sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Para refletir...

 
Autor: Dário Velasco - Na Capa
Postado por Wilson Junior Weschenfelder
 


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Justiça aceita Ação Civil Pública contra presidente da Fepam

     O juiz Eugênio Couto Terra, da 1.ª Vara de Fazenda Pública, aceitou a Ação Civil Pública contra a presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam/RS), Ana Maria Pellini, por Improbidade Administrativa. O juiz não só considerou cabível, como declarou a legitimidade ativa das ONGs gaúchas Sociedade Amigos das Águas Limpas e do Verde (Saalve), Agapan, Igré, Instituto Biofilia e Mira-Serra para propor a ação, garantindo o exame de mérito da questão.
     Segundo as ONGs, desde que assumiu o cargo, em maio de 2007, Pellini passou a instaurar o que denominaram "clima de terror" na Fundação. Entre outras medidas, apontam a pressão incessante sobre os técnicos e a priorização de uma forma de crescimento econômico em detrimento das mínimas cautelas com o meio ambiente no Rio Grande do Sul.
     Na ação, as ONGs fazem menção ao processo de Zoneamento Ambiental para a Silvicultura, ao licenciamento da quadruplicação da fábrica de celulose da Aracruz Celulose e à subversão do licenciamento e dos estudos prévios de impacto ambiental das barragens mistas do arroio Jaguari e do arroio Taquarembó.
     As ONGs requereram que a presidente seja afastada da função por uma liminar. Mas o juiz decidiu aguardar que a Pellini apresente sua contestação. Só então ele vai definir sobre a liminar, dar andamento à instrução da demanda e analisar o mérito, ou seja, se a presidente da Fepam cometeu ou não a improbidade administrativa.
     A assessoria de imprensa da Fepam informou que Pellini só vai se pronunciar sobre o processo depois de ser notificada oficialmente.
 
Por Clarinha Glock, jornalista (Movimento Integridade) - Ecoagência
Postado por Wilson Junior Weschenfelder
 


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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Entidades ambientais entram com ação civil pública contra presidente da Fepam

     Representantes de entidades ambientalistas do Rio Grande do Sul (foto) ingressaram hoje, terça-feira, 05/08, com uma Ação Civil Pública contra a presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Ana Maria Pellini. A presidente da Fepam é acusada na ACP de subverter processos de licenciamento ambiental e impedir restrições ambientais a empreendimentos causadores de grande impacto ao ambiente. Além disso, aponta registros de assédio moral denunciados por técnicos da Fundação.
     Esta é a primeira Ação Civil Pública por Improbidade Administrativa no Rio Grande do Sul movida por ONGs: Saalve, Agapan, Igré, Instituto Biofilia e Miraserra. "A que ponto tivemos que chegar", exclama o advogado Christiano Ribeiro, autor da ação, juntamente com a advogada Bettina Maciel, com pedido de liminar protocolado no Fórum de Porto Alegre sob o número 10802083262.
     À tarde, o grupo entregou uma cópia do documento na Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, "para tomarem conhecimento e começarem a acompanhar os trâmites dessa ação", explica a ambientalista Káthia Vasconcellos, do Movimento Integridade.
     De acordo com a Assessoria de Imprensa da Fepam, a presidente Ana Maria Pelini vai se pronunciar após tomar conhecimento da Ação. O Departamento Jurídico da Fundação está buscando informações sobre o conteúdo da ACP. A declaração da presidente deve ocorrer na quarta-feira, 6.
     A ação civil pública tem por finalidade impor sanções civis a quem pratica corrupção administrativa, causando prejuízos ao erário, explica o advogado. Sobre Ana Pellini "há documentos que comprovam a prática de uma série de ilegalidades que lesam o sistema de gestão ambiental e causam prejuízo a recursos de Unidades de Conservação", denunciam os ambientalistas na ACP.
     "Na condição de presidente da Fepam, Ana Pellini emitiu ordens que desordenam processos de licenciamento ambiental, amenizando ou impedindo as restrições ambientais que deveriam ser impostas aos empreendimentos que causam impacto ao ambiente", explica Carlos Marcchiori, da ONG Saalve (Sociedade Amigos da Água Limpa e do Verde).

[Fotoacao2008.jpg]

Foto: Clarinha Glock

     Assédio moral
     Para o advogado Christiano Ribeiro, "não é nada pessoal", mas por meio de assédio moral ela impede que os técnicos exerçam suas funções com isenção e zelo: "É grave a sucessão de fatos que vêm ocorrendo", afirma. Ele citou a existência de relatos já registrados na Justiça sobre ameaças verbais, troca de funções injustificada e substituição de funcionários em Câmaras Técnicas. "O resultado disso é o aniquilamento da principal entidade responsável pela gestão ambiental do Estado, transformando-a num elemento burocrático e que não exerce o imprescindível controle das atividades que impactam o meio ambiente".
     Isso, segundo ele, "caracteriza infração objetiva aos princípios da legalidade e da moralidade na Administração Pública, lesão ao meio ambiente e improbidade administrativa". Para os ambientalistas, o Poder Judiciário deve tutelar o meio ambiente e os princípios da Administração, "deixando bem claro que o Estado Democrático de Direito e a sociedade não admitem improbidade administrativa na gestão ambiental. E que ninguém, seja de que Governo for, assuma a chefia da Fepam com o objetivo de transformá-la numa fundação ineficaz".
     "Nunca teve ninguém tão ruim na gestão ambiental do Estado, nem um problema foi de tão grande magnitude", afirma a ambientalista Káthia Vasconcellos. Para Felipe Amaral, do Instituto Biofilia, o governo do Estado estabeleceu "uma relação promíscua com os setores privados e hoje toda a infra-estrutura pública está direcionada para beneficiar empresas e produtos que não vão acarretar ganhos para o Rio Grande do Sul", observa. "A indústria da celulose, por exemplo, é um equívoco, pois floresta plantada não é a solução para a lavoura", completa.
     Penalidades previstas
     De acordo com o advogado, integrante do Movimento Integridade, entre as penalidades previstas na ação estão o afastamento temporário da ré de suas funções, sem prejuízo da remuneração, pagamento de multa civil de até 100 (cem) vezes o valor da remuneração percebida pelo agente, proibição de contratar com o Poder Público, receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios e ainda o pagamento pela ré dos honorários da causa.
     Os fatos que baseiam a ação civil pública estão relacionados com a elaboração e votação do Zoneamento Ambiental da Silvicultura no RS, com o processo de licenciamento de barragens e a quadruplicação da fábrica de celulose da Aracruz. São citados documentos e testemunhas para afirmar que Ana Pellini teria coagido funcionários a não exercerem suas funções, perseguindo técnicos e deslocando-os para postos incompatíveis com sua formação.
     Conforme a ACP, ela ainda permitiu ilegalidades em processos de licenciamento; substituiu técnicos em câmaras técnicas por outros sem formação na área para, segundo os autores, liberalizar as restrições ambientais, quando deveria garantir a sustentabilidade do crescimento econômico. "A presidência da Fepam é um cargo político, mas não deve interferir no trabalho dos técnicos como vem fazendo", afirmam.
Autora: Adriane Bertoglio Rodrigues, especial para a EcoAgência
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Primatas correm risco de extinção, diz estudo

     Quase 50% dos primatas, a espécie mais próxima do ser humano, corre risco de extinção, apesar do sucesso brasileiro com os micos-leões dourado e preto, segundo um estudo a ser apresentado no 22º Congresso da Sociedade Internacional de Primatologia (IPS) na cidade escocesa de Edimburgo.
     De acordo com o estudo, financiado por diversas organizações de conservação natural, quase a metade das 634 classes de primatas registradas no mundo corre perigo, com base nos critérios da chamada "Lista vermelha de espécies em perigo" da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
     Esta avaliação do estado dos primatas, como símios ou macacos, foi elaborada com a colaboração de cientistas e organizações de vários países e é o mais exaustivo realizado em cinco anos.

Mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) que em 2003 estava em "perigo crítico", agora passou para a categoria "em perigo"

     Segundo o estudo, que contribuirá para o debate no congresso de primatologia mais importante do mundo, mais de 70% dos primatas na Ásia foram classificados como vulneráveis, em perigo ou em perigo crítico (que poderiam desaparecer para sempre em um futuro próximo).
     Segundo os especialistas, as maiores ameaças para os primatas são a destruição do habitat, sobretudo a queima e derrubada das florestas tropicais, a caça de primatas com fins alimentícios e o comércio ilegal de espécies selvagens.
     Durante anos, a IUCN alertou sobre o desaparecimento de primatas, mas agora há "dados sólidos que mostram que a situação é muito mais crítica" do que era imaginado, diz na nota Russell Mittermeier, presidente do programa Conservação Internacional (CI), que co-financiou o estudo.
     De acordo com o exame dos primatas, uma espécie que compartilha quase todo seu DNA com os seres humanos, no Vietnã e Camboja quase 90% das espécies se encontra em risco de extinção.

Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) também passou para a categoria "em perigo"

     Apesar do panorama em geral desalentador, certas espécies puderam se recuperar com sucesso.
     No Brasil, o Mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) que em 2003 estava em "perigo crítico", agora passou para a categoria "em perigo", da mesma forma que o Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), após três décadas de esforços de uma série de organizações. O encontro ocorre até 8 de agosto na capital escocesa.
Fonte: EFE - Terra Notícias
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

ONGs gaúchas contestam Estudo de Impacto Ambiental das barragens Jaguari e Taquarembó

     Cerca de 7 mil hectares de áreas com grande biodiversidade podem ser "afogados" por duas barragens previstas para a bacia do rio Santa Maria, a Jaguari e a Taquarembó. ONGs ambientais gaúchas reforçaram o alerta sobre os danos ambientais decorrentes da construção dos reservatórios e no início de junho entregaram à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) uma representação relacionada aos Estudos de Impacto Ambiental (Eia/Rimas) das barragens. "É uma última tentativa de impedir esse descalabro ambiental que terá conseqüências negativas significativas para o Pampa", diz Antonio Eduardo Lanna, professor, consultor da OEA e doutor (PhD) em Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos.
     Desde as audiências públicas, realizadas dias 10 e 11 de junho em Dom Pedrito e Rosário do Sul, a Fepam analisa os documentos recebidos. "Estamos avaliando os impactos da proposta", afirma Iara Velasquez, arquiteta e coordenadora da Equipe Técnica que avalia os Eia/Rima na Fepam. "Os motivos pelos quais foram construídos os estudos é de responsabilidade e demanda do proponente, no caso, as Secretarias Estaduais de Obras e de Irrigação", cita. "A Fepam não interfere na elaboração do projeto, mas avalia a proposta em relação aos impactos que vão causar".
     "Além dessas, outras 11 barragens na mesma bacia do Santa Maria, estão com projetos avançados, e com o interesse de forças políticas e econômicas de peso", destaca Lanna. Ele denuncia "a instalação de uma papeleira no município de Rosário do Sul, intensificando a implantação da monosilvicultura do eucalipto em campos naturais de grande valor ecológico". Lanna diz que o projeto visa a irrigação dos eucaliptos, recentemente apontado como uma das prioridades da Secretaria Extraordinária de Irrigação e Usos Múltiplos da Água.
     Os ambientalistas das ONGs, por sua vez, dizem não ter dúvidas de que essas obras visam também a irrigação de grandes áreas privadas de lavouras de arroz, não considerando os impactos sociais e ambientais sobre Áreas de Preservação Permanente (APPs), envolvendo o Pampa.
     "Essa região já apresenta déficits hídricos naturais - por isto não desenvolveu florestas - e vai ser agredida duplamente com a implantação dos eucaliptos, que aumentarão esses déficits hídricos, e que ainda usarão as águas restantes para serem irrigados", lamenta Lanna, citando os "desertos verdes" do norte do Espírito Santo e do sul da Bahia como parâmetros "do que vai virar o Pampa".
     Violação da lei
     Outro motivo da representação junto ao Ministério Público teria sido o descumprimento dos prazos de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) por parte dos empreendedores. Eles ainda teriam violado o artigo 76 do Código Estadual do Meio Ambiente, que proíbe a vinculação entre empreendedor e equipe técnica do Estudo de Impacto Ambiental, explica o advogado Christiano Ribeiro, integrante do Movimento Integridade, uma das ONGs envolvidas no questionamento das barragens.
     "Os empreendedores violam o Código Estadual do Meio Ambiente, que proíbe a ligação ou vinculação da equipe técnica do Eia/Rima com o executor do empreendimento. Essa ligação está comprovada pelos levantamentos do professor Lanna, o que pode anular o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (Eia/Rima), pois há regras legais que impedem essa vinculação", salienta Ribeiro. Ele cita ainda a precariedade técnica dos laudos, que não consideraram a biodiversidade do local e a presença de espécies endêmicas.
     Anulação do projeto
     Para Ribeiro, todo o projeto das barragens pode ser anulado. "Se a justiça acatar o pedido de litis consorti ativo, movido pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e Igré (ONGs), o processo deverá ser mantido e enriquecido pelas informações e questionamentos apresentados pelas entidades". Outro aspecto que pode invalidar o projeto é que o executor não apresentou uma alternativa de local para a instalação das barragens, num local menor e que cause menos impactos ambientais. "Pelos aspectos técnicos e formais, não tem como dar credibilidade a esse estudo". "Vale a pena usar dinheiro público na construção de barragens que beneficiem produtores privados e não à maioria da sociedade?", questiona o professor Antonio Eduardo Lanna. "Será que a obra é realmente necessária e seus usos socialmente justificáveis?", prossegue, destacando o investimento de cerca de R$ 80 milhões, numa parceria entre Ministério da Integração Nacional e Secretaria de Obras do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
     Na obra do Arroio Jaguari, serão R$ 61.991.816,00, dos quais R$ 21.501.436,00 cabem ao governo do RS. No Taquarembó, R$ 61.405.945,00, sendo R$ 22.112.325,00 a contrapartida do Estado.
     Para Lanna, os governos falam que são obras de usos múltiplos, para abastecer Rosário do Sul e Dom Pedrito, "mas não conseguem esconder o real propósito: irrigar, principalmente o arroz. Falam em 80mil hectares, mas não falam que na bacia do Santa Maria já existe excesso de uso de água exatamente por conta da irrigação do arroz e que grande parte da água disponibilizada pelas barragens irá cobrir o déficit sem aumentar a área irrigada. Já sobre impactos ambientais, nada", lamanta Lanna.
     Supressão de florestas
     A barragem Jaguari, no município de Rosário do Sul, tem previsão de alagar 2.752 hectares. Já a Taquarembó, em Dom Pedrito, vai ocasionar um alagamento de 1.350 hectares. "E ainda: serão mais de 1.132 hectares de florestas de galeria que deverão ser suprimidas ou sucumbirão com essas duas obras. Uma fauna raríssima e ameaçada, assim como as florestas mais contínuas (matas em galeria) da região do Pampa", lamenta o consultor.
     Segundo dados do próprio Eia/Rima, na área prevista para o alagamento das duas barragens, a quantidade de árvores que deverão ser suprimidas é de 1 milhão 579 mil 106 árvores nativas, "a grande maioria de espécies que não existem em nenhum viveiro do Estado", apontam as ONGs. Segundo elas, os estudos não fazem menção a espécies ameaçadas de extinção que têm seu habitat apenas naquela região, as chamadas endêmicas.
      Lanna já havia denunciado, em março de 2007, a presença de um Rima com diversas falhas técnicas e a ausência de EIA correspondente e atualizado, havendo apenas um estudo (EIA) do ano de 2001, elaborado pela Beck de Souza Engenharia. "Há mais de um ano tenho lutado contra essas barragens e conseguido vitórias transitórias, como a retirada de um Eia/Rima fajuto da Fepam, em maio/2007, e uma liminar contra Licença Prévia igualmente irregular, em agosto/2007", cita.
     "Temo agora que possa estar se prenunciando uma derrota definitiva com a aprovação dos Eia/Rimas, em que pese as denúncias que encaminhei aos Ministérios Públicos Estadual e Federal e à Fepam", diz, ao lamentar a falta de visibilidade política dessa luta. "Tenho a impressão que apenas umas cinco pessoas desimportantes como eu têm se movimentado. Isso pode fazer com que o governo do Estado nos patrole, como tem nos patrolado em oportunidades em que a visibilidade política é maior, como no caso das licenças para silvicultura e para a quadruplicação da Aracruz".
     Processo reiniciado
     Iara Velasquez, arquiteta e coordenadora da Equipe Técnica que avalia os Eia/Rima na Fepam, reconhece que o Eia/Rima apresentado não estava completo. "A agora o processo foi reiniciado e anda normalmente dentro da lei de licenciamento ambiental". "Foi feito todo um novo processo", diz.
     "Desde 2001, os objetivos foram se adaptando às demandas sociais e aos benefícios futuros das obras. Quando, ainda no governo Rigotto, em 2006, esse projeto foi declarado como de interesse social, passou a valer a lei que orienta para a determinação dos usos múltiplos da água, a Resolução do Conama número 369, garantindo assim o repasse de recursos do PAC para obras consideradas estrategicamente interessantes pelo governo federal, em sintonia com o estadual", analisa Iara.
     Segundo a técnica, a Licença Prévia das barragens "está juridicamente esclarecida. O cronograma do plano de trabalho elaborado pelo governo está sendo cumprido", defende Iara, ao citar que "a responsabilidade pela emissão de licença prévia sem Eia/Rima foi assumida pela Fepam perante o juiz de Lavras do Sul e hoje essa fase já foi superada, senão não seria possível realizar as audiências". Ela acrescenta que "a Fepam liberou Licença Prévia para garantir os recursos para a construção das barragens, mas não interferimos na elaboração do projeto".
     A Equipe Técnica de Eia/Rima da Fepam está avaliando os documentos resultantes das audiências públicas, que são degravados e os questionamentos, respondidos. Um geólogo que integra a equipe que elaborou o projeto via Beck Engenharia diz que a licença prévia para a construção das barragens na Fepam "tá pra sair". Já a coordenadora de Eia/Rima da Fepam afirma não ter previsão: "Nosso interesse é fazer o estudo o mais rápido possível, dentro das informações e da qualidade da licença".
Por Adriane Bertoglio Rodrigues, especial para a EcoAgência.
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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Costa do Mediterrâneo em Risco

     O hotel Azata del Sol na Praia de Algarrobico, Espanha, é um símbolo do desenvolvimento urbano descontrolado e da (in)conseqüente destruição da Costa Marítma Mediterrânea. O dono do hotel continou a construção, apesar de uma ordem da côrte local para que ela fosse interrompida.

     São colocados em risco espécies locais de animais marítmos e terrestres, além de dificultar a sobrevivência das comunidades locais que necessitam de uma costa limpa para manterem-se sustentavelmente.
Fonte: Greenpeace
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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Contra o desmatamento da Amazônia

     Olá Wilson Junior Weschenfelder
     Comunicamos que o Projeto Amazônia para Sempre alcançou em maio último o seu primeiro objetivo, um milhão de adesões ao seu manifesto, e gostaríamos de agradecer e comemorar com você este sucesso.
     Como primeira ação efetiva, estamos finalizando o documento para encaminhar estas assinaturas ao Presidente Lula exigindo providências no sentido de que se cumpra a Constituição. Para o futuro, uniremos esforços com instituições ambientais para que novas ações sejam promovidas em benefício da região. Se você desejar receber boletins informativos sobre estas ações, por favor clique no link abaixo e verifique a confirmação da autorização.
     Juntos, nós podemos mudar a situação!
     Muito obrigado,
     Equipe Amazônia para Sempre


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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Desastres ambientais se agravam com a falta de planejamento

     O Rio Grande do Sul está entre os Estados com maior probabilidade de ocorrência de desastres ambientais. Apesar de serem previsíveis, muitos governos continuam construindo em áreas em que o risco desses acidentes é iminente. Este foi um dos assuntos abordados ontem (30/07), na Fundação Getúlio Vargas, em Porto Alegre, no Ciclo de debates "Repensando o Desenvolvimento frente às Fragilidades Ambientais". O evento é uma promoção da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária Ambiental – Seção Rio Grande do Sul (ABES-RS).
     Até a década de 70, acreditava-se que os desastres ambientais eram castigos divinos, mas essa mentalidade começou a mudar com um terremoto ocorrido em 1976 na Guatemala. Depois disso, governos e sociedade começaram a estudar para estarem preparados para enfrentar esses fenômenos. Atualmente, já é possível saber quais os locais mais vulneráveis a esses eventos, pois o risco é igual ao perigo mais a vulnerabilidade. "Hoje se pode atuar na redução de riscos", informa Dulce Fátima Cerutti, consultora técnica da Secretaria de Vigilância de Saúde do Ministério da Saúde, na área da Vigilância em Saúde Ambiental dos Riscos Decorrentes dos Desastres Naturais.
     Ela lembra que nem todas as áreas são apropriadas à construção civil. Conta que no Peru, um hospital foi destruído 14 vezes antes mesmo de ser inaugurado, pois ficava em uma área de risco. Apesar disso, serviços básicos continuam sendo construídos em locais suscetíveis. Para se ter uma idéia, 50% dos hospitais na América Latina ficam em áreas de risco. Em uma enchente em Pernambuco, em 2005, 103 unidades de saúde foram danificadas, sendo que quatro delas foram totalmente destruídas. Em Santa Catarina, no Carnaval deste ano, o grande volume de chuvas provocou estragos em oito unidades de saúde e destruiu três estações de tratamento de água.
     Dulce salienta que os desastres ambientais trazem seqüelas por muito tempo: 20% das pessoas que têm esse tipo de experiência ficam com problemas psicossociais temporários e 5% delas com problemas permanentes. O resultado de tudo isso é um grande impacto social: mais pobreza, desemprego e aumento das dívidas externa e interna.
     Além disso, nem sempre os municípios notificam os acontecimentos como desastres, sendo que, muitas vezes, a própria prefeitura é responsável por eles: "Vi um bairro de rico sendo construído em área de mangue onde o próprio prefeito estava gerando o risco", comenta Dulce, que é especialista em Vigilância em Saúde pela Universidade de Brasília.
     Passivos e acidentes
     A engenheira química Carmen Níquel falou sobre os vários tipos de passivos ambientais do Rio Grande do Sul. São muitos: depósitos irregulares de resíduos industriais, lixões, poluição de águas subterrâneas, solos contaminados por vazamentos, entre outros. Entretanto o Rio Grande do Sul não tem um mapeamento de suas áreas contaminadas, como São Paulo, que levou dez anos para realizar esse levantamento.
     "As áreas contaminadas são bombas-relógios químicas", aponta a técnica da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A engenheira alerta que muitos bancos estão atentos para não receberem propriedades contaminadas como pagamentos de dívidas ou garantias de financiamento. E salientou: "É muito mais barato prevenir, fazendo uma gestão adequada de resíduos e de efluentes, do que remediar a situação".
     O mediador do debate, Márcio Freitas, ex-diretor do Departamento de Qualidade Ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), funcionário da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e representante da ABES, promotora do evento, lembrou que tanto os desastres como os passivos, muitas vezes acontecem simultaneamente, como no caso da enchente do Rio dos Sinos e do rompimento de uma barragem de efluentes em Minas Gerais em 2003.
     Ele lembra que muitos passivos são de massas falidas que estão comprometidos com questões trabalhistas: "As questões ambientais, nesses casos, não são cobertas pela legislação. A lei de falências não trata sobre esse assunto".
Autora: Sílvia Franz Marcuzzo - EcoAgência
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Greenpeace exige que as exportações de carvão na Austrália acabem

     Esta ação pacífica no maior porto de carvão de Queensland, Austrália, realça os planos do goiverno Rudd de expandir a exportação de carvão rapidamente, quando o que o planeta necessita é reduzir as emissões globais de gases estufa. A exportação de carvão trará impactos desatrosos à Austrália, de seca à perda da Grande Barreira de Recife de Coral.

     Vinte dos navios que carregam a matéria-prima tiveram impressas algumas mensagens dos manifestantes do Greenpeace, entre elas: "Premier Blight Exportando CO2", "Carvão está matando o recife" e "Pare a expansão de Carvão".

Fonte: Greenpeace
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terça-feira, 29 de julho de 2008

Espécie brasileira de bambu ameaçada de extinção

     A espécie brasileira de bambu, Glaziophyton mirabile, sofre grande risco de extinção, segundo o biólogoLuiz Sergio P. Sarahyba, integrante da American Bamboo Society, entidade que pesquisa espécies de bambu de todo mundo, e ex-membro da Comissão de Sobrevivência de Espécies, da IUCN.

     O biólogo conta que esteve pessoalmente no ambiente natural de Glaziophyton mirabile com o Dr Ruy Valka Alves e Dra. Andréa Costa, do Museu Nacional de Itatiaia, e Dra Lynn Gail Clark (IOWA). "Para nós, foi um grandioso momento. Caminhamos muito para chegar até ela e, de fato, constatamos a situação frágil da pequena população da espécie", lembra.

     Ele descreve a planta como uma espécie distinta, de estratégia de sobrevivência especial. "Inicialmente descrita como uma espécie sem folhas, em decorrência da ausência de regiões nodais no colmo (espécie de caule) externo, verificamos que não se tratava de uma espécie áfila (sem folhas), na realidade, a emissão de folhas acontece exatamente no ápice do colmo, cumprindo assim a função de realização da fotossíntese da lâmina foliar", explica.

     De acordo com o biólogo, caso as queimadas locais não a tenham transferido da lista de espécies endêmicas e ameaçadas para a lista das espécies extintas, os poucos exemplares ainda existentes da espécie estão localizados no ápice do Morro da Cuca na Área de Proteção Ambiental de Petrópolis. "Seria uma ação de conservação "in situ" de grande relevância criar um cinturão de proteção a esta espécie tão especial da flora de bambus brasileiros, já que não vejo nenhuma chance de sobrevivência desta espécie fora de seu ambiente natural", propõe.

Fonte: AMDA / Fórum de ONGs – Rede Mata Atlântica - Portal do Meio Ambiente

Postado por Wilson Junior Weschenfelder



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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Médico sugere menos filhos para salvar planeta

Especialista em contracepção assina editorial em renomada publicação britânica.

     Um editorial publicado na edição desta sexta-feira da revista científica britânica British Medical Journal afirma que ter menos filhos é uma forma de contribuir para o combate ao aquecimento global.

     O artigo, assinado pelo professor de planejamento familiar do University College, de Londres, John Guillebaund, afirma que ''a população mundial atualmente excede 6,7 bilhões e o consumo de combustíveis fósseis, água potável, colheitas, peixes e florestas excedem a demanda''.

     Segundo o especialista, ''estes fatos estão relacionados'', uma vez que cada pessoa que nasce contribui para a emissão de gases poluentes e é impossível escapar da pobreza sem que haja um aumento dessas emissões.

     Guillebaund conclui que ''aplicar contracepção ajuda, portanto, a combater as mudanças climáticas, ainda que não seja um substituto direto para a redução das emissões per capita de elevados emissores''.

     Mitos

     O autor destaca que o senso comum econômico diz que casais pobres muitas vezes preferem ter vários filhos para compensar a alta mortalidade infantil, fornecer mão de obra para aumento da renda familiar e cuidar dos pais quando eles estão mais velhos, fatores que, endossados por agumentos religiosos e culturais, reforçam a aceitação de grandes famílias.

     Mas ele afirma que ''os economistas tendem a ignorar o fato de que relações sexuais no período fértil são mais freqüentes do que o mínimo necessário para ter concepções intencionais. Portanto, ter uma família maior em vez de uma menor é menos uma decisão planejada do que um resultado automático da sexualidade humana''.

     Para Guillebaund, ''algo precisa ser feito para separar o sexo da concepção - ou seja, a contracepção''. Mas ele acrescenta que o acesso à contracepção é muitas vezes difícil, devido a abusos por parte de maridos, parentes, autoridades religiosas ou até ''lamentavelmente'' fornecedores de anticocepcionais.

     O editorial afirma que a demanda por anticoncepcionais aumenta quando eles se tornam acessíveis e quando as barreiras à sua obtenção são derrubadas, acompanhadas de informações apropriadas relativas à sua segurança e uso.

     O autor procura derrubar algumas crenças e reforçar outras que haviam sido desacreditadas. Ele lembra que no século 18, Malthus previu que com o aumento significativo da população, a escassez de alimentos seria inevitável.

     E que a chamada ''revolução verde'', idealizada pelo agrônomo americano Norman Borlaug, aparentemente provou que Malthus estava errado, mas que o significativo aumento populacional vem levando a uma escassez de alimentos sem precendentes, à escalada de preços e a protestos violentos.

     Guillebauns enfatiza ainda que das inovações da ''revolução verde'', como o amplo uso de fertilizantes, pesticidas, tratores e transporte, hoje também contribuem para o aquecimento global, uma vez que dependem de combustíveis fósseis.

Fonte: BBC - G1

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quinta-feira, 24 de julho de 2008

Pacto pela Madeira Legal e Sustentável: uma chance à floresta e ao planeta

     Os números assustam: 63% a 80% da madeira extraída na Amazônia é ilegal. O desmatamento irregular e abusivo não apenas afeta a vida das comunidades locais, como também contribui para o Aquecimento Global. Apenas no Brasil, o desmatamento – em especial o amazônico- é responsável por 75% das emissões de CO2 na atmosfera.

     Para situações drásticas, medidas urgentes precisam ser tomadas. Uma delas é o Pacto pela Madeira Legal e Sustentável assinado pelo governo e a indústria do Pará. Ele pretende tornar a extração sustentável a partir de medidas rígidas de controle.

     Para o Greenpeace, o Pacto é crucial na redução do desmatamento e amenização dos efeitos nocivos do Aquecimento Global, através da governabilidade do setor madeireiro. A ONG fiscalizará de perto se a excepcional medida será aplicada na prática.

Fonte: Greenpeace

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Pesquisas ecológicas sofrem sérios danos com turismo

Quando Michael Soule pesquisava borboletas no montanhoso vale de Gothic, Colorado, no começo dos anos 60, a cidade de Crested Butte era pouco mais que um povoado carvoeiro quase abandonado. "Não havia nem onde comprar uma camiseta ou caneca", diz Soule, que hoje trabalha como biólogo especialista em conservação.

     Crested Butte, renascida como uma meca do montanhismo e das mountain bikes, hoje apresenta fileiras de butiques e acesso fácil às montanhas. No Laboratório Biólogico das Montanhas Rochosas, onde Soule e gerações de outros pesquisadores estudaram sobre habitats alpinos remotos, o crescimento está mudando tanto a paisagem quanto os dados que eles coligem. O laboratório, como muitos outros locais tradicionais de pesquisa ecológica, está tentando decidir se estuda as mudanças ou se deveria combatê-las.

     Fundado em 1928, no local de uma antigo povoado cuja atividade era a mineração de prata, o laboratório independente atrai estudantes e cientistas de todo o mundo.

     Trabalhando ao lado de um pico de 3.848 metros que se assemelha a uma catedral gótica, os pesquisadores durantes décadas reuniram dados sobre insetos, salamandras, marmotas e os cronogramas de florescimento das plantas de montanha.

Estudos sobre comportamento de animais em seus habitats alpinos são perdidos com a alteração do ambiente causada por turistas

Estudos sobre comportamento de animais em seus habitats alpinos são perdidos com a alteração do ambiente causada por turistas (foto: New York Times)

     "Todo o laboratório trabalha basicamente em experiências de longo prazo", disse Paul Ehrlich, da Universidade Stanford, que estuda as populações de borboleta na área do laboratório e regiões vizinhas desde 1960.

     O aquecimento global atraiu mais interesse científico quanto a esses conjuntos de dados de prazo muito longo, que revelam mudanças induzidas pelo clima que não podem ser vistas em estudos mais curtos.

     À medida que o turismo crescia em Crested Butte, visitantes começaram a invadir o vale de paredes íngremes que abriga o laboratório. A estrada de terra estreita entre a área de esqui e o laboratório, conduz a trilhas de bicicleta e locais de acampamento, e é comum vê-la lotada de carros, bicicletas e veículos fora de estrada.

     O tráfego diário pelo laboratório pode exceder os 750 veículos, ridiculamente baixo para os padrões urbanos, mas uma alteração pronunciada para esse vale que passou tanto tempo isolado e onde as filas de automóveis levantam nuvens persistentes de poeira.

     Os pesquisadores descobriram que a agitação perto da estrada torna mais provável que os pardais de coroa branca comuns à região abandonem seus ninhos.

     As multidões cada vez mais numerosas também podem prejudicar as pesquisas; a despeito dos avisos, turistas muitas vezes removem as estacas e bandeiras que marcam pontos de pesquisa, e cachorros fora da coleira invadem áreas em que experiências estão em curso.

"Local do Laboratório Biológico The Rocky Mountain. Fundado em 1928. Acesso apenas com permissão". Apesar dos avisos, turistas ultrapassam os limites (foto: New York Times)

     A poeira da estrada é tão densa, ocasionalmente, que torna difícil observar de longe a fauna, e o tráfego em alta velocidade mata pássaros e mamíferos que são objeto de estudos de longa duração.

     "Embora as marmotas possam ter se desenvolvido de maneira singularmente elegante para enfrentar predadores, não evoluíram para enfrentar carros", disse Daniel Blumstein, biólogo da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

     Em uma manhã de dia de semana, no começo de julho, a equipe de Blumstein recolheu uma marmota que acabara de ser atropelada e morta; a etiqueta que ela trazia na orelha a identificava como parte de um estudo sobre o comportamento da marmota que o laboratório iniciou 46 anos atrás. Por estes roedores viverem por até 15 anos, um único animal pode representar um tesouro em termos de dados científicos. "Cada fêmea que tenha filhotes é um bem inestimável", disse ele.

     Não muito tempo atrás, uma marmota marcada com etiqueta subiu em um carro perto do laboratório e foi parar em um posto de gasolina em Aurora, um subúrbio de Denver a 400 quilômetros de distância - exemplo extremo do que ele define como "dispersão por automóvel" das marmotas que vivem no terreno do laboratório.

     Enquanto os cientistas empreendem novos esforços de pesquisa em longo prazo, como a Rede Nacional de Observatórios Ecológicos, com o objetivo de documentar o efeito das alterações climáticas e outros fenômenos mundiais, muitos estudos de campo de longa duração estão enfrentando intensa pressão devido ao crescimento e ao desenvolvimento.

     "Os lugares onde trabalhos essenciais foram realizados, onde agora dispomos de uma fundação e para os quais podemos voltar e repetir alguma coisa 10 vezes por temos nova tecnologia e novos dados com que trabalhar... Muitos desses lugares agora se tornaram inacessíveis; não existem mais", disse Julio Betancourt, paleontologista do Serviço de Levantamento Geológico dos Estados Unidos. "Isso está se repetindo inúmeras vezes".

Fundado em 1928, o laboratório independente atrai estudantes e cientistas de todo o mundo (foto: New York Times)

     Betancourt passou a maior de sua carreira no Laboratório do Deserto, uma reserva de pesquisa botânica criada 105 anos atrás nas cercanias de Tucson.

     O laboratório, que antigamente ficava no meio do deserto, agora está cercada por áreas urbanizadas e se tornou local de passeio não só para adeptos das caminhadas, além de ter sido invadido por uma gramínea propensa a incêndio.

     A despeito de sua tradição de observação passiva, o laboratório teve de estabelecer horários de visita e combater a gramínea com herbicidas e com cortadores de grama.

     Alguns dos locais da Rede de Pesquisa Ecológica de Longo Prazo, um sistema de 26 áreas financiadas pela Fundação Nacional de Ciências, adotaram medidas igualmente ativas para evitar os avanços da civilização, trabalhando para preservar as terras que os cercam, administrar os visitantes e erradicar espécies invasivas. Mas a maioria deles não têm opção a não ser tornar as incursões oportunidades de pesquisa.

     Na estação Palmer, na Antártida, William Fraser, que passou mais de 30 anos estudando os efeitos do turismo sobre a demografia dos pingüins Adelie, concluiu que a regulamentação estrita do turismo serviu para proteger os pingüins que vivem na área da estação.

Fonte: The New York Times - Terra Notícias

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Mal olímpico?

     Vários atletas já reclamaram que a poluição chinesa poderá atrapalhar seu desempenho nas Olimpíadas, que começam agora em agosto. Para o pneumonologista Gokhan Mutlu, da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, os espectadores também devem se preocupar.

     Segundo Mutlu, aspirar altos níveis de poluição por 24 horas já seria suficiente para causar derrame e ataque cardíaco em pessoas mais suscetíveis (aquelas com fatores de risco para doenças cardiovasculares, como pressão alta, diabetes, obesidade).

     Mutlu descobriu o mecanismo que torna a poluição do ar tão perigosa. As microscópicas partículas de poluição, quando aspiradas, fazem o sangue se torna mais denso. O sangue espesso faz com que nossos pulmões se inflamem e liberem uma substância que aumenta a coagulação do sangue. Os coágulos podem bloquear vasos sangüíneos e causar derrames e infartos.

Poluição atrapalha a vista para o Estádio Nacional de Pequim (fonte: Globo Esporte)

     "Pessoas que assistirão às Olimpíadas e depois enfrentarão vôos longos de volta para casa têm mais chances de ter algum problema", diz Mutlu. "Se um coágulo atingir os pulmões pode causar embolia pulmonar, que pode matar."

Autora: Marcela Buscato - Blog do Planeta

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Consumo de soja pode afetar fertilidade, diz estudo

Pesquisa indicou redução na contagem de espermatozóides após alto consumo de soja.

     Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, sugere que homens que consomem produtos à base de soja podem ter o número de espermatozóides reduzido pela metade.

     A pesquisa, publicada na revista científica Human Reproduction, analisou o sêmen de 99 homens com idade média de 36 anos e comparou a concentração de espermatozóides com a quantidade de soja consumida na dieta de cada um nos três meses anteriores à análise.

     Segundo os pesquisadores, a concentração considerada "normal" de espermatozóide no sêmen fica entre 80 e 120 milhões por mililitro.

     No entanto, a equipe observou que os participantes que consumiam em média uma porção de comida à base de soja em dias alternados apresentavam uma redução de 41 milhões no número de espermatozóides.

     Apesar da redução, o estudo indica que o consumo de soja não afetou a mobilidade ou morfologia do esperma, nem o volume de ejaculação.

     Hormônio

     De acordo com Jorge Chavarro, que coordenou o estudo, uma substância química chamada isoflavona, presente em alimentos à base de soja como o tofu ou o leite, podem interferir na produção de esperma.

     Ele explica que essas substâncias, também chamadas de fitoestrogênios, podem ter efeitos similares aos do estrogênio e reproduzir sua ação no organismo, o que afetaria a produção do esperma.

     Chavarro observou ainda que os homens obesos que participaram da pesquisa eram ainda mais suscetíveis estes efeitos, o que poderia indicar que um nível alto de gordura no corpo também poderia aumentar a produção de estrogênio nos homens.

     "Esses dados sugerem que um maior consumo de alimentos à base de soja e isoflavonas da soja está associado à redução na concentração de esperma", afirma o estudo.

     Fertilidade

     Apesar dos resultados, o estudo aponta que, em algumas regiões da Ásia, o consumo de soja era consideravelmente superior ao máximo consumido pelos voluntários observados na pesquisa.

     O professor de Andrologia da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, Allan Pacey, afirmou que se a soja realmente tivesse um efeito prejudicial na produção de esperma, a fertilidade em algumas regiões asiáticas também seria afetada e não há nenhuma prova de que isso esteja acontecendo.

     "Muitos homens estão obviamente preocupados sobre como sua dieta ou estilo de vida poderia afetar sua fertilidade por reduzir o número de espermas. Os compostos de estrogênio na comida ou no ambiente já são motivo de preocupação há muitos anos", disse.

     "Teremos que observer a dieta adulta com mais cautela. Apesar de que o fato de várias áreas do mundo terem a soja como uma parte essencial de suas dietas e não aparentam sofrer de nenhuma alta no índice de fertilidade em relação aos países ocidentais sugere que, se há algum efeito, é muito pequeno", afirmou Pacey.

Fonte: BBC - G1

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Especialista alerta sobre risco de uso de celular

Diretor de importante centro de pesquisas afirma que é preciso tomar precauções.

     O diretor de um dos principais centros de pesquisa sobre o câncer dos Estados Unidos emitiu um alerta aos seus funcionários sobre os riscos do uso de telefones celulares.

     O comunicado foi elaborado por Ronald Herberman, diretor do Instituto de Câncer da Universidade de Pittsburgh.

     Herberman afirmou que, apesar de nenhum estudo acadêmico confirmar a relação entre o uso de celulares e o risco de tumores no cérebro, os usuários não devem esperar uma pesquisa conclusiva para começar a tomar certas precauções.

     "Dada a falta de provas definitivas sobre os efeitos cancerígenos da radiação magnética emitida pelos celulares, não podemos falar em medidas preventivas, mas em simples medidas de precaução", diz o alerta.

     Além do alerta, Herberman emitiu ainda um comunicado, assinado por 20 especialistas internacionais com algumas precauções sobre o uso dos telefones celulares.

     Entre as ações aconselhadas pelos especialistas está a de permitir o uso de celulares por crianças apenas em casos de emergência, tentar manter o aparelho longe do corpo enquanto guardado e usar o viva-voz sempre que possível.

     Herberman alerta ainda para que as pessoas usem o celular apenas para conversas rápidas, já que os efeitos biológicos estariam "diretamente relacionados ao tempo de exposição".

     Estudos

     O diretor afirma que decidiu emitir o alerta com base em informações ainda não publicadas sobre os efeitos do uso dos aparelhos celulares.

     As informações preliminares seriam do estudo internacional Interphone, que envolve 13 países.

     "Apesar das provas ainda causarem controvérsia, estou convencido de que há informações suficientes para emitir um alerta para que tomemos precauções sobre o uso do telefone celular", disse Herberman.

     No ano passado, um estudo realizado durante seis anos afirmou que o uso dos celulares não causava nenhum efeito, a curto prazo, no cérebro ou no funcionamento das células.

     No entanto, o Programa Britânico de Pesquisa em Telecomunicação Móvel e Saúde, afirmou que havia um indício de um risco maior a longo prazo e que sua pesquisa iria avaliar os efeitos durante um período de 10 anos.

     Segundo o diretor do Programa, Lawrie Challis, "não podemos eliminar a possibilidade, neste momento, de que o câncer pode aparecer em alguns anos".

     Um outro estudo realizado na Grã-Bretanha em 2005 sugeriu que o uso dos celulares por crianças deveria ser limitado como precaução. Além disso, a pesquisa aconselhava que menores de oito anos de idade não deveriam usar os aparelhos.

     Os telefones celulares emitem radiações eletromagnéticas que podem penetrar o cérebro humano e a preocupação de alguns ativistas é a de que isso poderia causar sérios danos à saúde.

     Uma análise realizada neste ano pela Universidade de Utah, nos EUA, observou milhares de pacientes com tumor no cérebro e não identificou nenhum aumento no risco como resultado do uso dos aparelhos celulares.

     No entanto, o estudo afirmou que os efeitos do uso a longo prazo ainda aguardam a confirmação de pesquisas futuras.

     Estudos recentes na França e Dinamarca também não identificaram aumento no risco de câncer pelo uso dos aparelhos.

     Entretanto, uma pesquisa feita com 500 israelenses neste ano aponta que o uso dos celulares pode estar vinculado a um aumento no risco de desenvolver câncer nas glândulas salivares.

Fonte: BBC - G1

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terça-feira, 22 de julho de 2008

Paul Watson - "Minhoca é melhor que gente"

Para o conservacionista que ataca baleeiros, os seres "inferiores" são indispensáveis para a vida

     A temporada de caça às baleias para "fins científicos" feita pelo Japão acabou mais cedo. O baleeiro Nishin Maru atracou em Tóquio com metade da carga. A vida de 400 baleias foi salva, graças às bombas de manteiga rançosa atiradas contra o navio pelos ativistas do Sea Shepherd (Pastor dos Mares). Eles usam táticas de guerrilha para impedir a matança de baleias (proibida desde 1986) e de focas no Canadá. Conheça as idéias pouco ortodoxas de seu líder, Paul Watson, um canadense de 57 anos que tem cara de Papai Noel – mas encara uma briga como o capitão Haddock, o amigo de Tintim.

 

ENTREVISTA PAUL WATSON

Divulgação

QUEM É

Paul Watson foi membro fundador do Greenpeace em 1972. Saiu em 1977 para fundar a Sea Shepherd Conservation Society

QUE PRÊMIOS GANHOU

Em 2000, foi eleito pela revista Time como um dos heróis da ecologia do século XX

O QUE PUBLICOU

Shepherds of the Sea (1979), Cry Wolf (1985), Earthforce! (1993), Ocean Warrior (1994) e Seal Wars (2002)

 

     ÉPOCA - Onde terminam os direitos humanos e começam os dos animais?

     Paul Watson – Os direitos do homem e dos animais são interligados. A lei da interdependência ecológica exige que preservemos a diversidade. Sob uma perspectiva ecológica, algumas espécies são mais importantes que outras. As minhocas, por exemplo, são mais importantes que os humanos. Por quê? As minhocas poderiam sobreviver facilmente num planeta sem humanos, mas os humanos passariam um mau bocado para sobreviver sem as minhocas. A verdade é que as chamadas formas "inferiores" de vida são mais valiosas. As bactérias, as plantas e os insetos fornecem as fundações para toda a vida. Se for para a humanidade sobreviver, devemos estabelecer uma harmonia com as demais espécies, pois todas são interdependentes.

     ÉPOCA - Para seus adversários, o senhor é um ecoterrorista.

     Watson – Não cometo crimes. Nunca feri ninguém nem saio às ruas para protestar. O que faço é intervir contra atividades ilegais. Somos uma organização que luta contra a caça ilegal. Hoje em dia, todos chamam todo mundo de terrorista. Até o Dalai-Lama é chamado de terrorista pelo governo chinês. Um ecoterrorista para mim é quem destrói o meio ambiente. A Monsanto é uma organização ecoterrorista, assim como a Exxon e a maioria das petrolíferas. O presidente George W. Bush é um ecoterrorista. Fui preso inúmeras vezes, mas nunca fui condenado por um crime, porque nunca agi contra a lei.

     ÉPOCA - O senhor parece um capitão Ahab às avessas. Em vez de caçar Moby Dicks, o senhor as protege. Qual é sua missão de vida?

     Watson – Sou um conservacionista. Meu objetivo é a conservação da natureza e do meio ambiente marinho. A Sea Shepherd atua no combate à caça ilegal de baleias pelos japoneses na Antártica e pelos noruegueses e islandeses no Ártico. Lutamos contra o massacre de focas no Canadá. Confiscamos equipamentos de pesca predatória e combatemos a exploração do plâncton, os microrganismos que formam a base da cadeia alimentar. Iniciamos em 2000 uma campanha para defender a reserva marinha das Ilhas Galápagos e estamos desbaratando o contrabando de barbatanas de tubarão.

"O negócio do Greenpeace é mala direta e telemarketing para conseguir dinheiro de pessoas que querem sentir que protegem o meio ambiente ""O negócio do Greenpeace é mala direta e telemarketing para conseguir dinheiro de pessoas que querem sentir que protegem o meio ambiente".

     ÉPOCA - O senhor co-fundou o Greenpeace em 1972. Por que decidiu sair?

     Watson – Abandonei o Greenpeace em 1977, quando percebi que a organização estava se tornando uma corporação do "bem-estar". Ela é a maior organização do "bem-estar" do planeta. As pessoas se associam ao Greenpeace para se sentir bem, para sentir que fazem parte da solução para a natureza. Mas o negócio verdadeiro do Greenpeace é mala direta, telemarketing e publicidade, para conseguir dinheiro de quem quer sentir que protege o meio ambiente.

     ÉPOCA - Quando o senhor decidiu recorrer a estratégias radicais como a interceptação de navios?

     Watson – Nós intervimos quando as leis internacionais são violadas e percebemos que a interferência pode fazer diferença. Criei a Sea Shepherd como uma organização intervencionista, e não de protesto.

     ÉPOCA - O Japão e o Canadá o acusam de usar a violência contra baleeiros e caçadores.

     Watson – Nunca ferimos nenhum ser humano em três décadas de operação. Não usamos violência. Minha tripulação e eu fomos atacados, espancados, atiraram na gente e nos ameaçaram. Mas alguns meios de comunicação preferem noticiar as queixas de violência de nossos críticos.

     ÉPOCA - Qual é o balanço deste ano da luta contra a caça às baleias?
     Watson –
Os japoneses preencheram só metade da cota (a meta era matar 950 minkes. Foram 551). Infligimos a eles um prejuízo de US$ 70 milhões.

Divulgação

BATALHA NAVAL A bordo do Farley Mowat, os ativistas do Sea Shepherd patrulham os mares do sul à caça de baleeiros japoneses

     ÉPOCA - Seus métodos não colocam em risco a vida de seus tripulantes?

     Watson – Essa pergunta sugere que utilizamos táticas violentas, o que não é verdade. Existem riscos em todas as nossas campanhas, mas eles são aceitáveis. Há gente que luta e morre pelo controle de terras e de poços de petróleo. Acredito ser muito mais nobre correr riscos pela preservação de espécies ameaçadas.

     ÉPOCA - Superpopulação, destruição ambiental, poluição, extinções em massa. O que pensa do futuro da humanidade?

     Watson – Não sou otimista nem pessimista. Sou realista. Percebo as conseqüências de a nossa espécie viver em desarmonia com o meio ambiente. Nenhuma espécie na história do planeta sobreviveu ignorando as três leis da ecologia. Primeira: a lei da diversidade, que prega que a força de um ecossistema depende de sua diversidade. Segunda: a lei da interdependência, segundo a qual todas as espécies, mesmo as mais "inferiores", dependem umas das outras. Terceira: a lei dos recursos finitos. Minha missão é ajudar a humanidade a sobreviver. Se falharmos, será porque nossa sobrevivência não vale a pena. Mas a Terra agüenta. Os ecossistemas do planeta sofrem sob o domínio humano, mas vão sobreviver e estarão aqui muito tempo depois de a humanidade ter desaparecido. Isso me traz conforto, porque luto pela continuação da vida – não somente pelos interesses de nossa espécie.

     ÉPOCA - Há razões para acreditar nos movimentos conservacionistas?

     Watson – Não defendo o Greenpeace, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) ou qualquer ecocorporação. Apóio a ação de indivíduos como Dian Fossey (1932-1985) e sua luta em favor dos gorilas; a proteção de Jane Goodall aos chimpanzés; e a campanha de Chico Mendes (1944-1988) pela preservação da Amazônia. São eles que fazem a diferença.

Autor: Peter Moon - Época

Postado por Wilson Junior Weschenfelder



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Aumenta a punição para crime ambiental

     O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina hoje decreto regulamentando a Lei de Crimes Ambientais, que determina multas mais severas para os infratores. O objetivo das mudanças na lei é simplificar o sistema e tornar as punições mais rigorosas. Para se ter idéia das alterações, a partir de agora, quem impedir a fiscalização dos agentes públicos estará sujeito a multa que vai de R$ 500 a 100 mil ¿ antes, não havia valor predeterminado.

     As multas terão de ser pagas em no máximo quatro meses. No esquema anterior, os infratores conseguiam retardar o pagamento em até cinco anos.

     O decreto que regulamenta a lei prevê tratamento mais rigoroso para quem causar poluição que resulte ou possa resultar em danos à saúde humana ou provoque a mortandade de animais ou destruição significativa da biodiversidade. Neste caso, a menor punição passou de R$ 1 mil para R$ 5 mil, podendo chegar a até R$ 50 milhões.

Autor: Antonio Gaspar - DiárioNet - Terra Notícias
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Brasil é 42º país menos vulnerável a mudanças climáticas, diz consultoria

Empresa analisa capacidade dos países de se adaptar aos impactos do fenômeno.

     O Brasil é o 42º país menos vulnerável ao impacto das mudanças climáticas, de acordo com um ranking preparado pela consultoria de risco britânica Maplecroft.

     O Climate Change Vulnerability Index (CCVI) - Índice de Vulnerabilidade à Mudança Climática, em tradução livre - analisou a capacidade de 168 países de suportar e se adaptar aos efeitos das mudança climáticas.

     No índice, o Canadá aparece como o país mais preparado para lidar com o problema e, portanto, menos vulnerável, seguido de Irlanda, Noruega, Dinamarca e Suécia.

     Uma das surpresas do ranking foi a posição ocupada pelo Uruguai, que é o 9º país menos vulnerável. Os Estados Unidos aparecem em 11º , e a Grã-Bretanha, em 12º.

     Entre os países latino-americanos, o Suriname ficou em 24º, o Chile em 29º, e a Argentina em 36º. O país mais vulnerável é Comores, seguido de Somália, Burundi, Iêmen e Níger.

     Análise

     O CCVI não tenta prever mudanças na ocorrência de desastres naturais - como secas, enchentes e tempestades - ou em ecossistemas em consequência da mudança climática.

     Em vez disso, a análise se concentra na "capacidade de indivíduos, comunidades e sociedades de mitigar os riscos" que resultam dessas mudanças na ocorrência de desastres naturais.

     Ao analisar a vulnerabilidade de cada país, os autores levaram em conta fatores diversos divididos em seis grupos: economia, recursos naturais e ecossistemas, pobreza, desenvolvimento e saúde, agricultura, população e infra-estrutura e instituições e governo.

     A Maplecroft utilizou dados de agências da ONU, do Banco Mundial e da Comissão Européia, entre outras instituições.

Fonte: BBC - G1

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

IPCC adverte sobre falta de tempo para lutar contra mudança climática

     O presidente do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC), Rajendra Pachauri, advertiu hoje na Expo Internacional de Zaragoza que é preciso ter "coragem" e ser "realista" para enfrentar o "pouco tempo" que existe para lutar contra a mudança climática.

     O economista indiano, que há anos lidera uma incansável luta a favor do meio ambiente, insistiu que é preciso ser valente para não ficar no meio do caminho contra a mudança climática, "pois há muito pouco tempo para reagir".

     As principais pautas a serem seguidas para frear a mudança climática são, segundo o presidente do IPCC, a adaptação aos efeitos que já estão acontecendo em todas as partes do mundo e a redução da emissão de gases que causam o efeito estufa até um nível "aceitável".

     "A mensagem que eu daria é de que todo o mundo tem que fazer uso eficiente" da água, disse Pachauri, que lamentou que em Nova Délhi as pessoas tomem banho de mais de meia hora por "prazer e diversão, e não por necessidade'.

     Para Pachauri, que dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 2007 em nome do IPCC com o ex-vice-presidente americano Al Gore, a água é um dos elementos mais vulneráveis da qual "temos que cuidar de cada gota".

     Segundo Pachauri, a Expo Internacional de Zaragoza "é uma boa idéia", já que é um encontro entre pessoas que se preocupam em revelar alguns dos aspectos críticos mais importantes da humanidade.

Fonte: EFE - Terra Notícias

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Calor afeta animais em zôo da Sibéria

     As altas temperaturas na Sibéria Central estão afetando os animais nos zoológicos e fazendo com que os tratadores lhes dêem cuidados especiais.
     No zoológico da cidade de Krasnoyarsk, por exemplo, o urso negro Yozhik bebe e se refresca do calor de mais de mais de 30º C com jatos de água gelada.
Água gelada ajuda o urso Yozhik a espantar o calor de mais de 30ºC
Água gelada ajuda o urso Yozhik a espantar o calor de mais de 30ºC (Foto: Reuters)
Fonte: Terra Notícias
Postado por Wilson Junior Weschenfelder


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A Monsanto vai salvar o planeta?

     A Monsanto, empresa fabricante de sementes e insumos agrícolas, ganhou inimizade de boa parte dos ecologistas graças a sua tecnologia de plantas transgências. Um bom número de ONGs ambientalistas teme que os transgênicos possam alterar a genética de plantas convencionais perto das áreas cultivadas. No entanto, o uso de algumas variedades transgênicas consegue reduzir a necessidade de agrotóxicos, o que faz bem para a natureza. A polêmica continua.

     Agora a Monsanto quer se firmar como amiga da natureza. Para isso, está lançando a Iniciativa de Desenvolvimento Sustentável. O planto inclui três metas. A primeira é dobrar o rendimento de sementes de milho, soja e algodão até 2030. Nos próximos cinco anos, a empresa diz que destinará US$ 10 milhões ao setor público de pesquisa para melhorar o rendimento de novas variedades de trigo e arroz. A cada ano, um painel mundial de experts selecionará um projeto diferente, que receberá US$ 2 milhões em investimentos.

     O segundo compromisso da Monsanto é desenvolver, também até 2030, sementes que reduzam em 1/3 a quantidade de recursos para o cultivo das plantas. Variedades de milho, soja e algodão serão capazes de produzir mais sem a necessidade de aumentar a área da lavoura, permitindo menor uso de água, energia e insumos agrícolas.

     E a terceira meta da Monsanto é compartilhar conhecimentos com pequenos produtores e agricultores de baixa renda. A empresa estabeleceu parcerias com produtores de tecnologia e quatro organizações governamentais na África para o desenvolvimento de variedades de milho tolerantes à seca, investimento em banco de sementes e sem cobrança de royalties. A expectativa é melhorar a qualidade de vida desses agricultores ao ampliar a rentabilidade da lavoura e possibilitar a redução de agentes químicos no campo. O milho transgênico tolerante à seca desenvolvido para as condições africanas deve chegar ao mercado em dez anos, segundo a Monsanto.

     Será que essa iniciativa ajuda a mudar a imagem da empresa?

Autor: Alexandre Mansur - Blog do Planeta

Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder



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quinta-feira, 17 de julho de 2008

A guerra pela madeira na Amazônia

     O repórter Alailson Muniz, da Agência Amazônia, descreve a disputa por madeira ilegal no Pará.

     "Numa região de difícil acesso e distante cerca 140 km do município de Santarém, no Oeste do Estado, milícias de madeireiros ilegais estão se matando dentro da mata fechada numa disputa que põe em jogo uma área de mais de 1 milhão de hectares de floresta primária e que possui cerca de R$ 30 bilhões em madeira. Curuatinga fica localizada às margens do rio de mesmo nome, que é afluente do rio Curuá-Una.

     A maneira mais fácil de chegar até a região é por barco. A vida pacata da região começou a mudar depois que várias madeireiras passaram a se instalar na região. Grupos de pessoas armadas passaram a circular dentro da mata, fazendo picos que demarcam as áreas que estão sendo desmatadas de forma ilegal."

     A reportagem completa está aqui.

Autor: Alexandre Mansur - Blog do Planeta

Postado por Wilson Junior Weschenfelder



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Geleiras do Peru podem sumir em 25 anos

Relatório prevê dificuldades de acesso a fontes de água limpa para população andina.

     Cientistas dizem que as geleiras andinas estão derretendo em um ritmo tão acelerado que correm o risco de desaparecer completamente em 25 anos.

     Especialistas em glaciologia se reuniram no Peru nesta semana para discutir formas de frear o derretimento das geleiras, que são uma importante fonte de água e hidroenergia para milhões de pessoas.

Foto

Geleiras andinas podem estar com os dias contados (Foto: BBC/Reprodução)

     Um relatório recente da Universidade do Pacífico do Peru prevê que, em 2025, 70% da população andina vai ter grandes dificuldades de acesso a fontes de água limpa por causa do derretimento das geleiras.

     O fenômeno também pode levar a perdas de até US$ 30 bilhões por ano. "Se quisermos salvar as geleiras, não podemos ficar sem fazer nada", diz Wilson Suarez, professor da Universidade de Montpellier, na França.

     "É um processo global, a tempertaura vai aumentar", acrescenta Suarez. "Estudos têm de ser feitos e temos de nos adaptar com base nos resultados destes estudos."

Fonte: BBC - G1

Postado por Wilson Junior Weschenfelder



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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Vazamento radioativo em usina nuclear da França

     A França é o país com maior quantidade de energia produzida por usinas nucleares. Considerada a opção mais "correta" num país de planícies – mas também de ventos fortes que possibilitariam a utilização da energia eólica, a opção nuclear veio abaixo com o vazamento radiotivo na cidade turística de Avignon no dia 7 de julho. A insegurança da energia nuclear se revela na situação atual em que a população local está impedida de beber a água de dois rios que foram contaminados e de usá-la para irrigação de plantações. Situações como essas deixam populações temerosas de um Chernobyl que se mostra cada vez mais próximo, enquanto a energia limpa, renovável, eficiente e segura não for amplamente disseminada pelo mundo.

Fonte: Greenpecae

Postado por Wilson Junior Weschenfelder



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Greenpeace surpreende pescadores ilegais no Mediterrâneo

     Em atual expedição marinha, o Greenpeace localizou pescadores ilegais no mar Mediterrâneo, em região próxima à Itália. Os marinheiros da embarcação Luna Rossa portavam redes-balão de pesca, que foram proibidas na União Européia por serem consideradas um perigo para animais marinhos maiores, que muitas vezes ficavam enroscados na armadilha. Os ativistas da ONG confiscaram as redes de pesca e denunciaram os piratas para as autoridades locais. Até agora não houve resposta oficial à denúncia.

Fonte: Greenpeace

Postado por Wilson Junior Weschenfelder



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domingo, 13 de julho de 2008

Índia: lixo tóxico contamina 24 anos após desastre

     Centenas de toneladas de lixo ainda apodrecem dentro de armazéns em uma esquina do antigo terreno da fábrica de pesticidas da Union Carbide, quase 25 anos depois de um vazamento de gás venenoso ter matado milhares de pessoas e transformado a antiga cidade de Bhopal, na Índia, em um símbolo notável de desastre industrial.

     Os resíduos tóxicos ainda não foram eliminados. Ninguém examinou até que ponto, ao longo de mais de duas décadas, as substâncias tóxicas se alastraram pelo solo e pela água da região, exceto em checagens esporádicas de uma agência ambiental estadual, que constatou que os resíduos de pesticidas nos poços da vizinhança excediam muito os níveis tolerados.

     Além disso, ninguém deu importância às preocupações daqueles que beberam a água contaminada e cultivavam hortas caseiras em solo contaminado, pessoas cujos filhos agora apresentam doenças que vão de lábio leporino a retardo mental, numa segunda geração de vítimas de Bhopal, embora seja impossível determinar com precisão a causa dessas anomalias.

Na colônia da Lua Azul, meninas pegam água de um tanque. Desde 2004, por ordem da Suprema Corte, o Estado é obrigado a fornecer água potável aos moradores dos arredores da fábrica da Union Carbide onde ocorreu o vazamento de gás venenoso (fotos: The New York Times)

     A demora para que providências fossem tomadas após o desastre daria uma história épica sobre a ineficiência e aparente apatia da burocracia indiana e sobre a falha do governo em exigir que os donos da fábrica se responsabilizassem pelo ocorrido. Mas a questão de quem pagará pela limpeza do terreno de cerca de quatro hectares ganhou nova urgência em um país que hoje se interessa muito em atrair investimentos estrangeiros.

     Foi aqui, em 3 de dezembro de 1984, que um tanque da fábrica expeliu 40 toneladas do gás isocianato de metila, matando todos os que inalaram o veneno enquanto dormiam. Na época, a tragédia foi considerada o pior acidente industrial do mundo. Pelo menos três mil pessoas morreram na hora. Outras milhares morreram posteriormente de efeitos tardios, embora não se saiba com certeza o número exato de vítimas fatais.

     Mais de 500 mil pessoas declararam ter sido afetadas pelo gás e ganharam indenizações, em média de US$ 550. Algumas vítimas dizem ainda não ter recebido dinheiro algum. Esforços para extraditar dos Estados Unidos Warren M. Anderson, presidente da Union Carbide na época, continuam, embora aparentemente sem muitos resultados.

     Grupos de defesa dos moradores locais ainda correm atrás da empresa e do governo. Eles se acorrentam à residência do primeiro-ministro num dia, e protestam em encontros de acionistas no outro, não deixando a tragédia de Bhopal ser esquecida pela Índia. Eles insistem que a Dow Chemical Co., que trouxe a Union Carbide em 2001, se comprometeu legalmente com a fábrica e por isso deveria pagar pela limpeza do local.

     "Se o lixo tóxico tivesse sido eliminado, os lençóis freáticos não estariam contaminados", diz Mira Shiva, doutora que lidera a Associação Voluntária de Saúde, um dos muitos grupos que pressionam a Dow para que se responsabilize pela limpeza do local. "A Dow praticou o primeiro crime. O segundo crime foi a negligência do governo".

Meninos brincam nas águas poluídas do que era, Originalmente, uma fossa a céu aberto usada como repositório do lodo químico da fábrica de pesticidas. O lago chegou a ser coberto com plástico e concreto, mas a cobertura rachou com o calor (fotos: The New York Times)

     A Dow, com sede em Michigan, diz que não é responsável pela limpeza da área, pois não causou os estragos. "Como nunca foi dona da fábrica, não tem nenhuma responsabilidade legal pela tragédia de Bhopal e suas consequências", disse Scot Wheeler, porta-voz da empresa, em uma mensagem de e-mail.

     O próprio governo está agora nos últimos estágios do debate que decidirá quem pagará pela limpeza do local - debate este que iria acontecer atrás de portas fechadas, não fossem os pedidos de divulgação de informações ao público, por parte dos grupos de defesa dos moradores de Bhopal, o que acarretou na revelação de correspondência intra-governamental.

     Foi revelado que um braço do governo, o Ministério de Química e Petroquímica, incumbido de limpar o local do desastre, pediu a Dow um depósito de US$ 25 milhões como custos de remediação, enquanto outros altos funcionários alertaram que pressionar a Dow dessa forma poderia comprometer futuros investimentos no país.

     Um alto funcionário do governo, proibido de dar declarações públicas a respeito do polêmico assunto, descreveu o dilema: "Você prefere um investimento de um bilhão de dólares, ou prefere que essa situação complicada continue?" disse o oficial, chamando a isso de "impasse".

     Espera-se que o governo tome uma decisão no final deste ano. Além de decidir quem pagará pela limpeza do local, também é preciso justificar por que 425 toneladas de lixo tóxico - alguns grupos alegam que há ainda mais lixo enterrado no terreno - permaneceram no local por 24 anos após o vazamento de gás.

Encarregado da segurança caminha por uns dos edifícios que faziam parte da Union Carbide. Quase 25 depois do vazamento de gás venenoso na fábrica, centenas de toneladas de lixo se acumulam nos armazéns no terreno em que ficava a indústria de pesticidas (fotos: The New York Times)

     Existem muitas respostas para isso. Primeiro, permitiram que a empresa devolvesse o terreno ao governo antes da limpeza. Segundo, processos de grupos de defesa ainda estão tramitando pelos tribunais. E por fim, uma rede de agências governamentais letárgicas, e aparentemente apáticas, não consegue se organizar em conjunto.

     O resultado disso é um terreno infértil no coração da cidade. O antigo solo da fábrica, congelado no tempo, constitui uma floresta de cerca de quatro hectares com tanques corroídos e canos que abrigam insetos, em que o gado pasta e as mulheres procuram por arbustos para cozinhar no jantar.

     Desde o desastre, decisões impensadas por parte dos residentes locais só aumentaram os problemas e o risco de saúde a que estão sujeitos. Um pouco além dos limites da fábrica existe uma fossa a céu aberto. Ela costumava ser usada como repositório do lodo químico da fábrica de pesticidas e agora é um lago em que crianças e cães mergulham nas tardes quentes. Suas margens são banheiros a céu aberto. No período de chuvas, o lago transborda pelas ruas lamacentas do cortiço.

     O cortiço se formou logo após o vazamento de gás. Pessoas carentes migraram para o local, à procura de terras baratas, e construíram seus lares à beira do lago de lodo. O lago foi uma vez coberto com concreto e plástico. Mas no calor intenso, a cobertura de concreto se partiu.

     Inexplicavelmente, os primeiros testes dos lençóis freáticos no local foram conduzidos apenas 12 anos após o vazamento de gás. O órgão de controle de poluição estadual revelou que os lençóis continham vestígios de pesticidas como endosulfano, lindano, triclorobenzeno e DDT. Mas os sedimentos do solo não foram testados. E a água do local nunca foi comparada às águas de outras cidades vizinhas.

Akash, 6 anos (esq.), nasceu sem o olho esquerdo, não enxerga nem fala direito - problemas causados, segundo seu pai, pela água contaminada. Eles vivem no cortiço de Shiv Nagar a 800 metros da fábrica de pesticidas  (fotos: The New York Times)

     O órgão de poluição não viu razão para alarde. No entanto, em 2004, devido a reclamações de residentes da área, a Suprema Corte ordenou que o Estado fornecesse água potável aos moradores dos arredores da fábrica. Na época, 20 anos desde o acidente já tinham se passado.

     "É um escândalo que o lixo tóxico ignorado pela Union Carbide por 20 anos agora tenha migrado para o solo e contaminado o lençol freático sob a fábrica e a vizinhança", escreveu Claude Álvares, monitor da Suprema Corte da Índia, que visitou o local em março de 2005. Ele provou a água de um poço local. "Tive que cuspir tudo", contou em seu relatório. A água "tinha um gosto terrível de produto químico". As mulheres da vizinhança ainda mostraram os utensílios corroídos pela água.

     Como aponta o relatório, o governo estava ciente da probabilidade de contaminação há muito tempo. Um centro de pesquisa governamental avisou há 10 anos que se os resíduos tóxicos não fossem tratados, eles se espalhariam pelo solo e pela água da região.

     Por volta da mesma época, sob pressão pública, autoridades do Estado finalmente recolheram os resíduos tóxicos em volta do terreno da fábrica e colocaram-no dentro de um armazém. O armazém foi trancado apenas há quatro anos. O resíduo armazenado no local deveria ter sido incinerado na cidade vizinha de Gujarat, mas o governo ainda não encontrou uma empreiteira que esteja disposta a empacotar o lixo em pequenas unidades transportáveis. A autorização para transporte também está atrasada, e grupos de cidadãos levantam novos questionamentos quanto ao perigo de se transportar o lixo tóxico.

      Ajay Vishonim, Ministro da Saúde e do Gás, disse estar confiante de que nenhum resíduo apresente mais riscos a esta altura, e que não houve, em sua opinião, comprovação satisfatória de que o lixo tóxico causou a contaminação do lençol freático. "É sensacionalismo", disse.

Fareeda Bi e seus filhos Hassan (esq.) e Nawab Mian, em casa em Arif Nagar, outro cortiço próximo à fábrica. Os meninos não conseguem controlar os músculos e mal conseguem se manter em pé, locomovendo-se pela casa como passarinhos recém-nascidos. A mãe diz que o estado dos filhos se deve à água contaminada (fotos: The New York Times)

      Em 2005, um estudo financiado pelo Estado requisitou que pesquisas epidemiológicas de longo prazo determinassem o impacto da água contaminada no local, e concluiu que embora os níveis de resíduos tóxicos não fossem altos, a contaminação da água e do solo causaram um aumento de doenças respiratórias e gastrointestinais.

     No cortiço de Shiv Nagar, a cerca de 800 metros da fábrica, vive o garoto Akash, que nasceu sem o olho esquerdo. Ele tem seis anos e não enxerga nem fala direito. É uma criança alegre que brinca nas ruas perto de casa.

     Seu pai, Shobha Ram, um doceiro que comprou o terreno na região muitos anos depois do vazamento de gás, construindo sozinho uma casa de dois cômodos, disse que o problema do garoto foi causado pelo poço artesanal perto do lago de lodo de onde sua família tirou água por anos.

     Ele disse que nunca havia lhe ocorrido que a água podia estar contaminada com pesticidas. "Sabíamos do incidente com o gás", afirmou. "Mas nunca pensamos que existisse água contaminada tão perto de casa".

     A história se repete em cortiços vizinhos. Na colônia da Lua Azul, Muskan, uma menina de dois anos, não consegue andar, falar ou entender o que acontece ao seu redor. O pai dela, Anwar, culpa a água.

     Em Arif Nagar, os irmãos Nawab e Hassan Mian, de oito e doze anos, se locomovem feito passarinhos recém-nascidos, mal conseguindo se manter em pé. Eles não conseguem controlar os músculos. A mãe deles, Fareeda Bi, não tem certeza da causa da doença, mas também culpa a água. "Existem outras crianças assim na vizinhança, que não conseguem andar, nem enxergar", disse.

     Para agravar a tragédia, não há como saber até que ponto a água é responsável por isso. O governo suspendeu os estudos de Saúde Pública de longo prazo há muitos anos.

     Veja mais imagens sobre o acidente em Bhopal disponível na Internet:

Autor: Somini Sengupta (tradução: Amy Traduções) - The New York Times - Terra Notícias

Postado e adaptado por Wilson Junior Weschenfelder



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