terça-feira, 19 de junho de 2007

Cientistas americanos alertam sobre ameaças da mudança climática

     Seis especialistas de algumas das mais prestigiosas instituições científicas dos Estados Unidos alertam em uma publicação britânica que a civilização está ameaçada pela mudança climática.
     Os seis cientistas criticam implicitamente o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), da ONU, por subestimar a elevação do nível dos oceanos neste século como conseqüência do derretimento das geleiras e das calotas polares.
     Em vez de uma elevação de 40 centímetros do nível do mar, prevista pelo IPCC, os cientistas americanos - liderados por James Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa - prevêem que o nível dos oceanos subirá vários metros até 2100.
     O relatório alarmante da equipe de cientistas, divulgado hoje pelo jornal britânico "The Independent", foi publicado na revista "Philosophical Transactions of the Royal Society".
     Além de Goddard, assinam o trabalho Makiko Sato, Pushker Kharecha e Gary Russell, também do Instituto Goddard; David Lea, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara; e Mark Siddall, do Lamont-Doherty Earth Observatory na Columbia University, de Nova York.
     No estudo, de 29 páginas, intitulado "A mudança climática e os gases estufa", os seis pesquisadores renunciam em algumas ocasiões à fria linguagem científica para insistir na importância dos problemas e desafios impostos pelo aquecimento do planeta.
     Os especialistas afirmam que "a civilização se desenvolveu e construiu amplas infra-estruturas durante um período de estabilidade climática pouco comum, o Holoceno, que já dura quase 12 mil anos e que está perto de acabar".
     Segundo os cientistas americanos, a humanidade não pode permitir a queima continuada das reservas subterrâneas de combustíveis fósseis restantes, pois fazê-lo significa que terá "um planeta diferente do que serviu de suporte à atual civilização".
     Segundo James Hansen, a humanidade tem apenas dez anos para aplicar as duras medidas necessárias para reduzir as emissões de CO2 para evitar a elevação das temperaturas do planeta.
     Se não for assim, o aquecimento resultante pode fazer com que as calotas polares se derretam rapidamente, processo que se agravará ainda mais quando a luz do sol, que atualmente é refletida pela superfície branca dos gelos, começar a ser absorvida pelas escuras águas marinhas.
     Trata-se do efeito albedo, ou seja, a reflexão da radiação solar quando incide sobre o planeta: as superfícies claras, por exemplo, o gelo e a neve, se caracterizam por um maior albedo, enquanto as florestas, as rochas e os oceanos - superfícies obscuras - têm um inferior.
     O último relatório do IPCC atribui um efeito mínimo ao derretimento dos gelos da Groenlândia e da Antártida sobre a elevação do nível dos oceanos neste século.
     Os especialistas americanos discordam: para eles, as análises do IPCC não consideram suficientemente a "física não-linear da desintegração" das placas, correntes e plataformas de gelo.
     Sua conclusão é que o nível de risco representado pelos gases liberados pela ação do homem é muito mais baixo do que normalmente se pensa e, se já não foi atingido, é certo que demorará muitas décadas antes de se chegar ao ponto crítico.
 
Autor: EFE - Terra


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Europa encomenda novo satélite ambiental

     A Agência Espacial Européia (ESA) encomendou à companhia Thales Alenia Space um satélite Sentinel 1, o primeiro de uma série de sondas que acompanharão, ao vivo, as mudanças ambientais do planeta, durante o 47º Salão Aeroespacial de Le Bourget, nos arredores de Paris.
     Os cinco membros da família Sentinel substituirão o Envisat, o maior satélite de observação da Terra, que em março passado superou os cinco anos de vida para os quais havia sido construído.
     "Fizemos a escolha por satélites menores, mas especializados, que permitem reduzir o risco" de fracasso no momento do lançamento, explicou Volker Liebig, diretor dos programas de observação da Terra na ESA.
     O Sentinel 1 é o primeiro elemento do futuro Observatório Global para o Meio Ambiente e a Segurança (GMES, na sigla em inglês), que constitui uma rede de vigilância terrestre.
     Segundo Liebig, o Envisat dispõe de combustível suficiente para durar até 2010 e, se tiverem êxito os programas de economia de combustível, poderá inclusive prolongar sua vida útil até 2011 ou 2012.
 
Autor: France Presse - G1


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segunda-feira, 18 de junho de 2007

Comissão aprova aumento de penas para crimes ambientais

     A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovou, no último dia 30.05, o Projeto de Lei nº 80/07, do Deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), que muda artigos da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) para aumentar as penas previstas para várias ações danosas ao meio ambiente. As mudanças atingem especialmente os casos de desmatamento; morte de animais aquáticos; atividades de mineração; e danos ecológicos em áreas de preservação permanente.
     A relatora, Deputada Marina Maggessi (PPS-RJ), apresentou parecer favorável e destacou que o projeto dará às autoridades meios mais eficazes de combater práticas ilegais. "Notadamente aquelas em escala empresarial, como a extração e o comércio ilegal de madeira, carvão e lenha, a mineração sem licença e os danos à vegetação em áreas de preservação permanente."
 
Desmatamento e poluição
     A detenção de um a três anos prevista atualmente para destruição ou corte de árvores de floresta considerada de preservação permanente foi transformada em pena de reclusão, com acréscimo de multa. Atualmente, todas as penas podem ser trocadas por multa, caso a Justiça considere mais adequado.
     Segundo o projeto, a destruição de florestas nativas ou plantadas e da vegetação fixadora de dunas ou protetora de mangues será crime punido com reclusão de um a três anos e multa. Atualmente, esse ato é sujeito a detenção de três meses a um ano e multa. No caso de desmatamento de floresta em terras de domínio público ou devolutas sem autorização, a pena será ampliada para reclusão de dois a quatro anos.
     Para casos de morte da fauna aquática por poluição das águas, a legislação atual estabelece apenas a detenção de um a três anos. Segundo o projeto, a pena passará a ser de reclusão por três anos, acrescida de multa.
 
Mineração
     Os crimes relativos a atividades de mineração passarão, segundo o texto, a ter penas de reclusão de um a dois anos e multa. Atualmente, essas práticas são punidas com detenção de seis meses a um ano. Entre os crimes especificados no projeto, estão:
- Extrair pedra, areia, cal ou minerais de florestas de domínio público ou consideradas de preservação permanente;
- receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal sem exigir a licença do vendedor;
- executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem autorização dos órgãos ambientais.
 
Legislação branda
     De acordo com Mendes Thame, o combate aos crimes ambientais é dificultado pela excessiva brandura da legislação ambiental. "Hoje, quando se consegue prender o traficante ou o comerciante de madeira ilegal, ele simplesmente paga uma fiança e depois sai livre", ressaltou. Mendes Thame destacou que a atual legislação representa um estímulo à prática de infrações, "tendo em vista o alto lucro proporcionado pelos crimes ambientais".
      Ele enfatizou que a prática de crimes ambientais "é organizada, estratificada e departamentalizada, e adquire características empresariais e semelhantes às atividades de máfia".
 
Tramitação
O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, antes de seguir para o Plenário.
 
 


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sexta-feira, 15 de junho de 2007

ONU: 20% da América do Sul pode virar deserto

     A América do Sul pode perder até um quinto de suas terras produtivas até 2025, alerta a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD, sigla em inglês).
     Segundo a entidade, o processo de desertificação no continente sul-americano tem se intensificado nos últimos anos, principalmente em países de grandes extensões, como a Argentina e o Brasil.
     Em entrevista à BBC Brasil, o oficial da unidade de facilitação para América Latina e Caribe da UNCCD, o brasileiro Heitor Matallo, afirma que as mudanças climáticas estão agravando o problema.
     "Há um ciclo em que um fenômeno alimenta o outro. Se o meio ambiente é degradado com desmatamento e erosão, os reservatórios de água diminuem, aumentando as áreas desertas", afirma Matallo.
     "Por sua vez, essas terras degradadas influenciam no clima, impedindo a formação de chuvas e aumentando ainda mais a desertificação."
     As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, dois dias antes do Dia Mundial da ONU para o Combate à Desertificação. Este ano, a campanha aborda a ligação entre a desertificação e o aquecimento global.
 
     Perdas econômicas
     Segundo Matallo, 1,5 milhão de km² do território brasileiro são compostos de áreas semi-áridas e abrigam 40 milhões de pessoas. A Argentina, com território de 3 milhões de km², tem 1,75 milhão de Km² cobertos pelo deserto.
     O representante da ONU diz que a área semi-árida do nordeste brasileiro, com o clima sujeito a secas freqüentes, vem aumentando com a degradação ambiental e as mudanças climáticas.
     "Se até 2050 a temperatura do planeta subir 6 graus, a área semi-árida do nordeste pode aumentar outro milhão de quilômetros quadrados", estima Matallo.
     "Sem falar da Amazônia, que já sofre com os efeitos da seca." Matallo ainda ressalta que as perdas econômicas provocadas pela desertificação na América Latina chegam a US$ 20 bilhões por ano.
     "Só o Brasil perde US$ 5 bilhões em solos que se tornam improdutivos." A desertificação é um processo que leva à degradação das terras, tornando-as improdutivas.
     Pode ser causada pela ação humana, entre outros fatores. O uso incontrolado da terra para cultivos e pastagens, além do desmatamento e pouca irrigação, estão transformando terras férteis em desertos.
     A ONU estima que a desertificação atinja cerca de 30% das terras do planeta, que abrigam cerca de 1,2 bilhão de pessoas.

Autora: Fernanda Nidecker - BBC Brasil


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Paris vai 'fritar' com aquecimento

     As mortais ondas de calor na região do Mediterrâneo, como as que mataram cerca de 18 mil pessoas em 2003, podem se tornar corriqueiras neste século se as tendências atuais de emissão dos gases do efeito estufa não sofrerem alterações, disseram pesquisadores nesta sexta-feira (15/06). 
     O número de dias perigosamente quentes na região do Mediterrâneo, que inclui territórios na Europa, na África e no Oriente Médio, pode aumentar de 200% a 500%, segundo um estudo publicado na revista "Geophysical Research Letters. A França registraria a maior elevação no número de dias extremamente quentes, segundo o estudo.
     Paris iria literalmente fritar caso as simulações citadas no artigo se verifiquem efetivamente -- a capital francesa registraria durante dezenas de dias por ano temperaturas superiores às da época da letal onda de calor de 2003.
No entanto, a redução das emissões de gases do efeito estufa tornaria 50% menos intensos os dias perigosamente quentes, afirmaram os autores do estudo, no qual se analisaram simulações climáticas abrangendo o período até 2099.
     Cerca de 15 mil pessoas morreram na França devido à onda de calor de 2003 e quase 3.000 na Itália naquele mesmo verão. "Hoje os acontecimentos raros, como a onda de calor que atingiu a Europa em 2003, tornam-se muito mais comuns na medida em que aumenta a concentração de gases do efeito estufa", disse em um comunicado o pesquisador Noah Diffenbaugh, da Universidade Pardue, em Indiana.
     Diffenbaugh acrescentou que essas temperaturas "tornam-se o padrão e que os eventos extremos previstos para o futuro não terão precedentes quanto à sua violência". Os dias mais quentes dos verões de hoje, segundo o pesquisador, vão se transformar nos dias mais amenos dos verões futuros. Também participaram do estudo outros cientistas dos EUA, da Itália e da China.
     Além da ameaça à vida, essas temperaturas extremamente elevadas poderiam prejudicar a economia da região mediterrânea, afirmou Jeremy Pal, da Universidade Loyola Marymount, na Califórnia, e co-autor do estudo. No total, 21 países são banhados pelas águas do Mediterrâneo, o que inclui as cidades de Roma, Paris, Barcelona, Argel, Cairo, Istambul e Tel Aviv.
Fonte: Deborah Zabarenko - Reuters/G1


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quinta-feira, 14 de junho de 2007

"Doenças ambientais" matam 233 mil por ano no Brasil

     Cerca de 233 mil pessoas morrem todo ano no Brasil por exposição a fatores de risco ambiental, como poluição, água não tratada e grandes estruturas urbanas, revelou nesta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).
     Significa dizer que 19% de todas as mortes no país poderiam ser evitadas se fossem adotadas políticas públicas eficientes, de acordo com os dados do primeiro levantamento deste tipo feito pela entidade sediada em Genebra.
Menino ao lado de esgoto aberto em favela do Rio
Falta de saneamento mata 15 mil por ano no Brasil, diz OMS
     Falta de higiene, saneamento básico e poluição do ar matam 32 mil brasileiros por ano, indicaram os dados.
     A pesquisa levou em consideração as condições enfrentadas pelos brasileiros em seu dia-a-dia.
     Em um país em que 84% da população vive nas cidades, a poluição do ar mata 12,9 mil pessoas por ano.
     Com 22% das pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, a falta de água tratada e de redes de esgoto tiram a vida de 15 mil brasileiros por ano.
     A OMS disse ainda que 4,1 mil mortes por ano poderiam ser evitadas se 13% dos lares brasileiros que hoje utilizam carvão ou madeira para cozinha substituíssem esses combustíveis por alternativas consideradas limpas, como gás encanado.
 
Crianças com malária na África
Um quarto das doenças poderia ser evitada
com medidas eficientes

     "Estas estimativas por país são um primeiro passo na direção de ajudar governantes em relação às prioridades para ação preventiva nas áreas de saúde e meio ambiente", disse a diretora-geral assistente de Desenvolvimento Sustentável da OMS, Susanne Weber-Mosdorf.
     É importante quantificar o peso das doenças causadas por ambientes pouco saudáveis. Esta informação é chave para ajudar os países a escolher as intervenções apropriadas.
 
Fonte: BBC Brasil


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quarta-feira, 13 de junho de 2007

Pegada ecológica e social

     Quanto aguenta a Terra em sua generosidade ao nos forncecer todas as condições para que possamos viver, nos reproduzir e coevoluir? Não só nós mas toda a comunidade de vida que vai das bactérias aos vegetais e animais? Ela é um planeta pequeno, finito em seus recursos e já velho. Temos que viver dentro das capacidades de fornecimento e de reposição, próprios da Terra e não ao nosso bel prazer. A espécie homo sapiens/demens ocupou 83% do planeta e consumiu excessivamente a ponto de a Terra já ter ultrapassado em 25% sua capacidade de recarga. A seguir esta lógica, o planeta quebra como qualquer empresa que gasta mais do que ganha.
     Como todos extraem da Terra seus recursos para viver, quanto de chão cada um precisa para garantir sua sobrevivência? Quanto de terra produtiva, área florestal, energia, habitação, água, mar, urbanização e capacidade de absorção dos dejetos cada pessoa necessita? A esse conjunto de fatores ecológicos e sociais se chama de pegada ecológica e social, expressão cunhada por Martin Rees e Mathis Wackernagel ao fazerem um estudo sobre o tema para o Conselho da Terra em 1977. Eles tomaram como referência de cálculo o número de hectares necessários para que cada um, cada cidade e cada pais possam viver de forma minimamente decente. O planeta dispõe de 10.8 bilhões de hectares produtivos que é menos que 25% de sua superfície. Para cada pessoa viver fazem-se necessários pelo menos 2.8 hectares. Esta seria a pegada ecológica média geral.
     Como 18% da humanidade consome 80% dos recursos vitais e os hábitos de consumo variam consoante as regiões e as culturas, varia também a porcentagem de hectares per capita usados. Assim a Europa, os Estados Unidos, o Japão, a India e a China vivem muito acima daquilo que lhes é permitido por seus recursos ecológicos, com uma pegada que vai de 200% até 600% (é o caso do Japão) de sua biocapacidade nacional. Isto significa que se uma região se apropria de mais hectares para manter seu alto nivel de consumo (Norte), a outra deverá forçosamente ocupar menos (Sul). Em outras palavras, o consumo alto de um pais ou região comporta um sub-consumo baixo no outro. Por ai se entende a profunda falta de equidade na repartição dos bens e o caráter desigual de todo o processo de produção e consumo mundial.
     A biocapacidade total do território brasileiro é de 18.615.000 pontos. A pegada ecológico-social brasileira é de 2.6 hectares. Nossa biocapacidade excede tanto a nossa demanda que o Brasil poderia ser a mesa posta para as fomes e as sedes do mundo inteiro. Mas nos paises notam-se profundas diferenças. Enquanto um habitante de Bengladesh possui uma pegada de 0,5 hectares, a de uma norte-americano é de 9,6. Em outras palavras, se todos os habitantes da Terra tivessem o nivel de consumo norte-americano, precisaríamos de três Terras semelhantes a nossa para garantirmos os recursos energéticos e materiais suficientes. Vivemos, pois, sem nenhuma humanidade e solidariedade. Por isso esse modo de viver é totalmente insustentável e pode levar ecologicamente a Terra a um colapso.
     O ideal que a Carta da Terra propõe para todos é um "modo sustentável de viver": produzir em consonância com os sistemas vivos, contendo nossa voracidade e dando tempo para que a Terra se regenere e continue a oferecer a nós e à comunidade de vida tudo o que todos precisam.
 
Fonte: Jornal do Meio Ambiente


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domingo, 10 de junho de 2007

A Omissão Conveniente

 

     Desde os primórdios do homem moderno, o planeta Terra tem sido escravizado para servir aos propósitos do poder e da ganância. Durante esta longa história podemos citar diversas guerras e conflitos com o intuito do crescimento a qualquer custo e com a mínima preocupação com a vida que habita o planeta.
Com o uso das bombas nucleares e o fim da Segunda Guerra Mundial, acreditou-se que em qualquer situação a vida no planeta seria garantida com o progresso da ciência e da tecnologia, pois se direcionavam à satisfação humana e poderiam resolver os problemas vindouros. É claro que a ciência moderna proporcionou melhorias para a vida das pessoas, mas também não podemos esquecer do preço que será cobrado, direto ou indiretamente, pelo seu uso irracional e inconseqüente, que gera a poluição do ar, da água, do solo e, conseqüentemente, pela alteração do clima, extinção de plantas e animais e pela deterioração da qualidade de vida humana.
     Mesmo sempre ocorrendo debates sobre o meio ambiente e desenvolvimento sustentável e com a existência de Leis que protegem o meio ambiente para o uso racional e para garantir seu uso pelas gerações futuras, cada vez mais podemos notar que as ações são deixadas de lado e sendo usadas apenas como um mero marketing ambiental.
     Nesta discussão, faço uma analogia ao documentário "Uma Verdade Inconveniente" do candidato ao governo dos Estados Unidos da América, Al Gore, que trata principalmente da alteração do clima em conseqüência das atividades humanas e do crescimento industrial. Assim, enfocando somente a questão da água, um bem essencial para o desenvolvimento de todos os seres vivos, no município não está tendo seu devido cuidado.
Aqui, despejamos uma quantidade enorme de esgotos em diversos córregos e sangas que deságuam diretamente no Arroio Castelhano (Figura 1). Nele, também encontramos resíduos químicos e agroquímicos que seguem em direção ao Rio Taquari e assim por diante. Nos últimos anos, com a expansão do distrito industrial, também estamos poluindo o Arroio Taquari Mirim através da Sanga do Areial que passa no interior do Parque do Chimarrão.


Fig. 1: Sanga do Cambará, vista da ponte do acesso Grão Pará, despejando esgoto no Arroio Castelhano.



     Estes resíduos causam a morte de peixes, mamíferos, aves e o desequilíbrio do ecossistema aquático e quando é captada para uso humano, gera doenças e até a morte.
     No caso específico do Arroio Castelhano, devemos enfatizar que o curso d'água abastece mais de 35.000 habitantes da área urbana, usando milhões de litros de água/dia. Suas principais nascentes ficam em Linha Datas e Linha Alto Paredão (Santa Cruz do Sul), possuindo uma extensão superior a 120 quilômetros até desaguar no Rio Taquari. Quase não possui matas em suas margens, deixando-o suscetível a desmoronamentos e ao assoreamento. Sofreu diversas intervenções que o estão dizimando, uma delas é a alteração em seu leito natural por mais de 4 quilômetros realizado para aliviar as cheias e, em conseqüência, aumentando as enchentes na área urbana. É o único curso d'água que, pela mão do homem, "anda para trás" (Figura 2), pois as águas do curso alterado foi direcionado para uma curva inversa ao escoamento natural fazendo o arroio "andar" em torno de 150 metros ao contrário. Também, com as mudanças de seu leito natural, hoje existem pelo menos 8 ilhas no Arroio Castelhano (Figura 2), que no verão são áreas de proliferação de mosquitos e outros vetores de doenças.


 
Fig. 2: Imagem do Google Earth do local onde há diversas intervenções, uma é onde o arroio alterado foi direcionado para o leito natural do Arroio Castelhano, fazendo com que o curso d'água "ande para trás" e a formação de ilhas por causa da retificação.


     Em meados de 2004, foram dizimados a vegetação e os animais em conseqüência de duas queimadas criminosas que acabaram com, no mínimo, 160 hectares de mata em suas nascentes (Figura 3).


Fig. 3: Queimada em Linha Datas, vista da RS-422, que dizimou mais de 160 hectares de mata nas nascentes do Arroio Castelhano.



Fig. 4: Represa para captação de água da Corsan no Arroio Castelhano, onde no verão de 2005 o nível de água era tão baixo que não passava por cima da barragem, conseqüentemente, não corria água.



     Assunto que ficou alheio ao conhecimento da população e omisso pelos órgãos públicos, mas será lembrado caso houver outra seca como a do verão de 2005, pois o desmatamento e as queimadas são técnicas rudimentares que comprometem diretamente a vazão dos cursos d'água (Figura 4). Outro problema é a extração de cascalho nos cursos d'águas, principalmente na região de Monte Alverne (Figura 5) e também, como tratado em reunião da Câmara de Vereadores, no Arroio Sampaio. Esta atividade, com a desculpa de melhorar a vazão e para uso em estradas, acelera a velocidade da água acarretando num maior poder de arraste e de destruição das margens, o que somente transfere o problema para os moradores abaixo.
Com a proliferação de poços artesianos irregulares nos últimos anos, temos um quadro extremamente delicado que é a distribuição e o uso de água com excesso de flúor, causando a queda dos dentes em crianças e problemas ósseos em idosos. Temos também poços com mais de 100 metros contaminados com Escherischia colli (bactéria encontrada em fezes animais), poços contaminados com resíduos de agrotóxicos e poços sem água, pois o lençol freático está sendo rebaixado tão rapidamente que a Corsan já não pode mais utilizar seus poços por não haver mais água.
     Nos cuidados com a água e seu uso, ainda observamos que a população desperdiça água tratada para lavar calçadas e para outros usos desnecessários. Poucos cidadãos dão exemplo de utilizar a água da chuva. Temos, na área urbana, diversos pontos de enchentes em decorrência da impermeabilização do solo através do calçamento e asfaltamento de ruas, passeios públicos, moradias e fábricas. Assim, como as sangas e córregos existentes na área urbana já foram todos canalizados sem um estudo da taxa máxima de impermeabilização e de toda a bacia hidrográfica que estes cursos d'água drenam, Venâncio Aires terá muito mais enchentes nos próximos anos, com o aumento do nível da água nos locais costumeiros e com a ampliação dos locais de enchentes (Figura 6).




Fig. 5: Extração de cascalho no Arroio Castelhano na localidade de Monte Alverne.




Fig. 6: Enchente vista da esquina da rua Jacob Becker e rua Félix da Cunha em dezembro de 2002.



     Desta forma, com os fatos que se apresentam neste início de milênio, esta discussão busca chamar a atenção da população para as verdades e os problemas que poderão vir a causar prejuízos futuros ao município e aos seus munícipes e debater a questão da omissão, pois alguns órgãos públicos atuam para a gestão política, se apresentando passíveis aos interesses do bem comum e das gerações futuras.
     Nesta perspectiva, o cidadão bem intencionado com o bem estar futuro deve estar ciente da problemática ambiental, fazendo jus ao Dia Mundial do Meio Ambiente, e que para mudar esta situação calamitosa eleja pessoas comprometidas com o presente e com o futuro, que incorpore em suas políticas públicas a promoção ao desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida dos munícipes, porque somente falar em mudanças e não colocá-las em prática, será mais uma omissão conveniente.


Wilson Junior Weschenfelder
Biólogo, Especialista em Licenciamento Ambiental
Mestrando em Desenvolvimento Regional


Artigo publicado no Jornal Folha do Mate - Folha Especial do Dia Mundial do Meio Ambiente - referente a alguns problemas ambientais ocorrentes no município de Venâncio Aires/RS.


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sábado, 9 de junho de 2007

Groenlândia já sente efeito do aquecimento

A superfície em degelo aumentou 30% nas últimas três décadas. O derretimento acontece numa velocidade maior do que se pensava.

Foto
Barcos pesqueiros navegam perto de icebergs (Foto: Reuters)
 
 
     A mudança climática arrasa as calotas polares e contribui para números cada vez mais desanimadores sobre o planeta. Na Groenlândia, a maior de todas as ilhas, com 2,6 milhões de quilômetros cúbicos de gelo (10% de toda a água potável do mundo), os últimos levantamentos deixam isso bem claro. Em 30 anos, a superfície em degelo aumentou 30%. Nos últimos tempos, isso aconteceu a um ritmo que varia de 100 a 150 quilômetros cúbicos por ano, o que equivale a todo o gelo dos Alpes.
 
Foto
A Groenlândia, território dinamarquês, tem 2,6 milhões de quilômetros cúbicos de gelo (Foto: Reuters)
 
 
     "As pessoas se assustam quando descobrem que o processo (de derretimento) acontece mais rápido do que se supõe", relata Konrad Steffen, especialista da Universidade do Colorado enviado pelo governo dos Estados Unidos, um dos países que mais sentiriam o efeito devastador se todo o gelo da Groenlândia se perdesse. Cidades como Nova York e Londres ficaram inundadas. Ilhas como as Maldivas praticamente sumiriam.
 
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O especialista Konrad Steffen, a serviço dos Estados Unidos. Nova York ficaria inundada se todo o gelo da Groenlândia derretesse. (Foto: Reuters)
 
 
     Mas não é preciso fazer especulações ou viajar no tempo para sentir o drama. A perda de gelo desaqueceu a indústria do turismo na Groenlândia, fonte importante de renda para a maioria dos 56 mil moradores.
 
Foto
Turistas observam icebergs em Disko Bay (Foto: Reuters)
 
 
Reuters - G1


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quinta-feira, 7 de junho de 2007

Igreja Católica considera a poluição pecado grave

     O presidente do Pontifício Conselho de Justiça e Paz, cardeal Renato Raffaele Martino, afirmou que quem destrói o meio ambiente "comete um pecado grave", em entrevista publicada hoje pelo jornal Il Messaggero.
     O cardeal Martino explicou na entrevista o ponto de vista da Igreja Católica sobre a destruição ambiental, que considera um "insulto a Deus".
     "Jogar uma sacola de lixo na rua é um pecado venial. Mas quem destrói a Amazônia comete uma ofensa grave. Destruir o grande pulmão verde que é a floresta amazônica prejudica toda a humanidade e não só a população local", explicou Martino.
     O cardeal anunciou que o Conselho está estudando a criação de um documento sobre o meio ambiente. Ele comentou ainda que a Igreja Católica sempre mostrou preocupação com o planeta e que no Catecismo se lê que "a terra e seus bens são um dom que o homem pode usar, melhorar, mas não destruir".
     O bispo explica que para defender o meio ambiente "é necessário mudar o estilo de vida, sobretudo no Ocidente". "A mudança tem que começar com um novo caminho educativo, começando pelas escolas. Falta uma educação ambiental em todos os níveis e a percepção das conseqüências da poluição", acrescentou.
     Ele lamentou a falta de um acordo sobre a proteção ambiental entre os países do G8 (os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia), pedindo alguma medida diante do que considerou "um problema urgente".
 
Autor: Agência EFE S/A.
 


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terça-feira, 5 de junho de 2007

Respirando intensamente...

Polinésios vieram à América antes dos europeus


Fósseis de galinhas encontrados no Chile pertencem a linhagens genéticas originárias da Oceania


O estudo analisou o DNA dos mais antigos fósseis de galinha já encontrados na América (montagem: Tim Mackrell).
Antes de os portugueses e espanhóis chegarem ao Novo Mundo, os polinésios já haviam estado na América do Sul, trazendo consigo frangos e possivelmente outras espécies de animais. Isso é o que indicam fósseis de galinha do século 14 encontrados no Chile. A análise do DNA dos ossos mostra que eles pertencem a linhagens da Polinésia, diferentes das dos frangos introduzidos pelos europeus cem anos depois.

Os polinésios teriam vindo ao Novo Mundo navegando pelo Pacífico, em condições similares às da viagem que o norueguês Thor Heyerdahl fez em 1947, em uma embarcação construída com a tecnologia disponível na América pré-colombiana. A bordo do Kon-Tiki , o explorador percorreu cerca de 7 mil quilômetros entre o Peru e as ilhas Tuamotu, na Polinésia, em uma viagem de 101 dias.

A introdução das galinhas nas Américas é objeto de discussão no meio acadêmico há 30 anos. Embora muitos defendam que essas aves tenham sido trazidas pelos europeus, os relatos dos conquistadores espanhóis que chegaram ao Peru em 1532 com Francisco Pizarro indicam que elas já faziam parte de rituais incas. Os especialistas acreditam que, caso elas tivessem sido trazidas pelos europeus, não teria havido tempo o bastante para que elas pudessem ter se integrado aos costumes religiosos dos povos nativos.

A introdução das galinhas por povos vindos da Ásia e da Oceania já havia sido sugerida anteriormente. Para investigar essa hipótese, a equipe da geneticista Elizabeth Matisoo-Smith, da Universidade Massey, em Auckland (Nova Zelândia), extraiu o DNA dos mais antigos ossos de galinha já encontrados nas Américas, provenientes do sítio arqueológico de El Arenal, no centro-sul do Chile. A datação direta dos fósseis indica que eles têm mais de 600 anos, com origem provável entre 1321 e 1407.

O material genético foi comparado com seqüências de DNA de 12 fósseis de galinhas encontrados em cinco arquipélagos da Polinésia. Os resultados da análise, publicados esta semana na revista PNAS , indicam que os fósseis pertencem a linhagens também encontradas em sítios arqueológicos nos arquipélagos de Tonga e da Samoa Americana. A presença de uma determinada seqüência de uma dessas linhagens em galinhas chilenas contemporâneas reforça a conclusão.

Resultados inequívocos
O DNA do fóssil sul-americano foi comparado com o de ossos de galinhas encontrados em sítios arqueológicos em cinco arquipélagos da Polinésia, destacados no mapa – clique para ampliar (imagem: Matisoo-Smith et al./PNAS).
Os autores consideram a assinatura genética encontrada no fóssil estudado uma evidência inequívoca da presença dos polinésios nas Américas antes dos europeus. "Seguimos os protocolos para o estudo de DNA antigo e tivemos nossos resultados replicados de forma independente por um outro laboratório, que chegou às mesmas conclusões", conta Matisoo-Smith à CH On-line . "A hipótese de contaminação de DNA está fora de questão."

As conclusões do estudo vêm se somar a outros indícios de contatos pré-colombianos entre os povos da Polinésia e das Américas. A descoberta em sítios arqueológicos da Califórnia e do Chile de embarcações semelhantes às da Polinésia e a presença de espécies nativas da América do Sul, como a batata-doce ( Ipomoea batatas ), em sítios arqueológicos polinésios anteriores à ocupação européia já haviam sugerido essa possibilidade.

Matisoo-Smith acredita que outras espécies possam ter sido trazidas para a América do Sul. "O rato Rattus exulans foi levado pelos polinésios a praticamente todos os sítios que eles ocuparam", conta a pesquisadora. "Seria de se esperar que esses animais também tivessem sido levados para as Américas."

Novos estudos de fósseis encontrados na Oceania e na América do Sul poderão trazer mais detalhes sobre a data e o local em que os polinésios desembarcaram em nosso continente. "Planejamos visitas a museus chilenos à procura de ossos de ratos em coleções de fósseis e esperamos realizar escavações adicionais na região em busca de mais fósseis de galinhas ou ratos que tragam novas pistas sobre a vinda dos polinésios", afirma Matisoo-Smith.



Bernardo Esteves
Ciência Hoje On-line
05/06/2007


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Servidores do Ibama pedem Ajuda

 
     Nós, servidores do IBAMA em Minas Gerais, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, órgão público responsável pela execução da política nacional de meio ambiente, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, pedimos auxílio das comunidades ambientalistas e científicas para divulgação da pressão que vimos recebendo no Brasil para liberação de grandes obras que atingem extensas áreas da floresta amazônica e do cerrado brasileiros, afetando reservas indígenas, unidades de conservação e áreas ainda bem conservadas, porém muito pouco estudadas, mas com comunidades humanas em vias de deslocamento e desagregação, sem que as alternativas ou limitações a estas obras sejam discutidas abertamente. Tais obras beneficiam as grandes empreiteiras do país, que indiretamente ditam a política nacional. Relação escusa que ficou escancarada na última operação da Polícia Federal, que flagrou membros do Ministério de Minas Energia sendo corrompidos e atuando como lobistas de empresas que têm como objetivo executar obras previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
     Paralelamente, vê-se a continuada e intensa degradação da Amazônia e do Cerrado, o acelerado êxodo rural em função da expansão do agro-negócio e uma imensidão de terras já sem fertilidade, bem como o quadro de miséria e abandono da maioria das unidades de conservação, cujos funcionários se encontram expostos a conflitos sérios sem apoio logístico, financeiro ou jurídico e com precariedade administrativa.
     Pedimos apoio internacional para que a imprensa brasileira tenha maior liberdade para refletir a dimensão da perda que nos ameaça - a perda da oportunidade de estabelecer uma outra forma de desenvolvimento, que seria exemplar, utilizando a nossa imensa diversidade de ambientes, de espécies, de serviços ambientais e de culturas - perdas estas que a sociedade irá sentir, crescentemente, ao longo do tempo. No momento estamos rapidamente convergindo para a escolha comum da humanidade, de dilapidação dos recursos naturais, em uma confusão cruel entre valor e preço.
     Lembramos que:
- O governo brasileiro está empenhado na implantação do PAC a qualquer custo;
- O governo brasileiro já conseguiu a liberação da Transposição do rio São Francisco, apesar dos estudos técnicos que apresentam numerosas técnicas alternativas mais baratas e mais efetivas para prover o abastecimento de água sem os riscos associados à irrigação em um ambiente semi-árido, com grandes e conhecidos estragos já verificados em diversos locais do mundo. O empenho dos recursos para a transposição saiu antes da licença de instalação, atropelando os órgãos ambientais;
     Para o PAC é considerada fundamental a construção de duas barragens no rio Madeira (Jirau e Santo Antônio), no noroeste do país, afluente do rio Amazonas com elevada carga de sedimentos que descem dos Andes e imensa biodiversidade. Mas sua aprovação vem sendo forçada por chantagens como a troca por usinas nucleares ou termelétricas.
     A Ministra Marina Silva, apesar da relevância de sua figura pública, nos últimos quatro anos se mostrou submissa e omissa aos interesses do desenvolvimento in-sustentável, que imita o modelo irresponsável do passado do país, e se mostra ativa no asfixiamento progressivo do IBAMA, responsável pela execução da política ambiental de forma integrada, via corte de verbas e redução de poder de decisão e criação, no próprio MMA, de estruturas concorrentes com setores do IBAMA.
     O "torniquete" culminou com a divisão arbitrária do IBAMA, de que nem seus assessores diretos no Ministério do meio Ambiente foram informados, denegrindo todo o passado da ministra, de defesa da transparência e do compartilhamento de decisões;
     A imprensa brasileira, em grande parte, não se sensibilizou e não detectou as reais intenções por trás da divisão do IBAMA, que levará à oneração da gestão ambiental e ao enfraquecimento das decisões.
     A que interesses atende a divisão do órgão máximo de gestão ambiental do país, neste momento, sem discussão profunda e aberta? O isolamento do licenciamento ambiental em uma instituição despida dos centros de pesquisa sugere uma intenção de tirar sua força e sua legitimidade, inclusive perante a comunidade científica nacional e internacional.
     O surgimento de verbas suficientes para financiar esta divisão, custosa em termos administrativos, após quatro anos de falência do IBAMA, sem carros, sem telefone ou luz em diversos locais, sugere que estes recursos ficaram guardados de forma irresponsável, como é o caso das centenas de milhões de reais em recursos de medidas compensatórias.
- Exigimos que o discurso ambientalista não seja desqualificado em prol de um suposto desenvolvimento;
- Exigimos respeito às pessoas que arriscam suas vidas e a de suas famílias na defesa em campo do meio ambiente e das populações rurais, que o isolamento na capital federal faz esquecer;
- Exigimos que os princípios de participação e compartilhamento, tão defendidos para a sociedade em geral pelo atual governo, se estenda aos que se encontram isolados nos rincões do país defendendo o desenvolvimento responsável em termos sociais e ambientais, e realmente fazendo, corpo a corpo, a interação com as comunidades, com custos infinitamente menores e resultados infinitamente maiores do que os da indústria de consultorias que prevalece no Ministério do Meio Ambiente.
- Exigimos o envio de nova Medida Provisória revogando a MP 366/07, de modo a permitir uma discussão aberta. 
 
 
Jornal do Meio Ambiente
Data: 5/6/2007
Fonte: http://www.jornaldomeioambiente.com.br/JMA-index_noticias.asp?id=12924


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domingo, 3 de junho de 2007

Ativação de região cerebral prediz altruísmo

     Pesquisadores da Duke University Medical Center descobriram que a ativação de uma região cerebral particular prediz se a pessoa tende a ser egoísta ou altruísta.
     "Embora o entendimento da função dessa região do cérebro possa não identificar necessariamente o que conduz uma pessoa como Madre Theresa, isso pode dar pistas das origens de comportamentos sociais importantes como o altruísmo", disse o investigador do estudo Scott A. Huettel, Ph.D, neurocientista do Brain Imaging and Analysis Center.
     O altruísmo descreve a tendência de as pessoas agirem de maneira a colocarem o bem-estar dos outros a frente do seu próprio. O motivo pelo qual algumas pessoas escolhem por agir de forma altruísta não é claro, disse o pesquisador principal do estudo Dharol Tankersley, estudante de mestrado no laboratório de Huettel.
     No estudo, os pesquisadores mapearam os cérebros de 45 pessoas, enquanto elas ou jogavam um jogo de computador ou assistiam o computador jogar sozinho. Em ambos os casos, o sucesso no jogo garantia dinheiro para uma caridade da escolha do participante.
     Os pesquisadores mapearam os cérebros dos participantes usando uma técnica chamada imagem por ressonância magnética funcional (fMRI, em inglês), que usa pulsos magnéticos inofensivos para medir mudanças nos níveis de oxigênio que indicam a atividade da célula nervosa.
     Os mapeamentos revelaram que a região do cérebro chamada de sulco temporal superior posterior foi mais ativada quando as pessoas perceberam uma ação - quando elas assistiram o computador jogar - do que quando elas mesmas agiram, disse Tankersley. Essa região, que fica na porção do topo posterior do cérebro, é ativada geralmente quando a mente está tentando compreender relacionamentos sociais.
     Depois, os pesquisadores caracterizaram os participantes como mais ou menos altruístas baseados em suas respostas a questões sobre com que freqüência eles se engajam em diferentes comportamentos de ajuda, e compararam os mapas cerebrais dos participantes com suas estimativas para comportamento altruísta. Os mapas fMRI mostraram que o aumento da atividade no sulco temporal superior posterior profetizou fortemente a probabilidade de uma pessoa ter comportamento altruísta.
     De acordo com os pesquisadores, os resultados sugerem que o comportamento altruísta pode ser originado de como as pessoas vêem o mundo ao invés de como elas agem nele.
     "Nós acreditamos que a habilidade de perceber as ações de outras pessoas como significativas é fundamental para o altruísmo", disse Tankersley.
     Os cientistas sugerem que estudar os sistemas do cerebrais que permitem que as pessoas enxerguem o mundo como uma série de interações significantes pode no final das contas ajudar a entender melhor as doenças como o autismo ou o comportamento anti-social, que são caracterizados por deficiências nas interações interpessoais.
     Agora, os pesquisadores estão explorando maneiras de estudar o desenvolvimento dessa região cerebral no começo da vida, disse Tankersley, acrescentando que essa informação pode ajudar a determinar como as tendências em direção ao altruísmo são estabelecidas.
 
 
Nature Neuroscience
 


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Alternativa ecológica ao cimento de amianto

     
O fibrocimento pode ser usado na confecção de telhas, placas planas e acessórios para construções.
Um novo tipo de cimento desenvolvido no Brasil vem sendo considerado uma alternativa ecológica ao cimento-amianto para a produção de telhas e placas planas. Resultado de pesquisas conduzidas pelo engenheiro civil Carlos Marmorato Gomes após seu doutorado na Universidade de São Paulo (USP), o material usa fibras de escória descartadas de atividades siderúrgicas. Amostras do novo fibrocimento já foram aprovadas em testes de resistência e durabilidade, o que capacita o produto para uso em construções.

     O fibrocimento serve como base para a fabricação de diversos materiais usados em construção. O amianto ainda é o principal componente dos fibrocimentos produzidos atualmente. Para a fabricação de placas planas, porém, o uso do mineral já não é mais preciso. O novo fibrocimento, que, além da escória, é feito de um composto híbrido de fibras poliméricas e celulose, pode substituir o cimento-amianto com vantagens.

     O grande diferencial do novo produto são seus benefícios ecológicos. O uso de fibras de escória vai evitar que esse material seja lançado em aterros sanitários pela indústria siderúrgica, o que prejudica o meio ambiente. Além disso, o novo fibrocimento não é tóxico, ao contrário do produzido com amianto, mineral bastante nocivo à saúde, cancerígeno, e que já teve seu uso proibido em diversos países.

     O fibrocimento feito de escória, que teve seu desenvolvimento finalizado na empresa do engenheiro – a TREND Tecnologia, Pesquisa e Desenvolvimentos, incubada na Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos –, tem ainda vantagens econômicas. Embora o amianto seja mais barato no mercado, o uso do novo cimento pode significar uma redução de até 30% no custo final de produção, já que utiliza material que seria descartado.

     
Telhas e placas planas produzidas com o fibrocimento de escória descartada de siderúrgicas, uma alternativa ao cimento de amianto. (Foto cedida pelo pesquisador).
Para a fabricação de uma telha em laboratório, por exemplo, o pesquisador usou 1,8% de fibras de polipropileno, 2% de fibras de escória, 2% de fibras de celulose e 25% de calcário. O restante foi preenchido com cimento convencional, chamado Portland. Mas Gomes ressalta: "Não se trata de uma receita. As composições podem variar conforme as necessidades do produto e do sistema de produção."

     Alternativas ao cimento-amianto têm sido bem aceitas no mercado. Elas já representam a maior parte das vendas tanto do material puro quanto de seus derivados, com exceção das telhas, que ainda usam um percentual de amianto em sua produção. Segundo pesquisa realizada pelo Sindicato Nacional dos Produtores de Artefatos de Cimento em 2003, dos cerca de 400 milhões de metros quadrados (m 2 ) de cobertura existentes no Brasil, aproximadamente 50% eram fabricados em amianto. "Em 2006, esse número subiu para cerca de 420 milhões de m 2 , dos quais 46,7% eram feitos de amianto", afirma Gomes, ressaltando que o mercado para produtos alternativos é promissor. "A tendência é que o novo fibrocimento seja bem aceito, justamente por seus benefícios ecológicos", avalia.



João Gabriel Rodrigues
Ciência Hoje On-line
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/92770


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sexta-feira, 25 de maio de 2007

Hormônio que muda sexo pode exterminar peixe

Os volumes diminutos de estrógeno usados em pílulas anticoncepcionais podem causar colapso nas populações de peixes selvagens, de acordo com um novo estudo.
As conclusões geram preocupação sobre a presença de níveis, mesmo que reduzidos, de estrógeno, nos serviços municipais de esgoto, disse Karen Kidd, a responsável pelo estudo, bióloga do Instituto dos Rios do Canadá, parte da Universidade de New Brunswick.
"As mulheres secretam estrógeno naturalmente, e as mulheres que usam pílulas anticoncepcionais também secretam o estrógeno artificial que essas pílulas contêm", explicou.
"E esses estrógenos, a depender do nível de tratamento dos esgotos locais, podem não ser completamente dissolvidos ao passarem pela estação de tratamento, de modo que é possível que cheguem às águas de rios e riachos locais", afirmou Kidd.
Os peixes machos expostos ao hormônio se tornam afeminados - produzem as mesmas proteínas que os peixes fêmeas fazem para desenvolver suas ovas. Alguns machos que foram testados chegaram eles mesmos a produzir ovas.
"Não é preciso dose muito elevada de estrógeno para afeminar um peixe macho e, com base nos resultados de nossas experiências, para gerar impacto na população de peixes em uma dada região", segundo a bióloga.
Diversos estudos já haviam demonstrado que a exposição ao estrógeno e compostos relacionados afemina peixes machos, mas até agora o impacto dessa questão sobre as populações de peixes selvagens não era conhecido.
Kidd e seus colegas da agência nacional de pesca do Canadá acrescentaram que o estrógeno sintético que é componente das pílulas anticoncepcionais foi localizado em um lago distante e isolado, reservado a esse tipo de experiência, na região noroeste da província de Ontário, Canadá. Por três versões consecutivos, os pesquisadores acrescentaram à água estrógeno em nível semelhante ao constatado em esgotos municipais sem tratamento.
Diversas espécies de peixes vivem no lago, entre as quais o vairão, uma espécie de vida curta. Depois do primeiro verão de estudo, os vairões machos começaram a produzir as proteínas que existem em ovas. No segundo, começaram a apresentar subdesenvolvimento em suas células de espermatozóides. Pouco tempo depois, começaram a produzir ovas. Além disso, as fêmeas começaram a produzir mais proteína de ovas do que o normal, e o desenvolvimento sexual delas também foi prejudicado, de acordo com Kidd.
O resultado foi uma redução na capacidade reprodutiva dos vairões que habitam o lago, o que resultou em um colapso de sua população no segundo ano do estudo, de acordo com as constatações dos pesquisadores.
A população não conseguiu se recuperar nem mesmo depois de dois anos em que os pesquisadores deixaram de acrescentar estrógeno às águas do lago, o que indica que os efeitos do problema são bastante persistentes, de acordo com Kidd.
"As baixas concentrações de estrógeno têm efeito muito dramático, muito severo, sobre a reprodução dos peixes e a população de peixes no lago", disse ela. Kidd e seus colegas apresentaram as conclusões de seu estudo na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, esta semana. O trabalho foi financiado pelo governo canadense e pelo Conselho Norte-Americano de Química.
Douglas Chambers é biólogo do Centro de Ciência Aquática da Virgínia Ocidental, parte do Serviço de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos, e estudou as possíveis causas da presença elevada de peixes afeminados nas águas da bacia do rio Potomac.
Ele considera que atribuir a forte queda na população de vairões apenas à presença de estrógeno sintético é uma conclusão surpreendente. Chambers acreditava que a tendência a uma presença maior de peixes afeminados, somada a outros desgastes ambientais, poderia ter induzido ao colapso populacional. Mas o novo estudo demonstra que a presença de peixes efeminados basta para explicar o declínio.
Kidd, a diretora do projeto de pesquisa, e seus colegas acreditam que, se tivessem continuado a adicionar estrógeno às águas do lago por mais de três anos, o hormônio também começaria a exercer efeito sobre as populações de peixes de vida mais longa lá encontrados ¿trutas, rêmoras, bordalos.
"É essencial que os esgotos municipais sejam tratados em pelo menos dois estágios para reduzir a presença de estrógeno nas águas mais próximas da superfície", disse Kidd.
John Roach
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

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quarta-feira, 23 de maio de 2007

Grupo analisa iceberg do tamanho de Manhattan

     Cientistas no Pólo Norte pousaram de avião em um enorme iceberg do tamanho da ilha de Manhattan para realizar uma série de análises relacionadas a estudos sobre o efeito do aquecimento global na região do Ártico.
     O bloco de gelo tem 16 km de comprimento, cinco quilômetros de largura e chama-se Ilha de Gelo Ayles.
     Os pesquisadores chegaram à ilha flutuante com uma equipe da BBC e fincaram uma baliza de rastreamento em sua superfície. Segundo os cientistas, essa é a primeira expedição desse tipo.
     Isto vai permitir o monitoramento da ilha enquanto as correntes marítimas empurram o bloco pelo Oceano Ártico. A ilha de gelo se soltou da costa ártica do Canadá em 2005, mas foi identificada apenas recentemente.
     Durante 3 mil anos este bloco de gelo colossal estava seguro, fixo na costa norte canadense como parte da Plataforma de Gelo Ayles - mas agora o bloco se soltou.
     Atualmente o bloco está a cerca de 600 km do Pólo Norte, uma das regiões cuja temperatura sobe mais rapidamente na Terra. A equipe de pesquisadores, junto com a equipe da BBC, se aproximou da ilha de gelo em um pequeno avião.
     Derek Mueller, da Universidade Fairbanks do Alasca, escavou uma camada de neve da superfície para alcançar a camada de gelo logo abaixo. Mueller e Luke Copland, da Universidade de Ottawa, mediram o bloco, usando um radar capaz de penetrar no chão.
     Eles descobriram que a média de espessura do gelo variava entre 42 m e 45 m, o equivalente a um prédio de dez andares e um pouco mais espesso do que o esperado.
     Uma implicação pode ser que a ilha seja mais duradoura do que o esperado - estima-se que o peso total do gelo chegue a 2 bilhões de toneladas e isto levaria mais tempo para derreter do que o estimado inicialmente.
     Mas, segundo Copland, o fato de que um bloco de gelo tão espesso possa ter se soltado da costa em menos de uma hora - como aconteceu em agosto de 2005 - ilustra um problema alarmante. "Isto mostra como a mudança climática pode desencadear mudanças repentinas mesmo em grande escala - quando o bloco de gelo se soltou, a força da ruptura registrada foi a de um pequeno terremoto", disse.
     Os registros mostram que esta região do Pólo Norte - a costa norte da Ilha Ellesmere - perdeu 90% de suas plataformas de gelo no último século.
     A maioria destas perdas ocorreu no período mais quente da década de 40. Nos períodos mais frios das décadas seguintes parte das plataformas de gelo mostrou sinal de estar se reformando.
     "A diferença agora é que com a atual taxa de aumento de temperatura, estas plataformas de gelo provavelmente nunca serão reconstituídas", disse Mueller.
     Cientistas especialistas em clima prevêem que o Pólo Norte vai continuar esquentando - e a expectativa é de que as cinco plataformas de gelo restantes também se soltem.
     Antes de deixar a ilha de gelo, os cientistas instalaram um dispositivo de localização via satélite, pois o bloco continua se deslocando para oeste e pode ameaçar plataformas de petróleo e usinas de gás na costa do Alasca.

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quarta-feira, 16 de maio de 2007

Leviandade sobre o aquecimento global

     Qual seria o custo macroeconômico de cortar pela metade as atuais emissões de gases de efeito estufa, de modo a que a temperatura média do planeta não aumente mais que dois graus centígrados neste século?
     Menos de 3% do PIB mundial de 2030, o equivalente a uma redução das taxas médias anuais de crescimento inferior a 0,12%.
     Essa é uma das principais estimativas oficiais do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC), conforme a contribuição de seu Grupo de Trabalho III para a quarta avaliação, cujo sumário de 35 páginas foi lançado em Bangcoc no dia 4 de maio, e está disponível em
http://www.ipcc.ch/ .
     Baseada nesse texto dirigido a "policymakers", a mídia divulgou  mensagens do tipo:
-  "Mundo tem dinheiro e tecnologia para frear aquecimento";
-  "Combater mudanças climáticas é possível e barato";
-  "Vontade política reduz emissões";
-  "Não precisamos de soluções complexas para controlar clima"; ou;
-  "Salvar o planeta custa 2% do PIB".
     Dessa forma, a opinião pública só poderá mesmo supor que o controle da mudança climática dependa exclusivamente de um "pacto político", já que obstáculos econômicos seriam irrisórios.
     Todavia, pontificar que o preço de salvar o planeta da crise climática se aproxima de 2 ou 3 % do PIB mundial de 2030 é o mesmo que tirar coelho de cartola.
Isso porque qualquer tentativa de análise de custo-benefício de iniciativas mitigadoras do aquecimento global esbarra imediatamente em duplo dilema ético sobre a relação do bem-estar de gerações futuras com o da presente, e das desigualdades desse bem-estar que são independentes do momento de sua existência.
     Pior: esse duplo dilema permanece muito sério, mesmo que se tente diminuir a dificuldade pela suposição de que o bem-estar dependa exclusivamente do nível de consumo.
     Apenas no que se refere ao conflito intergeracional, de longe o mais lembrado na questão da mudança climática, há pelo menos quatro maneiras de tentar superar o problema.
     Duas são bem usuais: a) optar pela neutralidade, supondo que todas as gerações estejam em pé de igualdade; ou b) considerar que cada geração deve deixar para a seguinte pelo menos tanta riqueza (tangível, natural, humana, social, tecnológica etc) quanto a que herdou da anterior.
     As outras duas são bem raras: c) admitir a necessidade de que seja maximizado o bem-estar econômico da geração menos privilegiada; ou d) assumir a linha de máxima prudência, com mínimo consumo e risco zero.
     Para efeito de cálculo, tais saídas corresponderão a diferentes intervalos de "desconto do futuro", essa espécie de reverso da taxa de juros, que serve para estimar o valor presente de alguma coisa que só poderá ocorrer amanhã.
     Os que optam pela saída mais simples, de não atribuir diferenças às gerações, descontam o futuro a taxas próximas de zero.
     E concluem que é preciso fazer um grande sacrifício agora, pois a inação implicará custos sempre crescentes.
     Já William Nordhaus, o mais antigo e mais prestigiado pesquisador da economia do aquecimento global, vem adotando uma taxa de desconto bem alta, de 3%, o que o leva a propor uma "climate-policy ramp", na qual a redução de emissões deveria ser moderada no início do processo e só posteriormente intensificada.
     Para ele, em vez de impor agora sérios limites compulsórios às emissões, seria mais racional investir pesado nos sistemas de educação e de CT&I.
     Uma proposta que foi reforçada pela influência adquirida pelo estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, mesmo que por outras razões.
     Na contramão, por adotarem taxas de desconto próximas de zero, chegaram a conclusões opostas tanto um influente estudo de 1992 realizado por William Cline, quanto o relatório encomendado pelo governo britânico ao Sir Nicholas Stern, que ganhou fama há seis meses.
     Tendência reforçada por Sir Partha Dasgupta, um dos mais conceituados economistas ambientais, muito embora ele tenha criticado o "Stern Review" por não ter levado em conta o problema das presentes desigualdades de bem-estar.
     As outras duas maneiras de enfrentar o dilema ético intergeracional não se prestam a cálculos desse tipo, pois é impossível saber qual será a geração mais deserdada, e inviável pensar, por exemplo, numa adoção radical do "princípio responsabilidade", proposto pelo filósofo alemão Hans Jonas.
     É claro que ambas exigiriam opções extremas, que combinassem forte taxação sobre o carbono a firmes políticas industriais dirigidas à adoção de tecnologias (físicas e sociais) que acelerassem a descarbonização das matrizes energéticas.
     Além disso, tais investimentos não deveriam ser apresentados como sacrifícios que reduziriam taxas de crescimento do PIB global, mas sim como parteiros de novas atividades e novos mercados que certamente dinamizariam as economias nacionais envolvidas.
     Mesmo que tal fenômeno não possa ser captado por essa anacrônica maneira de medir a riqueza que é o PIB, ele decerto seria detectado por novos indicadores, como é o caso da ´poupança verdadeira´ ("genuine savings"), ou ´poupança líquida ajustada´ ("adjusted net savings"), propostas pelo Banco Mundial.
     Não há como decidir qual seria a taxa de desconto mais apropriada. Cada análise a estipula com base em algum pressuposto ético.
     Por isso, é leviandade divulgar um documento que contém estimativas de custo para determinados cenários de redução de emissões sem que se esclareça aos mortais qual foi a taxa escolhida, e por quê.
     É usar o prestígio e a autoridade das Nações Unidas para iludir "policymakers" e confundir a opinião pública em geral. De resto, não há qualquer evidência de que mesmo a mais completa adoção das inovações tecnológicas disponíveis seria suficiente para "frear o aquecimento".
     Ao contrário, até uma possível "revolução do hidrogênio", que permitisse que as economias mais desenvolvidas diminuíssem com rapidez sua dependência das fontes fósseis de energia, não garantiria que o aquecimento global fosse "freado".
     Em suma, é imperdoável que se deixe isso tudo de lado para fazer crer que o problema seja só de "falta de vontade política".
(Valor Econômico, 15/5)
José Eli da Veiga (site: http://www.zeeli.pro.br), professor titular do Depto. de Economia da FEA/USP e coordenador de seu Núcleo de Economia Socioambiental (Nesa). Artigo publicado no "Valor Econômico":

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terça-feira, 15 de maio de 2007

Mar no Japão esquentou o triplo da média mundial

As temperaturas de grande parte das águas que cercam o arquipélago japonês subiram nos últimos cem anos até 3,2 vezes mais que a média mundial, que foi de 0,5ºC, informou hoje a Agência de Meteorologia do Japão.
O aumento da temperatura dos mares japoneses oscilou entre 0,7ºC e 1,6ºC, e há uma grande probabilidade que sua causa seja o aquecimento global, segundo fontes citadas pela agência Kyodo.
As temperaturas médias subiram pelo menos um grau centígrado em quase todas as treze zonas pesquisadas pelo estudo da Agência de Meteorologia do Japão, aumento semelhante ao da superfície terrestre neste mesmo período, fato atribuído ao efeito estufa.
As zonas pesquisadas incluem o Mar Amarelo, o Mar do Leste da China e o mar em frente à ilha de Shikoku. As conclusões do estudo se baseiam em cerca de 20 milhões de dados coletados desde o final do século XIX por navios comerciais e das investigações em águas de até dois metros de profundidade.

sábado, 12 de maio de 2007

Nibs - o campeão do microlixo marinho


Talvez o maior desafio da medicina nesse século seja o controle da Aids. E é bem provável que a sua cura seja descoberta em um futuro próximo. Só que a vida marinha muito provavelmente não terá a mesma sorte de ser curada de um mal que contamina os ecossistemas marinhos de forma análoga. Trata-se de um "vírus industrial" cuja sigla circula pelas guias de exportação e importação do setor petroquímico. São os nibs, umas bolotinhas brancas com tamanhos que variam entre 1 e 5 mm transportadas por pelo menos 20% da frota mundial de navios mercantes. 

Nibs já são encontrados em áreas remotas dos oceanos, disfarçados entre os grãos de areia das praias do mundo inteiro. Em linguagem técnica, os nibs são o resultado da peletização industrial de resinas sintéticas oriundas da polimerização de hidrocarbonetos derivados de petróleo e gás. O objetivo dessa fragmentação em mini-pelotas é facilitar a armazenagem, transporte e o processamento da matéria-prima do plástico, a melhor ou talvez a pior invenção industrial do século XX, depende do ponto de vista. Se por um lado esse comoditie diminui a pressão sobre matérias-primas naturais, principalmente as árvores, por outro contamina o ambiente com resíduos sólidos de um modo nunca visto. Podemos ver sacos e pedaços de plásticos por toda parte, de vários tamanhos. Nesse caso o problema é mais estético. E os pedaços que vemos podem ser evitados com programas de educação ambiental e de reciclagem. Mas e os que não vemos? Nem sequer sabemos que existem. Há um processo de contaminação crônica e cumulativa de microlixo plástico nos oceanos que começa a preocupar governos, ongs, órgãos ambientais, cientistas e ambientalistas do mundo todo.

Tudo começou quando um infeliz qualquer, possivelmente engenheiro da tecnologia petroquímica, imaginou um modo prático de transferir matéria-prima para a fabricação de plástico inspirado no modelo agroindustrial de transporte de grãos de soja. Pra variar pensou apenas em uma parte do processo. Imaginem aquelas montanhas de soja estocadas nos silos e armazéns. Dunas orgânicas. Agora imaginem dunas sintéticas de nibs em armazéns da indústria petroquímica. São igualmente transferidos para caminhões ou e vagões de trem através de esteiras rolantes a céu aberto. O transporte terrestre leva invariavelmente até o porto mais próximo, onde são novamente transferidos por esteiras rolantes para sacos de papelão enormes e containeres que são acondicionados no porão dos navios. Daí são transportados para o outro lado do oceano e descarregados.

Durante o transporte e transferência de cargas, a perda é inevitável. Ventos fortes e enxurradas de água de chuva roubam parte da carga que vaza das esteiras rolantes ou dos sacos de papelão e, na maioria das vezes, acaba no mar. E daí, um abraço. Só Deus e os oceanógrafos físicos sabem pra onde vai. As correntes de maré e circulação oceânica se encarregam de transportar e dispersar os pequeninos e terríveis nibs, num processo lento e contínuo, que os leva para todas as praias do mundo e as áreas mais remotas dos oceanos do planeta, como o Ártico, Antártico, Mar dos Sargassos e giros subtropicais do Pacífico. Já em 1980 foram detectados densidades de mil e quatro mil nibs por km2 nas regiões temperadas dos Oceanos Atlântico e Pacífico (Vooren & Fernandes 1995)

Os Estados Unidos são campeões da produção de plástico peletizado. São cerca de 27 milhões de toneladas ou 1 quadrilhão dessas pelotas produzidas anualmente e transportadas entre os pólos petroquímicos americanos e os portos exportadores – que os levam aos portos importadores – que os distribuem para outros centros industriais europeus e asiáticos. No início da década de 90, os congressistas americanos, pressionados pela opinião pública, além de cientistas e ambientalistas exigiram a formação de uma força tarefa governamental, liderada pela NOOA e pela Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, 1992). Tornou-se urgente um diagnóstico da contaminação dos nibs na zona costeira americana e no mundo. O relatório da EPA revelou que os nibs já eram parte inseparável do lixo em suspensão e do sedimento de fundo e da areia da praia de todos os oceanos, sem exceção. Revelou também que a contaminação se dá ao longo do processo industrial de peletização, armazenagem, transporte e processamento do material.

Agora, vamos supor que haja uma perda mínima, irrisória de 0,001% dessa matéria durante o transporte terrestre e marítimo. Mesmo sendo essa perda infinitamente menor do que a média entre 0,1 e 0,25% diagnosticada no relatório da agência americana, isso ainda representa 10 bilhões de nibs que podem chegar à zona costeira pelas linhas de drenagem urbanas e industriais todos os anos. Mesmo que minhas estimativas sejam exageradas, e que o número seja muito menor, os nibs duram de 1 a mais de 10 anos no mar, dependendo das condições ambientais que aceleram ou retardam a degeneração do produto, bem como da natureza do polímero e dos aditivos adicionados para aumentar a resistência a UV's, temperatura ou alterar a densidade. Com isso, ocorre a bioacumulação das pelotas virulentas na teia alimentar. E é aí que vem o pior.

O impacto sobre os animais marinhos

A maioria dos nibs são esféricos, ovais ou cilíndricos, e a cor é normalmente branca ou transparente. Portanto, são quase que imperceptíveis ao olho humano. Mas são detectados pelos olhos de animais famintos que os confundem com comida em suspensão ou na beira da praia. A contaminação da teia alimentar por nibs está crescendo de modo crônico e cumulativo. Como um pesticida sólido. Partículas estranhas e atraentes que invadem o estômago das criaturas marinhas que, como criançinhas inocentes, aceitam balinha de uma natureza estranha. Mais uma praga industrial que contamina nossos animais.

Aves e tartarugas marinhas são os mais ameaçados, tendo em vista a freqüência com que nibs são encontrados no trato digestivo desses animais (Rayan, 1990). Pesquisas indicam que pelo menos 80 espécies (=25%) de aves marinhas ingerem nibs ativamente ou passivamente através da teia alimentar. Dentre as aves, principalmente o grupo da ordem Procelariformes, que inclui os albatrozes e petréis. Essas aves têm o hábito de se alimentar apenas na superfície do mar, com mergulhos curtos ou simplesmente ciscando ovos de peixes, lulas e pequenos animais planctônicos. Estudos indicam que os nibs podem permanecer no trato digestivo das aves entre 10 a 15 meses, ocupando espaço, diminuindo a eficiência alimentar e a absorção de nutrientes, causando enfraquecimento e morte dos animais (Day et al., 1985; Ryan & Jacksson, 1987). Produtos químicos que são adicionados aos nibs para alterar suas características físicas e químicas, ou contaminantes absorvidos pelos nibs durante sua permanência em suspensão na água, têm efeito fisiológico tóxico nos animais, prejudicando processos de migração e reprodução.

O microlixo contamina animais e praias do Brasil

O microlixo plástico tende a ser leve e geralmente flutua na superfície do mar, agregando-se ao longo de zonas de convergência de massas de água, onde o detrito orgânico e lixo industrial se acumulam. Essas regiões são locais de alimentação de tartarugas marinhas. O lixo plástico serve de substrato de fixação para vários invertebrados marinhos, enriquecendo-os com matéria orgânica e dando uma aparência mais "apetitosa" ao plástico.

Mamíferos e tubarões também são vítimas do lixo plástico. Márcia Oliveira, do Laboratório de Mamíferos do Centro de estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná, estuda a população do boto Sotália fluviatilis da Baía de Paranaguá. Frequentemente encontra tampas de caneta, linhas de nylon e pequenos resíduos plásticos no conteúdo estomacal de animais mortos acidentalmente.


Apesar do tamanho, os nibs também são colonizados por bactérias e invertebrados bênticos, iludindo albatrozes e petréis, sobretudo em períodos de escassez de alimento quando o hábito alimentar torna-se menos seletivo. Além disso, a ingestão de nibs diminui a sensação de fome das aves, que se alimentam menos. A presença dos nibs no estômago de aves da região Sul do Brasil tem sido comprovada por Ricardo Krul, especialista em aves marinhas também do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná. O resultado de seus trabalhos e dos seus colaboradores é preocupante. A densidade de nibs encontrados nas praias de Pontal do Paraná (PR) chega a milhares por metro quadrado.

Os nibs são a pior causa do microlixo sólido e podem causar danos irreversíveis nas comunidades biológicas marinhas se a contaminação continuar indefinidamente. A única solução é a gestão mais adequada e o controle rigoroso da atividade de transporte e armazenagem por parte da indústria petroquímica, evitando perdas e prejuízos para a indústria e, sobretudo, para o oceano global.

Referências

Environmental Protection Agency, 1992. Report.
Plastic Pellets in the Aquatic Environment: Sources and Recommendations. United States Environmental Protection Agency Office of Water (WH-556F) EPA 842/B-92/010 Dec92

Day, R.H., D.H.S. Wehle, and F.C. Coleman. 1985. Ingestion of plastic pollutants by marine birds. Pp. 344-386 in Shomura, R.S, and H.O. Yoshida (Eds.), Proceedings of the Workshop on the Fate and Impact of Marine Debris, November 27-29, 1984, Honolulu, Hawaii. NOAA Tech. Mem. NOAA-TM-NMFS-SWFC-54. Department of Commerce, National Oceanic and Atmospheric Administration, National Marine Fisheries Service, Washington, DC.

Ryan, P.G. 1990. The effects of ingested plastic and other marine debris on seabirds. Pp. 623-634 in Shomura, R.S., and M.L. Godfrey (Eds.), Proceedings of the Second International Conference on Marine Debris, 2-7 April 1989, Honolulu, Hawaii. NOAA Tech. Mem. NMFS, NOAA-TM-NMFS-SWFSC-154. Department of Commerce, National Oceanic and Atmospheric Administration, National Marine Fisheries Service, Washington, DC.

Ryan, P.G. and S. Jackson. 1987. The lifespan of ingested plastic particles in seabirds and their effect on digestive efficiency. Mar. Pollut. Bull. 18(5):217-219.

Vooren C.M. & Fernandes A.C. 1994. Guia de albatrozes e petréis do sul do Brasil, Capítulo "Os Procellariiformes e o Homem, p.33-38.
 
 
Autor:
Frederico Brandini
Oceanógrafo, é Professor Adjunto da Universidade Federal do Paraná. Foi pesquisador do Programa Antártico Brasileiro e diretor do Centro de Estudos do Mar da UFPR em Pontal do Paraná. Mais sobre o autor em Quem Somos.
 
 

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quinta-feira, 26 de abril de 2007

Descoberto fóssil da árvore mais antiga do mundo

Caçadores de fósseis americanos encontraram a mais antiga árvore conhecida, semelhante a uma palmeira gigante, da espécie denominada Wattieza, que viveu 380 milhões de anos atrás. Sua descoberta resolve um enigma que consumia os paleobotânicos há 137 anos e lança luz sobre como as florestas esculpiram lentamente, mas poderosamente, a paisagem terrestre, informaram os exploradores.
Pedaços de Wattieza já haviam sido encontrados antes, mas as novas descobertas confirmam sua impressionante semelhança com a samambaia moderna. Ela tinha um tronco fino, semelhante ao de uma palmeira, e no topo, um tufo de frondes (folha de palmeira), um sistema que, de forma inteligente, conservava os recursos para promover o crescimento vertical de forma que a árvore pudesse se destacar entre as copas das outras árvores e captar luz solar.
Ela tinha apenas um pequeno sistema de raiz, se reproduzia através de esporos e provavelmente chegava aos 10 m de altura quando adulta. A Wattieza se originou no período Devoniano Médio, de 397 a 385 milhões de anos atrás, que foi uma época crítica na evolução das primeiras plantas terrestres.
Quando estes espécimes de Wattieza viviam, a vida terrestre na região se limitava a pequenos artrópodes, um filo animal que inclui insetos, aranhas e crustáceos. "As árvores precederam os dinossauros em 140 milhões de anos", explicou o paleontólogo Ed Landing, um dos autores do artigo. "Não havia nada voando, nem répteis, nem anfíbios" no mundo, acrescentou.
O artigo será publicado na edição desta quinta-feira da revista científica britânica Nature. Em junho de 2004, Linda VanAller Hernick e Frank Mannolini, do Museu do Estado de Nova York, encontraram a coroa fossilizada de uma enorme árvore em uma mina de calcário de Nova York que já foi um sítio abundante de fósseis de plantas e artrópodes.
Correndo contra o relógio, já que a mina estava prestes a ser explorada para retirar pedras para o conserto de rodovias, os dois utilizaram uma serra industrial, uma picape e uma grua para extrair o espécime de 200 kg.
Depois de obter autorização para continuar explorando o local, no ano seguinte os cientistas escavaram um tronco de árvore da mesma espécie, retirando-o fragmento por fragmento e montando-o como se fosse um quebra-cabeça fossilizado de 8 m. A dupla descreveu os espécimes em seu artigo como simplesmente "espetaculares".

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