segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O aqüifero Guarani

Os estudos têm revelado que as águas do Aqüifero Guarani estão ainda livres de contaminação. Mas em regiões de recarga, especialmente de intensiva atividade agroindustrial como em Ribeirão Preto, Araraquara e Piracicaba a vulnerabilidade é maior  em razão dos pesticidas.

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     A água potável é uma das preocupações maiores da humanidade, pois somente 0,7% dela é acessível ao uso humano. Um bilhão de pessoas tem água insuficiente e dois e meio bilhões não dispõem de saneamento básico. Como na fase planetária da humanidade não há um contrato social mundial que confira caráter civilizado às relações entre os povos, são muitos os que postulam criar tal pacto ao redor daquilo que absolutamente interessa a todos: a água potável.
     O Brasil comparece como a potência mundial das águas, pois aqui está 13,8% de toda água doce do planeta. E ainda dispomos junto com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai do maior aqüifero do mundo (águas subterrâneas), o Aqüifero Guarani. Possui um volume maior que toda a água contida nos rios e lagos da Terra. Para o interesse dos leitores oferecemos dados de três especialistas do Paraná em sua minuciosa pesquisa "Aqüifero Guarani" (2004), de Nadia Rita/José Roberto Borghetti e Ernani Francisco da Rosa Filho.
     Antes de mais nada cabe dizer que não se trata de um lago subterrâneo, mas de uma cadeia imensa de aproximadamente 1,2 milhões de km quadrados de rochas arenosas, saturadas de água que ficam, em média, entre 70 a 800 metros abaixo do solo, perpassando 8 Estados (70,2% da área do aqüifero): Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A área total do aqüifero é de 1.195.500 km quadrados, superior à soma da França, Espanha e Inglaterra juntos.
     Seu surgimento geológico é muito curioso. O aqüifero está assentado sobre um deserto pre-histórico, da era mesozóica (há uns 200 milhões de anos), sobre o qual os ventos formaram extensos campos de dunas. No período do cretácio (há cerca de 125 milhões de anos) houve formidáveis irrupções vulcânicas que recobriram de lava toda aquela região arenosa. Surgiu aquilo que hoje se chama Formação Serra Geral. A lava solidificada estancou a areia de alta porosidade permitindo grande acúmulo de água, cerca de 48.000 km cúbicos (48 quatrilhões de litros).
     O potencial de extração, sem riscos para o aqüifero,  é da ordem de 40 km cúbicos anuais (cerca de 40 trilhões de litros). O aqüifero não é contínuo. Em vários lugares como no Paraná está completamente compartimentado, havendo uma espécie de diques verticais basálticos que isolam as águas, armazenando-as por até 30.000 anos.
     Há três tipos de águas no sistema Guarani, tipicamente água doce com total mineralização, água salobra e água alcalina. O uso principal das águas no Brasil é para abastecimento da população(70%), para uso industrial (25%) e para turismo hidrotermal (5%). Isso é feito lá onde ele aflora ou então por poços cuja profundidade varia de 300 a 800 até 1.795 metros de profundidade conforme as regiões com vazões da ordem de 75 e 520 metros cúbicos por hora.

Formação do Aquífero Guarani.
Fonte da Imagem: http://www.daaeararaquara.com.br/meioambiente/baciatest.gif

     Os estudos têm revelado que as águas do Aqüifero Guarani estão ainda livres de contaminação. Mas em regiões de recarga, especialmente de intensiva atividade agroindustrial como em Ribeirão Preto, Araraquara e Piracicaba a vulnerabilidade é maior  em razão dos pesticidas.
     Como o aqüifero envolve quatro paises, estão se formulando políticas comuns no sentido de preservar este bem natural e imprescindível e torná-lo disponível não só para nós mas também para a humanidade sedenta e faminta.
 
Autor: Leonardo Boff – Portal do Meio Ambiente


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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Banco de gelo do Ártico vai desaparecer até 2023, dizem cientistas

      O coordenador do projeto europeu Damocles, Jean-Claude Gascard, afirmou que o banco de gelo do Ártico desaparecerá até 2023 se o degelo registrado no verão do hemisfério norte continuar no atual ritmo, o que causaria grandes transtornos climáticos na Europa.
     "Ficamos surpresos com a grande rapidez com que o gelo ártico se derrete no verão", disse Gascard nesta quinta-feira (01) ao "Le Parisien".
 
Região Ártica.
 
    Após lembrar que "500 mil quilômetros quadrados adicionais são perdidos a cada ano", ele alertou que "neste ritmo, o banco de gelo no verão terá desaparecido até 2023", muito antes do previsto pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas).
     A grande diminuição do banco de gelo no final do verão foi constatada pelos cientistas da embarcação Tara, que faz parte do programa europeu Damocles e que começou sua expedição pelo Ártico em setembro de 2006.
     O projeto Damocles tem como objetivo melhorar a antecipação às mudanças geradas pelo aquecimento global terrestre no Ártico e inscreve-se nas atividades do Ano Polar Internacional 2007-2008.
 
Dra. Bonnie Light, científica del proyecto SHEBA, trabajando en una de las áreas de investigación del derretimiento del Ártico el 29/07/1998.
Gentileza de SHEBA (Surface Heat Budget of the Arctic Ocean)
Fonte da imagem: https://www.tecsima.com.ar/imagenes/Artico_foto1_by_SHEBA_480pix.jpg
 
Morsa no Ártico (Greenpeace / Daniel Beltrá)
 
Fonte: Folha Online - Ambiente Brasil
 

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Morre chimpanzé que conhecia linguagem dos sinais

     A chimpanzé Washoe, o único animal do mundo que conseguiu até o momento aprender a linguagem dos sinais, morreu de causas naturais, após viver quase quarenta anos em cativeiro.
     Fontes da universidade Central Washington University, no estado de Washington (Estados Unidos), onde o animal vivia desde 1980, comunicaram hoje que Washoe faleceu na noite de terça-feira.
 
Washoe e outro chipanzé.
 
     A chimpanzé tinha nascido na África, por volta do ano de 1965 e, segundo seus cuidadores, conhecia 250 palavras da linguagem de sinais americana.
"Washoe nos trouxe uma mensagem de respeito à natureza", disse a doutora Mary Lee Jensvold, membro da direção do Instituto para as Comunicações de Humanos e Chimpanzés da Central Washington University.
     A chimpanzé foi educada em um ambiente o mais parecido possível com o de uma criança surda-muda, e seus cuidadores só se comunicavam com ela por meio da linguagem dos sinais, reduzindo ao mínimo as palavras faladas.
Washoe chegou a aprender 250 termos e, inclusive, ensinou a linguagem dos sinais a três chimpanzés mais jovens, que hoje têm entre 29 e 31 anos.
 
Roger Fouts and Washoe
 
     Segundo seus cuidadores, a chimpanzé falecida era capaz, por exemplo, de entrar em um banheiro e fazer o sinal correspondente a uma escova de dentes.
     No entanto, estudiosos renomados como Noam Chomsky e Steven Pinker acreditam que os primatas não são capazes de desenvolver realmente capacidades lingüísticas, e que se limitam a imitar os sinais dos humanos.
 
Fonte: EFE - Terra Notícias
 

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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Aquecimento Global: crianças são maiores vítimas

     As crianças são especialmente vulneráveis aos efeitos adversos do aquecimento global sobre a saúde, segundo um relatório divulgado nesta segunda-feira.
     "As conseqüências diretas antecipadas da mudança climática sobre a saúde incluem danos e morte, produtos do clima extremo e dos desastres naturais, aumento das doenças infecciosas e das doenças vinculadas à poluição do ar e ao calor, potencialmente fatais", afirma o estudo apresentado no congresso anual da Academia de Pediatria dos Estados Unidos.
     "Em todas essas categorias, as crianças são as mais vulneráveis em relação a outros grupos", indicou.
 
Poluição afeta mais as cianças.
 
     Os autores do estudo pediram aos pediatras, especialmente nos Estados Unidos, país em que ocorre a maior quantidade de emissões de gases de efeito estufa per capita, que promovam práticas que não danifiquem o meio ambiente.
     Entre os perigos de saúde associados à mudança climática, que afetariam as crianças, está um aumento de doenças como a malária, asma e problemas respiratórios.
     O informe também advertiu sobre a escassez de comida devido ao aquecimento global e uma menor disponibilidade de água em regiões como a costa oeste dos Estados Unidos.
 
Fonte: AFP - Terra Notícias

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domingo, 28 de outubro de 2007

Extinção é 100 vezes maior que no passado

     Nairobi/Nova Iorque - Veja abaixo alguns pontos críticos identificados pelo Global Environment Outlook: meio ambiente para o desenvolvimento (GEO-4), divulgado nesta quinta-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Trata-se do mais recente da importante série de relatórios do PNUMA, que avalia o estado atual da atmosfera global, terra, água e biodiversidade, descreve as mudanças desde 1987 e identifica prioridades para ação. O GEO-4 é o mais abrangente relatório das Nações Unidas sobre meio ambiente, preparado por cerca de 390 especialistas e revisado por mais de mil estudiosos em todo o mundo.
 
     Água: a irrigação já utiliza cerca de 70% da água disponível; ainda assim, para atingir o Objetivo do Milênio de reduzir a fome no mundo, a produção de alimentos deverá dobrar até 2050. A água doce disponível está diminuido: até 2050, prevê-se que o uso da água crescerá 50% nos países em desenvolvimento e 18% nos países desenvolvidos. Afirma o GEO-4: "o fardo crescente da demanda por água tornar-se-á intolerável em países com recursos hídricos escassos".
 
Irrigação

     A qualidade da água também tem declinado, poluída por micróbios patogênicos e nutrientes em excesso. Globalmente, a água contaminada é a maior causa de doenças e morte de pessoas.
 
    Peixes: O consumo mais que triplicou entre 1961 e 2001. As pescas estagnaram ou declinaram lentamente desde os anos 80. Subsídios geraram excesso na capacidade de pesca, estimada em 250% maior do que o necessário para manter a produtividade sustentada dos oceanos.
 

     Biodiversidade: As mudanças atuais na biodiversidade são as mais velozes na história humana. Espécies são extintas cem vezes mais rápido do que o analisado a partir de registros fósseis. Estima-se que o comércio de carne silvestre na bacia do Congo, na África, seja seis vezes maior do que a taxa sustentável. Dos maiores grupos de vertebrados analisados com profundidade, mais de 30% dos anfíbios, 23% dos mamíferos e 12% dos pássaros estão ameaçados.
     Espécies intrusas estranhas ao ambiente também são um problema crescente. As águas-vivas-de-pente (ou "carambolas-do-mar"), introduzidas acidentalmente no Mar Negro em 1982 por navios dos EUA, dominaram todo o ecosistema marinho e destruíram 26 portos de pesca comercial até 1992.
     Uma sexta grande extinção irá ocorrer, desta vez causada pelo comportamento humano. Atender a crescente demanda por comida siginificará intensificar a agricultura (utilizando mais produtos químicos, energia e água, além de criações e culturas mais eficientes) ou cultivar mais terras. De ambas as formas, a biodiversidade será afetada.
 
Jaguatirica
 
   Um sinal de progresso é o aumento contínuo de áreas protegidas. Mas elas devem ser geridas com eficiência e criadas adequadamente. E a biodiversidade (de todo tipo, não penas a "megafauna carismática" como tigres e elefantes) necessitará cada vez mais de preservação fora das áreas protegidas.

     Pressões regionais: Este é o primeiro relatório GEO em que todas as sete regiões do mundo são enfatizadas quanto aos impactos potenciais das mudanças climáticas. Na África, degradação do solo e mesmo a desertificação são ameaças; a produção de alimentos per capita diminuiu 12% desde 1981. Subsídios agrícolas injustos em regiões desenvolvidas continuam a impedir o progresso rumo a cessões maiores. As prioridades para Ásia e Pacífico incluem qualidade do ar em áreas urbanas, pressão sobre água doce, degradação de ecosistemas, uso agrícola da terra e crescente produção de resíduos. A provisão de água potável obteve progresso notável na última década, mas o tráfico ilegal de eletrônicos e resíduos perigosos é um novo desafio. A renda crescente na Europa e o aumento no número de famílias têm levado ao consumo e à produção insustentáveis, maior gasto energético, péssima qualidade do ar e problemas de transporte. As outras prioridades para a região são perda de biodiversidade, mudanças no uso da terra e pressões sobre água doce.
 
Poluição da água.

     A América Latina e o Caribe enfrentam crescimento urbano, ameaças à biodiversidade, danos nos litorais e poluição marinha, e vulnerabilidade às mudanças climáticas. Porém, áreas protegidas cobrem atualmente 12% da terra e as taxas anuais de desmatamento na Amazônia estão reduzindo. A América do Norte está lutando para combater as mudanças climáticas, as quais se relacionam com uso de energia, crescimento urbano desordenado e pressões sobre recursos hídricos. Os ganhos na eficiência energética perderam o efeito por causa do uso de veículos maiores, padrões de baixa economia de combustível e aumento no número de automóveis e das distâncias percorridas. Para a Ásia ocidental, as prioridades são pressões sobre recursos hídricos, degradação dos ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos, gestão urbana e paz e segurança. Também preocupam as doenças relacionadas à água e o compartilhamento de recursos hídricos internacionais. Nas Regiões polares já se notam os impactos das mudanças climáticas. A segurança alimentar e a saúde de populações indígenas são ameaçadas pelo aumento de mercúrio e de poluentes orgânicos persistentes no meio ambiente. A camada de ozônio deve levar mais meio século para se recuperar.
 
     O futuro
     O Relatório GEO-4 reconhece que a tecnologia pode ajudar a reduzir a vulnerabilidade das pessoas às pressões ambientais, mas afirma que há, em certas ocasiões, a necessidades de "corrigir o paradigma de desenvolvimento centrado na tecnologia". Ele explora como as tendências atuais podem resultar em quatro cenários por volta de 2050.
     O futuro real será determinado em grande parte pelas decisões que os indivíduos e as sociedades tomarem agora, afirma o GEO-4: "nosso futuro comum depende de nossas ações hoje, e não amanhã ou em algum momento no futuro".
     O dano causado por alguns problemas persistentes talvez já seja irreversível. O relatório alerta que o combate às causas profundas das pressões ambientais pode, por vezes, afetar os interesses consolidados de grupos poderosos capazes de influenciar as decisões políticas. A única forma de lidar com os problemas mais sérios é deslocar o tema ambiental da periferia para o centro das decisões: é o meio ambiente para o desenvolvimento, não o desenvolvimento em detrimento do meio ambiente.
     "Houve chamados para a ação suficientes desde Brundtland. Eu espero sinceramente que o GEO-4 seja o último. A destruição sistemática dos recursos naturais da Terra atingiu um estágio em que é desafiada a viabilidade econômica em todo o mundo – e a conta que passamos aos nossos filhos pode ser impossível de ser paga", disse Subsecretário-Geral da ONU e Diretor Executivo do PNUMA.
     O relatório GEO-4 conclui que "enquanto espera-se que os governos liderem a mudança, outros atores mostram-se igualmente importantes para garantir sucesso em alcançar o desenvolvimento sustentável. As necessidades não poderiam ser mais urgentes e a hora não poderia ser mais oportuna, a partir de nosso entendimento mais aprimorado sobre os desafios que temos à frente, para agir agora e salvaguardar nossa própria sobrevivência e a de gerações futuras".
 
Fonte: Pnuma - Portal do Meio Ambiente

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Um péssima imagem internacional

     O aumento do desmatamento na Amazônia voltou a ser notícia no mundo. O jornal inglês The Guardian divulgou uma galeria de fotos com queimadas e muita devastação. Enquanto o Ministério do Meio Ambiente se recusa a assumir a gravidade da situação, Estados como Mato Grosso, Rondônia e Pará registram aumentos de até 600% no ritmo das derrubadas.
 
 
     Dados recentes do Inpe revelaram que os índices gerais de desmatamento já cresceram 8% entre junho e setembro. Tudo indica que em 2008 teremos um novo recorde vergonhoso de destruição de nossas florestas. Será que as autoridades brasileiras só irão reagir quando a comunidade internacional voltar a nos pressionar por causa do problema?
 
Imagem: Juliana Arini - Blog do Planeta

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21 grandes cidades ameaçadas pela mudança climática

    Das 33 cidades que deverão ter mais de 8 milhões de habitantes até 2015, 21 são altamente vulneráveis aos efeitos da mudança climática, como a elevação do nível dos oceanos, diz o Instituto Worldwatch.
 
Rio de Janeiro
 
     Entre elas estão Daca, em Bangladesh; Buenos Aires; Rio de Janeiro; Xangai e Tianjin, na China; Alexandria e Cairo, no Egito; Mumbai, na Índia; Jacarta, na Indonésia; Tóquio, no Japão; Lagos, na Nigéria; além de Nova York e Los Angeles. O instituto cita estudos patrocinados pelas nações Unidas e outras entidades.
 
Alexandria
 
     Mais de 10% da população humana, ou 643 milhões de pessoas, moram em áreas próximas ao nível do mar, sob risco da mudança climática, afirmam especialistas. As países mais ameaçados são China, Índia, Bangladesh,Vietnã, Indonésia, Japão, Egito, EUA, Tailândia e Filipinas.
Fonte: Estadão - Ambiente Brasil

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Aquecimento 'pode causar extinção em massa', diz estudo

      As temperaturas globais previstas para os próximos séculos podem desencadear uma extinção em massa, de acordo com estimativas de cientistas britânicos.
     Um estudo, publicado na revista científica Proceedings of The Royal Society, aponta que as temperaturas atuais estariam dentro da mesma faixa das registradas em outras fases quentes da história da Terra, em que até 95% das plantas e animais teriam morrido.
 
 
     Os especialistas analisaram a relação entre clima e espécies ao longo de 520 milhões de anos e descobriram que houve uma maior biodiversidade durante os períodos mais frios do planeta. "Esta pesquisa fornece a primeira clara evidência de que o clima global pode explicar variações dos registros fósseis de maneira simples e consistente", afirmou Peter Mayhew, da Universidade de York.
     "Se os nossos resultados se aplicarem ao aquecimento que ocorre atualmente, é possível que a extinções aumentem."
     A pesquisa comparou dados da biodiversidade marinha e terrestre com a temperatura da superfície da água do mar em diferentes períodos ao longo dos 520 milhões de anos.
 
 
     Os estudiosos concluíram que quatro dos cinco episódios de extinção em massa ocorreram em fases quentes da Terra, em que o calor e a umidade eram predominantes.
     Em um desses episódios, relataram os cientistas, ocorrido há 251 milhões de anos, foi verificada a extinção de 95% das espécies. "Na pior das hipóteses, poderemos vivenciar o mesmo no próximo século, a algumas gerações a frente da nossa", disse Mayhew à BBC, que pretende agora investigar como as temperaturas os casos de extinção estão relacionados.
 
Font: Estadão Online - Ambiente Brasil

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Um triste recorde

Concentração de dióxido de carbono na atmosfera cresce em ritmo nunca antes observado
 
     A quantidade de dióxido de carbono (CO2 ) presente na atmosfera está aumentando rapidamente, segundo mostra uma equipe internacional de pesquisadores. Eles verificaram que a concentração de CO2 atmosférico, que era de 280 partes por milhão (ppm) no começo da Revolução Industrial, alcançou 381 ppm em 2006 – o maior índice dos últimos 650 mil anos. Entre 2000 e 2006, o aumento dessa concentração foi 35% acima do que se esperava e alcançou uma taxa nunca antes observada.
 
 
O crescimento acelerado da economia mundial, em especial em países como a China, é um dos fatores por trás do aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera (fotos: Csiro).
 
 
     O nível de emissões de carbono aumentou em média 1,93 ppm por ano entre 2000 e 2006. Naquele ano, foram emitidas 9,9 bilhões de toneladas de carbono, ou 35% mais do que as emissões medidas em 1990. Os dados foram publicados esta semana na revista PNAS pela equipe de Josep Canadell, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra.
     Os resultados mostram que a atmosfera da Terra está acumulando dióxido de carbono mais rapidamente do que se esperava, apesar dos esforços para a conscientização da população para o risco das mudanças climáticas, contemplado com o Nobel da paz deste ano. Se a concentração atmosférica de CO2 continuar aumentando no ritmo atual, os impactos catastróficos do aquecimento global poderão ser sentidos muito antes do que se previa.
     O aumento do CO2 atmosférico se deve em parte ao crescimento acelerado da economia mundial e ao uso intensivo de combustíveis fósseis nos últimos anos. Mas os autores atribuem o aumento a um outro fator. Segundo eles, florestas e oceanos, que funcionam como ralos ou sumidouros de carbono, não conseguem mais absorver a poluição atmosférica produzida pela atividade humana de forma eficiente.
     "Descobrimos que a eficiência dos sumidouros naturais para capturar carbono está declinando", conta Canadell à CH On-line. "Há 50 anos, para cada tonelada de CO 2 emitida na atmosfera, os sumidouros removiam 600 quilos. Hoje, somente 550 quilos são retirados e esse número continuará diminuindo no futuro", prevê.
     A equipe de Canadell analisou a quantidade de dióxido de carbono emitido por combustíveis fósseis e pela produção de cimento, que chega a representar cerca de 7% das emissões industriais de carbono. O grupo levou em conta ainda a emissão e absorção de carbono pelos oceanos e ecossistemas, além de analisar outros fatores que poderiam influenciar a aceleração de concentrações do CO 2 atmosférico, como as mudanças no uso da terra e desmatamentos.
 
     Balanço negativo
     O índice de CO2 na atmosfera reflete o balanço entre as emissões de carbono geradas pela atividade humana e a dinâmica de emissão e absorção do carbono realizada pelos oceanos e ecossistemas, processo que se auto-regulava antes do aumento das emissões feitas pelo homem. Hoje, esse mecanismo não consegue mais absorver quantidades maiores de gás carbônico e é essa diferença que determina a velocidade com que ocorrem mudanças no clima.
 
 
Os autores atribuem às mudanças de correntes de ar nos oceanos do hemisfério Sul e às secas o declínio da eficiência dos oceanos para capturar carbono da atmosfera.
 
    "As emissões não diminuem por causa do uso intenso de carbono em abastecimento energético para a produção desenfreada de riquezas, principalmente pelo uso de carvão mineral, uma das formas mais secas de produção de energia", conta Canadell. "Em boa parte, a China, maior economia do mundo, ainda faz uso extensivo de carvão para produzir riqueza", polemiza o pesquisador.
     As causas da ineficiência dos ralos de carbono foram atribuídas às mudanças de correntes de ar nos oceanos do hemisfério Sul e às secas, fenômenos resultantes do aquecimento global e do buraco na camada de ozônio. "Não conhecemos todas as causas, mas sabemos que metade desse mau funcionamento se dá por causa dos ventos que vêm do oeste que diminuem a capacidade de absorção dos oceanos do hemisfério Sul", arrisca Canadell.
     A equipe deve agora analisar melhor as causas do declínio dos sumidouros de carbono terrestres, como as florestas. "Sabemos que grandes secas em todo mundo, inclusive a que ocorreu na Amazônia em 2005, diminuíram bastante a capacidade de absorção de carbono das florestas", conta Canadell. "Pretendemos investigar melhor como as secas e temperaturas elevadas causadas pelo aquecimento global provocam efeitos significativos no poder terrestre de escoamento de carbono". 
 
Fonte: Fabíola Bezerra - Ciência Hoje On-line

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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Morrer para viver mais e melhor

     O sentido da vida depende do sentido que damos à morte. Se a morte é vista como simples negação da vida e como tragédia biológica, então vale o que São Paulo já dizia: "comamos e bebamos pois amanhã morreremos".
    Mas há culturas que lhe deram um sentido mais alto. Ela é oportunidade de construir o próprio destino e de plasmar o mundo à nossa volta consoante um projeto civilizatório.
    O cristianismo, por sua vez, propõe a sua representação da morte. Não contrária à vida, mas como uma invenção inteligente da vida para poder dar um mergulho radical na Fonte de toda vida. A morte não seria um fim-termo mas um fim-meta alcançada, um peregrinar rumo ao Grande Útero paternal e maternal que enfim nos acolherá definitavamente.
    Dentro do cristianismo desenvolveu-se, com referência à morte, uma tradição de grande significação e de sentido de festa. Trata-se da tradição franciscana. Francisco de Assis conseguira uma reconciliação bem sucedida com todas as coisas, com as profundezas mais obscuras de nossa vida e com suas dimensões mais luminosas. Cantava a morte como irmã. Não como bruxa que nos vem arrebatar a vida mas como irmã que nos introduz no reino da plena liberdade. Morreu cantando salmos e cantigas de amor da Provence.
    Os franciscanos todos guardam esta herança sagrada na forma como celebram a morte de algum confrade, membro da comunidade. A mim, com frade (que ainda sou em espírito) me tocou vivenciá-lo inúmeras vezes. É simplesmente comovedor -  uma pequena antecipação do novo céu e da nova Terra - dentro deste já cansado planeta. Ao se aproximar a morte do confrade, toda a comunidade se reune ao redor de seu leito. Recitam-se salmos e orações, infundindo confiança ao moribundo para o Grande Encontro. No dia em que morre, à noite faz-se festa. É a chamada "recreação". Ai há confraternização, comida, bebida, comentários sobre a saga pessoal do confrade falecido e jogos de vários tipos.
    No dia seguinte faz-se o enterro. E à noite, nova "recreação" festiva. O que se esconde atrás desse rito de passagem? Esconde-se a crença de que a morte é o vere dies natalis, o verdadeiro Natal da pessoa, o momento em que acaba de nascer definitivamente. Como não estamos ainda prontos, embora inteiros, cada dia vamos nascendo, progressivamente, até acabar de nascer. Isso dá-se na morte. Esta não é a campa da vida. É seu berço. Quem pode se entristecer com o nascimento da vida? É Natal e Páscoa, magnificação da vida mortal que a partir da morte se eterniza. Portanto, há  bons motivos para festejar e celebrar.
    O efeito desta compreensão é a desdramatização da morte e a jovialidade da vida. A vida não foi criada para terminar na morte, mas para se transformar através da morte. Esta representa aquele momento alquímico de passagem para uma outra ordem de realidade, onde a vida pode continuar sua trajetória de expressão das infinitas possibilidades que contem, até aquela de poder se fundir com a Suprema Realidade.
    Então podemos dizer: não vivemos para morrer. Morremos para viver mais. Melhor ainda: para permitir a ressurreição da carne que é a revolução dentro da evolução.
 
Autor: Leonardo Boff - Portal do Meio Ambiente
 

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Quantidade de CO2 na atmosfera aumenta mais rápido que o previsto

     O crescimento econômico mundial provocou um aumento na quantidade de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera em um ritmo muito mais intenso que o previsto, afirmaram cientistas em um estudo publicado nesta segunda-feira (22), nos Estados Unidos.
     "O aumento da quantidade de dióxido de carbono cresce 35% mais rapidamente do que o que nós acreditávamos em 2000", afirmou, em um comunicado, um dos organismos responsáveis por este estudo, o BAS (British Antartic Survey), da Proceedings of the National Academy of Sciences.
 
 
     Um emprego abusivo dos combustíveis provocou um acréscimo de 17% na taxa de CO2. Os 18% restantes estão ligados ao declínio da capacidade de absorção de gás pelas florestas e oceanos, revela a pesquisa.
     Saturação - "Há 50 anos, para cada tonelada de CO2 emitida, 600 quilos eram eliminados naturalmente. Em 2006, apenas 550 quilos foram eliminados por tonelada e este número vem diminuindo", explicou o responsável pelo estudo, Pep Canadell, do Projeto Global do Carbono, em nota.
 
 
     Cerca de 10 bilhões de toneladas de gás carbônico foram emitidas no mundo em 2006, o que representa um aumento de 35% em relação a 1990.
     O protocolo de Kyoto fixou o objetivo de registrar em 2012 a emissão de gáses produtores do efeito estufa em um nível 5% inferior ao dos anos 1990.

Fonte: Carbono Brasil / Folha Online - Portal do Meio Ambiente

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Satélite brasileiro em parceria com China sofre com barreiras dos EUA

Americanos estão barrando exportação de componentes essenciais para a linha Cbers.
Sondas têm uso civil, mas Estados Unidos alegam intenções militares chinesas.

     Uma linha de satélites produzidos por uma parceria entre o Brasil e a China está sendo emperrada por barreiras de exportação impostas pelos Estados Unidos, informa o jornal "Folha de S.Paulo". Duas empresas brasileiras que produzem peças para os satélites 3 e 4 da linha Cbers (sigla inglesa de "Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres") não estão conseguindo trazer componentes cruciais dos EUA, porque os americanos se sentem ameaçados pelo crescimento da China na área espacial.
 
Foto
Foguete Longa Marcha-4B chinês se prepara para lançar o Cbers-2b (Foto: Inpe)
 
     Os satélites Cbers (pronuncia-se "cibers") não poderiam ser mais pacíficos: seu objetivo é simplesmente obter imagens da Terra que possam ajudar no monitoramento ambiental, como o de destamatamento e queimadas. O problema, no entanto, é que o programa espacial chinês também tem objetivos militares, o que dá aos Estados Unidos um argumento para barrar a saída de tecnologias americanas para o projeto sino-brasileiro. Eles alegam que os chineses poderiam usá-las também para fins bélicos.
     A vertente brasileira do projeto Cbers, que já lançou três satélites produzidos em parceria com a China, está sendo coordenada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Como é de praxe em projetos desse tipo, o Inpe passou a um grupo de empresas nacionais a responsabilidade de fabricar peças dos satélites. Duas delas, a Mectron, com sede em São José dos Campos (SP), e a Opto, de São Carlos (SP), não conseguiram comprar equipamentos americanos recentemente.
 
 
     No caso da Opto, responsável pela câmera do Cbers-3, houve o cancelamento de um contrato de US$ 45 mil com a empresa californiana IR. O componente em questão, um conversor de corrente, chegou a ser pago, mas não pôde embarcar para o Brasil. "O departamento jurídico [da IR] disse ao nosso contato lá que, se ele exportasse, poderia pegar nove anos de cadeia e multa de US$ 1 milhão", afirmou ao jornal paulistano Mario Stefani, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Opto. Com isso, houve um atraso de seis meses no projeto, apesar da devolução do dinheiro aos brasileiros.
     Para tentar evitar atrasos maiores no Cbers-3, o Inpe está buscando fornecedores alternativos, principalmente na Europa. Em artigo, o diretor do instituto, Gilberto Câmara, disse esperar que as regras americanas de exportação de produtos de tecnologia sensível sejam relaxadas diante do caráter civil do Cbers. A Embaixa dos EUA, no entanto, diz que as leis sobre uso dual (civil e militar) já existem há muito tempo, e que elas não impediriam a cooperação científica.
 
Fonte: G1

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Efeito imediato contra o aquecimento global

     Uma das formas mais eficazes e baratas de reduzir os impactos do aquecimento global é plantar mais árvores nas cidades. Isso é especialmente importante nas cidades brasileiras que cresceram sem preocupação com parques e, principalmente, cobertura de árvores ao longo das calçadas. Em São Paulo, a diferença de temperatura entre uma rua arborizada e uma sem árvores no mesmo bairro e na mesma altitude pode chegar a 2,5 graus centígrados.
 
     Quando várias ruas de uma mesma região têm poucas árvores para cobrir o cimento e o asfalto, o efeito se amplifica. Um estudo feito no mês de agosto em Tóquio, no Japão, revelou que, enquanto a temperatura no centro da cidade chegava a 40 graus, os termômetros nos arredores da cidade, em bairros bem arborizados, ficava em 28,5 graus.
     Isso sem falar que a copa das árvores recebe as chuvas fortes e retarda a chegada da água no sistema pluvial, reduzindo o impacto das enchentes, que também são previstas no aquecimento global. Ruas arborizadas são mais agradáveis para se andar a pé, reduzindo os deslocamentos por automóveis, que emitem gases geradores do aquecimento global. Fora o alívio estético de uma bairro com árvores. Se algum governo estadual, prefeitura ou empresa planeja uma ação para amenizar as mudanças climáticas agora, pode começar com um programa ambicioso para recuperar nossas florestas urbanas.
 
Fonte: Alexandre Mansur - Blog do Planeta

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Destino das florestas brasileiras entregue aos ruralistas

     O Projeto de Lei 6.424, de 2005, em tramitação na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e encaminhado pelo Presidente da Câmara dos Deputados à Comissão de Agricultura, constitui um enorme risco para a integridade dos biomas brasileiros.
     O atual Código Florestal brasileiro estabelece a necessidade de que cada propriedade rural tenha uma área mínima de florestas e outros ecossistemas naturais conservados. Essa área mínima é a soma das áreas de preservação permanente (como topos de montanha, margens dos rios, lagos e outros cursos d'água) e a área chamada Reserva Legal. A função da Reserva Legal é de manter, dentro de cada propriedade, uma percentagem mínima de vegetação nativa, que cumpre uma importante função ecológica como hábitat para a biodiversidade e fornece diversos serviços ambientais como o estoque de produtos florestais, controle de pragas e incêndios, melhoria da produção de água; proteção do solo e corpos d'água evitando erosão e assoreamento; e captação de carbono da atmosfera.
     A legislação brasileira estabelece que a área de reserva legal deva ser de 80% na Amazônia Legal, 35% na região de cerrado que esteja nos estados da Amazônia Legal e 20% nas demais regiões do país.
     A grande maioria das propriedades rurais brasileiras não possui as áreas de preservação permanente (APPs) e de reserva legal (RL), conforme determina o Código Florestal. O PL 6.424 é uma tentativa de estimular os proprietários rurais a regularizarem sua situação perante o Código Florestal. A legislação brasileira atual já prevê, em alguns casos específicos, mecanismos de compensação, onde o proprietário compensa o dano ambiental causado em sua propriedade por meio de aquisição direta de uma área com vegetação nativa em região próxima à sua propriedade ou através de cotas de reserva florestal.
     O PL 6424 aumenta de forma inconseqüente e sem o devido embasamento técnico-científico as formas de compensação, permitindo novos mecanismos que terão um impacto significativo na biodiversidade e conservação das florestas brasileiras e no ordenamento territorial da paisagem rural do país.
     As ONGs abaixo assinadas indicam que os seguintes pontos do PL 6.424/2005 consistem em ameaças à conservação das florestas:
     1. A possibilidade de recuperação de 30% da Reserva Legal na Amazônia com espécies exóticas, incluindo palmáceas.
      Na prática, esse dispositivo significa a redução da Reserva Legal na Amazônia para 50%, pois o uso de espécies exóticas reduz as funções ecossistêmicas das florestas nas propriedades privadas.
     2. A possibilidade de compensação de reserva legal em outra bacia, no mesmo estado e bioma.
     Este dispositivo estabelece a possibilidade de manter bacias hidrográficas sem áreas de floresta, com impactos ecológicos significativos, desestimulando a recuperação de áreas degradadas e a conseqüente recuperação de sua função de fornecedora de serviços ambientais tais como a produção de água e chuva para outros estados brasileiros.
    3. A possibilidade de cômputo da Área de Preservação Permanente no percentual de Reserva Legal.
     Em algumas regiões do país isso pode significar que a Reserva Legal deixe de existir, pressupondo equivocadamente que a função ecológica e econômica da Reserva Legal possa ser cumprida pelas áreas de preservação permanente, onde o seu manejo é mais restritivo
     4. A compensação da Reserva Legal mediante doação de área para regularização fundiária de terras de comunidades tradicionais ou a recuperação ambiental de áreas degradadas no mesmo estado em territórios de povos e populações tradicionais, assentamentos rurais ou em florestas públicas destinadas a comunidades locais.
     Trata-se da transferência de ônus da regularização da reserva legal de propriedades privadas para comunidades tradicionais, restringindo a possibilidade dessa comunidade em decidir sobre o uso do seu território. A compensação obrigará a comunidade a manter essa área sob o mesmo regime da Reserva Legal. Trata-se de uma transferência de responsabilidade do poder público a terceiros. No caso da recuperação, cria um ônus pela responsabilidade de manutenção das áreas a serem recuperadas.
     5. A falta de vinculação  da concessão de crédito à regularização ambiental das propriedades rurais.
     Com isso, mantém-se a possibilidade de acesso ao crédito rural pelas propriedades que desmataram áreas acima do permitido pelo Código Florestal brasileiro.
    6. Falta de incentivos econômicos para recuperação e manutenção da Reserva Legal.
     Perde-se a oportunidade de propor mecanismos econômicos para viabilizar um modelo de desenvolvimento econômico baseado na floresta em pé, explorando os seus produtos e serviços de forma sustentável.
     Além disso, tendo em vista a rapidez com que vêm se dando as negociações  em torno da proposta, houve pouca participação de representantes de organizações da sociedade civil, em especial das instituições que atuam em outros biomas igualmente importantes, como Caatinga e Cerrado, e do envolvimento da opinião pública brasileira. É fundamental que as conseqüências das propostas para estes biomas sejam devidamente analisadas e as mudanças avalizadas pela sociedade.
    Propostas de alteração do Código Florestal devem estar baseadas em critérios objetivos, evitando-se um elevado grau de subjetividade a ser definido por regulamentações posteriores e a transferência da responsabilidade para os estados cuja estrutura de gestão ambiental é precária ou inexistente.
     Aprimorar o Código Florestal, na lógica de otimizar o uso de áreas desmatadas e impedir novos desmatamentos é uma perspectiva positiva do ponto de vista sócio-ambiental. Para tanto, é fundamental que as mudanças consolidem um entendimento comum de valorização da floresta e que estejam de acordo com as expectativas da opinião pública brasileira.
     As entidades ambientalistas reconhecem que é indispensável para o país promover o desenvolvimento econômico e a geração de empregos. Combinar esses fatores à conservação dos recursos naturais, garantindo a integridade dos ecossistemas é fundamental para um desenvolvimento sustentável a longo prazo.
     Entretanto, a crise climática global e o papel dos desmatamentos na emissão de gases do efeito estufa exigem uma postura enérgica de controle dos desmatamentos e manutenção dos ativos florestais existentes no país. A proposta tal como apresentada, ao contrário, contribui para a redução da cobertura florestal em um momento em que surgem os primeiros sinais de um aumento nos índices de desmatamento ao longo da fronteira agrícola brasileira.
     É fundamental que a proposta como um todo seja revista de forma cuidadosa, com um amplo debate envolvendo a sociedade brasileira.
  • Amigos da Terra – Amazônia Brasileira
  • Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí - APREMAVI
  • Centro dos Trabalhadores da Amazônia (CTA)
  • Conservação Internacional (CI-Brasil)
  • Fundação CEBRAC
  • Greenpeace
  • Instituto Centro de Vida (ICV)
  • Instituto de Estudos Sócio-econômicos (INESC)
  • Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA)
  • Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)
  • Instituto Socioambiental (ISA)
  • Rede Cerrado de ONGs
  • WWF - Brasil
Fonte: Assessoria de Imprensa CI-Brasil - Ambiente Brasil
 

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Tribunal confirma exigencia para que Cargill elabore Estudos de Impacto do porto de Santarém

Julgamento foi em abril, mas resultado só entrou em vigor hoje (18/10/07), depois da publicação de acórdão.
 
     Belém, PA - O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, recusou apelação da Cargill Agrícola S.A e manteve sentença de primeira instância que ordenava a elaboração de Estudos de Impacto Ambiental-Relatório de Impacto Ambiental (Eia/Rima) para operação do terminal graneleiro instalado em Santarém, oeste do PA.
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     Para o Ministério Público Federal, que desde o ano 2000 luta na justiça contra as irregularidades do empreendimento, a decisão é uma vitória parcial. "Confirma-se a obrigação de fazer os Estudos, mas não fica claro se o terminal deve ou não funcionar durante a elaboração", avalia o procurador da República Felício Pontes Jr, responsável pela ação inicial do caso. Como o acórdão não deixa claro se o terminal deve ou não ser paralisado, a questão deve ser levada à instância superior, o Superior Tribunal de Justiça.
    O julgamento do caso aconteceu em 23 de abril, na sexta turma do TRF1, mas só entrou em vigor agora, com a publicação do acórdão – conteúdo da decisão - no Diário Oficial da União de 18 de outubro. A polêmica que pode explicar tal demora está registrada nos documentos divulgados.
     O relator do caso, desembargador federal Antonio Souza Prudente, queria ver o terminal fechado, conforme ordenava uma liminar judicial de 2000 e um acórdão anterior do próprio TRF, de 2003, todos ordenando a elaboração de Eia-Rima.
 
Porto de Santarém.
 
     "Enquanto não realizá-lo, não deve funcionar o porto graneleiro como conseqüência natural, pois o que o Ministério Público pediu todo o tempo é que não se desse licença de operação", argumentou Prudente. Ele foi vencido pelos votos dos outros dois julgadores, o juiz federal David Wilson da Costa Pardo e o desembargador federal Daniel Paes Ribeiro.
 
     Entenda o caso
     2000 – O MPF ajuiza Ação Civil Pública contra a Cargill e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente para que sejam paralisadas as obras do terminal e elaborado Eia-Rima. No mesmo ano o juiz federal Dimis da Costa Braga concede liminar cancelando as autorizações para o porto. A Cargill ajuíza recursos e obtém efeito suspensivo, iniciando as obras mesmo com a questão judicial irresolvida.
     2003 – O terminal graneleiro começa a operar. Os dois primeiros recursos da Cargill contra a liminar da justiça são derrubados no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. A empresa ajuiza outros dois recursos.
     2004 – Sai a sentença do processo principal, condenando a empresa a fazer Eia-Rima. A Cargill ajuiza apelação cível e a decisão fica suspensa até apreciação pelo TRF. Enquanto isso, os outros recursos contra a liminar de 2000 são negados pelos desembargadores federais.
    2005 – Os advogados da empresa ajuizam outros dois recursos, para serem enviados às instâncias superiores (Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal).
     2006 – Os últimos recursos são negados e nem chegam ao STJ ou ao STF. As decisões publicadas só poderiam ser questionadas até fevereiro, o que a empresa não faz.
     2007 – Em 23 de março, a pedido do MPF, o Ibama fecha o terminal graneleiro. 20 dias depois, uma decisão do desembargador federal Carlos Fernando Mathias ordenou a reabertura do Porto. Em 23 de abril, acontece o julgamento do mérito do processo na segunda instância, mas o acórdão só é publicado quase seis meses depois, em 18 de outubro.
 
Fonte: Helena Palmquist (assessora de comunicação da Procuradoria da República no Pará) Eco Agência - Portal do Meio Ambiente
 

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Adiado exame de lei sobre florestas

Projeto polêmico reduz de 80% para 50% obrigação de proprietário recuperar área particular desmatada
 
     Ambientalistas venceram a primeira disputa e conseguiram adiar, em duas semanas, a votação do projeto que altera as regras para a recuperação de florestas em áreas particulares. O projeto, de número 6424/05 e relatado pelo deputado Jorge Khoury (DEM-BA), permite aos proprietários de florestas devastadas na Amazônia recuperar uma área menor do que hoje é recomendado: em vez de 80%, eles teriam de recompor 50%. Nos 30% de diferença, produtores poderão plantar palmáceas (como o dendê) ou outras espécies exóticas à floresta.
     A proposta também traz maiores facilidades para o uso do mecanismo de compensação: se não houver possibilidade de o proprietário recuperar a área devastada, ele se compromete a preservar uma área equivalente, desde que seja no mesmo bioma.
     Nesta semana, o setor produtivo, Ministério do Meio Ambiente e representantes de organizações não-governamentais tentaram chegar a um consenso. Para integrantes do governo, o projeto é uma oportunidade de melhorar o Código Florestal, de 1965, garantir a preservação de florestas intactas e, ao mesmo tempo, incentivar o uso econômico de áreas que já foram destruídas.
     Para um grupo de parlamentares, no entanto, essa é uma medida arriscada. Eles temem que todos os avanços obtidos durante a negociação na Câmara sejam retirados do texto durante a discussão no Senado. O receio se explica. Em outras oportunidades, avanços obtidos na Câmara por ambientalistas foram enterrados ao chegar ao Senado.
     O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) defende a reprovação do projeto. "De fato é preciso fazer alterações no Código Florestal. Mas o melhor é que a proposta de mudança seja feita na Câmara. Se formos apenas os revisores, corremos o risco de ver as alterações totalmente rejeitadas." Para o deputado, há condições de barrar o projeto na próxima reunião da comissão. "Se a proposta fosse votada hoje (ontem), certamente seria rejeitada."
     O relator Khoury tinha a mesma avaliação. Frustrado, afirmou que a versão acordada anteontem em reunião na comissão havia desagradado deputados da bancada ruralista. Ele não esperava, porém, que a ala ambientalista fosse apresentar empecilhos. "Fiz concessões de todos os lados. A proposta traz pontos que desagradam os dois setores. Sinal de que o texto está bom", afirmou.
     O projeto vale para todo o país. Para outros biomas, a área de reserva legal fica mantida em 20%. Mas o proprietário pode fazer a recuperação em outras áreas. "Pelo texto, regiões desmatadas nos vários biomas brasileiros, como a mata atlântica e o cerrado, poderiam ser usadas sem maiores entraves", avalia o coordenador de campanha na Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário. "Por isso passamos a chamar o projeto de Floresta Zero", completou.
     Adário afirma que a proposta discutida tem pontos positivos, como a obrigação de fazer o cadastramento georreferenciado para regularizar o imóvel rural, assim como a possibilidade de autoridades suspenderem autorizações para novos desmatamentos em regiões críticas.
     "Hoje o que temos é um caos fundiário, o que torna difícil punir proprietários que derrubam áreas protegidas de forma irregular." Ele, porém, também considera arriscado deixar o projeto andar. "Não há clima no Senado para que uma versão que amarre o setor produtivo seja aprovada."
Autora: Lígia Formenti (O Estado de SP) - Jornal da Ciência
 
Nota do Blog BioWilson: Mesmo com as discussões sobre as alterações climáticas, aumento do desmatamento na Amazônia Legal e outros problemas ambientais que ocorrem no Brasil, ainda existem "políticos" que tentam facilitar o que já está previsto em Lei. O perigo é que muita coisa ruim passa...  

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O tamanho do estrago

     Algumas semanas atrás, você viu aqui no Blog do Planeta como o aumento da temperatura na Terra está diminuindo a camada de gelo que cobre a Antártida.
 
 
     Agora, a Nasa divulgou imagens do seu satélite Acqua que mostram como diminuiu a extensão do gelo no Ártico nos últimos 30 anos. A linha amarela mostra até onde o gelo chegava, em média, entre 1979 e 2000. O contorno verde marca o antigo recorde de degelo, de 2005, superado pelo deste ano, que aparece marcado em vermelho.
 
Autora: Marcela Buscato - Blog do Planeta

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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Crueldade a animais é investigada

     Dois inquéritos civis abertos na Promotoria de Defesa Comunitária de Pelotas apuram o manejo usado na suinocultura e avicultura
Porcas matrizes impedidas de se movimentar por toda a sua vida, até que sua fertilidade decaia e sejam encaminhadas ao abate. Galinhas poedeiras enjauladas, em prisão perpétua, onde não podem sequer esticar as asas e têm seus bicos removidos para diminuir o "desperdício" de alimento, ficando assim impedidas de selecionar a ração e evitar o canibalismo, tamanho o estresse a que são submetidas. Estes são alguns exemplos de maus-tratos a que são submetidos os animais em estabelecimentos de suinocultura e avicultura no País. Para investigar tal prática em Pelotas, foram abertos dois inquéritos civis na Promotoria de Justiça de Defesa Comunitária.
 
Porcos têm dentes extraídos
 
     Tradição Cultural
     "Podemos dizer que esse tipo de empreendimento, em todo território nacional, não possui qualquer regulamentação quanto ao bem-estar dos animais que lhe servem de mercadoria", afirma o promotor de Justiça Jaime Nudilemon Chatkin, responsável pelos inquéritos. Ele credita a utilização desenfreada de maus-tratos a animais no agronegócio a uma "tradição cultural", já que aves e suínos são destinados ao consumo humano. "Não tenho dúvida que se qualquer pessoa fizesse algo parecido com algum cachorro ou gato, seria imediatamente chamado de cruel e responsabilizado criminalmente", enfatiza. Para o Promotor, o manual de boas práticas, elaborado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e que regula os métodos praticados no agronegócio, "tem foco na produtividade e no lucro dos produtores".
 
Galinhas não esticam as asas em jaulas pequenas
 
     Proteção Constitucional
     O Promotor lembra que os animais experimentam sensações semelhantes a seres humanos, tais como dor, alegria e medo. Assim, muitas vezes são submetidos a um manejo "que não se pode adjetivar de outra forma que não seja com a palavra cruel". Chatkin lembra que a Constituição Federal, em seu artigo 225, e leis federais e estaduais, vedam a prática da crueldade a animais.
Levando os limites legais em conta, os inquéritos civis têm como objetivo, além de apurar as condições de criação dos animais, impor limites aos criadores. A Promotoria pretende, ainda, mostrar como a carne e ovos são produzidos, fazendo com que o consumidor escolha o produto levando em conta as práticas utilizadas pelo agronegócio.
 
Autor: Jorn. Celio Romais - Agência de Notícias do Ministério Público do RS (Fotos: MP de Pelotas)
 
Nota do Blog Biowilson: Parece que está chegando ao fim a época dos maltratos aos animais de corte. Espero que os órgãos ambientais, que se mantém omissos diante desta crueldade, comecem a tomar as devidas medidas legais para coibir tais atitudes.

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Fepam é citada para cumprir decisão

Promotoria do Meio Ambiente executou TAC na parte em que a Fundação ficou obrigada a exigir estudo de impacto ambiental para silvicultura
 
     A diretora-presidente da Fepam, Ana Pellini, foi citada, nesta terça-feira, 16, para que cumpra a ordem judicial que suspendeu a expedição de novas licenças para a atividade de silvicultura, sob pena de pagamento de multa.
     A Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre ajuizou ação de execução do termo de ajustamento de conduta - TAC, que foi celebrado com a Fepam em 12 de maio de 2006, em relação à obrigação de exigir o Estudo de Impacto Ambiental e o respectivo relatório - EIA/RIMA para todos os empreendedores da atividade de silvicultura que postulassem a implementação de plantios, cujo somatório das áreas próprias, arrendadas ou em parcerias, fossem superiores a mil hectares ou menores, neste caso quando se tratasse de áreas significativas em termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental.
     A medida, ajuizada em 23 de agosto deste ano, obteve decisão favorável em 13 de setembro último, no sentido de suspender a expedição de novas licenças, sob pena de pagamento de multa no valor R$ 1,5 mil por licença expedida antes de apresentados e aprovados os referidos estudos.
 
Fonte: Agência de Notícias do Ministério Público do RS

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Síndrome de transtorno contra Al Gore

     O que nos traz à maior razão por que a direita odeia Gore: neste caso, a campanha de difamação fracassou. Ele recebeu tudo que jogaram nele, e emergiu mais respeitado, mais crível do que nunca. E isso os deixa loucos
Paul Krugman, colunista do "The New York Times", é professor da Universidade de Princeton, EUA. Artigo publicado no "The New York Times":
Um dia depois de Al Gore receber o Prêmio Nobel da Paz, os editores do "The Wall Street Journal" não conseguiram nem mencionar seu nome. Em vez disso, dedicaram seu editorial a uma longa lista de pessoas que achavam que mereciam mais o prêmio.
     E na "National Review Online", Iain Murray sugeriu que o prêmio deveria ter sido compartilhado com "aquele famoso ativista da paz, Osama Bin Laden, que implicitamente endossou a postura de Gore". Você vê, Bin Laden certa vez disse algo sobre a mudança climática -portanto, qualquer um que fala sobre mudança climática é amigo de terroristas.
 
     O que tem Gore que deixa a direita maluca?
     Parcialmente é uma reação ao que aconteceu em 2000, quando o povo americano escolheu Gore, mas seu oponente, de alguma forma, terminou na Casa Branca.
     Tanto o culto à personalidade que a direita tentou construir em torno do presidente Bush quanto a difamação histérica freqüente contra Gore foram em grande parte motivadas pelo desejo de apagar a mancha de ilegitimidade do governo Bush, acredito.
     E agora que Bush se provou claramente o homem errado para o cargo -e sim, de fato, o melhor presidente que os recrutadores da Al Qaeda poderiam esperar- os sintomas da síndrome de transtorno contra Gore ficaram ainda mais extremos.
     A pior coisa sobre Gore, do ponto de vista conservador, é que ele continua certo. Em 1992, George H.W. Bush zombou dele como o "homem do ozônio". Três anos depois, entretanto, os cientistas que descobriram a ameaça à camada de ozônio receberam o Prêmio Nobel de química.
     Em 2002, ele advertiu que, se invadíssemos o Iraque, "o caos resultante poderia facilmente impor um perigo muito maior aos EUA do que enfrentamos atualmente de Saddam". E assim foi provado.
     O ódio contra Gore, porém, é mais pessoal. Quando a "National Review" decidiu chamar seu blog antiambiental de "Planet Gore", estava tentando desacreditar tanto a mensagem quanto o mensageiro.
     Pois a verdade sobre a qual Gore estava falando, de como as atividades humanas estão mudando o clima, não é apenas inconveniente; para os conservadores, é profundamente ameaçadora.
     Considere as implicações políticas de levar a mudança climática a sério.
"Sempre soubemos que o interesse próprio desmedido era moralmente ruim", disse FDR. "Agora sabemos que é economicamente ruim." Essas palavras se aplicam perfeitamente à mudança climática.
     É do interesse da maior parte das pessoas (e especialmente de seus descendentes) que alguém faça alguma coisa para reduzir as emissões de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa, mas cada indivíduo gostaria que esse alguém fosse outra pessoa. Deixe ao mercado livre e, em poucas gerações, a Flórida estará submersa.
     A solução para tais conflitos entre o interesse próprio e o bem comum é prover aos indivíduos um incentivo para fazerem a coisa certa. Neste caso, as pessoas têm que receber uma razão para cortar as emissões de gás de efeito estufa, seja requerendo que paguem imposto sobre emissões ou exigindo que comprem licenças de emissão, que tem basicamente o mesmo efeito que um imposto sobre emissões.
     Sabemos que tais políticas funcionam: o sistema americano de "limites e trocas" de licenças de emissão de dióxido de enxofre foi altamente bem sucedido para diminuir a chuva ácida.
     A mudança climática é, entretanto, mais difícil de lidar do que a chuva ácida, porque as causas são globais. O acido sulfúrico nos lagos americanos vem principalmente do carvão queimado nas usinas americanas, mas o dióxido de carbono no ar dos EUA vem de carvão e petróleo queimado em torno do planeta -e uma tonelada de carvão queimada na China tem o mesmo efeito no clima futuro que uma tonelada de carvão queimada aqui.
     Então, lidar com a mudança climática não só exige novos impostos ou seu equivalente, mas também negociações internacionais nas quais os EUA terão dar assim como receber.
     Tudo que acabei de dizer não deveria ser controverso - mas imagine a recepção que teriam um candidato republicano à presidência se admitisse essas verdades no próximo debate. Hoje, ser um bom republicano significa acreditar que os impostos devem sempre ser cortados, nunca aumentados. Também significa que devemos bombardear e provocar os estrangeiros, não negociar com eles.
     Então, se a ciência diz que temos um grande problema que não pode ser resolvido com cortes de impostos ou bombas -bem, a ciência deve ser rejeitada e os cientistas enlameados.
     Por exemplo, o "Investor's Business Daily" recentemente declarou que a proeminência do pesquisador da Nasa James Hansen, o primeiro a fazer da mudança climática uma questão nacional, há duas décadas, deve-se de fato a esquemas nefandos de - quem mais - George Soros.
     O que nos traz à maior razão por que a direita odeia Gore: neste caso, a campanha de difamação fracassou. Ele recebeu tudo que jogaram nele, e emergiu mais respeitado, mais crível do que nunca. E isso os deixa loucos.
 
Autor: Paul Krugman  (Tradução: Deborah Weinberg) - The New York Times, Uol.com/Mídia Global - Jornal da Ciência
 

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