sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Não há mais tempo a perder sobre mudança climática

     Secretário-Geral da ONU diz em Bali que mundo sofrerá com fome, secas e aumento do nível do mar, se nada for feito.
 
imagem1480.jpg     O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou, em Bali, na Indonésia, que o mundo precisa agir rapidamente contra o aquecimento global.
     Ban disse que não há mais tempo a perder, e que a liderança política deve encontrar respostas. Segundo ele, a ciência já provou claramente que o efeito estufa é uma ameaça a toda a humanidade.
     O Secretário-Geral da ONU chegou a Bali, na Indonésia, para presidir as discussões de um segmento de alto nível da Conferência sobre Mudança Climática.
     O encontro deve estabelecer as bases de um novo acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.
     O tratado prevê a redução nas emissões de dióxido de carbono, o principal causador do aquecimento global.

     Emissões de gases
     As Nações Unidas sugeriram aos países industrializados uma redução entre 25 a 40%, até 2020.
     Segundo a ONU, os cortes deverão atingir 50% até 2050.
     Um estudo do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Ipcc, afirma que se todos os governos contribuírem com 0,1% de seu Produto Interno Bruto, PIB, será possível parar o efeito estufa nos próximos 30 anos.
     O encontro de Bali reúne mais de 15 mil representantes de governos, da sociedade civil e de agências da ONU.
 
Fonte: Rádio ONU (Jorge Soares & Mônica Valéria Grayley - Nova York) - Portal do Meio Ambiente


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Fauna no RS sofre com instalação de usinas hidrelétricas

     A Justiça Federal no município de Bento Gonçalves (RS) concedeu liminar em ação cautelar proposta pelo Ministério Público Federal para que a empresa J. Malucelli Construtora de Obras S.A. suspenda imediatamente o corte de árvores para a limpeza da área onde serão formadas três barragens, visando a instalação de Usinas Hidrelétricas no rio Carreiro (municípios de Dois Lajeados, Guaporé e Serafina Corrêa). A suspensão deverá perdurar pelo prazo de 45 dias.
     Segundo a assessoria de Imprensa do Ministério Público Federal no RS, no dia 5 passado, o procurador da República Adriano dos Santos Raldi instaurou um procedimento administrativo investigatório, a partir de representação de integrante da Associação Riograndense de Proteção aos Animais e Meio Ambiente (ARPA). Fotos e documentos mostravam a ocorrência de várias irregularidades na área, caracterizadas como "verdadeiros atentados à flora, fauna e ao ecossistema como um todo". A empresa responsável não vinha respeitando as exigências básicas, especialmente em relação ao programa de resgate e monitoramento da fauna.
     Em seu relato, o ambientalista Jorge Luis Acco, revela ter constatado o desespero dos animais em fuga, pássaros à procura de seus ninhos que tombaram junto com as árvores, vários animais à procura de filhotes e cobras mortas.
 
Fonte: Ambiente Brasil


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Construções que separam matas de rios podem explicar sumiço de sapos

Pesquisadores brasileiros tentam entender declínio mundial da espécie.
Segundo eles, filhotes podem morrer porque não encontram a floresta.

 
     O mistério do desaparecimento mundial das espécies de sapos pode ser explicado pela pura falta de bom senso humano. Pesquisadores brasileiros afirmam que a separação de florestas e rios pela infraestrutura humana está por trás do declínio desses anfíbios. Os resultados foram apresentados nesta semana na revista "Science".
     Não importa a quantidade de mata nativa preservada em uma propriedade, sempre que alguém constrói alguma coisa -- seja uma casa, um pasto ou uma cidade -- na beira de um rio, afeta diretamente a sobrevivência dos sapos, que vivem tanto na terra quanto na água.
     Esse tipo de divisão do ambiente onde vive uma espécie foi batizada pelos pesquisadores de "desconexão de habitat" e pode explicar algo investigado pela ciência há muito tempo: por que os anfíbios estão desaparecendo.
Segundo o pesquisador Carlos Roberto Fonseca, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul, a desconexão de habitat é prática comum. "Mesmo o proprietário que cumpre a lei e deixa uma porcentagem da mata preservada em suas terras, em muitos casos, ele deixa a floresta em áreas isoladas, como topos de morros. E vai colocar sua casa, o pasto, tudo em volta de um riozinho", afirmou ele ao G1.
 
Foto
Sapos de floresta precisam dos rios para se reproduzirem (Foto: Divulgação)
 
     Os sapos vivem bem na floresta, mas se reproduzem na água. Quando seu habitat é dividido, portanto, eles precisam atravessar toda uma série de obstáculos, às vezes, até estradas de grande porte. A situação é pior quando o caminho é inverso e os filhotes, recém saídos da fase de girino, precisam encontrar sozinhos o caminho de casa.
 
Foto
Sapos do mundo estão desaparecendo (Foto: Divulgação )
 
     "Eles precisam achar a floresta, mas nunca viram uma floresta antes. O seu 'manual de instruções' genético diz 'então, você sai da água e vive, come, dorme na floresta'. Mas onde ela está?", explica Fonseca. Na busca pelo local onde vão viver, os sapinhos geralmente acabam morrendo, por acidentes, por predadores, por exposição excessiva ao sol ou pura e simplesmente por fome.
Pelo Código Florestal Brasileiro, uma faixa em torno dos rios precisa ser preservada –- o quanto depende do tamanho do rio. Mas não são todos que cumprem a legislação. Os cientistas pedem que a lei seja respeitada e que novas unidades de conservação levem em conta a preservação da espécie e não separem mata e rio.
     Com isso, Fonseca explica, os benefícios devem ir muito além da preservação dos sapos. "Mata nativa ao redor do rio o deixa limpo. Rio limpo é água limpa, boa para o consumo."
     O trabalho envolveu pesquisadores de quatro universidades brasileiras -- além da Unisinos, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de São Paulo (USP) -– e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas.
Autora: Marília Juste do G1 São Paulo


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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Índice Ultravioleta para a região Sul em 12 de dezembro de 2007

 
Situação mais recente do Índice Ultravioleta para a região Sul
Precauções recomendadas pela Organização Mundial da Saúde
 



 


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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Lentes capturam a estranha Natureza

Reveja as melhores fotos do mundo animal que marcaram o ano de 2007 em concurso e pesquisas conduzidas pelo mundo inteiro.
Foto: Gloria Kwon/Divulgação
08/10/2007 - Estados Unidos - Imagem de um embrião transgênico de um camundongo foi a vencedora do concurso de Microfotografia Pequeno Mundo da Nikon, que escolheu as melhores fotos de pequenos organismos
 
 
Foto: Sergey Gorshkov/Natural History Museum/Divulgação
25/10/2007 - Reino Unido - A foto de um urso, emergindo durante um mergulho em busca de caça, foi a vencedora na categoria Animal Portraits do concurso Shell Wildlife Photographer of the Year 2007
Foto: David Maitland/Natural History Museum/Divulgação
25/10/2007 - Reino Unido - No mesmo concurso, que premiou as melhores imagens da vida selvagem, a foto de um sapo comendo um verme foi a vencedora da categoria Animal Behaviour: All Other Animals (Comportamento Animal: Todos os Outros Animais)
The New York Times
25/05/2007 - Estados Unidos - Em maio, o estranho polvo dumbo, parecido com um brinquedo, e que habita as partes mais profundas do oceano, foi apresentado pela primeira vez ao mundo
The New York Times
Este pequeno polvo (Grimpoteuthis), mede cerca de 20 cm, tem o corpo gelatinoso e foi apelidado de "dumbo"
Foto: Steve Gschmeissner/BBC Brasil
30/08/2007 - Reino Unido - Garras de morcego foram retratadas por um fotógrafo e apresentada no concurso Visions of Science, ou Visões da Ciência, que captou imagens de fenômenos científicos e naturais
Reuters
28/06/2007 - Alemanha - A cruza de uma zebra com um cavalo resultou no animal híbrido batizado de Eclyse, que nasceu no parque safari Stukenbrock. A 'egüebra' ou 'zégua' é fruto do relacionamento entre uma zebra fêmea e um cavalo
Reuters
17/07/2007 - Alemanha - O zoológico privado Arca de Noé, apresentou a cruza de um leão com uma fêmea de tigre, batizado de Bahier. O nome 'liger', como é chamado este tipo de animal, vem da mistura de lion e tiger (leão e tigre, em inglês)
AP
17/03/2007 - Estados Unidos - A égua Tumbelina, considerada pelo Guinnes Book como o menor cavalo do mundo, foi apresentada ao mundo. Com pouco mais de 35 cm de altura, ela nasceu na fazenda Goose Creek, na cidade de Saint Louis, em Montana
Reuters
04/06/2007 - Suriname - O sapo fluorescente de duas tonalidades está entre as 24 novas espécies descobertas nos planaltos do país. O animal tem duas tonalidades sobre um fundo na cor de berinjela
AP
28/04/2007 - Estados Unidos - O chihuahua Dancer, nascido há um ano na cidade de Leesburg, na Flórida, pesa pouco mais de 500 g e mede cerca de 10 cm de altura. Ele está entre os menores cães do mundo
Fonte: Terra


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Conservação dos butiazais de Tapes é estudada por alunos da UERGS

     Porto Alegre, RS - Um grupo de alunos da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) está elaborando um amplo estudo sobre as medidas possíveis de serem implementadas para conservação da maior reserva de biodiversidade da região: os Butiazais (de Tapes e Barra do Ribeiro). O trabalho será apresentado no IV Simpósio de Áreas Protegidas, que se realizará em maio do ano que vem, em Canela (RS). O grupo reúne acadêmicos do Curso de Gestão Ambiental da UERGS e é orientado pela Prof. Dra. Alessandra Schnadelbach.
 
Trabalho faz parte de um amplo estudo sobre as medidas possíveis de serem implementadas para conservação da maior reserva de biodiversidade da região.
 
     O objetivo é elaborar uma dissertação que afirme a necessidade de preservação legal da área dos Butiazais. Eles analisarão os aspectos que caracterizam as áreas protegidas e as características relevantes dos Butiazais. Desta forma serão apresentados dados sobre a área e todos os elementos que a tornam uma área com necessidade de ser preservada.
Além dos aspectos legais, serão discutidas, as ameaças que os Butiazais têm sofrido pela ocupação humana, atividade agrícola e outras interferâncias que contribuem para a destruição deste importante ecossistema. A área foi selecionada como sendo de alta importância ambiental pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Sistema Estadual de Unidades de Conservação. Além disso, foi considerada de grande potencial para nova unidade de conservação.
 
 
     Segundo o aluno Rafael Fernandes, um dos realizadores do estudo, "a região dos Butiazais foi objeto de análise pelo Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (PROBIO) que selecionou os maiores especialistas em fauna e flora para elaborar uma descrição da região. Esse trabalho do Ministério do Meio Ambiente e da Fundação Zoobotânica apontou o ecossistema dos Butiazais como de relevante preocupação quanto à sua preservação."
     Ele destaca ainda que, além do trabalho de apontar as formas possíveis de preservar essa paisagem única, existe a intenção de formar uma Associação de Defesa Ambiental que trabalhe especificamente em ações para buscar os objetivos de implantação de mosaico de áreas de preservação na região e uma unidade de conservação.
     Interessados em contatar com o grupo podem escrever para o email: ecotapes@gmail.com.
 
Fonte: EcoAgência - Portal do Meio Ambiente
 


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Qual é a importância da Amazônia para o clima do mundo

 
     A combinação entre as mudanças climáticas e o desmatamento pode criar um ciclo vicioso capaz de devastar 60% da floresta Amazônica até 2030. A ameaça é descrita em um estudo apresentado na conferência de mudanças climáticas da ONU em Bali hoje pela ONG WWF. Segundo o estudo, o desmatamento na Amazônia pode ser responsável pela emissão de 55,5 a 96,9 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2) de 2007 até 2030. Isso seria o equivalente a dois anos da emissão mundial de gases do efeito estufa. Além disso, se uma parte tão considerável da Amazônia for destruída desaparece também uma das mais importantes chaves para a estabilização do sistema climático mundial. O aquecimento global pode diminuir o regime de chuvas na Amazônia em mais de 20%. Existe também a possibilidade de a temperatura local subir mais de 2°C, podendo chegar a uma elevação de 8oC em alguns locais durante a segunda metade deste século. Com a contínua destruição da floresta Amazônica, deve chover menos na Índia e na América Central e nas áreas de plantio de grãos nos Estados Unidos e no Brasil.
     O estudo faz parte de um esforço conjunto das ONGs presentes a Bali, que pressionam as delegações oficiais – inclusive a do Brasil – para assumir compromissos de redução no desmatamento.
 
Autor: Alexandre Mansur - Blog do Planeta


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Ativistas se transformam em cartazes contra aquecimento global

Manifestantes se uniram a faixas coloridas para simular planeta Terra com seus corpos. Evento aconteceu na praia de Kuta, na ilha de Bali.

Foto: Jamal Saidi / Reuters 
Segurando faixas coloridas, ativistas simularam o planeta Terra e formaram a mensagem 'act now' ('ação imediata'). A manifestação foi contra os altos índices de emissão de carbono na atmosfera (Foto:Reuters / Greenpeace)
 
Foto: Murdani Usman / Reuters
A ilha de Bali, na Indonésia, sedia encontro de 190 países até 14 de dezembro para discutir o rumo das políticas climáticas. Brasil e China temem pressão de países desenvolvidos  (Foto: Murdani Usman / Reuters)
 
Fonte: G1


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Os pobres pagam pelos ricos

Os cem países mais vulneráveis ao aquecimento global são os que menos emitiram gases-estufa 
 
     Os cem países que mais vão sofrer com os impactos das mudanças climáticas na próxima década contribuem juntos com apenas 3,2% do total de dióxido de carbono emitido na atmosfera. Isto é o que revela um relatório recém-divulgado por pesquisadores do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento e da Escola de Economia de Londres. O estudo mostra que algumas das nações mais pobres do mundo serão as principais vítimas do aquecimento global, justamente por terem menos recursos para se adaptarem às mudanças causadas por ele.
 

Paraíso ameaçado: o arquipélago de Tuvalu (retratado na foto acima) está, ao lado de outras nações insulares e subdesenvolvidas, entre os cem países mais vulneráveis aos impactos do aquecimento global (foto: Stefan Lins).
 
     A lista dos mais vulneráveis não inclui qualquer país industrializado, europeu ou norte-americano. As nações menos desenvolvidas do planeta, em compensação, estão presentes às dezenas. Os países que aparecem em maior número no relatório são os africanos e os insulares, que correm o risco de serem inundados por conta do aumento do nível dos oceanos. Regiões polares e comunidades localizadas às margens dos megadeltas dos rios, principalmente na Ásia, também estão na lista. Da América do Sul, os únicos citados são Guiana e Suriname.
     Embora tenham uma contribuição modesta para a emissão de gases do efeito estufa, os cem países mais vulneráveis têm uma população superior a um bilhão de pessoas. Caso os desastres naturais aumentem em número e intensidade devido ao aquecimento global, a fome crônica e as doenças podem levar a uma migração em massa forçada de dezenas de milhões de pessoas. Para ajudar a adaptação de tantos imigrantes a curto prazo, seria necessária a criação de um grande fundo, cujos gastos poderiam ser de 10 bilhões de dólares por ano, segundo estimativas do relatório.
     As discussões da Convenção do Clima que está sendo realizada em Bali são fundamentais para se defenderem os interesses dos países mais vulneráveis ao aquecimento global. Ali, deve começar a se delinear a política climática global a ser adotada a partir de 2012, quando se encerra o prazo estipulado para as metas criadas pelo Protocolo de Kyoto. "É essencial que as vozes, perspectivas e pontos de vista desses países sejam ouvidos – e incorporados – às negociações do regime climático pós-2012", defendem os autores do relatório, que pode ser consultado na internet.
 
     O caso brasileiro
     Embora o Brasil tenha ficado fora da lista das nações mais vulneráveis ao aquecimento global, o país não sairá ileso de seus efeitos. Em artigo publicado na semana passada na revista Science, pesquisadores dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Brasil reforçam que as mudanças climáticas poderão agravar as conseqüências do desmatamento na Amazônia, entre elas, a seca.
      A vulnerabilidade da Amazônia ao aquecimento global já havia sido apontada em abril no relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). O documento alerta que, se nada for feito, a floresta poderá entrar em processo de savanização e sofrer escassez de água, o que prejudicaria a população e a saúde locais.
     O artigo da Science afirma que as áreas já desmatadas são as que mais correm riscos de secas, que poderão ser permanentes. Segundo os cientistas, experimentos indicam que a floresta intacta resiste muito mais aos processos de seca do que se imaginava, embora não sejam invulneráveis.
     As mudanças climáticas decorrentes do desmatamento diminuiriam o poder de renovação da Amazônia, mostra o artigo. A redução da floresta resultaria na queda de sua capacidade de absorver dióxido de carbono da atmosfera, o que aumentaria ainda mais os danos do aquecimento global, em um ciclo vicioso. "Os próximos anos representam uma oportunidade única, talvez a última, de manter o poder de recuperação, a biodiversidade e o ecossistema da Amazônia", alertam os autores. 
 
Autora: Diana Dantas - Ciência Hoje On-line
 


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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Austrália assina protocolo de Kyoto

     Nesta segunda-feira o país foi aplaudido na abertura da conferência sobre as alterações climáticas, em Bali, por concordar em ratificar o protocolo de Kyoto. Agora os EUA são a única nação desenvolvida fora do acordo.
     O novo primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, assinou o protocolo de Kyoto logo após assumir o cargo, pondo fim à longa oposição do seu país ao documento.
     Cerca de 190 países estão reunidos em Bali buscando um consenso sobre o novo acordo global contra as mudanças climáticas, que deve ser aprovado em 2009, a fim de evitar as secas, as ondas de calor e o aumento do nível dos oceanos.
 
Autor: Antonio Carlos Ribeiro - Atividade Ambiental


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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Às vésperas do Apocalipse?

     Armagedon, segundo o Livro do Apocalipse, é o mítico vale no qual acontecerá o enfrentamento final entre Deus e os espíritos malignos. Estamos caminhando para o Armagedon? Os sombrios cenários atuais fazem com que biólogos, bioantropólogos e astrofísicos avaliem a possibilidade de extinção da espécie homo sapiens demens, ainda neste século. Apresentam argumentos que merecem ser ponderados. O mais forte parece ser o da superpopulação, articulada com a dificuldade de adaptação às mudanças climáticas.
     Na escala biológica verifica-se um crescimento exponencial. A humanidade precisou de um milhão de anos para atingir, em 1850, uma população de um bilhão de pessoas. Os espaços temporais entre os índices do crescimento populacional diminuem cada vez mais, e se prevê que até 2050 haverá dez milhões de humanos. É um triunfo da espécie ou um prejuízo para toda a humanidade? A bióloga Lynn Margulis e seu filho, o escritor científico Dorion Sagan, afirmam em seu livro Microcosmos que um dos sinais do colapso que afetará a espécie é sua rápida superpopulação, com base em dados dos registros fósseis e da própria biologia evolutiva.
 
Microcosmos da bióloga Lynn Margulis e do seu filho Dorion Sagan
 
     Isto pode ser comprovado colocando-se colônias de bactérias e nutrientes na cápsula de Petri. Pouco antes de chegarem à beirada da placa cilíndrica, e antes de esgotarem os nutrientes, os microorganismos se multiplicam de maneira exponencial. E, repentinamente, morrem. Para a humanidade – comentam os autores – a Terra pode assemelhar-se a uma cápsula de Petri. De fato, ocupamos quase toda a superfície terrestre e deixamos livres apenas 17%: desertos, floresta amazônica e regiões polares. Estamos chegando à borda física do planeta. É um sinal precursor de nossa próxima extinção?
     O prêmio Nobel de Medicina em 1974, Christian de Duve, afirma em seu livro Vital Dust que estão sendo verificados sintomas que no passado precederam grandes extermínios. A cada ano desaparecem 300 espécies vivas porque chegam ao seu clímax evolutivo. Devido à pressão industrial global sobre a biosfera, o total de desaparecimento de espécies está chegando a 3,5 mil por ano. Esta destruição progressiva não ameaça também a nossa espécie? O falecido astrônomo Carl Sagan via, na tentativa humana de explorar a Lua e enviar sondas espaciais para fora do sistema solar, uma manifestação do inconsciente coletivo que pressente o risco de uma extinção próxima.
     A vontade de viver nos induz a imaginar formas de sobrevivência além da Terra. O astrofísico Stephen Hawking concebe a possibilidade de uma colonização extra-solar com uma espécie de veleiros espaciais impulsionados por raios laser. Contudo, para chegar a outros sistemas planetários, teríamos de percorrer bilhões e bilhões de quilômetros, faltariam séculos. O que pensa a teologia cristã deste eventual desaparecimento da espécie humana? Se o ser humano frustrar sua aventura planetária, significará, sem dúvida alguma, uma tragédia inominável.
      No entanto, não seria uma tragédia absoluta. Quando o Filho de Deus assumiu nossa humanidade, foi ameaçado de morte por Herodes. Durante sua vida foi rechaçado, preso, torturado e, finalmente, assassinado na cruz. Somente então se formalizou o pecado original, que é um processo histórico de negação da vida. Maior perversidade do que matar uma criatura, tirar-lhe a vida, é matar o Autor da vida, o Deus encarnado. Porém, os cristãos testemunham que a última palavra não é a morte, mas a resolução, que não é a reanimação de um cadáver. É a plena realização das potencialidades do ser humano, uma verdadeira revolução dentro da evolução.
     Talvez aconteça um salto na direção anunciada por Pierre Teillhard de Cardin, em 1933: uma irrupção da noosfera, isto é, daquele estado de consciência e de relação com a natureza que inaugurará uma nova convergência de mentes e corações e daí a uma nova era da condição humana. Nesta perspectiva, o cenário atual não seria de tragédia, mas de crise. A crise é purificação e maturidade. Prenuncia um novo início, a dor de um parto promissor e não as penas do naufrágio da aventura humana. O que pode acabar não é a vida humana, mas esta vida humana insensata que ama a guerra e a destruição em massa.
     Temos que inaugurar um mundo humano que respeite a vida, dessacralize a violência, que seja pródigo em amor e cuidado a todos os seres, que pratique a justiça verdadeira, que venere o mistério do mundo ao qual chamamos fonte originária ou Deus. Ou, simplesmente, que aprendamos a tratar humanamente todos os seres humanos e com compaixão e respeito toda a criação. Tudo o que existe merece existir. Tudo o que vive merece viver. Especialmente o ser humano.
 
Autor: Leonardo Boff - Portal do Meio Ambiente


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Greenpeace persegue baleeiros japoneses contra a "caça científica"

     Procura-se um baleeiro japonês. Com este objetivo, cerca de 40 ativistas do Greenpeace cruzam o Pacífico em busca da frota japonesa que partiu do porto de Shimonoseki, no Japão, há cerca de uma semana em direção ao oceano Antártico.
     Segundo a ONG, uma frota baleeira pretende caçar baleias-jubartes pela primeira vez desde 1963, quando se estabeleceu a moratória que proibiu sua caça. A espécie está na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
 
Navio Esperanza, do Greenpeace, que persegue baleeiros no Pacífico; objetivo é pedir que cessem as pesquisas com baleias
Navio Esperanza, do Greenpeace, que persegue baleeiros no Pacífico; objetivo é pedir que cessem as pesquisas com baleias
 
     A intenção dos ecologistas é "demonstrar ao mundo a farsa da caça científica", justificativa utilizada pelos japoneses para abater mais de mil baleias durante a temporada de caça deste ano. Além das 50 jubartes, os navios japoneses devem caçar 935 baleias mink e 50 baleias fin.
     Entre os ativistas do Greenpeace, está a bióloga brasileira Leandra Gonçalves, 25, coordenadora da campanha de baleias do Greenpeace Brasil e chefe de pesquisa a bordo do navio Esperanza.
Por uma conexão de satélite, ela conta do navio em um blog os detalhes da perseguição aos baleeiros que começou na semana passada.
     Em um dos relatos do blog, ela explica por que os ativistas a bordo do Esperanza ainda não conseguiram encontrar a frota japonesa, composta por quatro navios liderados pelo Nissin Maru, de 8.044 toneladas. "Estávamos perseguindo o navio errado."
     Também do navio, Gonçalves contou à Folha Online que desde sua partida os japoneses estariam tentando camuflar os verdadeiros fins da expedição. "Eles estão usando diversas estratégias para nos despistar. Eles saíram à noite, apagaram as luzes dos navios, tudo para que não conseguíssemos encontrá-los. Fomos ludibriados", desabafa.
 
     Justificativa
     A bióloga afirma que a caça para fins científicos não passa de uma desculpa dos japoneses para continuar com a caça comercial, proibida no país desde 1987 pela moratória da caça comercial mundial.
 
Leandra Gonçalves, coordenadora do projeto de baleias do Greenpeace Brasil."Estávamos perseguindo o navio errado"
Leandra Gonçalves, coordenadora do projeto de baleias do Greenpeace Brasil."Estávamos perseguindo o navio errado"
 
     "O fato de terem saído na noite escura é mais uma prova de que estão querendo se esconder na penumbra da noite, para não expor a caça comercial que estão realizando pobremente disfarçada de ciência", diz Gonçalves.
     Ao contrário do que afirma a ONG, o governo japonês se baseia na Convenção Internacional para a Regulamentação da Pesca da Baleia, que prevê que cada governo pode conceder uma permissão especial autorizando a matar, capturar e tratar baleias com propósito de pesquisas científicas.
     Em nota do consulado no Brasil, o governo japonês informa que a frota enviada ao mar Ártico, que pertence ao The Institute of Cetacean Research, irá coletar informações para melhor administrar as espécies baleeiras da segunda fase do programa "Japanese Whale Research Program".
 
     Protestos
     Em respostas aos diversos pedidos para que interrompa a pesquisa com baleias, o chefe de gabinete japonês Nobutaka Machimura afirmou nesta segunda-feira (26) que o Japão continuará com a caça às baleias porque "uma pesquisa científica não pode ser interrompida de repente".
     A Austrália é uma das maiores críticas à prática. Em outubro, os autralianos chegaram a lançar uma campanha no Youtube contra a caça de baleias. Veja o vídeo aqui.
 
     Pedido
     A idéia dos ecologistas do Greenpeace ao encontrar os navios japoneses é fazer um pedido para que eles interrompam as atividades de caça no oceano Antártico, em local considerado como santuário de baleias pela CIB (Comissão Baleeira Internacional).
 
Itsuo Inouye/AP
O navio baleeiro Nishin Maru deixa o porto de Shimonoseki, no Japão; governo não pretende interromper caça científica de baleias
O navio baleeiro Nishin Maru deixa o porto de Shimonoseki, no Japão; governo não pretende interromper caça científica de baleias
 
 
     "A princípio iremos fazer um pedido e outras ações vão depender do desenrolar", diz Gonçalves. "Queremos expor ao mundo o que eles estão fazendo".
     A ONG lançou uma campanha em seu site em que o internauta pode assinar uma mensagem que será enviada aos chefes de estado de quatro países --Brasil, Alemanha, Estados Unidos e Chile.
     A mensagem é um pedido para que estes líderes entrem em contato com o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, a fim de convencê-lo a suspender a caça.
 
     Santuário de baleias
     Esta é a primeira vez que a América Latina tem presença significativa na ação do Greenpeace contra a caça de baleias. Além da brasileira, um argentino, um chileno e um panamenho estão a bordo do Esperanza.
     A presença latina tem como propósito incentivar a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul. A proposta será levada ao encontro anual da CIB, que acontece em junho de 2008 no Chile.
     "Estaremos lá em presença massiva de ONGs latinas para tentar novamente propor o santuário e proteger as baleias que se reproduzem em nossa costa", diz Gonçalves.
     Para ser aprovada, a proposta do santuário de baleias no Atlântico Sul precisa ter 75% de votos favoráveis entre os países que participam da CIB.
Autor: Thiago Faria da Folha Online


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sábado, 1 de dezembro de 2007

Menos proteção para as florestas

     Um projeto de lei (PL) que diminui a proteção às florestas está para ser aprovado no Congresso Nacional. A proposta surgiu de um acordo entre a bancada ruralista e o governo federal. Há um ano, foi definido que a lei que protege a Mata Atlântica, o PL 285/99 que aguardou 14 anos para ser votado, seria aprovada. Em troca, o governo federal se propôs a rediscutir o tamanho das porções obrigatórias de florestas nas propriedades privadas, a chamada reserva legal. O acordo foi cumprido. Nas próximas semanas a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados vai analisar o PL 6.424 de autoria do Senador Flecha Ribeiro, do PSDB do Pará. A proposta deve ir para aprovação do Presidente Lula antes do final do ano.
 
     O portal O Eco informa que já está disponível o relatório do deputado Homero Pereira (PR-MT) sobre o projeto que altera o Código Florestal. O texto foi elaborado para votação da lei na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. Em seu substitutivo, o parlamentar aceita todas as sugestões feitas pela bancada ruralista de liberar a recomposição de reserva legal na Amazônia com espécies exóticas, como dendê, teca, eucalipto e cacau. Além disso, propõe que produtores não tenham mais a obrigação de fazer o plantio de árvores no mesma bacia em que houve a degradação.
     É o Congresso na contramão da tendência mundial de aumentar a proteção às florestas.
 
Autores: Alexandre Mansur e Juliana Arini - Blog do Planeta


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Leonardo DiCaprio fala sobre o filme "A Última Hora"

Em entrevista exclusiva ao Akatu, o ator Leonardo DiCaprio conta porque decidiu produzir o documentário e conta que é um ambientalista apaixonado desde a juventude. As diretoras e um consultor também participam da conversa.
 
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     Quais são os desafios para atingir um público que não está a par ou ao menos interessado nos assuntos ambientalistas abordados pelo filme?
 
NADIA CONNERS: Nós tentamos fazer um filme muito humano; é um filme que lida com emoções. É assustador, é empolgante, é trágico, é chocante, intimidante e esperançoso. Todos esses sentimentos, creio eu, ajudam na busca para se atingir um público maior. Sim, há muitas informações neste filme, mas elas estão mais ligadas à experiência da viagem pela informação, passando do terror à esperança. E eu acredito que com isso iremos atingir mais pessoas.
 
 
LEONARDO DICAPRIO: Eu acredito que esta é a principal razão para que fizéssemos este filme. E a gente fala especificamente destes assuntos sem estar ligado a nenhum partido político em especial. Este é um grande tema. É um tema que o mundo todo deve abraçar. Todos nós, e isso inclui os Estados Unidos, precisamos começar a aprender – através de filmes como este, através das mídias, através de atos públicos. Nós precisamos trabalhar juntos e esta é uma pequena peça do quebra-cabeça.
 
     Mas o que vocês têm a dizer para os céticos, aqueles que não crêem na existência do problema?

LEONARDO DICAPRIO: O grande propósito em se fazer este filme veio realmente do desejo de ouvir o consenso da maior parte da comunidade científica. Para mim, um simples cidadão americano, a vontade era ouvir o que essas pessoas tinham a dizer de maneira ininterrupta. Eu queria escutar sobre o trabalho da vida deles e o que eles vêm estudando durante todo esse tempo. Era basicamente a gente fazendo estas perguntas. E, assim espero, quando as pessoas assistirem ao filme, elas sentirão um impacto emocional e vão desejar fazer algo a respeito. Eu acho que este foi o ponto principal para fazermos este filme, um filme humano, no qual você percebe a dura realidade do que vai acontecer se nós continuarmos a levar a vida como agora. Mas a gente também ressalta as grandes alternativas que nós ainda temos. Já existem tecnologias capazes de reduzir o impacto ecológico em 90 por cento. E já é mais do que tempo de nós, as pessoas, começarmos a exigir que os poderosos tentem introduzir isso no nosso dia-a-dia, de modo que a gente nem sequer precise pensar neste assunto.

NADIA CONNERS: A idéia principal deste filme é restabeler o estado em que está o mundo e restabelecer toda a noção de ambientalismo como um questão ligada ao ser humano. Nós somos natureza. Nós somos parte da biosfera. Até agora, o ambientalismo esteve de fora de questão. Era algo tipo "ah, você pode ser ambientalista ou não". O que este filme está tentando fazer - e a razão pela qual eu acredito que ele cria novas conexões - é justamente porque nós estamos tratando da humanidade como um todo, quem nós somos, como nós chegamos ao estado em que estamos, e como nós podemos sair dele. E quando as pessoas são céticas ou tentam negar a realidade, ou sei lá o que mais, bastaria que essas pessoas realmente ouvissem e prestassem atenção e aprendessem, porque daí então elas saberiam que a realidade da situação atual é aquela que nós mostramos neste filme – a biosfera está em apuros; nós causamos este problema, nós temos que consertá-lo. E esta é a verdade mais pura.
 
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     O que dizer àquelas pessoas que consideram o aquecimento global uma enganação?

NADIA CONNERS: Que eles vão ficar para trás. Há milhões de pessoas, milhões e milhões pelo mundo todo, que estão fazendo um bom trabalho de restauração. E eu não acredito que os céticos ou aqueles que negam a realidade irão prevalecer.

LEONARDO DICAPRIO: Minha resposta a isso tem sido sempre: a imensa maioria da comunidade científica concorda que o ser humano é o grande responsável por isso. Como nós podemos não querer ar e água limpos? Estas são questões fundamentais de direitos humanos. Então, eu acredito que isso vá muito além das fronteiras políticas. Esta é a minha resposta aos céticos.

KENNY AUSUBEL: Eu acho que, agora, há novos ventos soprando. O verde está se tornando um grande negócio, inclusive financeiramente. As chamadas "construções verdes", aquelas em harmonia com o meio ambiente, são uma forte tendência para os próximos dez anos. A "indústria química verde" também será um assunto em voga, cada vez mais. DuPont, 3M, empresas gigantescas estão por trás disso. Então, esta é uma onda na qual, na verdade, políticas governamentais estão por trás dos interesses das corporações. E uma vez que este vento continue a soprar, o ceticismo tende a diminuir. Você olha algo tipo o movimento direitista cristão... Há cuidados na criação entre os evangélicos cristãos, agora. Portanto, já há muita mudança.
 
     As empresas monolíticas, querendo até pagar para poder poluir, como é possível fazê-las mudar de idéia?

LEILA CONNERS PETERSEN: Bom, é muito empolgante, porque isso é sobre liderança em todos os aspectos. Nós sabemos que há dois caminhos que podemos trilhar no momento: o caminho da destruição e o caminho da cura e da restauração. Nós sabemos, agora, o que tem que ser feito. As pessoas têm que pressionar as empresas a mudar, a migrar para um sistema de energia renovável, e não apenas através de seus produtos. É isso que está ocorrendo agora. Obviamente, as empresas ainda têm muito poder, mas isso irá mudar. Isso tem que ter a ver com uma mudança no coração dos americanos e de todo mundo, para seguir nesta nova direção.

Leo, como você equilibra sua necessidade de privacidade com um projeto como este, que permite às pessoas saber o que você pensa e de que lado você está?
 
LEONARDO DICAPRIO: Sinceramente, isso não é algo que eu pense, neste caso específico. Esta questão sempre foi uma grande paixão minha desde que eu era muito jovem. Eu fui muito afetado pela mídia, por coisas como este filme. Eu fui muito afetado por documentários que eu vi quando criança sobre a floresta tropical, a polícia, a extinção em massa que vemos agora... Então, pra mim, é a junção de dois mundos. Eu acho que este filme é a culminação disso. É a minha experiência neste ramo, meu aprendizado sobre como atingir o emocional das pessoas através de um filme, e a minha paixão por questões ambientais. É isso que este filme se tornou. E tem sido uma experiência bem profunda e também uma grande lição para mim, porque eu realmente queria representar o papel de alguém que está – espero eu – fazendo as perguntas certas às pessoas que devotaram suas vidas a este assunto. Mas eu sou muito ativo em relação a questões ambientalistas e eu vou continuar sendo. E eu vou continuar sendo ator também, porque ambas as coisas são simplesmente as minhas grandes paixões. É isso.

     Com tantos filmes agendados, como você organiza as suas prioridades pessoais e profissionais?
 
LEONARDO DICAPRIO: Essa é uma boa pergunta. É justamente com o que eu estou lidando no momento. Mas eu estou fazendo uma coisa de cada vez. Este filme tem sido um processo de três anos de duração. Ele foi um filme feito em casa, em muitos aspectos, e muito singular na minha carreira. É muito diferente do que seguir filmando por três ou quatro meses. Este filme me tomou centenas de horas com estas mulheres na sala de edição, condensando milhares de horas de material em um produto de uma hora e meia. Ao mesmo tempo tentamos fazer um filme que realmente vá causar um impacto nas pessoas ao ponto delas saírem do cinema com esta terrível realidade estampada na cara, vendo o que irá acontecer com o planeta e com a gente no futuro, caso não mudemos. Enquanto isso, também destacamos e, espero, damos inspiração para que o público perceba que existem muitas soluções possíveis se eles começarem a se mexer. Esta é a grande chave deste filme: a esperança de conseguir dar inspiração para que as pessoas se tornem mais informadas sobre este assunto e comecem a agir pessoalmente.

     Por que vocês puseram tanta informação sobre o problema ao invés de ir direto para as soluções? Vocês acham que as pessoas não enxergam a existência do problema?

NADIA CONNERS: A maioria das pessoas não acredita de verdade ou mesmo compreende a profundidade e a extensão deste problema; elas estão desligadas do problema em si. É lá, em algum lugar. Não é aqui. Na verdade, o problema está nesta sala. Está em tudo que vemos. Está em todos os produtos da sociedade industrial.

     Leo, uma pergunta sobre os filmes que você escolheu fazer. Você vê uma mudança hoje? As pessoas que fazem os filmes e aquelas que patrocinam estes filmes estão mais propensas a lidar com estes assuntos agora, mais do que, digamos, há dez anos?

LEONARDO DICAPRIO: Eu acho que o cenário é encorajador. Eu acho que é um retorno a vários dos filmes políticos que eu curtia na década de 70, certamente filmes como "A Trama" (The Parallax View) ou "Três Dias do Condor" (Three Days of the Condor). E eu adoraria fazer parte de mais filmes assim, se a história for boa o suficiente, se houver uma narrativa interessante e se o filme prometer ser bom, acima de tudo. Eu sou um grande defensor da idéia de se produzir mais filmes assim, e é por isso que "Diamante de Sangue" (Blood Diamond) me pegou forte e eu agarrei a chance na hora, assim como o filme do Ridley Scott que está para sair. Eu amaria fazer mais filmes como "A 11ª Hora". E eu espero apenas que um bom número de pessoas vá assisti-lo, assim os Estúdios se animam para continuar fazendo filmes do gênero no futuro, e ficam sabendo que há público para eles, que eles são lucrativos, porque nós estamos falando sobre mídias. Esta é a maneira pela qual as pessoas são educadas sobre estes assuntos, atualmente. As mídias são o principal canal para o aprendizado no mundo de hoje.
 
Entrevista com Leonardo DiCaprio (Narrador / Produtor),
Leila Conners Petersen (Roteirista / Diretora / Produtora),
Nadia Conners (Roteirista / Diretora) e Kenny Ausubel (Consultor)
 
Fonte: Envolverde / Instituto Akatu - Portal do Meio Ambiente
 


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