.
Ao todo foram fechadas três fábricas de processamento de Xaxim, apreendido o maquinário, além de 11 mil vasos e mais de 100 metros cúbicos de toras de madeira; o equivalente a mais de duas mil toras.
 
Vasos de Xaxim.
 
     Denúncias vinham sendo apuradas há cinco anos e só foi possível localizar as fábricas com o auxílio de um helicóptero do NOA - Núcleo de Operações Aéreas, da Diretoria de Proteção Ambiental do Ibama, tendo em vista o local ser de difícil acesso e camuflado na mata. (Ibama)
 
Fonte: Ambiente Brasil

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terça-feira, 24 de julho de 2007

A queda dos químicos

     A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (National Academy of Sciences) jogou uma bomba no lobby dos agrotóxicos esse mês. Publicou um estudo indicando que os pesticidas, na verdade, diminuem o volume das colheitas em um terço. Isso porque eles matam algumas bactérias importantes para o solo.
 
Bactérias do solo
 
     Esses micro-seres produzem uma forma de nitrogênio utilizado como fertilizante natural pelas plantas. O texto afirma que a mortes dessas bactérias não só prejudicam o desenvolvimento das plantas como aumentam a dependência por adubos químicos e reduz a fertilicade do solo, o que faz cair a produtividade. Os proprietários de monoculturas de algodão devem ficar de olho, já que essas recebem até oito vezes mais pesticida do quas as plantações de alimentos.
 
Plantação de trigo
 
     Do outro lado, a favor dos orgâicos, temos um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, que mostra a agricultura orgânica como mais produtiva do que a agricultura industrial. Os pesquisadores reuniram 293 exemplos em estudos demonstrando que a agricultura orgânica é melhor do que a convencional. Eles ainda afirmam que muitos estudos tendenciosos e financiados pelas indústrias químicas vêm distorcendo o entendimento público deste tema.
 
Fonte: Lia Bock - Blog do Planeta

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