sábado, 7 de fevereiro de 2009

Natureza em crise

Exposição em São Paulo apresenta as principais ameaças ao ambiente e sugere soluções
 
     Com certeza, você conhece diversas espécies de animais que correm risco de extinção. Também já deve ter ouvido falar que a temperatura da Terra está aumentando. Sabe ainda que o lixo é um problema em todo o mundo. Sem falar em muitas outras ameaças à natureza que são apresentadas diariamente no rádio, nas revistas ou na TV. Mas o que é possível fazer para mudar essa situação? Uma exposição no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo traz a resposta. Misturando arte e ciência, a mostra expõe a crise ambiental pela qual a Terra passa e sugere algumas soluções, como a mudança de comportamento da população.
 

Sertão em chamas ao amanhecer. Esta é uma das 30 imagens que fazem parte da mostra Crise da biodiversidade: a natureza ameaçada (foto: André Pessoa)

 
     Sua família recicla o lixo que produz? Na sua escola, os problemas que afetam o ambiente, como o aquecimento global, são discutidos? Você compra somente o que precisa? Se respondeu "sim" a alguma dessas questões, saiba que já deu o primeiro passo para ser considerado um bom defensor do planeta Terra. Afinal, é com essas e outras perguntas que começa a exposição Crise da biodiversidade: a natureza ameaçada.
     A mostra, que tem o objetivo de contribuir para a preservação ambiental, incentiva o público a fazer a sua parte para conservar a natureza, além de também convidá-lo a conhecer a biodiversidade: a grande variedade de espécies que existe na Terra.
 
     Conhecer para mudar
     "Precisamos entender o meio ambiente para protegê-lo. O grande desafio que temos é conhecer a diversidade de seres vivos que existe no nosso planeta. A partir disso, será possível descobrir como podemos proteger o ambiente e diminuir o impacto causado por inúmeros fatores", conta o biólogo Hussam El Dine Zaher, coordenador de difusão cultural do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, responsável pela exposição.
 

O lagarto Hoplocercus spinosus vive no Cerrado brasileiro e corre risco de desaparecer da natureza (foto: André Pessoa)

 
     Para atingir esses objetivos, a mostra Crise da biodiversidade: a natureza ameaçada foi dividida em módulos, que misturam arte e ciência. Para você ter uma ideia, o visitante pode apreciar uma galeria com cerca de 30 fotografias feitas por um especialista em capturar imagens ambientais: o fotógrafo André Pessoa. Além disso, encontra gráficos que mostram os hábitos de consumo da população que podem causar danos à natureza, assim como diversos filmes, com temas variados, mas sempre ligados à questão ambiental, que convidam à reflexão. Um deles, por exemplo, nos leva para dentro das matas, onde podemos observar o comportamento de vários bichos, e nos lembra das diversas ameaças a esses animais, muitas delas decorrentes do crescimento da população ao longo do tempo (clique na tela abaixo e assista).

 
     Mundo desconhecido
     A exposição Crise da biodiversidade: a natureza ameaçada também apresenta cerca de 500 peças da coleção científica do Museu de Zoologia exibidas ao público pela primeira vez. São espécies de insetos, peixes e mamíferos, coletadas por cientistas no final do século 19 e começo do século 20, que já estão extintas ou ameaçadas de desaparecer da natureza.
     Esse tesouro é apenas uma amostra do há para se descobrir no planeta – e do que já foi perdido. "A comunidade científica já descreveu mais de um bilhão de espécies. Mas cerca de 10 milhões a 100 milhões permanecem desconhecidas", conta Hussam Zaher. A exposição Crise da biodiversidade: a natureza ameaçada mostra somente uma pequena parte das diversas espécies que existem no mundo.
 

O sapo Paratelmatobius gaigeae era considerado extinto, mas foi reencontrado em 2000 em São Paulo. É uma das espécies apresentadas na exposição Crise da biodiversidade: a natureza ameaçada (foto cedida por Hussam Zaher)

 
Autora: Cathia Abreu - Ciência Hoje
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Instituto Sea Shepherd pressiona e MPF pede a prisão dos autores do massacre de golfinhos no Amapá

Ministério Público Federal remeteu denúncia à Justiça contra sete envolvidos na morte de 83 golfinhos, decorrente de pesca predatória na costa do Amapá.
 
     No último dia 29 de janeiro, o Ministério Público Federal do Amapá remeteu denúncia à Justiça contra sete envolvidos na morte de 83 golfinhos, decorrente de pesca predatória na costa do Estado. A rede utilizada tinha quase seis quilômetros de comprimento, mais que o dobro do permitido. Cenas dos golfinhos sendo mutilados para serem usados como iscas na pesca do tubarão, e tendo olhos e dentes arrancados para a fabricação de bijuterias, foram veiculadas no Jornal Nacional da Rede Globo.
     O Instituto Sea Shepherd Brasil, em julho de 2007, deu início a uma verdadeira batalha judicial para obter os nomes dos proprietários das embarcações envolvidas na chacina dos golfinhos - a lei exige que o Ibama forneça as informações ao público. Perante o silêncio, o Instituto Sea Shepherd processou o Ibama/AP.
 
 
 
 
     Graças à pressão da Sea Shepherd, a Polícia Federal de Belém, Pará, forneceu por telefone no dia 18 de outubro de 2007 o nome do proprietário da embarcação 'Graça de Deus'. Com isso, a entidade ingressou com ação judicial, sofrendo então com a morosidade da Justiça. É incrível, a Lei Ambiental existe no Brasil, mas só funciona quando a sociedade civil pressiona. Os órgãos ambientais são obrigados a dar qualquer informação a qualquer cidadão, lamenta Cristiano Pacheco, Diretor Jurídico Voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil.
     Agora, vem a notícia de que os envolvidos têm pedido de prisão recomendado pelo MPF, dois anos após os atos criminosos praticados no Cabo Norte da costa do Amapá, em mar territorial que é de propriedade da União Federal. Eles utilizaram as embarcações 'Graças a Deus IV' e 'Damasco III', que se encontram apreendidos. As mortes foram filmadas no dia 11 de Fevereiro de 2007 por agentes do Ibama.
     Exercemos nossos direitos como cidadãos de fazer cumprir as leis e a constituição brasileira, assim como temos direito a um meio ambiente saudável, os golfinhos e outros animais marinhos são protegidos por lei e também têm pela lei direito à vida, comenta Daniel Vairo, Diretor Geral do Instituto Sea Shepherd Brasil.
 
Fonte: Sea Shepherd/EcoAgência
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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A capital do lixo eletrônico

     A revista Time publica um ensaio fotográfico sobre a cidade de Guiyu, na China, que virou o maior centro mundial para reciclagem de produtos eletrônicos. Computadores, celulares e outros aparelhos são desmontados. Alguns componentes, como metais pesados, são derretidos e revendidos.
 

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     A operação segue compromete o ambiente e a saúde das pessoas. Os resíduos tóxicos são despejados nos rios, contaminando as fontes de água. As condições de trabalho não são das mais salubres. A cidade tem um dos índices mais altos de câncer provocado por um tipo de substância tóxica, as dioxinas. As mulheres de lá também tem uma taxa elevada de problemas na gravidez.
 
Autor: Alexandre Mansur - Blog do Planeta
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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Governo americano diz que aquecimento pode secar a Califórnia

     Depois de oito anos negando as evidências da gravidade da crise ambiental, a nova administração federal dos Estados Unidos começa a assumir publicamente os riscos. E de forma bem enfática. Em entrevista ao jornal Los Angeles Times, Stephen Chu, Secretário de Energia e prêmio Nobel, disse que a agricultura na Califórnia corre perigo.
Segundo Chu, no pior cenário de aquecimento global, 90% das geleiras da Sierra Nevada secariam. É de lá que nascem os principais rios do estado. "Eu não acredito que o público americano realmente entendeu que isso pode acontecer", afirmou.
 

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     O pior cenário não é uma ficção. Apenas considera a manutenção dos modos de produção atuais, com algum crescimento econômico. Hoje, estamos caminhando para o pior cenário, segundo as avaliações dos cientistas.
     A Califórnia é o estado que mais produz alimentos nos EUA. Metade das frutas e vegetais do país são colhidos lá. Também é um dos maiores exportadores mundiais de frutas, amêndoas e laticínios. Preservar essa riqueza é um bom motivo para o país acelerar sua transição para uma economia com menos emissão de carbono.
 
Autor: Alexandre Mansur - Blog do Planeta
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Entidades criam movimento por código ambiental em SC

Movimento por um Código Ambiental Legal contesta projeto de lei que tramita na Assembléia Legislativa e tem votação marcada para 31 de março.
 
     Organizações ambientalistas de Santa Catarina estão reunidas no Movimento por um Código Ambiental Legal (Movical), buscando uma discussão democrática do Projeto de Lei 0238/2008, que institui o Código Estadual do Meio Ambiente. São elas a Fundação Praia Vermelha de Conservação da Natureza (Pra Ver Natureza), de Penha; Observatório do Litoral de Santa Catarina, de Itajaí; Grupo de Estudos Urbanos, de Blumenau; União Florianopolitana de Entidades Comunitárias (Ufeco), de Florianópolis; Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), de Rio do Sul; e a Associação de Recuperação da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú, de Balneario Camboriú.
 

Equipe de resgate retira corpo soterrado em Florianópolis (fonte)

 
     O Movical começou nas audiências públicas, promovidas em todo o Estado em novembro de 2008, quando, sob vaias, diferentes grupos e entidades se manifestaram sobre diferentes conteúdos do PL apresentado pelo governo estadual. Houve um grande clamor por parte de técnicos, pesquisadores e ambientalistas. Segundo eles, se esta lei fosse aprovada, apesar do nome Código Ambiental, aumentaria ainda mais o quadro de degradação e vulnerabilidade socioambiental.
     Poucos dias depois da última audiência, Santa Catarina foi vítima de uma grande catástrofe sócio-ambiental, com enchentes, deslizamentos e mortes. Ainda assim, o plano da Assembléia Legislativa, que fez o questionado Projeto de Lei tramitar em regime de urgência, era votar o Código Ambiental em 18 de dezembro. Os setores e grupos interessados na alteração de determinados pontos do projeto passaram a se articular no sentido de prorrogar o prazo de votação do PL.
     A discussão ganhou novo fôlego no início de dezembro, quando as comissões parlamentares decidiram ampliar o prazo para a apresentação de emendas até 27 de fevereiro de 2009, e marcar a votação para 31 de março. Parte desta vitória pode-se creditar à publicação de um artigo no Diário Catarinense no dia 29 de novembro, subscrito por professores da UFSC, UNIVALI, FURB e UNESC e representantes de organizações como a Associação Brasileira de Recursos Hídricos, CREA/CONSEMA e do Núcleo de Estudos em Serviço Social e Organização Popular – NESSOP, da UFSC. Neste artigo, os signatários pediam a construção democrática do código ambiental.
     A subscrição do artigo foi reforçada por um abaixo-assinado virtual, que em apenas quatro dias colheu mais de 2.500 assinaturas, que foi entregue aos parlamentares com um ofício assinado pela presidente do Comitê do Itajaí, Maria Izabel Sandri. Os três documentos constituíram-se num manifesto que proporcionou novas discussões e levou à consolidação do Movical.
 

Críticos dizem que PL aumenta riscos de desastres ambientais

 
     Os opositores ao texto do PL. 0238/08 sustentam, desde o início, que se o código catarinense for aprovado do jeito que está vai erradicar anos de construção de políticas públicas ambientais. Para eles, o projeto atende a interesses de grupos econômicos e políticos e permitirá ainda mais a ocupação de áreas vulneráveis (encostas, margens, nascentes, restingas, mangues), contribuindo para aumentar riscos de desastres, além de confundir os órgãos ambientais.
     O abaixo-assinado continua acessível na internet, fazendo um convite à mobilização social para a construção democrática do Código Estadual do Meio Ambiente. Agora o pleito das entidades é no sentido de que o código atenda os parâmetros legais estipulados pela Constituição Federal de 1988: manutenção de um ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida.
 
Fonte: Apremavi/EcoAgência (com informações da Apremavi/SC)
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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Salvem os ecologistas!

     A crise mundial chegou nas organizações ambientalistas. A Conservação Internacional, uma das maiores ONGs do mundo, decidiu descontinuar suas atividades na Venezuela. A filial da organização na Venezuela enviou um email de 4 linhas a seus parceiros no país para notificar que, a partir de 30 de março próximo, seus escritórios deixarão de existir em Caracas.
 

A maior queda d´água do mundo é a Salto Angel, localizada na montanha Auyan Tepui, na Venezuela. Conhecida localmente como Churun-Meru, ela encanta turistas com seus 979 m, dentre eles, 807 m de queda livre (fonte)

 
     A Venezuela tem mais riqueza natural do que o petróleo que sustenta sua economia ou o Salto Angel, a maior queda d'água do mundo. Ela é apontada como um dos 17 países com megadiversidade, que reúnem dois terços das espécies da Terra.
     A decisão de fechar a sucursal da Conservação foi tomada pela matriz americana, sediada em Arlington, Virginia, considerando a crise financeira mundial e que "poucos recursos" chegam à instituição como doação. Segundo o comunicado, os raros recursos serão dirigidos aos países que tiveram mais sucesso nos seus projetos, tanto trabalhando com os governos como com as comunidades. A filial brasileira sobreviveu aos cortes.
 
Autora: Alexandre Mansur - Blog do Planeta
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Imagem da Semana - Refugiados

 

© AP

30/01 – Criança olha através de pano enquanto paquistanesas cobertas por burkas esperam para se inscreverem no campo de refugiados Jalozai, próximo a Peshwar, Paquistão. Mais de 200 mil pessoas fugiram do conflito em Bajur (foto: AP)

 
Fonte: UOL Notícias
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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sábado, 31 de janeiro de 2009

Amazônia sofreu destruição de 17% em cinco anos, diz ONU

Programa da ONU para o Meio Ambiente responsabiliza Brasil e outros sete países da região.
 
     Um relatório prestes a ser divulgado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) aponta que 17% da Floresta Amazônica foram destruídos em um período de cinco anos, entre 2000 e 2005.
    A informação foi noticiada pelo jornal francês Le Monde na quinta-feira, e foi confirmada à BBC Brasil pelo Pnuma.
     Segundo o jornal, durante este período foram queimados ou destruídos 857 mil km² de árvores - o equivalente ao território da Venezuela.
     A maior parte do desmatamento ocorreu no Brasil, mas os outros sete países que também abrigam a floresta estão sendo responsabilizados pela Pnuma, com exceção da Venezuela e do Peru.
 

Amazônia ilegal: a floresta vai virar uma fazenda?

 
     'Irreversível'
     "A progressão das frentes pioneiras na Amazônia e as transformações que elas introduziram são tantas que o movimento de ocupação dessa última fronteira do planeta parece irreversível", disse o órgão da ONU ao Le Monde.
     Além do desmatamento, a grande corrida pela apropriação das gigantescas reservas de terra e das matérias-primas da região também tem um papel importante na deterioração da Amazônia, segundo o jornal.
     "O modelo de produção dominante não leva em conta critério algum de desenvolvimento sustentável, conduz à fragmentação dos ecossistemas e à erosão da biodiversidade", afirmou o Pnuma.
     A entidade também condenou a situação das populações que habitam a floresta, que "vivem uma situação de grande pobreza". "A riqueza retirada da exploração dos recursos naturais não é reinvestida na região", disse.
     O Le Monde conclui o artigo citando que o Pnuma pede um maior envolvimento internacional para ajudar financeiramente os países que abrigam a floresta, e cita como possível caminho o Fundo Amazônia, que prevê o investimento de fontes estrangeiras para desenvolver projetos que combatem o desmatamento.
     O Pnuma prevê que o relatório final, com mais dados ainda sigilosos, seja divulgado durante o encontro anual de seu conselho administrativo, marcado entre 16 e 20 de fevereiro em Nairóbi, no Quênia.
 

 
Fonte: BBC - G1
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Estudo indica que poluição causa infertilidade masculina

     A infertilidade masculina pode entrar para o inventário de problemas de saúde provocados pela poluição, mostram resultados preliminares de um estudo ainda inédito. A pesquisa é coordenada pelo médico Jorge Hallak, especialista do Hospital das Clínicas, e alerta que está prejudicada a qualidade do sêmen de vários profissionais que trabalham constantemente expostos aos poluentes. "O que é muito grave, porque é um indicativo de que a poluição está afetando a evolução da espécie humana", alerta ele.
     Foram 60 homens já avaliados, todos com idades semelhantes e que diariamente inalam os gases tóxicos de São Paulo. Todos eles, tiveram algum problema em decorrência da poluição. Os espermatozoides dos participantes foram avaliados em laboratório e comparados com um grupo que não convive tão exposto com a emissão. "Já concluímos que a poluição interfere no sistema reprodutivo. Transforma o hormônio masculino em hormônio feminino, compromete a barreira de sangue que envolve o testículo e promove lesões crônicas no DNA", diz Hallak.
 

Arquivo Folha Imagem

Foram 60 homens já avaliados, todos com idades semelhantes e que diariamente inalam os gases tóxicos de São Paulo. Todos eles, tiveram algum problema em decorrência da poluição, segundo o médico

 
     A pesquisa ainda não foi concluída. Mais 60 homens serão avaliados e a publicação internacional está prevista para os próximos meses. Será um dos primeiros estudos conduzidos pelo recém-criado Instituto de Poluição da Universidade de São Paulo (USP), que tem a missão de colocar na ponta do lápis os custos financeiros da poluição, conforme informou reportagem do Jornal da Tarde na última semana. O diretor do novo órgão, Paulo Saldiva, diz que os números vão endossar o coro por políticas públicas de redução de poluentes.
     A infertilidade será somada aos já altos US$ 208 milhões desembolsados anualmente no Brasil, apenas para sanar as 47 mil mortes prematuras, 20 mil hospitalizações, 50 mil casos de bronquite crônica, entre outros, como estimam os pesquisadores. A suspeita de que a infertilidade masculina é correlacionada à poluição surgiu quando os índices do problema começaram a subir em países desenvolvidos, conta Hallak.
 

"O que é muito grave, porque é um indicativo de que a poluição está afetando a evolução da espécie humana", alerta Jorge Hallak, especialista do Hospital das Clínicas

 
     Desequilíbrio
     Há 30 anos, os inférteis somavam 5%. Hoje já são 10%, informa a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida. Recente estudo da USP já havia constatado impactos na reprodução: em área mais poluída, foi revelado que nasceram 1.180 meninos a menos do que meninas, um desequilíbrio de 1%. Artur Dizik, diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, ressalta que os camundongos já evidenciaram que o sistema reprodutivo é comprometido pela poluição. "Não é exagero colocar a infertilidade como mais um item na lista de problemas dos poluentes", diz. "A cautela é que a infertilidade é causada por múltiplos fatores. Além da poluição, álcool, genética, fumo, alimentação."
Autora: Fernanda Aranda - UOL Notícias
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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Estudo revela que os herbicidas também prejudicam a reprodução das plantas

Investigação foi feita por várias instituições norte-americanas e a Universidade de Oregón
 
Pulverização de herbicida em lavoura
 
     Poucos livros sobre meio ambiente tiveram tanto impacto na sociedade como Primavera silenciosa, de Rachel Carson. Em 1962, a bióloga norte-americana denunciou em seu livro o uso indiscriminado do inseticida sintético DDT (Dicloro-difenil-tricloroetano) sobre os campos de cultivo dos Estados Unidos. Segundo sua então revolucionária tese, esses compostos químicos se acumulavam progressivamente sobre os seres vivos, especialmente nas aves, e terminavam por causar-lhes a morte. Se se continuasse espalhando o DDT pelos campos norte-americanos, chegaría o día em que os pássaros deixariam de cantar. Chegaria a primavera silenciosa. Dez anos depois, o voverno dos Estados Unidos proibiu o pesticida.
 

A pesquisa mostrou que o agrotóxico é aplicado de forma danosa à saúde (Foto: Fiocruz Pernambuco - fonte)

 
     A regulação sobre inseticidas, herbicidas e fungicidas de uso agrícola mudou muito desde então de forma a reduzir o impacto sobre o meio ambiente e, sobretudo, sobre a saúde humana. No entanto, um novo estudo adverte que os controles atuais para avaliar o impacto dos pesticidas sobre as plantas não são suficientes, uma vez que deixam fora os possíveis danos no vegetal ao nível reprodutivo.
     A investigação, levada a cabo por várias instituições norte-americanas e a Universidade de Oregón, e publicada no Journal of Environmental Quality, mostra como a reprodução da batata se vê afetada inclusive por doses muito baixas de herbicidas. Concretamente, quanto mais jovem é a planta, mais suscetível é aos pesticidas sintéticos. O momento em que se aplica o herbicida também pode ser crucial, pois o dano era maior quando a planta entrava em contato con os compostos químicos a duas semanas de brotar.
     As alterações reprodutivas da batata podem ter consequências desastrosas para a economía, con uma baixa produtividade de tubérculos. Mas os efeitos são incontroláveis quando afetam aos ecossistemas inteiros através da cadeia alimentar. "Os rendimentos reprodutivos das plantas têm grandes efeitos sobre as cadeias alimentares. Os produtos reprodutivos das plantas dão suporte a populações de vertebrados e invertebrados e são um dos principais fatores reguladores do êxito das populações animais", escrevem Thomas Pfleeger, Milton Plocher e colegas.
 
Autor: Tana Oshima - Reporter Ambiental/EcoAgência
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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Pecuária é imcompatível com Amazônia, afirma Greenpeace

 
Para o ativista André Mugiatti, pecuária e conservação ambiental não podem coexistir
 
     A pecuária é uma atividade incompatível com a conservação do meio ambiente, afirmou o ativista da organização não-governamental Greenpeace, André Muggiati, ao anunciar os impactos causados pela criação de gado na Amazônia. "A pecuária e a conservação ambiental não coexistem. Na Amazônia não existe nenhuma forma de pecuária sustentável", criticou o ambientalista, referindo-se à maneira como ela é praticada atualmente, exigindo grandes extensões de terra.
     A média para criação de gado é de um boi por hectare na região amazônica, onde se estima que existam mais de 70 milhões de cabeças de gado. "O que estamos pedindo é que se interrompa esse ciclo de expansão da pecuária sobre a floresta", disse Muggiati, destacando que cerca de 17% da área de cobertura original da floresta já foi destruída.
     Segundo ele, praticamente 80% das áreas desflorestadas na Amazônia são ocupadas pelo gado. O ambientalista adiantou à Agência Lusa o que será tornado público em 29 de Janeiro, durante o Fórum Social Mundial, que inicia nesta semana em Belém, no Pará.
 

 
     Estudo
     Muggiati é coordenador de campanha da Amazônia do Greenpeace e irá anunciar o estudo O rastro da pecuária na Amazónia feito pela organização por meio de imagens de satélite, tiradas principalmente em Mato Grosso. Para Muggiati, a partir do levantamento é possível comprovar a tese de que "a maior parte das áreas já desmatadas da Amazônia está hoje ocupada por gado". O Mato Grosso é o maior criador de gado do país, assim como o maior produtor de soja. Este Estado tem "o maior desmatamento acumulado na região amazônica".
     A estratégia de lançar o estudo no FSM é aproveitar a grande concentração de pessoas para "maximizar o impacto" na tentativa de que sejam implantadas políticas públicas que contenham a expansão desta atividade de forma predatória. A 8ª edição do Fórum terá como principal foco as discussões sobre as crises financeira, climática e de governabilidade global. O evento deverá reunir cerca de 120 mil pessoas de 130 países diferentes a partir de terça-feira, dia 27.
 

Parar o desmatamento não salva Amazônia, dizem cientistas (fonte: Folha Online)

 
Fonte: Agência Lusa/EcoAgência
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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O ano mais fresco dos últimos 8 tem temperaturas até 3,5 graus mais altas

 

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     O Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa, a agência espacial americana, divulgou as médias das temperaturas no planeta durante 2008. O ano passado foi o menos quente desde 2000. A causa seria um fenômeno chamado La Niña. Ainda sim, os cientistas estimam que 2008 seja o sétimo ou oitavo ano mais quente desde que as medições começaram a ser feitas, em 1880. Todos os anos mais quentes da história foram registrados desde 1997.
     As maiores variações de temperatura aconteceram no Ártico. Regiões do extremo norte da Europa e da Rússia tiveram temperaturas até 3,5 graus acima da média. O mesmo aconteceu no oeste da Antártica (veja imagem acima).
O gráfico abaixo mostra o aumento das temperaturas médias desde 1880. A linha só sobe. Até onde será que ela chega?
 

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Autora: Marcela Buscato - Blog do Planeta
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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sábado, 24 de janeiro de 2009

Desaparece geleira no Peru

 
Aquecimento global faz estragos
 
     Localizada a 5.250m de altitude na região de Puno, no Peru, a geleira Quilca derreteu completamente por causa do aquecimento global, informou o Instituto Nacional de Recursos Naturais (Inrena) peruano. "O desaparecimento da geleira Quilca foi gradual, e é consequência das mudanças climáticas e do aquecimento que acontecem em todo o mundo", explicou Marco Zapata, diretor da Unidade de Glaciologia do Inrena. "O aquecimento global repercute de maneira especial nas geleiras do Peru, que estão entre as mais afetadas". A geleira fica localizada no distrito de Palca, da província de Lampa, próxima à fronteira com a Bolívia.
 

Imagens mostram o monte Quilca em 2006 (acima), ainda com neve, e no início de 2009, já com os efeitos visíveis do aquecimento (foto: Andina / Agência Agrária de San Román / Divulgação)

 
     Fotos divulgadas pela agência estatal peruana mostram que a neve que cobria a geleira Quilca derreteu por completo, deixando a montanha coberta apenas por uma camada de terra. Já é a segunda geleira que derrete no Peru desde 2005. A previsão é que150 picos nevados do país correm o risco de perder suas geleiras. Há 19 cordilheiras nevadas espalhadas pelo território peruano e no sudeste andino.
     Segundo o administrador técnico da Agência Agrária de San Román, Omar Velásquez, o retroceso da capa de neve se agudizou nos últimos dois anos, verificando-se sua completa desaparição no final de 2008. "Já não cai nada de neve. O aquecimento global foi incrementando o retroceso de neve até perdê-la, esta se derreteu completamente", disse o funcionário à agência Andina. Explicou que foi realizado um monitoramento da situação com a tomada de fotografias. "Embora não haja uma medição precisa, as imagens são contundentes", enfatizou.
     Velásquez mencionou ainda que o panorama atual em Quilca pode trazer problemas referentes à falta de água para as populações localizadas nos arredores da extinto geleira. A maior parte da água consumida pelas populações dos Andes tem origem no degelo lento destas geleiras, que formam os rios de onde é retidada a água para o abastecimento. Em maio passado, a Unidade de Glaciologia do Instituto Nacional de Recursos Naturais reportou que a geleira Broggi, pertencente à Cordilheira Blanca em Áncash, desapareceu pelo aquecimento global e o câmbio climático. Se tratava de uma geleira localizada ao este da cidade de Yungay, na cabeceira da quebrada da lagoa de Llanganuco, que tinha uma dimensão superior à geleira Pastoruri, que também vem sendo afetada.
 
Fonte: com informações da Agência Andina - EcoAgência
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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Nuvem marrom de poluição sobre a Ásia é de madeira queimada e fezes

Grupo usou medição de carbono para determinar origem de poluentes.
Equipe sugere modernização energética para eliminar o problema.
 
     Uma equipe internacional de pesquisadores diz ter conseguido determinar a origem da terrível nuvem marrom de poluição que cobre vastas áreas da Ásia, em especial na Índia e na China, durante o inverno. O principal componente dessa forma de poluição -- de 50% a 90% da nuvem marrom -- é a queima de madeira e fezes animais, usada como fonte de energia pelas populações pobres da região.
 

Foto: Science/AAAS

O sol se põe em Pune, na Índia, obscurecido pela névoa marrom (Foto: Science/AAAS)

 
     O trabalho, coordenado por Örjan Gustafsson, da Universidade de Estocolmo (Suécia), está na edição desta semana da revista especializada americana "Science". Os pesquisadores usaram o carbono-14, forma do elemento químico normalmente empregada para datar matéria orgânica, como ferramenta para chegar à conclusão. É que o carbono-14 diminui progressivamente na matéria orgânica após sua formação, de forma que, 40 mil anos após a morte de um animal ou planta, por exemplo, quase não há mais proporções detectáveis dele.
     Dessa forma, é fácil comparar o carbono oriundo da queima de petróleo ou carvão mineral -- oriundo de matéria orgânica que se transformou há milhões de anos -- com o carbono vindo de madeira ou fezes. Se a fuligem na nuvem ainda tem muito carbono-14, isso significa que ela é de origem recente, e foi o que os pesquisadores verificaram.
     Os poluentes da nuvem marrom envolvem basicamente partículas de material orgânico queimado, que trazem sérios problemas respiratórios para a população asiática e ainda contribuem para o aquecimento global ao absorver luz solar. O lado bom é que a duração de seus efeitos na atmosfera é curta, o que sugere que fontes mais modernas e menos poluentes de energia, se instaladas na região, poderiam sanar o problema de forma relativamente rápida.
 

Foto: Science/AAAS

Queima de matéria orgânica é muito comum no Oriente (Foto: Science/AAAS)

 
Fonte: Reinaldo José Lopes - G1
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Oceanos absorvem menos CO2, dizem cientistas

     Cientistas emitiram um novo alerta sobre o aquecimento global e alterações climáticas depois que descobriram uma diminuição na quantidade de emissões de carbono absorvidos pelo Mar do Japão. As informações são do The Guardian.
     Os resultados da pesquisas foram publicados na revista Geophysical Research Letters.
     Os oceanos do mundo absorvem cerca de 10t de dióxido de carbono por ano e um ligeiro enfraquecimento neste processo natural deixaria mais CO2 na atmosfera.
     Kitack Lee, professor da Universidade de Ciência e Tecnologia, na cidade de Pohang, Coréia do Sul, diz que essas condições mais quentes podem perturbar o processo conhecido como "ventilação" - a maneira que o oceano arrasta o CO2 absorvido pela superfície para as profundezas.
 

 
     O cientista adverte que o efeito provavelmente não se limita ao mar do Japão e também poderia afetar absorção de CO2 em outros oceanos.
     Lee acrescenta: "Em outras palavras, o aumento da temperatura atmosférica, devido ao aquecimento global pode influenciar profundamente na ventilação do oceano, diminuindo assim absorção de CO2."
     Lee e sua colega Geun-Ha Park utilizaram um navio russo para coletar amostras de 24 locais em todo o Mar do Japão.
     Eles compararam o CO2 dissolvido na água com amostras similares recolhidas em 1992 e 1999. Os resultados mostraram a quantidade de CO2 absorvido durante o ano de 1999 a 2007 foi menos de metade do nível registrado no período de 1992 a 1999.
 
Fonte: Redação Terra
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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Contato com chumbo pode causar problemas cognitivos

     As pessoas que trabalham com chumbo sofrem problemas cognitivos a partir dos 55 anos de idade, conclui um estudo da Universidade de Pittsburgh (EUA). Uma exposição freqüente ao chumbo causa "ligeiro déficit" de conhecimento, especialmente na capacidade espacial, na aprendizagem e na memória.
     Estes problemas afetam aos trabalhadores a partir dos 55 anos, inclusive quando seu contato com o chumbo terminou há muito tempo, já que este elemento químico permanece no corpo humano durante décadas. Os cientistas, que publicam a pesquisa na revista Neuropsychology, chegaram a estas conclusões após estudar a evolução durante mais de 20 anos de dois grupos de trabalhadores da Pensilvânia (EUA): um que trabalhou exposto ao chumbo em fábricas de baterias e outro que não.
 

Por que evitar o Chumbo? (Fonte: Marianna Wachelke - Arte: Luiz Wachelke - fonte)

 
     Em 1982, essas pessoas se submeteram a um controle de chumbo no sangue e a provas cognitivas que mediam a velocidade psicomotora, as funções espacial e executiva, a inteligência geral, a aprendizagem e a memória. Os trabalhadores das fábricas de baterias de chumbo tinham uma concentração em sangue de 40 microgramas de metal por decilitro, enquanto nas pessoas não-expostas esta proporção era de 7,2.
     A partir de uma concentração de 25 microgramas de chumbo por decilitro de sangue, os empregados devem deixar o trabalho, pelo que esses trabalhadores abandonaram as fábricas. Em 2004, os pesquisadores voltaram a analisar a concentração de chumbo em sangue e a capacidade cognitiva de ambos os grupos e mediram os níveis de chumbo nos ossos inferiores da perna (os ossos são o destino final do chumbo que circula pela corrente sangüínea).
     O resultado foi que os homens com maiores níveis de chumbo acumulado nos ossos obtiveram a pior pontuação cognitiva, especialmente a partir dos 55 anos de idade.
 
Fonte: EFE - Terra notícias
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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Cigarro com 'baixos teores' pode ter nível elevado de nicotina

Informação vem de documentos dos próprios fabricantes de cigarros.
Pressões diferentes de tragada acabam igualando nível de substâncias.
 
     Usar uma marca de cigarros com baixos teores não garante menores níveis de nicotina e alcatrão aos usuários. Essa descoberta faz parte de informações da própria indústria de cigarros e está disponível ao público a partir de um processo judicial nos Estados Unidos.
     Para entender isso, precisamos antes conhecer como são dosadas as substâncias presentes na fumaça do cigarro para serem classificados como de baixos teores. Foram estabelecidos padrões internacionais para a nicotina, alcatrão e gás carbônico liberados na fumaça do cigarro. Uma máquina de fumar realiza tragadas de forma controlada e mede as concentrações de tóxicos na fumaça liberada.
     O que as fábricas descobriram foi que os cigarros fumados na máquina liberam baixos teores de nicotina e alcatrão. Porém, quando usados por fumantes humanos, oferecem quantidades em média 50% maiores dessas substâncias. O que determina essa diferença é a elasticidade do cigarro ao ser submetido à pressões diferentes de tragada.
 

Hoje a medicina tem catalogada mais de 20 doenças que pelas estatísticas incidem na grande maioria em fumantes (fonte)

 
     Força na tragada
     A problema para os fumantes está na observação de dois aspectos do comportamento dos tabagistas. Fumantes regulares, ao usar marcas com menos nicotina, mudam seu padrão de tragadas, ou seja, puxando o ar mais forte e mais frequentemente. A profundidade da tragada e sua freqüência mudam para manter o mesmo nível de nicotina no sangue ao que o usuário está habituado.
     A descoberta, realizada pelas próprias companhias de cigarros, traz implicações éticas importantes. Ao mudar para o que acredita ser uma marca de cigarro com baixos teores, um fumante pode adiar sua decisão de parar de fumar e na verdade continuar a receber a mesma carga de produtos químicos.
 

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Autor: Luis Fernando Correia - G1
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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Ecoturismo põe primatas em risco

Gorilas contraem bactérias ao entrar em contato com humanos em áreas de conservação na África
 
     As atividades de ecoturismo e mesmo de pesquisa podem favorecer a emergência de novos agentes causadores de doenças em grandes primatas na África, indica um estudo feito em Uganda. A pesquisa mostra que os gorilas que entram em contato com humanos, sejam eles guias de turismo ou cientistas, contraem bactérias patogênicas e manifestam resistência a antibióticos.
     A situação é preocupante porque os primatas têm tido seu hábitat progressivamente invadido pelos humanos. "As populações nativas de gorilas não tiveram contato com humanos antes e têm a mesma fisiologia que nós, o que as torna vulneráveis a contrair doenças", disse à CH On-line o veterinário Innocent Rwego, autor do estudo.
     Rwego, pesquisador da Universidade Makerere, em Kampala, capital da Uganda, apresentou ontem os resultados da pesquisa no Fórum Internacional de Ecossaúde, realizado em Mérida, no México. O estudo foi feito na região do Parque Nacional Impenetrável de Bwindi, no sudoeste desse país da África Central.
 

Filhote de gorila-da-montanha (Gorilla beringei beringei). O contato com humanos torna esses animais vulneráveis a patógenos transmitidos pelo homem (foto: Kurt Ackermann).

 
     Para avaliar se o contato crescente entre humanos e grandes primatas estava pondo em risco a saúde desses animais, Rwego trabalhou com três grupos de gorilas-da-montanha (Gorilla beringei beringei), com diferentes graus de interação com humanos: animais que tinham contato regularmente com turistas, aqueles que só lidavam com pesquisadores e os que não tinham qualquer contato com humanos.
     As bactérias Escherichia coli presentes em amostras de fezes desses animais foram comparadas com as encontradas nas populações que vivem no entorno do parque, nos guias turísticos e nos cientistas que lidavam com os primatas. Os resultados acusaram uma grande similaridade genética entre as bactérias presentes em humanos e nos gorilas que tinham contato mais freqüente com eles. O parentesco era progressivamente menor nos animais que só lidavam com cientistas e nos gorilas selvagens.
 
     Resistência a antibióticos
     Rwego avaliou também se as bactérias encontradas nas fezes dos animais manifestavam resistência aos antibióticos comumente usados na região. Cerca de 22% das bactérias E. coli identificadas nos animais expostos ao ecoturismo tinham resistência a pelo menos um dos antibióticos testados – índice próximo aos 26% identificados em humanos. Nos animais em contato com pesquisadores, a taxa foi de 10%, e nos gorilas selvagens, de apenas 2%.
 

Gorilas-da-montanha fotografados no Parque Nacional Impenetrável de Bwindi, em Uganda. Esses animais ameaçados de extinção estão contraindo bactérias patogênicas humanas devido à prática do ecoturismo nessa reserva, considerada patrimônio mundial pela Unesco (foto: Duncan Wright).

 
     Os resultados deixam claro que os gorilas que entram em contato com humanos estão em risco. Isso significa que deveriam ser adotadas políticas de restrição ao ecoturismo? Rwego acredita que haja outras soluções. "Limitar o ecoturismo, que é uma fonte de renda para as populações locais, teria um grande impacto sobre elas", pondera. "Se respeitarmos as regras de saúde e vacinação, é provável que consigamos reduzir o problema da transmissão."
     Segundo o autor, uma solução para minimizar a transmissão de patógenos entre humanos e primatas seria controlar a população no entorno das áreas protegidas. "Com o ecoturismo, vem a modernização, surgem lojas e mais pessoas são atraídas", explica. "Deveria haver políticas públicas para reduzir a migração para a região das áreas de conservação, onde o ecoturismo tem florescido."
 
Autor: Bernardo Esteves
Fonte: REBIA Nordeste / Ciências Hoje - Portal do Meio Ambiente
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Documentarista diz que maior empresa de sementes vende produtos tóxicos e ameaça cientistas

     A documentarista francesa Marie-Monique Robin, autora de O Mundo Segundo a Monsanto, dedicou três anos de sua vida para desvendar como uma indústria de químicos virou a maior companhia mundial de sementes geneticamente modificadas (transgênicas) e uma das empresas mais influentes do planeta, segundo a revista Business Week. Marie trabalha há 25 anos com matérias investigativas e recebeu prêmios como o Albert Londres, em 1995, concedido a um documentário sobre o tráfico internacional de órgãos.
     Em 2004, ela foi aclamada na Europa ao produzir o também premiado Esquadrões da Morte: a escola francesa, sobre a relação do governo francês com ditaduras da Amérioca Latina, nos anos 70. Para escrever a história da Monsanto, Marie analisou 500 mil páginas de documentos e viajou à Grã-Bretanha, Estados Unidos, Índia, México, Brasil, Vietnã e Noruega. A escritora fala a ÉPOCA sobre o seu último livro. Procurada pela reportagem, a Monsanto afirma que "agricultores enxergam um benefício no cultivo de seus produtos". (clique aqui para ler a resposta completa da empresa).
 

Marie-Monique Robin - "A Monsanto não é confiável"

 
ENTREVISTA - MARIE-MONIQUE ROBIN
QUEM É - Documentarista e jornalista francesa. Seu documentário que denuncia táticas do serviço secreto francês e conexões com a repressão na América do Sul foi premiado pelo Senado da França.
O QUE FEZ - Já publicou livros denunciando uma rede internacional de tráfico de órgãos e a prática da tortura na Guerra da Argélia. O Mundo Segundo a Monsanto virou um documentário feito pela agência de cinema do Canadá. Para investigar a história, passou cinco anos levantando 500 mil páginas de documentos e viajando para Grã-Bretanha, Índia, México, Paraguai, Brasil, Vietnã, Noruega e Itália
 
ÉPOCA – Existem outras companhias que também desenvolvem a biotecnologia e possuem patentes sobre sementes. Por que fazer um livro exclusivamente sobre a Monsanto?
Marie-Monique Robin - Há cinco anos, quando trabalhava em três documentários sobre biodiversidade e os organismos geneticamente modificados – e ainda acreditava que eles não teriam problemas – eu acabei viajando muito. Fui para Canadá, México, Argentina, Brasil e Índia, e em todas essas regiões eu sempre encontrava denúncias contra a Monsanto. Foi quando eu decidi buscar quem é essa companhia que agora é a maior produtora de biotecnologia e de alimentos geneticamente modificados do planeta.
 

Um círculo anti-cultura Monsanto feito pelos agricultores e voluntários, nas Filipinas. Por Melvyn Calderon / Greenpeace HO / A.P. Imagens. (fonte)

 
ÉPOCA – E como seria esse mundo segundo a Monsanto que você descobriu?
Marie - Cheio de pesticidas. Cerca de 70% dos alimentos geneticamente modificados são feitos para serem plantados com uso do agrotóxico Roundup. Ao comer uma transgênico, a pessoa está praticamente ingerindo Roundup. E, ao contrário do que propagou a Monsanto, esse pesticida não é bom ao meio ambiente e muito menos biodigradável. Ele é muito tóxico. Tenho certeza de que nos próximos cinco anos ele vai ser proibido no mundo, tal como aconteceu com outro produto da companhia, o DDT. O mundo segundo a Monsanto também é dominado por monoculturas. O que é um problema para a segurança alimentar, pois concentra a produção de alimentos na mão de poucos. Também considero arriscado deixar a alimentação mundial na mão de companhias que no passado produziam venenos e armas químicas como o agente laranja, despejado por tropas americanas no Vietnã.
 

"A Monsanto foi condenada a pagar US$ 700 milhões de dólares pela contaminação em Annistion, nos EUA"

 
ÉPOCA – Os transgênicos são festejados por reduzirem o uso de pesticidas. Eles não teriam ao menos esse lado bom?
Marie – Não, isso é mentira. Os transgênicos não reduzem o uso de agrotóxicos. Pelo contrário, eles geram ervas daninhas cada vez mais resistentes aos agrotóxicos. Os transgênicos são apenas uma forma da Monsanto controlar a produção de alimentos no mundo.
 
ÉPOCA – Como uma empresa pode ter todo esse poder? Isso não é teoria da conspiração?
Marie – Não, de forma alguma. Tenho todas as denúncias que faço baseada em documentos e estudos científicos. Esse monopólio sobre a comida é um processo que acontece há um tempo. Ele começou com a permissão das patentes das sementes, na década de 80. Isso deu às empresas exclusividade sobre as sementes que selecionam. Depois, vieram as chamadas plantas híbridas, que são estéreis e não produzem outras sementes. E por último, houve os royalities sobre os transgênicos. Agoras as multinacionais podem cobrar para si, uma parte do lucro da colheita dos fazendeiros. Os transgênicos também são produzidos para reagirem com produtos específicos. No caso da Monsanto, 70% tem que ser plantado com o Roundup. O que obrigados o produtor a comprar sementes e agrotóxicos da mesma empresa.
 
ÉPOCA – Outras multinacionais produzem nesse mesmo padrão. O que comprova que a Monsanto quer controlar a comida do mundo?
Marie - Após a liberação da venda dos transgênicos, a Monsanto começou a comprar todas as produtoras de sementes do mundo. Hoje, ela é a maior produtora de sementes do planeta. O resultado é que se um fazendeiro quiser mudar sua produção de transgênicos, e voltar ao tradicional, daqui a alguns anos, provavelmente ele não vai conseguir mais, pois só vão existir sementes transgênicas, e da Monsanto. Essa já é uma realidade com a soja dos Estados, e o trigo, na Índia. Nos EUA existem processos contra a Monsanto por monopólio, algo similar ao que aconteceu com a empresa de tecnologia Microsoft.
 
ÉPOCA – E qual seria interesse da empresa em controlar a produção de alimentos?
Marie - Ele querem manter o agrotóxico Roundup no mercado, o produto que responde por 45% do lucro da companhia. Acho que se o Roundup for banido, como acredito que possa acontecer daqui a alguns anos, os transgênicos vão desaparecer. Sem o Roundup, não é interessante ter transgênico.
 

Marie-Monique Robin destaca os casos do PCB, dos horrores das dioxinas e do agente laranja até chegar à difusão ilegal da soja transgênica Roundup Ready e ao conceito fraudulento da "equivalência substancial" dos OGMs (fonte)

 
ÉPOCA – Por que culpar exclusivamente a Monsanto pelas armas químicas do Vietnã? A opção por usar armas químicas foi do governo americano, e não das companhias. E outras empresas também venderam químicos ao governo dos EUA.
Marie - A venda de agente laranja para o governo americano foi um dos negócios mais lucrativos da Monsanto. Mas hoje, nenhuma das empresas que lucraram com esse processo quer se responsabilizar. No Vietnã, eu vi hospitais repletos de crianças deformadas, que nascem assim até hoje, porque o ambiente continua contaminado. Além do agente laranja, também usaram bifenil policlorado (um produto banido no mundo) nas misturas jogadas no país, e que a própria Monsanto sabia serem tóxicas desde 1937. Nem os soldados americanos foram alertados para os riscos. Como confiar que uma companhia com essa história domine a produção de alimentos?
 
ÉPOCA – Qual é a prova que a Monsanto sabia que estava vendendo algo tóxico?
Marie - Em 2002, os moradores de Annistion, no EUA, ganharam o direito de uma indenização de US$ 700 milhões de dólares da Monsanto. A empresa foi condenada por contaminar o meio ambiente e as pessoas da cidade com a sua fábrica química. Documentos mostram que desde 1937 a Monsanto sabiam dos riscos da toxidade dos PCBs.
 
ÉPOCA – Os produtos da Monsanto são aprovados por agências como a FDA, que regula alimentos e medicamentos nos EUA. Como dizer que a FDA e outras agências internacionais estão sendo enganadas?
Marie - A Monsanto usa seu poder econômico para pressionar governos e também infiltra seus ex-funcionários em cargos políticos. Esse processo é conhecido como portas giratórias. Tem casos célebres como a de Linda Fisher, que era funcionária da Agência Americana de Proteção Ambiental, e depois foi trabalhar na Monsanto, em 1995, e acabou retornando para EPA, em 2001.
 

monsanto land

 
ÉPOCA – Se a empresa possui toda essa blindagem, então não há solução?
Marie - Acho que só os consumidores podem evitar um problema maior. Na Europa isso já começou. Ninguém quer consumir transgênicos que não foram testados. Estão todos assustados com a atual epidemia de câncer.
 
ÉPOCA – Mas qual a ligação do câncer com os transgênicos?
Marie - Ainda estou pesquisando o assunto. O meu próximo livro vai ser exatamente sobre isso, a relação entre a comida que consumimos depois da Revolução Verde e o aumento de doenças como o câncer e o Parkison. O mais interessante, um processo que começou justamente entre os próprios agricultores, o mais expostos aos agrotóxicos.
 
Autora: Juliana Arini - Época - Portal do Meio Ambiente
Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder


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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Bactérias escravizam vírus para fazer 'sexo' com outras espécies

Transferência de DNA acontece entre micróbios com parentesco distante.
Descoberta preocupa porque indica transferência de genes 'tóxicos'.
 
     Os cientistas sabiam há tempos que a promiscuidade domina o mundo das bactérias, mas ainda assim levaram um susto ao descobrir o quanto ela é disseminada. Com a ajuda de um tipo especial de vírus, os micróbios parecem ser capazes de transferir material genético -- em linhas gerais, algo muito parecido com sexo, em termos humanos -- para espécies que têm apenas parentesco distante com os "donos" desse DNA.
     A conclusão está num artigo na última edição da revista especializada americana "Science", e preocupa porque a promiscuidade unicelular poderia abrir caminho para a transferência de genes nem um pouco amigáveis aos humanos de bactéria para bactéria. É de se imaginar que trechos de DNA capazes de conferir resistência a antibióticos ou maior agressividade seriam passados de "mão em mão", pelas espécies bacterianas.
 

Foto: Reprodução

A bactéria Staphylococcus aureus, cujo material genético pode ir parar em outros micróbios (Foto: Reprodução)

 
     John Chen e Richard Novick, do Centro Médico da Universidade de Nova York, estudaram estudaram a função de leva-e-traz desempenhada pelos bacteriófagos, vírus que infectam bactérias. Já se conhecia a capacidade deles de levar certas frações de material genético de um indivíduo bacteriano para outro -- dentro da mesma espécie. O vírus retira pedaços de DNA dos cromossomos das bactérias, faz cópias deles e os leva para outro micróbio.
     A dupla, porém, verificou que a Staphylococcus aureus, bactéria tristemente célebre por suas variedades resistentes a antibióticos e causadoras de infecção hospitalar, também é capaz de passar seu DNA para espécies muito distantes, como a Listeria monocytogenes. Os genes trocados não são nada inocentes, pois têm a ver com a produção de toxinas pelos microrganismos. Aliás, esse troca-troca parece ocorrer até no leite de vaca, o que poderia apresentar risco para os rebanhos bovinos.
 
Autor: Reinaldo José Lopes - G1
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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