sábado, 20 de setembro de 2008

Flora ameaçada racha governo e biólogos

     O Ministério do Meio Ambiente divulgou ontem a lista das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção. São 472 espécies, mais do que o quádruplo da lista anterior, de 1992, que tinha 108.
     O ministério apresentou outra lista com 1.079 espécies com "deficiência de dados", cujas informações são insuficientes para confirmar o risco.
     A Fundação Biodiversitas, instituição sediada em Minas Gerais e contratada para fazer a pesquisa e à qual é atribuída pelo ministério a elaboração da lista, porém, contestou o documento oficial e informou que há 1.495 espécies ameaçadas na lista entregue por eles ao governo há quase três anos, em dezembro de 2005.
     De acordo com a coordenadora do projeto e da fundação, Gláucia Drummond, o documento apresentado "é político", "não reflete a situação das espécies" e deixa de proteger muitas em "situação crítica".
 

Trithrinax brasiliensis foi classificado como "Vulnerável - VU"

 
     Segundo o ministério, o aumento da lista se deve à maior agressão ao ambiente --favelização, queimadas, contaminação de áreas e especulação imobiliária, por exemplo-- e aos avanços da ciência, com crescimento da pesquisa e novos dados sobre várias espécies.
     A região Sudeste é a que tem o maior número de espécies sob ameaça, com 74% do total, mais do que o dobro do Nordeste, a segunda região.
     Isto se deve, de acordo com o ministério, ao fato de se tratar de alguns dos Estados mais populosos, urbanizados e industrializados do país, o que leva à maior degradação ambiental e põe em risco a vegetação e a flora nativas.
     O bioma mata atlântica, como esperado, é o que tem o maior número de espécies na lista elaborada. Das 472 do total, 276 ocorrem na mata atlântica, 131 no cerrado, 46 na caatinga, 24 na Amazônia, 17 no pampa e duas no Pantanal - há espécies que ocorrem em mais de uma região do país.
     O ministro Carlos Minc afirmou que pretende criar novas unidades de conservação, combater os crimes ambientais e estimular iniciativas de reflorestamento com espécies ameaçadas em seus ambientes nativos.
 

Rollinia maritima foi classificada como "Vulnerável - VU"

 
     Entre as espécies ameaçadas estão o palmito jussara, o pau-brasil, o jequitibá, a castanheira e o mogno. De acordo com Minc, há uma série de restrições mais rígidas para corte, transporte e venda dessas espécies ou produtos advindos de sua utilização.
     O desrespeito constitui crime ambiental, que tem como pena multas e até a prisão por cinco anos, no caso de dano direto ou indireto às unidades de conservação, por exemplo.
     Para o ministro Carlos Minc, a "polêmica" sobre os números das listas é "saudável".
"Houve uma decisão de que não há informação suficiente para afirmar se estão ou não ameaçadas. O Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio e uma rede de cientistas vão se dedicar a passar a limpo as mais de mil para dizer quais estão ameaçadas", afirmou Minc.
     O ministro também usou a falta de estrutura do ministério como argumento. "Eu me pergunto se temos capacidade de fiscalizar essas 472 espécies. Incluir mais mil é, aparentemente, mais defensivo, mas vulgariza e cria um número que não teremos condições de fiscalizar", disse.
     A Fundação Biodiversitas contestou. "Nossa avaliação é biológica, não é política. O ministério tem uma lista política; nós, uma científica", afirmou Gláucia Drummond, que disse lamentar a divulgação da lista e a "falta de diálogo" com o ministério.
 

Araucária angustifolia foi definida com "Em Perigo - EN"

 
Autor: RAPHAEL GOMIDE - Folha de S.Paulo - Folha On-Line
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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Um comentário:

Rafael Sühs disse...

Beleza de lista. Trithrinax brasiliensis a um passo da extinção e é classificada meramente como vulnerável. Picrasma crenata,Picramnia parviflora e tantas outras simplesmente desapareceram da lista. Onde vamos parar?